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Dossiê Rafa Barbosa – Os personagens de Chaves como você nunca viu

24/03/2014 at 21:00
Essa turma como você nunca viu

Essa turma como você nunca viu

Chaves, o seriado mexicano criado há 42 anos e exibido ininterruptamente há mais de 30 aqui no Brasil, é um dos grandes patrimônios históricos e culturais da TV brasileira (especificamente do SBT). Com suas infinitas reprises, as aventuras do jovem “El Chavo Del Ocho” e os inusitados moradores da vila onde a história se passa conquistou uma legião de fãs, dos que nasceram na década de 70 até mesmo aos recentes anos 2000. Eu, inclusive, fui um dos fãs desse programa.

Infelizmente, depois de algum tempo comecei a achar bem bobinho e parei de assistir. E não sinto toda essa nostalgia que tomou conta da internet nos últimos anos. Com esse pensamento, parei para analisar o enredo de Chaves e cheguei a uma conclusão assustadora sobre a história e seus personagens. Gostaria de compartilhar essas observações com você, caro leitor, nesse Dossiê Especial Rafa Barbosa – Um olhar sociológico sobre Chaves.

Não, o meu texto não tem nada a ver com a metáfora de que o universo de Chaves seria uma parte do inferno, como explica o artigo Pecados, demônios e tentações em Chaves da Revista Bula.

O meu artigo aborda justamente o aspecto humano e politicamente incorreto dos personagens.

Se você é fã do seriado, sinta-se a vontade para ler, discutir, me xingar ou concordar com a análise a seguir. Mas lembre-se: é apenas a minha visão sobre o programa e não quer dizer que eu esteja certo (sim, eu estou certo já que o blog é meu).

 

1 – Chaves

Um órfão que mora sozinho

Um órfão que mora sozinho

Para começar, vamos analisar a história do personagem principal e que dá nome ao seriado, o garoto Chaves.

Chaves (Chavinho para os íntimos) é um órfão. Não preciso nem continuar a descrever o personagem. Para começo de conversa, em que sociedade minimamente organizada um órfão vive tranquilamente sozinho em uma vila, passando a maior parte do dia “brincando” e se metendo em confusões?

Onde está o Conselho Tutelar mexicano que em nenhum momento recebeu denúncia sobre essa situação? Não há nenhum parente vivo? Nenhum amigo dos pais ou responsáveis a par da situação?

Lembre-se, o Chaves não mora no Barril. Ele mora na casa número Oito, que dá o nome original do programa.

Outro ponto é: Senhor Barriga cobra os eternos 14 meses de aluguel do Seu Madruga, mas e o aluguel da casa do Chaves? Fica sob a responsabilidade de quem? Já estão pagos? Chavinho é o próprio locatário? Está em nome de quem?

Pode-se alegar que o Senhor Barriga sabe da situação e faz a “caridade” de não cobrar do pequeno órfão. Mas por que ele não faz o mesmo com o Seu Madruga, que tem uma filha para criar?

É muita coisa errada só com o personagem principal que vocês nunca questionaram.

Felizmente, Chaves não fica completamente desamparado, já que ao menos frequenta a escola, mesmo não sendo um dos alunos mais brilhantes da turma.

2 – Seu Madruga

Ex-boxeador e vagabundo profissional

Ex-boxeador e vagabundo profissional

Seu Madruga, o personagem mais adorado pelos fãs do seriado. Poderíamos usar vários adjetivos para descrevê-lo, mas vamos nos focar nas principais características do personagem:

- Desempregado
- Vagabundo
- Caloteiro
- Praticante de violência infantil

Exagerei? Vamos por partes então.

Desempregado e Vagabundo

Não há mal algum em ser desempregado. Acredito que a situação econômica do México nos anos 70 não era das melhores, apesar de ter sediado uma copa do Mundo pouco tempo antes. Mas será possível que não havia nenhuma oportunidade para o Seu Madruga?

Em vários episódios vemos o personagem dando um jeito de escapar de trabalhos temporários ou subempregos. A série se passa no México, mas o personagem é basicamente um retrato fiel de grande parte dos brasileiros. Provavelmente é o motivo por ser o mais adorado por aqui.

Fico surpreso que mesmo sem ter um emprego fixo ou uma fonte de renda confiável, Seu Madruga ainda consiga manter a guarda da filha Chiquinha.

Caloteiro

Senhor Barriga cobra, diariamente, os 14 meses de aluguel que o idolatrado Seu Madruga deve. Em qualquer outra situação, os serviços de crédito já teriam sido acionados. O despejo seria inevitável. E na verdade, o foi. Porém, em um surpreendente momento de altruísmo, o Senhor Barriga desistiu na última hora de despejar pai e filha.

E não ouvi nem um obrigado da parte do Seu Madruga. Além de tudo é mal agradecido.

Praticante de violência infantil

Em todos os episódios, religiosamente, Seu Madruga tem que dar pelo menos um cascudo no Chaves. É uma tradição que não pode passar batida. E a violência acontece, na maioria dos casos, sem a menor justificativa. Apenas pelo simples fato de Chaves ter uma curiosidade natural acerca da vida. Ou por ser desastrado mesmo.

Sorte se os abusos ficassem somente no pobre Chavinho. Mas Seu Madruga deveria estar nas listas de mais procurados por esse tipo de abuso. Todas as crianças da vila (ou do seriado, eu diria) já apanharam pelo menos uma vez do nosso adorado ex-boxeador.

Isso mesmo. O “heroi” que bate em crianças é um ex-boxeador. Possui a força (apesar do físico visivelmente frágil) e as habilidades necessárias para desferir golpes potentes que poderiam nocautear uma simples criança.

Mas esse fato é completamente ignorado pelos fãs, pela sociedade e pelas autoridades em geral.

Além disso, é covarde. Bate em crianças, mas afina quando tem que encarar alguém como Professor Girafales ou o próprio Senhor Barriga.

 

3 – Dona Florinda e Kiko

Classe média sofre

Classe média sofre

O que dizer dessa família? Parecem pertencer aparentemente como os demais moradores da vila, a uma classe C que ainda não entrou em processo de ascensão econômica. E só eles não se deram conta disso, pois tratam todos os demais moradores como se fossem a escória do mundo. Como se fossem lixo.

