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A incrível geração de homens criados pelas avós

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Às vezes me flagro imaginando uma mulher hipotética que descreva assim o homem dos seus sonhos:

“Ele tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada com as últimas novidades da Lacoste e da Abercrombie. Os pés devem ter calos e bolhas porque ele teve que andar de ônibus na semana passada e não está acostumado a isso.

Ele deve ser independente e fazer o que ele bem entende com a própria mesada: comprar um pullover, contribuir com uma doação para a Vakinha do amigo que quer um PS4, viajar sozinho para Porto Seguro com a turma de formandos do curso de Administração. Precisa dirigir bem o Zafira da avó e entender de impostos cobrados pelas compras no Alliexpress.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em pedir para a dona Neide fazer um strogonoff vegetariano. Não precisa ser sarado, porque não dá tempo de fazer tudo o que ele faz e malhar. Na verdade, dá sim. Acredito até que passa mais tempo malhando que fazendo outras coisas.

Mas acima de tudo: ele tem que ser seguro de si e não querer depender de ninguém, por mais que seja impossível cogitar sair de casa e dos braços da avó Zuleika, que sempre deu os melhores presentes. Na verdade, sempre foi assim: as melhores comidas eram da Vó Neide e os melhores presentes da Vó Zuleika”.

homens criados pelas avós

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhuma mulher. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteiro aqui, na luta.

Com todas as qualidades citadas acima, como pode um cara como eu ainda não ter arranjado uma namorada? Venho pensando na incrível dissonância entre a criação que nós, meninos e jovens rapazes criados com todo amor e carinho pelas avós, recebemos e a expectativa da maioria das meninas, jovens mulheres, mulheres e velhas mulheres.

O que as nossas vovós esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que elas esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o XBOX ou Playstation mais recente. Para ganhar o primeiro carro ao passar no vestibular. Incentivados a estudar, trabalhar na empresa do pai, viajar para a Disney e, acima de tudo, construir a nossa independência no mesmo condomínio que os nossos pais.

Mas não avisaram isso para as mulheres. Para nenhuma delas. Perdeu-se o encanto e o charme que rapazes com a nossa criação causavam. Hoje em dia, com essa onda de independência, deixamos de ser os melhores partidos da cidade.

É uma pena.

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando as mulheres. Não. A culpa não é exatametne delas. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida dos meninos criados pela avó.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de um homem. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos para ganhar o mundo (e também um Xbox One). Agora é o mundo que tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

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A pizza na minha vida

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A pizza na minha vida

Uma das melhores recordações que tenho são as que remetem à minha infância. Lembrar dos tempos em que as coisas eram mais simples, da riqueza das brincadeiras e das descobertas, das primeiras experiências, amores e de tudo aquilo que hoje me faz ser o que eu sou, me traz uma sensação de paz. Pois aqueles eram tempos difíceis, na maioria das vezes, e entre “bullys” que tinham 16 anos na quarta-série com passagem na polícia e milhares de amores platônicos, eu sobrevivi e posso dizer que, sem o uso de cheat ou então uma Nintendo World (que sempre foram caras), consegui passar de fase.

E eu tive acesso à algumas dessas lembranças enquanto estava discutindo com minha noiva, esses dias, quando a mesma disse que não queria comer pizza pois estava enjoada. Ela, com toda a coragem do mundo, me fitou e disse, rápida e letal: “Wallace, eu não quero comer pizza. Eu não aguento mais! É toda semana, encheu o saco”. O meu mundo caiu. Desistimos da pizza e ela foi lá fazer o seu famoso Miojo Chernobyl, enquanto eu estava no quarto me preparando para podermos ver o “filme do Wolverine e do Batman em que eles são mágicos”.

Enquanto eu comprava o filme no Pirate Bay, fiquei pensado:

Realmente os tempos mudaram. Olha que engraçado. Na minha época, se a minha mãe dissesse que estava PENSANDO em comprar pizza, meu irmão mais novo tinha crise de ansiedade, ficava pulando pela casa e a euforia era total; e isso durava por horas, até mesmo depois da massa ter sido digerida e / ou meu irmão recobrar a consciência. A pizza significava que tudo estava bem, era uma coisa mais simbólica do que alimentícia; quando minha mãe comprava pizza, sabíamos que as coisas estavam melhorando, sabíamos o valor daquele alimento. Se sobrasse algum pedaço pro dia seguinte ele era tratado melhor do que a gente. Aprendemos à força a valorizar essas pequenas aventuras alimentícias familiares.

