Eu tenho um problema com as séries da Marvel na Netlix

Escrito por Diário

Terminei de assistir a terceira temporada de Demolidor, fruto da parceria entre Marvel e Netflix. A resenha vai ficar para depois, porque preciso falar sobre algo que me incomoda bastante no universo dos super-heróis. Especificamente no universo criado pela Netflix.

ALERTA DE SPOILER: Não leia daqui em diante se você ainda não assistiu Os Defensores, a segunda temporada de Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro ou terminou a última temporada de Demolidor. Tem muitos spoilers e não quero estragar a sua diversão.

(mais…)

Continue lendo →

Esse talvez seja o último post desse blog

Escrito por Diário

Eu mal voltei com esse blog e já perdi completamente a vontade de escrever.

Preciso admitir que o maior culpado disso é o clima polarizado do Brasil durante essas eleições. Toda a minha vontade de escrever esvaiu-se à medida em que eu digitava os famosos textões em discussões sem fim ou sentido nas caixas de comentários das redes sociais.

Dediquei tanto esforço a converter votos ou pensar em insultos cada vez mais elaborados que acabei deixando a minha escrita pessoal de lado. E o que aconteceu? Provavelmente perdi amigos, devo ter sido jurado de morte uma ou duas vezes e no final das contas, todas as discussões em que me envolvi não me levaram a lugar algum e foram mais improdutivas que certo candidato em 28 anos como deputado. Mas aumentei consideravelmente o meu repertório de xingamentos.

Isso acaba amanhã.

Dependendo do resultado, fica até difícil saber se ter um blog será algo aceitável pelo futuro regime. Não quero pagar pra ver e, por isso, talvez seja melhor aproveitar esses supostos últimos dias de democracia para retomar a minha escrita e deixar um legado. Nunca se sabe quando a sua qualidade narrativa poderá servir de passaporte para um exílio no Chile ou na França (se depender das pessoas com quem discuti, talvez seria Venezuela ou Cuba, mas quero experimentar bons vinhos).

Por via das dúvidas, é melhor deixar tudo arrumado por aqui.

Mas eu posso estar enganado e tudo continuará na mesma. Talvez o Brasil continue como uma democracia, com menos amigos e, consequentemente, menos festas de aniversário para ser convidado. Vida que segue, como diria algum poeta anônimo.

2018 talvez tenha sido um dos anos mais bizarros da nossa história recente. Os ânimos estão exaltados como nunca se viu. Em todos os lugares só se fala de eleições. Independentemente do seu candidato.

Falar sobre política não quer dizer que ficamos mais politizados. Basta ver a quantidade de notícias falsas que são compartilhadas diariamente nos grupos de Whatasapp e nas timelines de redes sociais.

Esse talvez seja um dos fatores que mais me desanimou de escrever nessa retomada do blog. A quantidade de pessoas que compartilham alguma coisa sem ler, sem questionar, com base apenas em um título extremamente sensacionalista – o famoso click bait – e alguma imagem chocante ou meme.

Por que gastar algumas horas escrevendo um texto, revisando, colocando todos os meus sentimentos para fora sendo que, no final das contas, as pessoas não passarão das primeiras 6 palavras ali de cima? E se passarem, mesmo que seja um texto extremamente pessoal, ainda corro o risco de receber algum comentário com “fake news”.

Não tem sido fácil investir em escrita no Brasil. Talvez nunca tenha sido. Mas agora, quando as pessoas se informam mais pelo Whatsapp que pela mídia tradicional, fica difícil querer levar a sério esse ofício.

Não sei quando volto. Se volto. Talvez essa URL nem passe pelo crivo do novo regime, mas mantenham-se firmes. Não desistam. Podemos perder essa batalha, mas a resistência só acabará com o fim da nossa existência.

Continue lendo →

Assistindo Hereditário e quase me borrando

Escrito por Assistindo

Talvez eu não seja conhecido pela minha capacidade de fazer boas escolhas. Veja bem, o meu blog não tem título até hoje. Por ai você já pode começar a traçar um perfil da minha personalidade nesse aspecto. Mas em algumas situações eu me supero no quesito “péssimas escolhas”: nessa madrugada resolvi assistir Hereditário, último filme de “horror” que caiu na boca do povo nos últimos meses.