A principal culpada disso é Dona Florinda. Uma mulher que vive à sombra do falecido marido, que provavelmente está melhor agora do que ao lado dessa senhora. Vive da pensão alimentícia deixada pelo saudoso navegador, mas age como se fosse a verdadeira provedora do lar, quando na verdade é tão desempregada quanto o seu nêmesis Madruga.

O reflexo dessa atitude pode ser visto em seu filho, Frederico. Um garoto tipicamente mimado por ser filho único. Tem os melhores brinquedos e adora exibi-los para os amigos menos favorecidos, mas sente uma enorme inveja da criatividade dos outros por se divertirem tanto com tão pouco, enquanto ele não consegue o mesmo com os seus mais avançados instrumentos de entretenimento.

Como a mãe, acredita que os demais moradores não deveriam estar ali. Principalmente o Seu Madruga, o qual adora chamar de “gentalha”, um adjetivo pejorativo que demonstra qual posição social o ex-boxeador deveria pertencer.

Como uma boa partidária de extrema direita, Dona Florinda adora exercer a sua repressão chegando às vias de fato com Seu Madruga em toda e qualquer oportunidade, aplicando o tradicional tapa na cara.  Como é uma típica cidadã da classe médica, é moderadamente ciente dos seus direitos e sabe que o ex-boxeador não pode agredi-la em defesa.

Uma verdadeira tirana e um retrato fiel da história mexicana, demonstrando nos dias de hoje como foi a dominação europeia sobre o ameríndio.

Como se não bastasse a soberba, os dois ainda adoram explorar as vantagens sociais obtidas com o relacionamento de Dona Florinda e Professor Girafales. Kiko sempre tenta se beneficiar na escola, porém, a sua baixa capacidade intelectual não o ajuda muito nesse quesito.

O que nos leva a mais um personagem incorreto nessa série.

 

4 – Professor Girafales

Come mãe.

Come mãe.

Gosto de acreditar que a ética é algo inerente à pessoa que dedica a sua vida a ensinar ao próximo. Mas esse não parece ser o caso do professor da escolinha do bairro.

Notando a situação frágil a qual se encontra uma viúva, mãe de um filho com intelecto duvidoso, o “mestre Linguiça” não pensou duas vezes em aceitar uma xícara de chá na casa de Dona Florinda.

Se você notar bem, a xícara de chá é uma metáfora para o sexo. Geralmente ocorre quando Kiko não está em casa, o que possibilita a relação sexual entre sua mãe e o professor.

Não sou o melhor entendedor do assunto, mas acredito que um professor ter um relacionamento amoroso com a mãe de um aluno é algo no mínimo questionável e que deveria ser levado ao conhecimento da diretoria da escola.

Infelizmente, a série deixa claro que aquela escola é basicamente um lugar para as crianças passarem o tempo, já que o ensino é de qualidade duvidosa e não vemos nenhum tipo de disciplina.

Se existisse uma diretoria, deveriam ficar de olho. Se já dá em cima da mãe de um aluno, quem dirá daquelas garotinhas que usam vestidos tão curtos que a calcinha fica a mostra? Temos um predador sexual em potencial. Avisem as autoridades mexicanas.

 

5 – Dona Clotilde

Brujeria

Brujeria

A “famosa” Bruxa do 71 não tem essa alcunha a toa. Uma conhecida praticante das artes ocultas, Clotilde é uma satanista de mão cheia e que não faz questão de esconder isso, pois o nome do seu gato e eventualmente cachorro é uma clara homenagem à única divindade a qual ela serve: Satanás.

Clotilde, apesar de praticante desse tipo de magia, é uma mulher comum como qualquer outra. Uma solteirona convicta, mas que tem um desejo latente pelo seu vizinho de porta, o Seu Madruga. Espera que um dia possa ter a oportunidade de casar com ele e trazer ao mundo o herdeiro de Lúcifer, nem que para isso seja necessário a criação de poções e feitiços de amor.

 

6 – Senhor Barriga e Nhonho

O topo da pirâmide capitalista

O topo da pirâmide capitalista

Os dois representam os ideais e os interesses das classes dominantes da sociedade mexicana. O pai, um bem sucedido empreiteiro, tem como fonte de renda o aluguel das casas de sua vila. Rendimento o qual não deixa de buscar religiosamente todos os meses.

Um empresário implacável, que vai a caça dos seus devedores como Seu Madruga, mas que vez ou outra demonstra um pouco de humanidade e perdoa dívidas que poderiam estar na casa dos milhares.

Apesar de um predador comercial, é um ser humano bondoso, já que não se vinga das pancadas que recebe diariamente ao chegar ao seu empreendimento.

Já Nhonho, seu filho e herdeiro do império, é um retrato fiel do jovem abastado financeiramente. Veste as melhores roupas, tem os melhores brinquedos, conta vantagem sobre os coleguinhas e apresenta o físico típico de uma pessoa que come apenas do bom e do melhor: é gordo.

Apesar de todos os benefícios que possui por ser branco e de classe alta, o jovem estuda na mesma escolinha que os seus amigos, provavelmente no subúrbio onde se encontra a vila.

Um contraste interessante para reforçar a desigual luta de classes no seriado.

Poderíamos citar ainda outros personagens, como Jaiminho, o carteiro e funcionário público que não pensa duas vezes antes de enrolar e deixar o trabalho para depois. Em suas palavras, prefere evitar a fadiga.

Temos também a avó de Chiquinha, Dona Neves, que aparentemente não se importa com o fato da neta morar com um pai desemprego e à mercê das “situações” que uma criança nessa situação de risco está exposta.

Poderia analisar também os vários personagens secundários da história, mas fiquei com bastante preguiça de rever alguns episódios. Afinal, são muitos anos em exibição e esse estudo não poderia demorar tanto a sair.

Conforme expus nos parágrafos acima, o seriado Chaves é uma verdadeira ode aos piores estereótipos sociais e pode ser visto tanto como uma crítica social genial de Roberto Gomes Bolaños ou então uma simples coleção de personagens politicamente incorretos e que praticam as piores atrocidades em seu pequeno círculo social.

O espaço de comentários é aberto para que vocês possam discutir, comentar, me xingar ou concordar com esse breve estudo social.

Espero que tenham gostado desse Dossiê Rafa Barbosa mais que especial.