Isso é: a gente tinha uma plantação de bertalha no quintal e o vizinho de trás tinha duas galinhas. Então Bertalha com Ovo era um prato que sempre estava presente em nossas refeições, por 3 anos. Quando a palavra pizza era citada, automaticamente uma pessoa caia no chão, outra começava a dançar e não importava o que tinha acontecido, o problema que estava rolando, que era só a pizza chegar que tudo estava bem de novo. Por outro lado, tínhamos a dura realidade da bertalha-nossa-de-cada-dia, toda esparramada pelo quintal, nos olhando de lá, esperando sua dose diária de estrume e água.

Depois de refletir sobre isso, sobre como um alimento tão importante na formação moral e ética de pessoas em todo universo está sendo esquecido e perdendo (mais) espaço pros (mais) fast-food da vida, fui meio cabisbaixo na cozinha chamar minha noiva e pegar nossa refeição, pois o aluguel vitalício do filme já havia sido concluído e a fome já se manisfestava fisicamente. Quando me deparo com um prato de macarrão instantâneo da Nissin, sabor pizza, com orégano e queijo derretido jogado por cima.

Até que tudo deu certo no final (apesar do macarrão ser uma bost@, porém continuava sendo de pizza). A sorte é que o filme era bom.

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8 anos de Sem título ainda e você pode me dar um grande presente!

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PARABÉNS HÉTERO DO JEITO QUE EU GOSTO!

PARABÉNS HÉTERO DO JEITO QUE EU GOSTO!

Hoje o blog completa 8 anos de existência. É engraçado notar como ele evoluiu ao longo de todos esses anos e como a proposta se manteve a mesma, apesar de alguns desvios de percurso ao longo do caminho.

Quando criei o Sem título ainda…, eu passava a maior parte do meu tempo lendo todo e qualquer tipo de blog. A grande maioria nem existe mais hoje em dia. Seus autores migraram para outros portais ou simplesmente abandonaram o barco, alguns deram uma pausa. Outros continuam com postagens quase comemorativas, de tempos em tempos, apenas pra marcarem território.

Mas o STA continua vivo.

Já tive várias fases nessa estrada de blogueiro: revoltadinho, humorista, curador de conteúdo, caça-paraquedista e até mesmo de metablogger. Porém, o que sempre esteve presente – desde o início – e que jamais deixei morrer, foi o “estilo diarinho”. Basicamente, as histórias (em que eu geralmente me dou mal) do meu dia a dia.

Essa foi e sempre será a essência do Sem título ainda…

Vi muita coisa mudando na blogosfera. Do início dos blogs realmente como diarinhos à “ascensão” dos blogs de humor, se tornando grandes portais replicadores de conteúdo.

Vi o surgimento e a queda dos blogs de memes, dando lugar ao modelo Buzzfeed de listas infinitas e, agora a popularização dos blog “você não vai acreditar no que acontece ao final desse vídeo”.

E o Sem título ainda continuou aqui, se adaptando aos novos modelos mas nunca deixando de ser um blog sem muitas pretenções a não ser compartilhar histórias de derrota, pensamentos idiotas e a eterna procura pelo primeiro milhão de reais no boo-box (risos).

Acredito que continuarei nessa por mais alguns anos. Não me canso disso daqui. Ás vezes bate um desânimo e fico um tempo sem postar, mas o bom da vida é que sempre que ela percebe que estou sumido, dá um jeito de aprontar alguma coisa digna de um post.

Para celebrar o aniversário do blog, que tal me presentear com:

Indicação para 8 amigos

Compartilhamento de 8 posts do blog no Twitter ou Facebook

facebook-sem-titulo-ainda

Curtir a fanpage do blog no Facebook através desse link ou da caixinha ao lado

Comentar nesse ou em qualquer post

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Aguardem, pois a oitava temporada promete bastante coisa aqui no Sem Título Ainda…

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Guia prático de sobrevivência do estagiário

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Visão romântica de um grupo de estagiários, incluindo o Zack Efron

Visão romântica de um grupo de estagiários

Sobreviver nas grandes metrópoles brasileiras com a “bolsa” de estagiário não é uma das tarefas mais fáceis. Digo isso por experiência própria: já fiz um estágio que me pagava inacreditáveis R$ 120 por mês, sem vale-transporte ou vale-alimentação.