Não tenho nenhum problema com filmes desse gênero. Porém, eventualmente eu sou fisgado por alguns deles que sabem muito bem como me deixar tenso. E Hereditário fez isso muito bem.

Esse texto não é uma resenha. Eu não quero falar sobre a qualidade técnica, roteiro ou direção do filme. Quero focar no fator “eu estive a um espirro de perder o controle do meu ânus e eventualmente me borrar de medo.

Sim. Hereditário acaba de entrar para o hall de filmes que quase fizeram o Rafael perder a dignidade e o controle do esfincter.

Eu vou deixar o trailer aqui pra vocês darem uma olhadinha e abaixo tentarei resumir de forma muito breve a história.

Sobre a história, tudo gira em torno da morte da “matriarca” da família e uma série de acontecimentos bizarros que vem em decorrência disso.

As informações sobre o passado dos personagens, principalmente dessa avó, são ditas aos poucos e vão construindo todo o cenário para compreender as situações estranhas que vão se desenrolando ao longo do filme.

Eu, particularmente, tenho um problema com “crianças estranhas de filmes”. E a “criança estranha” de Hereditário foi escolhida a dedo. Além disso, a personagem da Toni Collette faz maquetes hiper-realistas, dando a impressão de que tudo se passa dentro dessas miniaturas, já que o filme faz questão de  reforçar uma certa claustrofobia em cenários fechados.

Não é um filme de “sustos”, apesar de ter alguns. Não espere nada na linha Invocação do Mal. É na sutileza que o filme trabalha o horror, principalmente o psicológico.

Eu fui derretendo à medida que a personagem da Toni Collette também se derretia. Nos últimos 30 ou 40 minutos eu estava a ponto de parar de assistir porque já estava sentindo dores no maxilar de tanta tensão.

O clímax do filme tem uma pequena parte que corta absolutamente todo clima que estava sendo construído até aquele momento, colocando um elemento que até então não tinha feito parte da construção daquele universo, mas retoma bem demais nos últimos 10 minutos.

No final das contas eu sobrevivi e a minha dignidade também. E recomendo bastante o filme se você estiver afim de assistir um desses filmes que trabalha o terror de forma mais psicológica do que gráfica.

Continue lendo →

Um reboot necessário

Escrito por Diário

Eu nasci em 1986. Um pouco depois ou um pouco antes dos melhores filmes já produzidos por Hollywood: Clube dos Cinco, Os Goonies, Curtindo a Vida Adoidado e Conta Comigo. Mas ao contrário dessas obras-primas cinematográficas (que não tem a menor necessidade de uma refilmagem) senti que meu blog precisava de um reboot.

São mais de 12 anos de Sem Título Ainda…

Comecei esse blog com 20 anos de idade. Hoje estou com 31 (quase 32). É natural que muita coisa daquela época já não faça o menor sentido hoje em dia.

Mudei de opinião a respeito de muitos assuntos. Acho que essa é uma das poucas vantagens de se ficar velho e alcançar a tal da maturidade. É poder olhar pra trás e ver o quanto você evoluiu.

É inacreditável o tanto de coisa desnecessária que eu escrevia nesse blog. Se você acha que “influenciadores digitais” se expõe demais, é porque você provavelmente não viu os mais de 1.000 posts que haviam aqui.

Da mesma forma que alguns filmes recebem edições comemorativas com cenas adicionais, making-offs, conteúdo extra e comentários do diretor, eu farei exatamente o mesmo por aqui.

Nos últimos meses fiz uma grande limpa nos arquivos do Sem Título Ainda… É como se tivesse mandado o blog para a sala de edição novamente. Essa agora é a “versão do diretor”.

Não excluí todos os posts. Querendo ou não, é quase uma vida de história compartilhada nesse blog.