Meu problema com azeitonas

20/03/2014 at 19:57
Essa imagem embrulha meu estômago

Essa imagem embrulha meu estômago

Eu sou um cara que gosta de comer bem. E posso dizer que como a maioria das comidas existentes no mundo (exceto aquelas que são servidas cruas – carnes principalmente – ou ortodoxamente incoerentes com o padrão de vida ocidental). Mas se você quer acabar com a minha alegria de comer, é só colocar uma porcaria de azeitona no meio da comida.

Não existe no mundo culinário algo tão sem vergonha como a azeitona. Ela deveria ter se mantido na função pela qual sempre foi pensada para exercer: servir de base para o azeite de oliva.  Nada mais e nada menos que isso. Deus só deu uma única função para essa maldita e mesmo assim ela não conseguiu cumprir o seu propósito na Terra.

Na verdade, acho que a culpa não é nem da azeitona em si. Não imagino que um belo dia ela se cansou de ser colhida na oliveira e esmagada para gerar o azeite e disse “e se as pessoas me comessem inteira”? Isso é coisa de algum chef metido a besta que decidiu que aquela fruta cairia bem se comida diretamente. E aí começou a enfiar azeitona em tudo quanto é prato que simplesmente não precisa de azeitona.

Esteticamente, a azeitona nem deveria fazer parte de pratos de comida. Para começar, ela tem a forma oval, ou seja, você corre o risco de “catapultar” a azeitona ao tentar cortá-la ou na hora de fincar o garfo. Em segundo lugar, não tem nada mais desagradável que ver alguém chupando uma azeitona e depois cuspindo aquele caroço feio no cantinho do prato. Tá certo que em alguns casos a azeitona já vem sem caroço, e parabéns por quem tem esse mínimo de respeito.

E olha que eu me amarro em melancia e abacate.

Pra piorar a situação, em alguns casos a Azeitona gosta de brincar de Kinder Ovo com surpresa. Quando você pede uma empada ou uma coxinha, morrendo de fome e contando os segundos para degustar cada pedacinho dessas duas excelentes iguarias, e na primeira mordida é “premiado” com um pedaço dessa fruta maldita. Em alguns casos, não é simplesmente um pedaço, mas a azeitona inteira. Com caroço e tudo o mais.

É uma sensação de traição sem igual.

Desserviço aos anos de desenvolvimento da culinária

Desserviço aos anos de desenvolvimento da culinária

A minha aversão à azeitona é tão grande, que normalmente me dou ao trabalho de primeiro remover a tampa da empada e procurar cada pedacinho em meio ao recheio. Geralmente isso acontece apenas com a empada tradicional de frango, o que pelo menos já é uma vitória. Se algum dia eu encontrar azeitona em uma empada de carne seca com catupiry, pode ter certeza que acionarei o Procon e a Anvisa. Não deixarei barato tal subversão gastronômica.

Deveria ser decretada uma lei proibindo o uso indiscriminado e deliberado da azeitona em comidas em que o recheio, tradicionalmente, venha “escondido”. Não é legal esse tipo desagradável de surpresa.

Veja a pizza, por exemplo. Você já sabe que a azeitona está ali. Ela está se mostrando e dizendo claramente: estou aqui e você pode ou não gostar de mim e me comer. Não tem problema. A pizza é uma comida honesta consigo mesma e com seus apreciadores. Não esconde o que vem em sua composição.

Honestidade sempre. Não esconda a azeitona

Honestidade sempre. Não esconda a azeitona

O mesmo pode ser dito para o strogonoff. Apesar de não combinar em nada com a azeitona, você tem facilidade em remover os pedaços se não estiver afim.

Mas com salgados e tortas, isso não é legal.

Fica aqui o meu apelo aos produtores de comida e legisladores brasileiros. Abram os olhos para essa palhaçada. A azeitona não pode ser utilizada dessa forma vil e cruel, como se fosse um pacote de chips com tazo surpresa. Quando eu compro uma empada e uma coxinha, eu espero encontrar apenas frango e eventuais pedacinhos de batata cozida. Até uma ou outra cebola a gente aceita. Mas azeitona, não.

Atenciosamente,

Rafael Barbosa.

O dia em que fui capturado pela “Carrocinha”

03/02/2014 at 11:47

carrocinha-desenho

 

Muito antes da invasão do Instituto Royal (episódio que ficou conhecido como “O Resgate dos Beagles”), eu – Rafael Barbosa – já era um aguerrido ativista dos direitos dos animais (ou quase isso).

Essa é a história sobre o dia em que a Carrocinha me capturou.

Não me lembro de quando exatamente isso aconteceu, mas eu devia estar com os meus 12 ou 13 anos, por aí. Era final dos anos 90 e nessa época eu ainda não havia sido escravizado pela internet. Ou seja, brincava como qualquer criança normal: na rua e não no universo de Minecraft.

Como eu morava em um condomínio de apartamentos, era proibido ter cachorros. Além de a minha mãe ter pavor desses inofensivos mamíferos, não podíamos criá-los em nossos lares. Dessa forma, adotávamos todo e qualquer cãozinho que aparecesse pelas ruas do bairro, criando um carinho enorme.

Foi assim com o “Tilzinho”.

Nota do editor: Todo e qualquer cachorro, quando desconhecido, é chamado por nós mineiros de “tilzinho”, com L mesmo. A pronúncia da palavra é “tiozinho”, mas não tem nada a ver com o irmão do seu pai/mãe ou aquele senhor mais velho a qual você não conhece.

Tilzinho era um vira-lata que circulava pelas ruas do bairro e sempre parava em nosso prédio. Acho que pelo fato de ninguém tentar espantá-lo e sempre ter alguém pra brincar, ele acabou criando um “ponto de apoio” por ali. E contrariando todas as recomendações dos adultos (nossos pais), sempre colocávamos comida e água pra ele.

Porém, ele continuava sendo um vira-lata, já que ninguém poderia adotá-lo de verdade enquanto morasse no prédio. Ou seja, não podíamos colocar coleira nele nem nos responsabilizarmos oficialmente.

Pensando nisso, algum filho da puta incomodado com a situação resolveu chamar a “Carrocinha”.