Com uma grana dessas é preciso saber se virar para conseguir comer ou até mesmo se locomover pela cidade. Como vivi na pele essa fase negra da vida, resolvi elaborar um guia prático com os três pilares básicos de sobrevivência para estagiários que ganham pouco ou quase nada e desejam sobreviver em Belo Horizonte (válido para outras cidades também).

Preparados para um mundo novo repleto de possibilidades e a total perda da dignidade? Vem comigo, funcionário da Assprom!

1 – Transporte

Sem direito a vale transporte, a locomoção entre casa/trabalho ou casa/faculdade/trabalho fica totalmente a cargo do jovem estagiário repleto de sonhos e objetivos de vida. Em alguns casos, a empresa até vai te pagar uma parte do transporte, mas é sempre bom ter alternativas para economizar.

Durante a minha vida de estagiário, desenvolvi algumas técnicas que podem ser incrivelmente úteis, porém não muito éticas ou ortodoxas na hora de subir a Afonso Pena ou outra avenida.

A estratégia consiste basicamente em fazer a sua melhor cara de pessoa que veio do interior ou turista, entrar no ônibus sentido o caminho que você precisa e ficar na parte da frente, antes da roleta.

Ao se aproximar do local em que deseja descer, pergunte ao motorista ou ao trocador do ônibus se o ônibus está seguindo o sentido contrário ao qual você deseja chegar.

Por exemplo:

Pegar o 4108 (Pedro II/Mangabeiras) e ao chegar próximo da Praça do Papa ou o melhor ponto a sua escolha, diga o seguinte:

– Aqui tá indo para a Pedro II, né?
– Não. É sentido contrário, seu burro!
– Ai, motorista! Peguei errado. Posso descer aqui? 🙁

É quase certo que funcione, mas você vai precisar de todo o seu talento interpretativo para atingir o sucesso, ou então vai ter que desembolsar a passagem.

Esse motorista parece ser tão legal que eu não teria coragem de passar a perna nele

 

 

2 – Alimentação

Alimentar-se bem com o mínimo possível de dinheiro é uma arte que desenvolvi ao longo de vários anos. Até mesmo depois de abandonar a vida de estagiário. No começo da carreira vivemos em uma eterna época de vacas magras.

Nesse ítem da lista, vale ressaltar que você precisa abrir mão de toda e qualquer dignidade que exista em você. Afinal, grande parte dela já foi embora ao aceitar trabalhar de graça ou por uma quantia que não pague nem um pão com mortadela na padaria da esquina.

Vamos começar pela parte em que não exige chegar tão baixo assim: procure sempre supermercados na região do seu estágio/trabalho. Lá sempre terá uma ou outra promotora de vendas oferecendo degustação de produtos ou bebidas (sem álcool).

Não seja exigente. Você não vai fazer uma refeição completa, mas consegue descolar um biscoitinho, alguns salgadinhos, pequenos sanduíches ou em um dia de sorte, um novo sabor de chocolate.

Outra alternativa extremamente viável são as padarias gourmet em que os produtos podem ser degustados enquanto os clientes escolhem o que comprar. Nessa daqui o nível é um pouco maior e você pode até fingir que fez uma refeição completa.

Agora, vamos à parte em que você deixa a sua dignidade de lado em busca da sobrevivência nessa selva chamada estágio. Lembre-se que o objetivo é não morrer de inanição e para isso precisamos deixar as amarras sociais guardadas no fundo do armário.

Vá a algum shopping ou centro comercial que tenha praça de alimentação. De preferência com alta rotatividade. Ande como quem não quer nada e pegue uma bandeja dando sopa.

O passo seguinte é procurar um lugar próximo de alguém com cara de quem não irá comer todo o conteúdo do lanche. Você tem de estar disposto a encarar o que a vida te oferece e a qualidade do cardápio está diretamente relacionada à quantidade de restaurantes disponíveis no local que você escolheu.

Com sorte você pode descolar meio sanduíche, fritas, refrigerante e até mesmo metade de um prato executivo com arroz, feijão, salada e farofa.

Um dia de muita sorte

Um dia de muita sorte

Dica quente:

Shoppings próximos a colégios nos horários de saída significam maiores oportunidades de conseguir boa comida e em quantidade suficiente pra aguentar uma tarde de trabalho.