Revisei alguns posts corrigindo erros de português que passaram batidos. Em outros casos, retirei trechos inteiros que não acrescentavam em nada ao assunto e eram fruto de uma cabeça bem diferente da minha.

O melhor de tudo: tentei, ao máximo, fazer “comentários” sobre cada um desses posts. O que eu estava pensando na época? O que estava sentindo? O que eu queria dizer e, quando o post ficou pronto, eu realmente disse?

A edição comemorativa dos 12 anos do blog é realmente para colecionadores.

Mas não espere que eu vá te dar isso tudo com facilidade. Você vai ter que merecer os melhores momentos do Sem Título Ainda…

Como um bom fã de filmes e séries, os posts antigos estão por aí, mas colocarei alguns easter eggs para os melhores. Se você me lê desde o começo, provavelmente vai se lembrar de alguns deles.

Pode não parecer, mas em algum momento da história da humanidade os blogs foram os reis da internet. E alguns dos meus textos até que tiveram algum destaque por aí.

Porém, agora é uma nova hora. Sai o Rafa Barbosa jovem adulto cheio de coisas pra falar e entra o Old Man Rafa. 

Esse espaço agora vai ser um diarinho mesmo. Resgatando aquele espírito da blogosfera do início dos anos 2000.

Vou escrever sobre os livros que estou lendo, os filmes e séries que tenho assistido, os discos que tenho escutado e, eventualmente, alguma história inusitada que tenha acontecido no meu dia a dia. Mas não fique muito esperançoso. Depois dos 30 anos a nossa vida não tem muitas aventuras.

Por que um reboot?

Eu tenho um apego muito grande por esse blog. Ele estava completamente parado e nunca tive coragem de apagá-lo. Excluir completamente seria matar uma parte de mim. Meu blog é basicamente uma horcruxe.

Mas ao longo do tempo as coisas foram mudando. As pessoas deixaram os blogs de lado e migraram para o Youtube ou outra rede social.

As comunidades de blogueiros foram morrendo aos poucos. Aqueles que conseguiram sobreviver foram investindo em outras mídias. Alguns se tornaram Youtubers, outros se tornaram podcasters. E teve aqueles que simplesmente deixaram de existir.

Além disso, o “blog” foi se tornando cada vez mais uma “ferramenta de marketing”. As pessoas deixaram de blogar por prazer. O blog agora tinha que atender a um objetivo específico: gerar dinheiro para o autor.

E com tantos blogs “corporativos” disputando as primeiras posições do Google, aqueles que falavam sobre outros temas foram sumindo aos poucos, relegados às últimas páginas da busca.

Eu? Bom, acabei migrando para o Medium. Lá oferece um espaço para escritores, já tem uma audiência e não depende muito de todas essas técnicas que o Google nos obrigou a aprender nos últimos anos.

Se você quiser, pode acompanhar meus textos por lá. Aqui será muito pessoal. No Medium é mais abrangente.

Talvez daqui a alguns anos os blogs voltem à moda. Essa tal geração de Millenials vem revivendo as coisas dos anos 80, 90 e daqui a pouco chegam aos anos 2000. E ai ter um blog será algo legal de novo. Meio hipster, meio trending.

Enquanto isso vou ficando por aqui.

Continue lendo →

Desculpe o transtorno, preciso falar da Carolina

Escrito por Arquivo

Conheci ela no Twitter. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar os tweets antigos do Neymar chegando com o refri da rapaziada. Mas o Tweet em questão foi o de um amigo em comum dando RT nela.

Ela tinha bons tweets. Eu não tinha bons tweets, mas seguia as pessoas que tinham bons tweets. Ela estava lá. Twittando.

Nunca vou me esquecer: o primeiro tweet foi esse:

Quando alguém fazia uma piada, ela dava RT. Quando ela tuitava algo, eu favoritava. Quando ela mandava alguma indireta, eu fingia de bobo e de difícil, mas no fundo estava pulando de alegria.