A Tal da carrocinha

A Tal da carrocinha

Até aquele dia, a “Carrocinha” era apenas uma entidade mística que vez ou outra circulava pelo bairro recolhendo os cachorros sem dono e levando-os para uma misteriosa fábrica de sabão. A maioria das crianças do prédio nunca havia visto uma e não estávamos preparados para aquela situação.

Uma espécie de caminhãozinho baú se aproximou do nosso prédio. Enquanto isso, Tilzinho estava deitado e completamente relaxado vendo a gente brincar de alguma coisa que não envolvia correr, senão ele estaria alucinado.

Notamos quando um homem saiu do recém-chegado caminhão com uma espécie de lança com um laço na ponta. Só percebemos qual era a intenção do maldito quando ele já estava próximo do Tilzinho e quase laçando o coitado pelo pescoço.

Naquela hora, iniciamos uma pequena rebelião infantil. Começamos a gritar e a correr, fazendo com o que nosso pequeno heroi canino também corresse. Para o desespero do funcionário da Carrocinha (eu não sabia e até hoje não sei o nome de quem trabalha com isso), aquele cachorro correu como nunca havia corrido.

Esse funcionário continuou atrás do Tilzinho enquanto a “Carrocinha” começou a circular a rua do condomínio. Inconformados com a situação, utilizamos a única arma que estava ao nosso alcance naquele momento: pedras.

Mas como éramos bundões demais pra estragar alguma coisa, eram pedras pequenas que só serviam para não deixar o carro ficar parado perto do prédio, mas foi em vão. A Carrocinha ficou parada e o motorista desceu para ajudar o outro funcionário na sua perseguição ao Tilzinho.

Corre Til!

Corre Til!

Nesse momento, o “revolucionário” dentro de mim surgiu de forma devastadora e teve a ideia genial de “resgatar” os cachorros que já estavam lá dentro.

Com o ímpeto que só um pré-adolescente que não manja nada do mundo poderia ter, subi na traseira da carrocinha e tentei abrir o local onde os outros cachorros estavam presos.

A traseira da Carrocinha era basicamente assim: uma espécie de “baú”, com um corredor no meio e em cada um dos lados, pequenas portinhas onde os cãezinhos ficavam. Obviamente que todas estavam trancadas com algum tipo de proteção que não poderia ser quebrada apenas com as mãos e força de vontade de uma criança.

Enquanto tentava inutilmente resgatar os cachorrinhos, não notei que o motorista da Carrocinha havia voltado. Só me dei conta disso quando ele arrancou o carro e começou a ir embora.

Pode até ser que ele não estivesse indo embora, mas o meu desespero foi tamanho que só conseguia pensar na dor que sentiria ao ser jogado na máquina que faz sabão.

Comecei a bater desesperadamente na divisória entre a carroceria e a parte onde ficava o motorista, gritando todos os palavrões possíveis que a mente de uma criança poderia ter assimilado até aquele momento de sua vida. Acredite: foram muitos.

Não sei se foi por conta do meu desespero ou se o motorista só queria me dar um susto, mas ele andou um bocado e me deixou um tanto quanto longe de casa. Não muito, mas o suficiente para me fazer voltar andando e perceber que com 12 anos é difícil salvar um cachorro, imagine mudar o mundo.

Depois daquele dia, nunca mais vimos o Tilzinho e não sei dizer se ele foi capturado por essa Carrocinha ou se simplesmente resolveu que ali já não era mais um lugar seguro.

Tilzinho sempre foi um cachorro do mundo. Uma matilha de um cão só. Acredito que ele não tenha virado sabão. Não era o destino do Tilzinho. Se todos os cães merecem o céu, Tilzinho com certeza foi arrebatado em carne e osso.

E eu nunca mais tentei salvar nenhum cachorro.

Rafael Wars IV – Uma nova esperança

02/02/2014 at 18:27

star-rafael

Já estou nessa tal “blogosfera” brasileira há quase 8 anos com esse blog. Na verdade, se for contar o meu primeiro (que felizmente já não está mais entre nós), em 2014 completo uma década como “blogueiro”. É um tempo considerável.

Durante todo esse tempo, nunca deixei o Sem título ainda morrer. Confesso que ele já esteve bem próximo disso, digamos que em um estado de coma induzido. Mas mesmo nas épocas em que mais estive ocupado na vida, sempre arrumava um tempo para postar alguma coisa. Poderiam ser meses entre um post e outro, mas em algum momento ele aparecia por aqui.

Confesso que nos últimos anos me senti um pouco cansado e desmotivado com isso daqui. Vi muita gente boa abandonando esse barco (Oi, Luke. Oi, Raphs). Mas ainda tem alguns que, assim como eu, estão se agarrando a uma última esperança, uma última bóia sobrando nesse mar de merda que se tornou a internet brasileira. (e você pode acompanhar e conhecer todos eles clicando nos banners do lado direito, na área “parças”).

A última frase saiu com um efeito tão legal, que eu poderia gravar um vídeo atolado em um mar de merda só pra falar ela em voz alta. Gostei.

Mas a questão não é essa. A questão é que não pretendo deixar de lado esse “hobby” e tentarei fazer um esforço de postar pelo menos umas 2 ou 3 vezes por semana. Nem que seja algum link idiota encontrado por ai.

Apesar de esse blog ser essencialmente de textos, estou numa fase da vida em que tenho muitas outras preocupações e obrigações, o que dificulta um pouco voltar naquela época em que para cada polêmica surgida na internet, eu tinha a obrigação de fazer um post sobre o assunto. Vendo hoje, não consigo imaginar algo mais pedante.

Não tenho mais paciência para isso. Muito menos para falar sobre toda e qualquer coisa do mundo. Acho que além de paciência, falta também um pouco de criatividade. Não sou mais aquele Rafael de antigamente. Depois que passei a ter uma vida social mais agitada e deixei de ser gordo, minhas prioridades mudaram.

Agora eu passo menos tempo a toa na internet. Logo, estou ocupado demais para ficar aqui me misturando com vocês.

Mas enfim, só gostaria de comentar que realmente tentarei voltar à ativa por essas bandas e seguir o exemplo dos meus amigos Pedro Turambar (O Crepúsculo), que tem postado cada vez mais e merecidamente sendo reconhecido com um dos grandes nomes da literatura brasileira, e do nosso eterno heroi Rogério Lima (Bobolhando), que nunca desiste e também está sempre firme (hum) e forte nessa tal blogosfera brasileira.