Adolescentes geralmente não se importam muito em consumir tudo o que colocam no prato. A refeição chega a ser completa em alguns casos.

Comida no estômago e dignidade na sola do pé, é hora de continuar o caminho em direção à firma, porque estagiário que chega atrasado não dura muito.

3 – Hidratação

Uma cidade como Belo Horizonte, construída nos moldes das mais divertidas montanhas russas do mundo certamente exige um pouco mais de esforço dos seus estagiários.

Andar pelas ladeiras da cidade é um divertido exercício para entender na prática como acontece o derretimento das calotas polares. Nesse caso, o seu corpo representa as calotas polares.

A hidratação de um estagiário sem dinheiro pode ser feita de duas maneiras. A primeira, que eu tenho um apreço especial, serve para manter o corpo na temperatura ideal durante dias muito quentes.

Consiste basicamente em fazer paradas estratégicas em agências bancárias com o único intuito de refrescar o corpo nesse ambiente gélido e repleto de aparelhos de ar-condicionado. Note que é o mais próximo que você vai chegar do dinheiro enquanto for um estagiário.

Não sei vocês, mas eu adoro a sensação de sair de um sol senegalês (como o de Belo Horizonte em algumas ocasiões) e entrar com tudo no mundo do ar-condicionado. Eu não ligo para o choque térmico. Meu corpo foi moldado ao longo dos anos de proletariado para sobreviver à essas doenças do século XXI.

A segunda forma é praticamente uma dica de sobrevivência válida para qualquer situação: aproveitar os chafarizes e fontes de praças. Melhor ainda se for aquelas que também possuem bebedouros.

Necessário dizer que você deve ser do tipo que não se importa em compartilhar da mesma água que mendigos, moradores de rua e hippies utilizam para sanar as necessidades físicas e biológicas.

QUEREMOS SALÁRIO!!!!!!!!!

QUEREMOS SALÁRIO!!!!!!!!!

 

Seguindo esses três princípios básicos de sobrevivência, você pode facilmente aguentar pelo menos três meses de estágio não remunerado. Acredito que esse é o tempo máximo que um ser humano comum consegue aceitar se submeter a esse tipo de situação em troca de “experiência, aprendizado e curriculo”.

Mas depois de comer sobras em shopping, você será praticamente o Buda dos estagiários, abrindo mão da dignidade e das riquezas materiais em busca somente da paz de espírito e dos centavos economizados ao longo do mês.

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Enem 2013 – Eu fui!

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ENEM 2013 – Eu fui

Resolvi tentar o Enem 2013 no ano passado, obviamente. Quase 10 anos depois, já que me formei no colégio em 2004 e também tentei o ENEM daquele ano. O que ajudou bastante, já que em 2005 iniciaram o ProUni.

O problema todo é que fazer uma prova de ensino médio 10 anos depois de tê-lo concluído, é um verdadeiro atestado de derrota. Se você já não era lá o melhor aluno da sala quando tudo aquilo estava fresco na sua memória, imagina quando você não tem mais tanto contato com 90% das matérias que caem nessas provas? Sim, foi humilhante.

Poderia ter sido pior, obviamente. Até que não me saí tão mal no ENEM 2013. Acho até que se eu já não tivesse me formado, poderia conseguir alguma vaga com o ProUni 2013. No começo do ano, resolvi me inscrever apenas por me inscrever no “vestibular do IBMEC” e sem ao menos precisar fazer uma prova, fui “aprovado” em Direito.

Pena que na época eu não estava muito animado pra fazer uma segunda faculdade. Ainda mais uma de 5 anos de duração. Mas acho que estou repensando essa decisão, já que a minha nota do ENEM 2013 não foi tão ruim assim.

Minha média global foi de 603 pontos. Obviamente, com essa média no Enem 2013 eu jamais entraria em uma faculdade federal através do Sisu 2013. Só se por uma incrível conspiração cósmica, qualquer curso oferecido chegasse a ter uma 39ª chamada. Ai sim, eu teria alguma chance.

A questão é que nos 10 anos entre omeu primeiro Enem e esse, a forma de aplicação da prova e o conteúdo em si mudaram completamente. Antes era pra avaliar o que você aprendeu durante o ensino médio em situações do dia a dia. Hoje é mais uma prova comum, com todas as áreas de conhecimento e com aplicações muito mais teóricas que práticas.