O cabelo ruivo (apesar dela jurar que é loira de nascença e todo mundo saber que no fundo ela é morena), deixava claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passei algumas semanas enrolando para adicioná-la no Facebook. Até que um dia ela me adicionou. Passei mais algumas semanas para puxar assunto pela primeira vez. Até que puxei e acabei contando um spoiler de Game of Thrones.

De lá, migramos para o Whatsapp. Não sem antes eu enrolar mais algumas semanas para pedir o número dela.

Começamos a namorar quando ela tinha 19 e eu 26, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries (Glee). Algumas várias vezes (Friends). Fizemos todas as receitas existentes de strogonoff (o dela). Queimamos algumas panelas de comida porque eu não sei cozinhar e ela provavelmente estava tentando harmonizar o feed do Instagram.

Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passarão pela porta da nossa futura casa. Escrevemos juntos séries (temos uma piada interna em que nosso namoro é uma sitcom).

Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Clubão da Porra. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois (todos no Snapchat).

Sofremos com o nosso único hater, rimos com os nossos shippers (meus seguimores do Twitter).

Viajamos o mundo dividindo o som do meu carro. Das dez músicas que eu mais gosto, nenhuma delas importa, já que a playlist que toca é sempre escolha dela.

Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, “omisplicando” e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a chance de namorar com ela.

Não terminamos. E espero não terminar nunca. Só de pensar que isso possa acontecer um dia eu já choro mais que no final de How I Met Your Mother. Mais que na cena final de Ghost.

Até hoje, não tem um lugar que eu vá sozinho em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Dependendo do dia da semana e do horário ela está trabalhando ou está na aula. Mas em breve vou buscá-la.

Se ao menos a gente tivesse um filho… bom, essa frase eu não posso nem completar senão ela me mata.

Essa semana, pela primeira vez, ela me cobrou um texto publicamente. Não por acaso, baseado em um texto sobre uma história de amor. Achei que fosse me dar um branco. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda por saber que tenho vivido com o grande amor da minha vida.

E  de ter esse amor documentado em várias fotos do Instagram e tweets antigos. Falta muita coisa ainda, mas espero poder dizer daqui a 50 anos que não falta mais nada.

Continue lendo →

Relações de trabalho em nossa vida

Escrito por Arquivo

Algumas reflexões sobre relações de trabalho.

Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa que ama a rotina.

Acordo e saio de casa no mesmo horário todos os dias, estaciono na mesma vaga  e sento-me no mesmo lugar da cozinha na hora do almoço.

Não sei se isso é algo bom ou ruim, mas funciona pra mim.

Quem também ama a minha rotina são os vendedores de lanches.

Tem o cara do tropeiro da firma, tem o caixa da padaria e a família do cachorro-quente.

Sem contar aqueles que já fizeram parte da minha vida mas que hoje não tenho contato.

A família do cachorro-quente merece destaque por me atender há mais de 4 anos.

Digo família, porque realmente é uma família.

Começou com o dono do carrinho de cachorro-quente e a esposa.

Depois de um tempo vieram os filhos, que passaram a trabalhar durante as férias e agora são “fixos”.

Meu contato com eles é tão próximo que eles enxergam meu carro estacionando de longe e já começam a preparar o dogão do jeito que eu gosto: pão, salsicha, queijo, molho e batata palha apenas.

Além de gostar da rotina, também gosto das coisas simples da vida e um bom cachorro-quente não precisa ter nada além desses ingredientes.

Só um molho de alho, ketchup e maionese pra dar um “grauzinho”.

Relações de trabalho na prática

Quando eu estava me preparando para o concurso da polícia, há três anos, fiquei muito tempo sem comer porcarias.

Senti muita falta desse cachorro-quente e essa família sentiu minha falta, pois quando apareci por lá me abraçaram e perguntaram se eu estava doente, já que da última vez que me viram eu pesava praticamente o dobro.

Me deram um cachorro-quente de graça pra tentar me recuperar.

“Tá muito magrinho, viu, Rafael? Não gostei de você assim não”.

Depois de alguns meses, voltei a frequentar o cachorro-quente com a frequência habitual: pelo menos duas vezes por semana.