Zoando o Gordinho, o cara mais chato do mundo

29/01/2014 at 21:52

Existem dois tipos de pessoas chatas no mundo: os chatos propriamente ditos e o Gordinho, um cara que estudou comigo.

O Gordinho (apelido carinhoso graças ao seu porte físico) é o tipo de pessoa que insiste em fazer a mesma piada há mais de 10 anos. Eu nem me lembro mais qual foi a versão original do comentário, mas sei que tinha algo a ver com hambúrguer. Acho que era algo relacionado ao fato dele comer sanduíche todos os dias na hora do recreio.

A questão é que em determinado momento do ensino médio, eu deixei de fazer parte da turma dos magros e adentrei com tudo (e todas as arrobas possíveis) no mundo dos gordos. Foi um prato cheio (sem trocadilhos) para o Gordinho, que ainda sendo umas três ou quatro vezes mais gordo que eu, não estava mais sozinho no universo do bullying infanto-juvenil.

E assim, a piada que era totalmente voltada para ele se tornou algo usado contra mim.

Isso foi em 2003/2004.

Hoje em dia, esse receptáculo de tecido adiposo continua falando em hambúrguer comigo e insistindo nas piadas de gordo. Mesmo eu tendo, pelo menos, 1/8 do peso dele. Sim, venci a obesidade e hoje em dia consigo enxergar o meu pênis novamente. Se eu consegui, você também pode! Mas voltando ao assunto…

Eu não teria problema nenhum com isso, já que estou aturando essa peste há 10 anos. O que me deixa irritado é que ele comenta essas coisas em qualquer publicação minha no Facebook. É arriscado eu postar sobre a morte de algum parente e ele comentar se no velório vai ter hambúrguer ou se eu não estou gordo demais para participar de um enterro.

É chato. É insuportável. E a partir do momento que você é mais gordo que a pessoa, perde-se o direito de fazer qualquer piada envolvendo o porte físico.

Ontem tive uma ideia maravilhosa e gostaria de compartilhar com vocês, caso tenham algum amigo parecido com o Gordinho.

Basicamente, peguei todas as fotos em que ele aparece comendo em seu perfil do Facebook e salvei para utilizar como “imagens de respostas”. O resultado não poderia ser mais efetivo: já estou há 24 horas sem receber qualquer comentário relacionado a hambúrguer ou me chamando de gordo.

Seguem os prints dessa ótima zoeira com um gordo chato:

Como zoar o gordo chato do Facebook

Como zoar o gordo chato do Facebook

 

gordinho2

Saiba tudo sobre a banda Jack Daniels – biografia e discografia

19/12/2013 at 19:20

Em um improvável revival da chamada década perdida, a já esquecida banda Jack Daniel’s volta com tudo ao imaginário da cultura pop brasileira através de uma concorrida coleção de camisetas .

É possível encontrar garotas e garotos vestindo o nome da banda nos mais variados locais: baladas hipsters, baladas GLBT’s,  sertanejas e – principalmente – nas baladas rock. A febre tomou conta do Brasil e você descobre agora (se já não sabia) um pouco mais sobre a trajetória desse grande clássico do rock dos anos 80.

Quer saber mais sobre a banda Jack Daniels? Leia agora a biografia não-autorizada do grupo.

A banda surgiu em meados da década de 70, na cidade de Lynchburg, Tenessee, quando o jovem guitarrista Jasper Newton Daniel ganhou a sua primeira guitarra, uma Fender Stratocaster, mesmo modelo que do seu grande ídolo Jimmy Hendrix.

Jasper Daniels

Jasper Daniels

Dedilhando os primeiros acordes, Jasper viu a oportunidade de mostrar o seu talento para mais pessoas através de um concurso de bandas que teria em seu colégio. Porém ele ainda não tinha uma banda. Foi quando conheceu, através de um anúncio no mural do colégio, o seu parceiro de composições, o baixista Johnnie “Walker” Preston. A afinidade musical dos dois foi imediata.

Johnnie já havia tocado em outras bandas, e chamou mais dois amigos para compor o grupo: Anthony “Chivas” Regal na segunda guitarra e Frank “White Horse” Marshall tomando conta das baquetas.

Com essa inusitada reunião, o mundo viu surgir Jack Daniels (Jack era o apelido de Jasper no colégio).

A banda Jack Daniels

A banda Jack Daniels

A apresentação no festival de bandas foi um sucesso absoluto e os 4 jovens do Tenessee chamaram a atenção de um produtor local que viu um potencial absurdo naqueles quatro garotos.

Com riffs pesados e ao mesmo tempo letras descontraídas e divertidas, o quarteto logo assinou um contrato para a gravação do seu primeiro, único e mais emblemático álbum.

Em Outubro de 1982, chegava às lojas, às rádios e aos quartos de todo e qualquer adolescente americano o disco Old No. 7 (Old Number Seven – Velho Número Sete), uma clara referência ao local onde a banda ensaiava desde a sua formação. Uma velha casa na rua de Jasper, com o número 7.

Old Number 7 - O único álbum do grupo

Old Number 7 – O único álbum do grupo

Em menos de duas semanas, os quatro singles do álbum dominavam todas as rádios e listas da Billboard.

Os riffs poderosos e o refrão pegajoso de Tenessee Whiskey, música mais famosa do quarteto, foram responsáveis pela ascensão meteórica do grupo.

Por todos os lugares era possível ver jovens com camisetas Jack Daniels estampando a capa do único e famoso disco. Garotos, garotas, jovens, adultos e até idosos não tinham o menor pudor em exibir o seu gosto musical.

O grupo se apresentou nos maiores festivais da época, sendo o mais memorável deles na Exposição de St. Louis, em 1984. A banda tocou para um público de 2 milhões e meios de pessoas, segundo a organização do evento. O que é, até hoje, o recorde de acordo com o Guinness Book.

Infelizmente o sonho não durou muito.

Devido a problemas com o seu vício em whisky, o vocalista Jasper Daniels veio a falecer em 1986 de uma cirrose hepática fulminante.

Desanimados com a perda do líder e principal letrista da banda, a Jack Daniels encerrou as suas atividades em setembro de 1986, com breve tributo ao falecido vocalista.