Como bom representante da área de humanas, o meu desempenho em “Matemática e suas tecnologias” e “Ciências da natureza e suas tecnologiasfoi um tanto quanto vergonhoso, mas nem tanto. Se não zerei, já tá ótimo.

Acho que se estivesse fazendo o vestibular hoje em dia, com toda essa disputa com pessoas do Brasil inteiro e com uma prova difícil dessas, provavelmente teria investido muito mais em uma carreira menos competitiva, como jogador de futebol ou, sei lá, competidor de League of Legends.

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Parem de transformar a coxinha em algo ruim!

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Dentre as milhões de coisas que a internet brasileira tem destruído nos últimos anos, não posso deixar de citar o meu descontentamento com o que vocês estão fazendo com a coxinha.

Não é nenhum segredo o meu apreço por esse salgado. E, como um amante e apreciador dessa iguaria culinária, preciso dizer que estou chateadíssimo com essa onda de associá-la a algo ruim.

A qualquer hora do dia, acessando o Facebook ou Twitter, você irá encontrar centenas de pessoas utilizando a expressão “coxinha” para se referir a algum reacionário de direita que passa o dia falando merda na internet.

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Como algo tão lindo assim pode significar uma pessoa chata?

Isso é errado de tantas maneiras, que mesmo desenvolvendo um estudo compilado em uma coletânea de livros duas vezes maior que enciclopédia Britância, ainda faltaria espaço para citar cada uma delas.

Isso é errado no mesmo nível de colocar azeitona em empada, o que me leva a pensar que o termo mais correto para designar uma pessoa com as características acima seja exatamente esse: azeitona. Quer algo mais inconveniente que azeitona? Ou Felipe Neto, oxiúros e até mesmo Crepúsculo. Estes sim, adjetivos tão ruins quanto as pessoas que são chamadas de coxinha.

Fica até mais bonito esteticamente falando, veja só:

– Nossa, mas o Bolsa Família é o que estraga o Brasil, né?
– Nossa, cala a boca, cara. Deixa de ser azeitona.

ou então…

–  Você viu o Pedrinho? Tá chateadíssimo em saber que pessoas com estudo e conhecimento votam na Dilma.
–  Cara, mas esse Pedrinho é um felipenetando demais, hein?

Não importa o adjetivo que vocês queiram usar para zoar aquele seu amigo chato que fica compartilhando e discutindo opiniões, só parem de tentar transformar a coxinha em algo ruim. Ela não é.

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Daqui a pouco vocês vão usar a expressão esquerda paçoca, ou aquele “amigo coca-cola” e por aí vai, mantendo a tradição da internet brasileira em agir como um câncer, destruíndo tudo de bom que o mundo já nos deu e transformando em algo ruim apenas pela zoeira.

Está dado o recado e espero que vocês se conscientizem sobre a correta utilização da coxinha.

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Wanderlei Silva fugiu da luta contra Chael Sonnen

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Wanderlei Silva fugiu da luta contra o Chael Sonnen. Ou pelo menos é essa a notícia que está correndo pelos bastidores do mundo da luta desde que o UFC anunciou a saída de Wand do card do UFC 175 e a entrada do Vítor Belfort em seu lugar.

Segundo informações, durante uma visita surpresa de representantes da Comissão Atlética de Nevada, para a realização de exames anti-dopping, o nosso querido Cachorro-Louco literalmente correu dos caras, saindo pela porta dos fundos de sua academia, entrando no carro e pegando um avião para um local desconhecido.

Isso foi o bastante para que a Comissão já descartasse, de imediato, a autorização necessária para a realização da luta no dia 05 de julho em Las Vegas, Nevada.

Eu, como fã do esporte e do cara, fico bem chateado com essa notícia, já que Wanderlei Silva tem prometido uma surra daquelas em Chael Sonnen. Os dois, inclusive, protagonizaram um preview de como seria esse duelo durante as gravações da terceira edição do TUF Brazil.

httpv://www.youtube.com/watch?v=_haJNfOydp8

Isso, claro, deu ainda mais munição para o falastrão, que já havia conquistado a simpatia do público brasileiro.

Como tudo mundo ficou sem entender muito bem, o próprio Wanderlei Silva resolveu gravar um vídeo explicando – bem maios ou menos – o que aconteceu no dia do exame:

httpv://www.youtube.com/watch?v=vzl3uMaoEdY

Eu, particularmente, não acredito que o Wand tenha “fugido” dos exames. Ou não quero acreditar, já que ninguém promete uma surra com tanta convicção como nesse vídeo e depois foge assim, como um cachorro louco com medo da carrocinha.