Atualmente não estou comendo cachorro-quente, apesar de o coração ficar apertado e o estômago chorar em protesto.

Mas tenho certeza que se passar por lá, o pessoal vai me tratar com o mesmo carinho de sempre.

Acho que tenho essa magia.

Essa coisa de ser extremamente simpático e amável com quem me fornece comida.

Espero manter essa qualidade o resto da vida.

Essa é a parte bonita sobre as relações de trabalho.

Quando surge uma amizade entre vendedor e cliente.

Continue lendo →

10 anos de vida desse blog

Escrito por Arquivo

Hoje esse blog completa 10 anos de vida. Se me perguntassem lá atrás, em 2006, como eu me via no futuro, minha resposta dificilmente seria “escrevendo o post de aniversário do Sem Título Ainda”.

Eu provavelmente diria algo como “curtindo o meu primeiro milhão em algum lugar paradisíaco rodeado de gatas, bons drinks e notas de cem dólares”. Afinal, quando criei o blog, vivíamos a era de ouro da blogosfera, mesmo que ganhar dinheiro com o blog não tenha sido nem de longe o meu objetivo.

Eu falhei miseravelmente em conquistar o meu primeiro milhão, mas nunca desisti desse espaço. Não dei o braço a torcer para todas as novas tendências que vieram depois.

O Twitter não matou o meu blog. As fanpages do Facebook não mataram o meu blog. O Youtube e seus vlogs não mataram o meu blog. E hoje, apesar de estar publicando mais lá do que aqui, o Medium não irá matar o meu blog.

Enquanto a maioria dos meus amigos da blogosfera seguiram todas essas tendências, migrando seus conteúdos para outras mídias ou simplesmente abandonando esse “ofício”, eu continuei firme e forte por essas bandas.

Transformei o gosto por blogar em profissão. Ganho pouquíssimo ou quase nenhum dinheiro com esse blog. Jamais daria pra me sustentar apenas com o que esse espaço rende, mas graças a ele, hoje tenho uma profissão.

Graças a esse blog e o ~universo da blogosfera~, fiz amigos incríveis. Muitos deles que levarei para o resto da vida. Tem aqueles que se tornaram amigos também no mundo real e outros que mantenho contato frequente através da internet.

Esse foi o maior lucro que esse blog me rendeu.

Se já pensei em desistir? Claro. Manter qualquer coisa por amor é difícil. Mas esse blog é como se fosse meu filho, e um pai jamais desistiria da prole se tivesse o mínimo de condições para sustentá-la.

Por essas páginas já passaram dezenas de histórias da minha vida. Dá pra ver através do histórico o quanto eu evoluí como pessoa.

Apaguei alguns posts escritos há mais tempo, que hoje em dia não condizem em nada com o que eu penso. Alguns ainda estão por ai, servindo de exemplo de como podemos melhorar com o passar dos anos.

Meu blog é praticamente um diário. Centenas de posts totalmente “biográficos”. É a minha história contada pelo meu próprio ponto de vista ao longo de dez anos.

Minhas derrotas, minhas conquistas, minhas desilusões. Tem de tudo um pouco.

É esse tipo de memória afetiva que me faz manter o domínio e a hospedagem. É coisa demais pra apagar de uma hora pra outra.

Nesse aniversário do antigo Sem Título Ainda e atual Rafa Barbosa.com, gostaria de deixar aqui apenas o meu agradecimento a todos os que passaram pela minha vida nesses últimos dez anos.

Os que me ajudaram com as minhas dúvidas, com dicas, com links da semana, com parcerias e até mesmo com as famigeradas tretas de internet.

Obrigado. De verdade. Os dez anos desse blog não teriam a menor graça se não fosse por vocês.

Espero estar vivo para fazer o post de vinte anos. A não ser, é claro, que surja uma nova plataforma que irá matar os blogs.

Sei que dificilmente os blogs voltarão a ser o que eram há dez anos.