O mundo viu uma das maiores bandas de rock chegar ao fim no seu auge.

Atualmente, os demais integrantes da Jack Daniels não gostam de se expor. Dificilmente conseguimos ver alguma entrevista com Johnnie, Anthony e Frank. A mais recente delas é datada de 1993, quando Johnnie disse a emblemática frase que resume toda a breve e meteórica carreira do grupo.

Perguntado pelo jornalista o que o motivaria a voltar ao mundo da música, Johnnie disse:

- “Keep walking”.

Manja rola

10/12/2013 at 21:56

lupa

Há um tempinho atrás, precisei fazer um exame um tanto quanto constrangedor. Calma, ainda não era o de toque retal, se era isso que você estava esperando para me zoar. Era algo menos “invasivo”, por assim dizer.

Basicamente, era um exame de urina, mas a coleta deveria ser “assistida”. Pois é. Eu teria que encher um potinho enquanto um cara ficaria de olho no meu instrumento de trabalho.

Sou bastante tímido para esse tipo de situação. Na verdade, sou tímido para qualquer situação em que eu tenha que exibir o meu pênis para um ou vários desconhecidos. Não estava preparado para essa tal de coleta assistida.

Mas precisava fazer o exame, né? Tomei coragem e fui enfrentar a salinha de coleta.

Chegando lá, o funcionário do laboratório foi bastante simpático até. Me ofereceu um jantar e flores. Falou com bastante carinho e pausadamente.

- Você pode fazer a higienização da glande com esses lenços umedecidos. Em seguida, pode despejar a coleta nesse potinho aqui, tudo bem, Rafael?

- Errrr… tudo bem.

Olha, vou falar pra vocês que é uma situação horrível ter de fazer essas coisas com uma pessoa observando. Não era simplesmente uma pessoa no mesmo ambiente. Era uma pessoa de olho no meu intrépido e amigável pênis, que nesse momento estava um pouco constrangido, tal qual o seu dono.

A sensação é de que a qualquer momento o funcionário faria uma avaliação do tamanho e da aparência do meu amigão. Sem contar a parte da “urina”. Enquanto tentava preencher o potinho, imaginava que escutaria comentários como:

- Ih, Rafael. Seu apelido deve ser tripé, hein?

- Tá bronzeado o amigão ai, né?

- Poxa, Rafael! Pela cor, parece que a noite foi agitada, hein?

- Então esse é o famoso pênis do Rafa Barbosa? Prazer em conhecê-lo!

Para o meu alívio, qualquer comentário que o moço do laboratório tenha pensado em fazer, guardou para si. Não queria ter o meu pênis julgado ali na minha frente, né? Ele tem uma reputação a manter, assim como eu.

A propósito, eu não sabia que realmente existia a profissão de “Manja Rola”.

Teoria da conspiração: A derrota de Anderson Silva para Chris Weidman

07/07/2013 at 04:23

O mito foi derrotado. Na madrugada de sábado, após mais de 6 anos como detentor do cinturão dos pesos-médios, Anderson Silva perdeu para Chris Weidman.

Debochando como sempre faz durante as lutas, dessa vez o Spider encontrou um cara que não vacilou no momento certo e encaixou um cruzado de esquerda que apagou o ex-campeão.

Não há desculpa: Anderson Silva brincou e perdeu.

Porém…

Nos últimos anos, o UFC vem fazendo um forte lobby para a legalização do MMA em Nova York, o único estado americano em que a modalidade ainda não é legalizada.

Um dos planos de Dana White era realizar a super-luta entre Anderson Silva e Jon Jones durante a comemoração dos 20 anos de UFC, em Nova York, no Madison Square Garden. Pelo quarto ano consecutivo, os políticos nova-iorquinos reprovaram o projeto para a legalização do esporte na Grande Maçã.

Ou seja, nada de UFC em Nova York.

spider

A Oportunidade

Desde a última luta contra Chael Sonnen, Anderson Silva vinha negando um confronto a Chris Weidman. Foram várias situações em que o jovem lutador nova-iorquino pediu a luta e foi menosprezado tanto pelo Spider quanto por seus empresários.

A desculpa recorrente era que o lutador de apenas 29 anos não tinha expressão suficiente para enfrentar o campeão. Enquanto Anderson já havia realizado mais de 10 defesas de cinturão, Chris Weidman tinha apenas 9 lutas em sua carreira. E estava invicto.

O discurso começou a mudar no final do ano passado, quando o lutador americano passou por uma cirurgia. De repente, a cada vez mais distante chance de disputar o cinturão começa a surgir no horizonte.

Anderson Silva enfrentaria Chris Weidman.

O símbolo perfeito

Nos últimos meses o UFC trabalhou incansavelmente na criação da imagem de Chris Weidman. O lutador nascido em Mineola, uma pequena cidade do interior de Nova York ganhou o status de “possível herói”, o cara certo a bater a lenda viva do MMA.

Além de ser nova-iorquino, o lutador ainda teve a sua casa destruída durante o furacão Sandy. Some a isso a boa carreira de 9 vitórias em 9 lutas, o seu histórico perfeito como wrestler e todo o menosprezo que recebeu de Anderson Silva nos últimos meses e temos um símbolo perfeito do herói americano. Especificamente o herói nova-iorquino.

A construção da imagem de Chris Weidman foi tão intensa que pela primeira vez desde que ganhou o cinturão, Anderson Silva não liderou com folga as bolsas de apostas. Vários dos próprios lutadores do UFC acreditavam que o americano era o favorito, o eleito, o cara que derrotaria Anderson “The Spider” Silva.

Dana White,  chefão do UFC disse que se caso Anderson Silva perdesse, teria uma revanche imediata contra o Weidman.

Na noite do dia 6 de julho de 2013 ele fez o impossível. Derrotou o maior lutador de MMA da história.

Conveniência da vitória

Sem tirar o mérito de Chris Weidman, que foi esperto o bastante para atacar na hora certa em que Anderson Silva utilizava as suas armas clássicas para desestabilizar o adversário, é bem conveniente que um lutador nova-iorquino derrote o maior nome do MMA da história poucos dias após a votação que manteve o esporte ilegal em Nova York.

Como disse acima, Dana White deixou claro que em caso de derrota, Anderson Silva teria direito a uma revanche imediata contra o oponente.