Vamos esperar mais informações sobre essa história e torcer  por um combate sensacional entre Vítor Belfort e Chael Sonnen no UFC 175.

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30 tendências de moda e acessórios que todo garoto brasileiro usou no anos 90/2000

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O Buzzfeed trouxe o retrato de toda uma geração de garotas que fizeram parte da minha adolescência com esse post “42 Tendências de moda e acessórios que vão fazer toda garota brasileira dos anos 90 morrer de saudades” e penso que seria justo ter a versão masculina desse verdadeiro resgate ao que de pior e melhor pudemos viver nos anos 90.

Apesar de ter buscado nos cantos mais escondidos da minha memória, fiquei somente nesses ítens. Acredito que sempre foi mais fácil criar tendências para garotas que para garotos. Mas tentei reunir o que havia de melhor e pior na época. Espero ter conseguido.

Com vocês, “30 tendências de moda e acessórios que vão fazer todo garoto brasileiro dos anos 90 morrer de saudades (ou não)”:

 

1 – Boné do Charlotte Hornets

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Sempre quis ter um

 

2 – Boné da Von Dutch

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A moda trouxa, como diria aquela ~comu~ do Orkut

 

3 – Calça que vira bermuda

 

 

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4 – Calça caindo (ou cagada, na gíria das ruas)

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5 – Calça de Skatista

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6 – Camisa de hóquei dos Mighty Ducks

 

 

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Até hoje um sonho de consumo

 

 

7 – Camisa da FUBU

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8 – Camisa da Red Nose

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9 – Chapéu “skatista” do Chorão/Champingnon

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10 – Tênis de futsal da Topper

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11 – Relógio Flash G-Shock da Casio

 

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11 – Luzes no cabelo

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12 – a “tiara do Mau Mau de Malhação”

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13 – O colar de miçangas e bambu

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Mau Mau campeão do mau gosto.

 

 

 

14 – Meia na canela

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15 – Mochila da Company

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16 – Nike Shox (surgiu em 2003/2004 por aqui, que eu me lembre)

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17 – Munhequeira “hard-core”

 

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Que moleque hard-core!

 

 

18 – Óculos da HB

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19 – Pulseira hippe

pulseira-hippie

 

 

 

 

20 – Tênis “Rainha” de futsal

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21 – Kichute

 

kichute

 

 

 

 

22 – Relógio da Casio

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24 – Papete do Senninha

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25 – Mochila da Sansonite

samsonite

 

 

 

26 – Sandália “Zepellin” 

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27 – Tênis “de skatista” da SB Shoes

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28 – Shortinho da Adidas

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29 – Topete

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30 – Toca “de skatista”

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TOP 5 amores platônicos de todo rapaz adolescente dos anos 90/00

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Eu era um cara muito tímido durante a adolescência (final dos anos 90 até a metade dos anos 2000). Dessa forma, vocês já devem imaginar que a minha vida amorosa foi um completo fracasso nessa época, certo?

É claro que sendo um fracasso na vida real, voltava todos os meus esforços e paixões para moças inalcançáveis da cultura pop brasileira. Aquelas que embalavam os nossos momentos mais íntimos antes de dormir ou durante o banho.

Provavelmente haverá discordâncias quanto a esse post, mas acredito que as moças aqui citadas foram amores platônicos de grande parte dos adolescentes dos anos 2000. Claro que terá uma influência pessoal muito grande, mas os comentários estão ai para isso.

Confira comigo a lista das TOP 5 amores platônicos de todo rapaz adolescente dos anos 90/00!

1 – Tiazinha

UH TIAZIANHA MEXE ESSA BUNDINHA E VEM!

UH TIAZIANHA MEXE ESSA BUNDINHA E VEM!

Luciano Huck pode ter poucos talentos na vida, mas o seu radar para mulheres que despertavam a atenção ~e o desejo~ da molecada e dos “cuecas de plantão” é inegável.

No final dos anos 90 o apresentador lançou para o mundo com aquela que seria uma das maiores “sex symbols” brasileiras do mundo moderno: A Tiazinha, ou Suzana Alves, seu nome civil.