Como trabalho com isso, sei que hoje em dia a principal função do blog é fazer parte do “mix de marketing digital”. Serve pra gerar leads, fazer inbound marketing, máquina de vendas e todas essas estratégias que a gente já sabe.

Mas esse aqui continuará sendo o meu diário virtual. Textinhos bestas e pessoais, que vez ou outra terão um bannerzinho pra bancar o hambúrguer do final de semana.

Pode ser que um dia as coisas fiquem complicadas demais pra mantê-lo em uma hospedagem, mas farei o melhor pra continuar em algum outro lugar.

Eu amo esse blog e vou protegê-lo.

Continue lendo →

Latino e o Brasil que deu certo

Escrito por Arquivo

Vivemos uma das fases mais agitadas politicamente na história da nossa jovem democracia. Desde 2013, o brasileiro decidiu ir às ruas demonstrar a sua indignação. Seja para se manifestar contra o aumento das passagens de transporte público ou contra a corrupção, ficou claro uma coisa: o gigante acordou!

Você pode não concordar com as pautas (confesso que bastante confusas em alguns casos) reivindicadas, mas é inegável o direito à manifestação. Porém, como pudemos perceber ao longo da história do nosso país, para que a mudança seja de fato realizada, precisamos de uma liderança clara, com objetivos definidos, personificada em um líder carismático.

Nesse cenário também, muito tem se falado na eminência de um golpe no país. Com a instabilidade política e econômica, faz-se o cenário ideal para o surgimento de uma liderança política apoiada em valores retrógrados, semelhante às ditaduras militares que dominaram a América Latina nos anos 60.

É preciso alguém disposto a lutar contra essa possibilidade. Alguém que encarne os ideais democráticos e progressistas necessários para o amadurecimento do país.

Não há a menor dúvida que, nesse momento, a pessoa que mais se aproxima do líder que precisamos para levar a revolução do amor e da festa adiante é, ninguém menos, que o maior show man do Brasil: Latino.

Assumindo o manto que um dia foi de Chico Buarque, Geraldo Vandré e outros, o cantor entende o seu papel como brasileiro e manifestou seu desejo de ser essa liderança essencial em um momento tão conturbado:

Latino sobre as manifestações

Latino sobre as manifestações

O primeiro passo já foi dado. Mantendo a sua característica de antecipar tendências musicais criando hits que grudam em nossas cabeças como chiclete, Latino já escreveu, produziu e gravou o que pode ser considerado o hino das manifestações: O Gigante.

Dê o play e cantemos juntos:

Amarra, amarra, amarra que é tudo nosso
Amarra, amarra, amarra que é tudo nosso
Amarra, amarra, amarra que é tudo nosso
Amarra, amarra, amarra que é tudo nosso

Eu não sei vocês, mas eu fico arrepiado quando essa música começa a tocar. Sou tomado por uma necessidade de sair ás ruas pedindo por um país melhor.

Torçamos para que nos próximos meses Latino seja aquele que estará diante de milhões de brasileiros puxando o grito de revolta de uma população, com muita cerva gelada, paquera e animação.

Quem gostou faz um “mucado” de barulho aí, por favor.

Continue lendo →

Recaída

Escrito por Arquivo

Quando anunciaram o reencontro, sentiu-se na obrigação de se preparar física e psicologicamente para aquele momento. Havia alguns anos que não se encontravam e temia não suportar toda a carga emocional desse tipo de situação.

Ele mudara bastante desde a última vez que se viram. Entrou para a academia e perdeu peso. Estava visivelmente mais magro e com a autoestima elevada. Também mudou o corte de cabelo, que agora era mais moderno e fazia um belo conjunto com a barba. Estava diferente, mas ainda poderia ser reconhecido com facilidade.

O último encontro foi a gota d’água. O ponto de mudança. Bastou quarenta minutos para que se sentisse mal e refletisse sobre toda a sua vida até aquele momento. Resolveu encerrar ali mesmo uma relação que já durava anos.