Com a vitória de Chris Weidman, lutador nova-iorquino e novo detentor do cinturão, o UFC agora tem um forte motivo para conseguir a legalização do MMA em Nova York.

O estado agora tem um herói, o cara que derrotou a lenda. Um forte motivo para que os políticos nova-iorquinos votem a favor da legalização do esporte e consequentemente movimentem o turismo e os investimentos que o UFC realiza com projetos e eventos.

weidman

Os beneficiados da história

Anderson Silva anunciou após a derrota que não queria a revanche. Falou até em uma possível aposentadoria, mesmo com um contrato de 10 lutas assinado pelo UFC. Anderson Silva é, hoje, o lutador mais rentável da empresa.

O cara que recebe a maior bolsa, além de ter os maiores patrocínios, ganha uma porcentagem do valor das vendas de pay-per-view e, acima de tudo, construiu uma imagem de lutador perfeito, invencível e “mítico”.

Conquistou praticamente tudo no UFC. Tem um cartel perfeito na organização. Definiu números que dificilmente serão batidos, ajudou a popularizar ainda mais o esporte no Brasil e no mundo e, acima de tudo, ganhou muito dinheiro.

Ao anunciar que abre mão da revanche e citar a palavra aposentadoria, Anderson Silva abre um precedente gigante para que o UFC promova, futuramente, uma nova luta contra Weidman. Imagine o que renderia “a revanche que tirou Anderson Silva da aposentadoria”? Sim, é muito dinheiro.

Chris Weidman ganhou o cinturão e mais: será conhecido para sempre como o cara que derrotou o mito Anderson Silva. O lutador que agora tem o status de herói irá receber novos e proveitosos patrocínios, bônus, aumento de “bolsa” no UFC, contratos publicitários e uma imagem forte.

O UFC ganha uma arma a mais para promover a legalização do MMA em Nova York e, consequentemente, entrar em uma cidade que é considerada a capital do mundo, onde poderá movimentar milhões de dólares com eventos especiais.

Com o argumento de “uma revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva em Nova York, terra do novo herói americano do MMA”, a organização agora tem uma ferramenta poderosa a seu favor.

Americanos adoram histórias de superação, de heroísmo e, acima de tudo, patriotismo. Dificilmente o esporte continuará sendo ilegal por lá.

Nova York, por sua vez, receberá investimentos do UFC e todos os demais aportes financeiros que os eventos da organização levam consigo.

É uma situação em que absolutamente todos os envolvidos ganham alguma coisa. Inclusive os fãs de luta, que se não sacaram todo esse jogo, estão nesse momento esperando ansiosamente pelo anúncio de uma revanche entre Anderson Silva e Chris Weidman.

Ou seja: tudo não passou de um acordo para ajudar o projeto de legalização do MMA em Nova York!

Claro que tudo que você leu nesse texto pode ser coisa da minha mente criativa, mas não se pode negar que faz um enorme sentido.

Particularmente, espero estar profundamente enganado. Afinal, como fã de MMA, odiaria ver que esse tipo de situação foi armada. Não acredito que Anderson Silva entregou a luta propositalmente, mas que ele não fez nem de longe 10% do que é capaz isso não fez.

Mais uma vez, parabéns a Chris Weidman, novo campeão dos pesos-médios e que o Spider volte firme e forte para as suas próximas lutas.

Update: Entrevista em que Anderson Silva afirma, antes da luta, que Chris Weidman seria o novo campeão do UFC e que ele não faria a revanche.

httpv://www.youtube.com/watch?v=KDWJEWVhANg

Abaixo você confere uma lista de matérias relacionadas às informações contidas nesse texto:

Chris Weidman: UFC pediu para não aceitar lutas com Belfort e Bisping

Weidman diz não ter mais esperança de enfrentar Anderson Silva

Empresário de Spider: St-Pierre 90%, Weidman 35%, e ‘??’ para Jon Jones

Chris Weidman perde a casa nos EUA em meio à tempestade Sandy

Anderson Silva menospreza luta com Weidman: “É um garoto, uma criança”

“Estou predestinado a vencer”, diz Weidman, sobre luta contra Spider

Dana dispara contra políticos de Nova York e desiste da legalização do MMA no estado

Update: Polícia americana investiga aposta de U$ 1 milhão na derrota de Anderson Silva

A “arte” de chegar em garotas

26/06/2013 at 23:12
Já to até citando Friends.

Já to até citando Friends.

Se tem uma coisa que eu nunca aprendi na escola da vida foi como chegar em garotas. Hoje em dia eu até consigo (falho na maioria das vezes), mas durante a minha adolescência essa foi uma das minhas grandes dificuldades.

Não sei bem explicar o motivo. Eu era um cara extremamente tímido até uns 19/20 anos. Tímido a ponto de ter vergonha de verdade de conversar com pessoas que eu não conhecia ou que não faziam parte do meu círculo social.

Ir a festinhas ou “baladinhas” com os amigos era um tormento, pois eles, manjões das técnicas avançadas de sedução juvenil, se arrumavam em questão de minutos enquanto eu ficava em um canto tomando Coca-Cola e olhando o movimento como quem não quer nada. Bom, na verdade eu queria as gatas, mas não tinha coragem/sagacidade o suficiente pra fazer isso.

E quando você está em plena adolescência, com os hormônios gritando por qualquer atividade sexual, por menor que seja, é uma droga. Até hoje é um verdadeiro mistério o fato de eu ter conseguido arrumar uma namorada com 16 anos (que muitos suspeitam até hoje não ter existido).

Sério. Teve uma situação em que eu me segurei na grade da quadra do colégio com medo de uma garota que os meus amigos queriam me apresentar. Eu era uma vergonha para toda a classe masculina.

A verdade é que eu não precisei – necessariamente – chegar na maioria das garotas com quem fiquei. Meio que simplesmente aconteceu. Talvez seja o meu excepcional carisma ou o meu dom natural pra fazer as pessoas rirem (quase sempre de mim). Simplesmente estávamos lá e de repente eu tinha uma boca colada na minha fazendo movimentos com a língua (essa parte foi completamente desnecessária, mas eu queria dar um pouco de volume ao texto).