A moça entrava no ar apenas de lingerie, máscara e um chicotinho, com uma pegada bem sadomasoquista em horário nobre na tv brasileira, para depilar toda uma geração de homens e jovens dispostos a perder alguns pelos (e plantar alguns nas palmas das mãos).

A Tiazinha foi uma paixão platônica tão grande dos adolescentes dos anos 90/00, que sua Playboy foi uma das mais vendidas da história e a primeira revista de mulher pelada que meus pais compraram livremente pra mim. Sim, foi a primeira vez que meus pais conscientemente financiaram uma bronha (mentira, eu não fazia isso).

Não só os meus pais, mas no meu condomínio, vários outros garotos da minha idade foram presenteados com essa edição histórica da Playboy.

O sucesso com o público infanto-juvenil foi tanto, que fomos agraciados com um seriado chamado “As Aventuras de Tiazinha”. Isso mesmo, um seriado infantil em que a personagem principal era uma dominatrix combatendo o mal.

Como boa paixão platônica, uma hora o amor acaba, mas graças a todo o serviço prestado por Tiazinha, é merecidíssimo estar nessa lista.

 

2 – Anita (ou Mel Lisboa)

queria uma imagem maior

queria uma imagem maior

Presença de Anita foi um marco na história de muitos adolescentes. Até aqueles que não costumavam dormir muito tarde (como eu), passaram a ficar acordados até um pouco depois de meia-noite para ver como terminaria a história da “ninfeta” destruidora de lares.

Ok, sejamos sinceros. Naquela idade a gente não queria saber da história de Presença de Anita. Queríamos mesmo era ver a Mel Lisboa peladinha ou só de calcinha.

Quantos rapazes não morreram de inveja das cenas dela com José Mayer ou as suas provocações pra cima do ~jovem~ Zezinho (que teve a honra e o prazer de perder a virgindade com ela)?

Eu morria de inveja.

Me lembro que até o dia de exibição do último capítulo, eu nunca tinha me impressionado tanto com a morte de um personagem de novela/série. No alto dos meus 15 anos e espinhas na cara, senti uma necessidade enorme de bater no José Mayer por ter dado fim a minha mais nova paixão platônica.

Para nossa tristeza, depois de Presença de Anita, a Mel Lisboa não emplacou nada mais relevante na TV. Hoje em dia é uma autêntica M.I.L.F e continua linda como há 13 anos.

Só para matar saudade, a cena da piscina:

httpv://www.youtube.com/watch?v=-O-rPFEGMQM

 

3 – A Feiticeira

 

Não é feitiçaria...

Não é feitiçaria…

Mais uma vez, Luciano Huck mostra todo o seu faro (com o perdão do trocadilho com aquela nareba) e conhecimento do showbiz brasileiro e nos apresenta a Feiticeira, mais ou menos na mesma época em que introduziu a Tiazinha no imaginário onanístico brasileiro.

Feiticeira, nome artístico de Joana Prado (atualmente a esposa do Vítor Belfort) foi, sem dúvida alguma, uma das minhas mais tórridas e alucinantes paixões platônicas. Coloquei a Tiazinha em primeiro nessa lista por motivos de impacto na cultura pop bronheira dos anos 90, mas particularmente, sempre fui #TimeFeiticeira.

Eu dedicava as minhas noites de segunda à sexta a esperar a entrada cheia de magia e mistério daquele mulherão loiro, em trajes mínimos e rebolando como uma verdadeira embaixadora arábica de Onã.

Porém, A Feiticeira foi vítima de seus próprios encantos e, durante a sua jornada em busca de ficar ainda mais gostosa, acabou passando do ponto, sendo percursora do que viria a ser conhecido anos mais tarde como o visual Panicat.

Minha paixão pela Feiticeira só foi abalada quando presenciei a cena a seguir:

httpv://www.youtube.com/watch?v=d5DB8Qk4WL4

 

4 – Iris (ou Deborah Secco)

Que pitel

Que pitel

Um pouco antes da Rede Globo estrear a sua obra máxima chamada Presença de Anita, a faixa nobre da TV era preenchida por mais uma novela com Helena como protagonista e se passando nas ruas do Leblon. Era Laços de Família.

A novela é conhecida pela famosa cena com a Carolina Dieckmann raspando a cabeça. Mas para quem era um adolescente naquela época, quem realmente importava era a “ninfeta” Íris, interpretada de forma magistral por uma jovem e promissora Deborah Secco.