Na segunda-feira da semana seguinte estariam frente a frente novamente. Queria mostrar que seguiu adiante, que a vida melhorou e que apesar de ter sido importante, ele havia superado e hoje em dia era uma pessoa melhor.

A ansiedade fez com que a semana passasse lentamente. Os dias pareciam ter quarenta e oito horas, mas a segunda-feira chegou e com ela a oportunidade de redenção.

Acordou bem disposto. Fizera questão de dormir cedo na noite anterior. O café da manhã foi leve, apenas algumas fatias de ricota e uma maçã, já que não queria correr o risco de passar mal e trazer de volta todas as péssimas memórias do último encontro.

Escolheu uma roupa confortável, pois sabia que esse tipo de situação o fazia suar e sentir-se sufocado após alguns minutos. Uma calça mais larga e uma camiseta básica seriam o suficiente para manter o conforto e a autoestima elevada.

Saiu para o trabalho acompanhado pela ansiedade.

O relógio do celular marcava meio-dia e dezessete quando recebeu uma mensagem no Whatsapp. Apenas cinco palavras e um emoji: “já estou aqui na portaria ;)”.

Levantou-se, colocou a carteira no bolso de trás, olhou mais uma vez a tela do celular, respirou fundo e desceu de elevador.

Ela estava radiante como sempre. Cumprimentaram-se e ela elogiou a sua nova forma física. Gostou do corte de cabelo e disse que a barba deu um toque de maturidade. Era bom não ter mais aquela carinha de criança. Ele agradeceu e seguiram para o almoço.

Ao se aproximar do restaurante ele sentiu a perna direita fraquejar. Uma tremida de leve. As mãos começaram a suar e a garganta secou imediatamente.

Apesar de toda a preparação para esse momento, o nervosismo veio de uma vez.

Ela perguntou onde gostaria de se sentar e ele respondeu gaguejando um pouco. Optaram por uma mesa na varanda do restaurante, com vista para o vale que se estendia por trás dos prédios. Apesar de ser um centro comercial, ainda havia muita área verde ao redor.

Nem isso ajudou no nervosismo.

Ele sabia que o momento da verdade estava chegando. Era hora de fazer o seu prato no self-service.

Há 2 anos, nesse mesmo restaurante e com 35 quilos a mais, ele fizera uma refeição que só não foi fatal por ter um hospital logo em frente.

Não tinha pudores na hora de comer no restaurante self-service. Misturava lasanha com churrasco e strogonoff com feijão. Era um contestador e certa vez mostrou que duas mangas e dois copos de leite não fariam mal a ninguém. You only live once, dizia aquela música.

Gostava de comer bem. Exageradamente bem. O que não queria dizer, necessariamente, que era saudável.

Os amigos do trabalho faziam um bolão diário tentando adivinhar o peso e o valor de seu prato. Ele ria. Especialmente quando as apostas batiam a casa do quilo e dos R$ 35.

Mas o seu próprio corpo resolveu tomar providências contra esse relacionamento abusivo que já durava alguns anos.

Naquele dia comeu tanto que passou mal. Não conseguia respirar e sentia o coração bater mais forte a cada segundo. As pernas formigaram e a garganta ficou estreita com aquele movimento com o qual ela não estava acostumada. Vomitou ali mesmo.

Uma mistura de escondidinho de carne com pedaços de linguiça e purê de abóbora moranga. Se você observasse bem de perto, poderia até achar que tinha sangue, mas na verdade era beterraba. E milho. E há quem jure de pés juntos que tinha até uma azeitona inteira.

Quando todo mundo pensou que havia terminado, uma segunda rodada de Coca-Cola e churrasco mastigado fez o caminho inverso do sistema digestório. Ele soube naquele instante como uma garrafa de Coca-Cola Diet se sentia ao entrar em contato com um Mentos.

Foi um verdadeiro vexame.

Seu corpo gritou para todo mundo ouvir que não aguentava mais tanta comida. Ele tinha que escolher: ou ele tomava um rumo na vida ou não poderia fazer planos para nada além de 10 anos.