O meu problema em “chegar” na garota, principalmente as desconhecidas, é que eu não sei o que falar. Não sei se existe um manual ou um acordo social pra isso. Nos filmes e séries parece muito fácil: basta apenas fazer algum comentário aleatório ou alguma piadinha. Mas eu simplesmente não consigo. Eu não sou nenhum Barney Stinson e seu magnífico Playbook. Esse cara sim, faz o ato de chegar em garota parecer tão fácil que até me anima um pouco a tentar as cantadas dele em How I Met Your Mother.

playbook

Para exemplificar o meu traquejo na hora de me “apresentar” a uma garota, vou deixar dois vídeos que retratam muito bem como eu “atuo” nas baladas/festinhas da vida:

httpv://www.youtube.com/watch?v=MzOVe6NAGX0

httpv://www.youtube.com/watch?v=XEJyUpDQ9nc

Eu sou tão falho nesse aspecto da vida que nem no Axé Brasil eu consegui pegar garotas. E olha que lá você não precisa falar nada, basta apenas puxar alguma aleatória que passa por você e tacar um beijo. Porém, o meu apurado senso de cavalheirismo e romantismo à moda antiga não me permite realizar tais atrocidades com o sexo oposto.

Sim, acho muito escroto puxar uma menina e tentar beijá-la a força.

Mas ao longo dos anos, após muito estudo acompanhando o mestre Oliver no Teste de Fidelidade, fui conseguindo me sentir mais à vontade com o sexo oposto. Pensava em garotas como algum tipo de tesouro inalcançável e isso me deixava muito desconfortável na hora de tentar uma aproximação.

Hoje eu simplesmente começo a conversar. Pergunto alguma coisa que tenha a ver com o momento e inicio uma conversa. Se eu vou ficar é outra história, porque eu aprendi a puxar papo, mas até o momento eu não aprendi a identificar “o momento” em que a conversa deve deixar de ser uma conversa e se tornar um beijo.

E vocês? Tem alguma dificuldade nesse tipo de situação ou são todos muito bons na arte da ~paquera?

Em busca da coxinha perfeita

26/06/2013 at 00:07

Uma vez gordo, sempre gordo. Não sei se é um ditado, mas é um lema de vida. No texto anterior narrei a minha incrível saga (ou jornada do herói, como preferir) de gordinho malandro a rapaz saudável.

Hoje eu venho contar sobre a minha busca desesperada pela coxinha perfeita e como o universo vem me frustrando nessa desastrosa aventura.

Não, não estou falando daquela garota que fica o dia todo postando que o gigante acordou e que é contra a bolsa puta, bolsa crack e todas essas coisas de cidadã preocupada com o Brasil. Não é esse tipo de coxinha que estou a fim de comer.

sara-winter-coxinha

Tudo começou há mais ou menos umas duas semanas, quando percebi que havia certo tempo que não comia o melhor salgado do mundo. Isso não podia estar certo. Mesmo com a dieta, vez ou outra posso me dar ao luxo de comer algo um pouco mais gorduroso (incluindo sua mãe). E era isso o que eu precisava: uma coxinha.

Porém, não poderia ser uma coxinha qualquer. Como todo bom gordo, eu conheço os melhores pontos da cidade no que diz respeito à comida. Se você deseja comer algo específico, pode me perguntar e te direi onde encontrar. Portanto, eu sabia que a melhor coxinha da cidade é encontrada na rede lojas Tia Eliana.

Existem três lojas da Tia Eliana em Belo Horizonte: uma na Savassi, uma no Santa Efigênia e uma no Ouro Preto (que é praticamente ao lado do meu bairro). Nessas duas semanas, eu não tinha absolutamente nada para fazer na Savassi ou no Santa Efigênia. E pra falar a verdade, nem passo próximo ao Ouro Preto com tanta frequência.

Mas a vontade de comer coxinha permanecia. Foi crescendo e acabou se tornando um caso de vida ou morte. Eu precisava comer uma coxinha ou meu filho nasceria com cara desse salgado (eventualmente ele nasceria com cara de coxinha, porque pra ter um filho você precisa transar e a última coisa que um cara que está desesperado por coxinhas – e tem um blog- faz é transar).

Hoje eu tive uma consulta no dentista que fica praticamente em frente à loja da Tia Eliana do Ouro Preto. Era a oportunidade perfeita de sanar essa vontade e comer a melhor coxinha do mundo.

Eu teria uma janela de pelo menos 1 hora entre a minha consulta e o procedimento que a minha mãe faria no mesmo dentista. Nada melhor que passar o tempo comendo a melhor coxinha da cidade. Eu estava radiante e preparado, já que não havia comido absolutamente nada durante todo o dia. E havia malhado como um espartano na parte da manhã, logo a fome era realmente assustadora.

Saí do consultório odontológico e caminhei rumo à Tia Eliana em busca de um momento de pura glória e deleite. Entrei na lanchonete com a mesma sensação de Frodo e a comitiva do Anel chegando a Gondor após a aventura por Mordor.

Porém, a decepção: não havia coxinha na estufa.

:(

Perguntei educadamente para a atendente se não tinha coxinha e ela disse que “desceria” mais tarde, entre 15 e 20 minutos. Como eu estava por ali perto, resolvi esperar no dentista e passar novamente após essa espera que tinha tudo para durar uma eternidade.

E assim foi. Por quase 50 minutos fiquei sentado na sala de espera do dentista lendo revistas de 2008 e contando mentalmente os minutos para abocanhar aquela mistura deliciosa de massa, frango, catupiry e amor.

Quando minha mãe saiu do consultório, eu só tinha uma coisa em mente: coxinha.

Parei novamente na loja e ao contrário da ótima fase de sucesso que venho ostentando em 2013, a minha grande decepção:

Não havia coxinha. Não desceram com as coxinhas. Não desceriam com as coxinhas tão cedo nessa fatídica terça-feira.

Eu disse o mesmo que a coxinha cima

Eu disse o mesmo que a coxinha acima

Frustrado. Decepcionado. Triste. Derrotado.

Faltam adjetivos negativos para descrever o meu estado de espírito após a falha monumental da jornada em busca da coxinha perfeita.

Mas faz parte da vida dos grandes heróis nem sempre conseguir o quer. A coxinha ainda está lá, esperando por mim. Tenho certeza que o encontro será emocionante para ambos, mesmo que apenas eu saia satisfeito.

Eu amo coxinha.