Não sei vocês, mas no alto dos 14 anos, tudo o que a gente quer é uma dessas moças novinhas e sapecas. E Íris era isso tudo. Infelizmente, quem fazia o serviço sujo com ela era o onipresente e onifodente José Wilker.

Infelizmente não tenho muitas recordações daquela época, já que pouco tempo depois dediquei todo o meu amor a Mel Lisboa. Mas vale a recordação.


5 – Luana Piovani

LORÃO <3

LORÃO <3

Essa, meus amigos, é uma paixão platônica até hoje. Velhos amores nunca morrem ou são esquecidos. Assim como a Angélica foi o meu primeiro amor platônico, a Luana Piovani foi o segundo, em uma idade em que eu já entendia um pouco mais da vida e dos relacionamentos.

Dos relacionamentos nem tanto, já que na época em que ela fazia Malhação eu ainda não sabia o que era namorar em si.

Não perdia um episódio da ~novelinha~ apenas para poder ver a minha e só minha LORÃO, a vilã da vez. Mas era a vilã apenas da trama, porque na vida real era a minha heroína. Ainda mais depois da antológica cena do topless na piscina.

O meu amor pela Luana Piovani era tanto, que nessa época a Tilibra lançou uma linha de cadernos com capas de atrizes e atores “queridinhos teens” da época e, obviamente, pedi algumas unidades com a foto da Luana Piovani.

Esse era o caderno mais hétero do Colégio Tiradentes

Esse era o caderno mais hétero do Colégio Tiradentes

Estudar nunca foi tão bom.

Por alguns anos a paixão esteve adormecida, até que voltou com tudo no filme A Mulher Invisível. Filme que trás Luana Piovani no auge, em todos os aspectos.

Acho que ainda amo a Luana Piovani.

 

Como deu pra notar, eu era um jovem/adolescente muito estranho e derrotado, já que as minhas paixões eram todas platônicas e, para piorar, inalcançáveis.
E você? Quais eram as suas paixões platônicas da adolescência?

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A intimidade (forçada) é uma merda

Escrito por Arquivo

Euzinho

Euzinho

Voltando a esse humilde diário da minha vida pra contar a vocês que dia desses estava exorcizando meus demônios internos e jogando um 2048 maroto no banheiro da firma quando escuto uma voz sussurrando próxima ao meu ouvido:

– Rafael… Rafael… Você tá ai?

Logo que o meu primeiro pensamento foi: ou meu pênis ou meu ânus agora estão conversando comigo ou eu estou ficando louco.

Mas acabei falando “sim, estou aqui”, e para a minha surpresa era a senhorinha que cuida da limpeza lá do trampo. Eu, com as calças na altura dos tornozelos e sentado soberano no trono, obviamente fiquei em estado de completa catatonia, pois nunca nem imaginei ser interrompido nesse momento tão íntimo no ambiente de trabalho.

Uma coisa é você estar lá sentado e alguém tentar abrir a porta. Você toma um sustinho, corta instintivamente o rabo do saya-jin mas já é algo esperado quando se convive nesse ambiente com outras pessoas e apenas um banheiro. Mas chegar a esse nível de interação, quando a pessoa conversa com você é algo que eu realmente não estava esperando.

Gaguejando um pouco, tentei dar continuidade a conversa.

Sim, estou aqui.

– Me passa essa toalhinha de mão que tá aí?

– Não dá pra esperar só um pouqinho não?

– Pode jogar aqui fora, não vou ficar em frente a porta.

 

Bom, era o mínimo que eu esperava, né? Não ter plateia pra ver essa situação constrangedora.

Como o pedido da moça parecia urgente, não me restou outra coisa se não jogar a toalha pra ela. E fiz isso com toda a rapidez que é peculiar de alguém que não quer ser visto nesse momento lindo de intimidade ser humano/privada.

Primeiro, me posicionei de forma a ficar completamente escondido atrás da porta quando a abrisse. Isso porque não estava muito afim de levantar a calça. Era melhor ficar escondido mesmo.

Em menos de 3 segundos eu abri a porta, joguei a toalha e fechei a porta.

Porém, da mesma forma que ser interrompido pelos pais durante o ato sexual, voltar ao árduo trabalho de reciclar os alimentos ingeridos no dia perde toda o sentido de sua existência. Só me restou deixar as coisas pela metade, me recompor e voltar para a sala.

Quase uma semana depois ainda rola um climão quando vejo a tia da limpeza.

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