Ele escolheu abrir mão da comida. Aquele relacionamento terminou ali mesmo, na frente de todo mundo, com ele caído no chão do restaurante. O retrato ideal da derrota.

E lá estava ele de volta naquele lugar.

Dizem que as pessoas sempre tem uma recaída quando vêem um ex. No caso dele, a recaída foi por causa da feijoada. Há quanto tempo ele não comia uma feijoada? Sentia saudades do cheiro, do sabor e da textura.

A química dos dois ainda era perfeita apesar do tempo e do novo estilo de vida, mas nada mais importava.

Não se conteve. Traiu ali mesmo, na frente da melhor amiga e de todo o restaurante.

Continue lendo →

O Medium tem o segredo do sucesso e da felicidade

Escrito por Arquivo

Já tem alguns meses que o Medium se tornou a minha porta de entrada para a internet. Começo os dias lendo o “Daily Digest” que me enviam pelo e-mail, além das newsletters das publicações que sigo, reunindo os principais posts da semana.

Meu foco no Medium são os textos de escrita criativa, comunicação e cultura digital, design, criatividade e alguns relacionados a produtividade. Alguns artigos são categorizados nesses temas mas poderiam muito bem fazer parte da categoria que chamamos por aqui de autoajuda.

Lá ela se chama “Life Lessons”.

Esses textos me fizeram ter a impressão de que, aparentemente, os autores do Medium são os mais bem sucedidos seres humanos da história.

Eles largaram seus empregos para encontrar a felicidade nas coisas simples da vida, como morar em um bangalô orgânico no sudoeste da ilha de Mali enquanto gerenciam seus negócios remotamente após uma boa sessão de surf matinal.

Seguindo quase a mesma linha, existem as pessoas que largaram tudo pra viver viajando. E como essa sensação de liberdade pode ser recompensadora, desde que você: a) já seja rico e possa se dar ao luxo de largar tudo e viajar ou b) tenha quem te “dê cobertura” caso algo não saia como o planejado.

Tem também as pessoas que abriram startups que cresceram 2.568% em apenas quatro meses sem ter um produto sequer a oferecer, somente uma landing page e um bom networking.

No Medium, pudemos acompanhar a ascensão dos novos gurus do empreendedorismo, que pregam de forma quase religiosa que se você não é um empreendedor, sua vida está fadada ao fracasso. Que você jamais encontrará o sucesso profissional e a felicidade plena.

Para entrar nesse clube, você não pode ser uma pessoa física. Tem que ter CNPJ e saber o significado de siglas como M.E.I ou o que é pitch. Assim como Deus, o empreendedorismo é o caminho, a verdade e a luz. Vinde a mim aqueles que desejam sucesso.

sucesso

novos gurus do sucesso

Inclusive, abro um parêntese aqui para indicar um texto excelente publicado no Medium: “Por que a indústria do empreendedorismo de palco irá destruir você”.

Além disso, temos também os tratados psicológicos que tentam nos explicar de forma didática, mas sem conter explicação alguma, por que os millenials ou a geração Y estão tão infelizes na vida e nas carreiras.

Posso explicar de forma ainda mais didática: fico infeliz quando leio esses textos.

Eu sei que o conteúdo que consumimos depende dos filtros e das nossas preferências, especialmente daquilo que recomendamos, mas fica difícil escapar desses textos, uma vez que eles estão sempre entre os mais recomendados do dia justamente por ter essa filosofia barata e fácil de engolir.

É claro que isso não será o suficiente pra me tirar daquela rede social. Apesar de existir essa cidade das pessoas felizes e realizadas, ainda tem aqueles que estão apenas compartilhando suas histórias de ficção ou dando dicas realmente práticas para melhorar a sua produtividade.

Acho que eu gosto do Medium por me lembrar justamente como eram os blogs quando entrei nesse mundo.

Só me sinto um pouco deslocado ás vezes por não ser uma pessoa tão bem sucedida como os autores de lá. Mas tenho certeza que é só começar a empreender e poderei fazer parte dessa turma enquanto escrevo da minha cabana na Tailândia.

Continue lendo →