Autor: rafabarbosa

Já tentei ser jogador de futebol, físico nuclear, cientista da computação e famoso. Terminei formado em publicidade e escrevendo em um blog sobre a minha vida. Isso, meus amigos, é o que eu chamo de sucesso.

O nerdão do cinema

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Dia desses fui ao cinema (com a namoradinha) assistir “Um Senhor Estagiário”. O filme é bem divertido e emocionante, porém a minha experiência poderia ter sido muito melhor se eu não estivesse sentado à frente de um tipinho irritante de pessoa: “o nerdão que precisa mostrar que é nerdão do cinema”.

Pessoas que conversam durante o filme já são insuportáveis. Mas aqueles que sentem uma necessidade quase patológica de mostrar aos demais que conhece todos os atores, que já viu todos os trailers e que é um exímio conhecedor da franquia De Volta para o Futuro merecem um DeLorean que os leve de volta aos tempos da Inquisição Espanhola com direito a um passeio completo pelas salas de tortura.

O cara não calou a boca um minuto sequer durante o filme.

A tortura começou ainda nos comerciais. A rede de cinemas em questão fará uma maratona com todos os filmes da série De Volta Para o Futuro. Quando apareceu a primeira propaganda, o nosso personagem principal dessa história provavelmente teve uma ereção, dado o nível de empolgação.

ALÁ DE VOLTA PARA O FUTURO! OLHA O DOC! OLHA O MARTY! OLHA O EINSTEIN QUE BONITINHO!!!!!

Em seguida, o comercial fez um pequeno quiz com algumas perguntas relacionadas ao universo do filme. Como bom nerdão do cinema, o nosso amiguinho respondeu a todas as perguntas corretamente.

Até ai tudo bem. O problema é que ele respondia gritando, o que causou constrangimento até em sua própria namorada que dizia “fale baixo” ao que ele respondia: “AS PESSOAS PRECISAM CONHECER DE VOLTA PARA O FUTURO”.

Quem sou eu para saber o que as pessoas conhecem ou não, mas dada a faixa etária da sala de cinema, naquele momento, imagino que TODO mundo ali conhecia o filme.

Nesse momento, já um pouco incomodado, quase virei pra trás e derramei ~acidentalmente~ o meu copo de 1 litro de Coca Cola na cara do sujeito.

Continua a programação com um trailer do novo filme do Peter Pan.

Nesse momento o nosso nerdão do cinema mostrou que não é tão nerdão assim, já que disse pra todo mundo ouvir “O HUGH JACKMAN É O NOVO CAPITÃO GANCHO VIU GENTE. FICOU DEMAIS NÉ GENTE”?

Não, o Hugh Jackman não é o novo Capitão Gancho, seu otário. Ele é o Barba Negra e a história vai mostrar como o Ganho (Hook) se tornou o capitão. Nesse momento ele é só o cara que ajuda o Peter Pan.

Toma essa!
Mas nosso amigo nerdão do cinema estava inspirado. Provavelmente ingeriu altas doses de cafeína ou açúcar e seu metabolismo estava acelerado, já que no trailer de um filme brasileiro com 50 atores globais, ele fez questão de gritar o nome de cada um deles, como se ninguém ali soubesse quem era aquelas pessoas.

Nesse momento eu quase virei pra trás e perguntei se meu ingresso contemplava a “narração em tempo real do que estou vendo na tela”, mas como sou uma pessoa que prefere se preservar à chamar a atenção, continuei calado e apenas imaginando algumas formas de enfiar um par de meias em sua boca.

As luzes finalmente se apagaram. O filme estava começando e renovei as minhas esperanças de que essa pessoa ficaria calada.

Mais uma vez fui enganado pela expectativa que crio em cima do comportamento de outro ser humano.

Ele gritava o nome de cada ator que aparecia em cena:

OLHA O ROBERT DE NIRO, CARA!

ALÁ A ANNE HATHAWAY!

RENEE RUSSSSOOOOOO!

Cara, cala a boca pelo amor de deus!

Depois de um tempo ele reduziu o ritmo e ficou apenas nos comentários pontuais do filme, tentando “prever” o que aconteceria em seguida. Uma pena que ele não previu o quanto estava sendo inconveniente e atrapalhando a diversão alheia.

Por isso, amiguinhos, deixo aqui o meu conselho: calem a porra da boca quando estiverem no cinema. Ninguém tá pagando pra ouvir os seus comentários inúteis.

Um grande abraço a todos.

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Voltei a jogar futebol

Escrito por Arquivo

Depois de um longo e tenebroso inverno, onde minhas chuteiras descansavam penduradas e inconsoláveis no armário, voltei a jogar futebol.

Já havia algum tempo que cogitava retorno ao esporte bretão, mas precisava de um bom incentivo: amigos que estivessem jogando regularmente.

Vi que o pessoal da época de colégio se reunia todas as terças para uma pelada marota e descompromissada. Resolvi me convidar.

Sem a necessidade da tradicional peneira e confiantes no futebol que eu apresentava no auge do ensino médio, os amigos não hesitaram em me aceitar.

A minha aposentadoria dos gramados chegava ao fim.

O problema é que estou tão fora de forma quanto Ronaldo Fenômeno em seus primeiros jogos pelo Corinthians. No primeiro dia, inclusive, fiquei com medo de ser confundido com a protagonista desse esporte dado o meu formato esférico e as cores da minha chuteira.

Eu poderia ser facilmente confundido com a Jabulani.

Para a alegria e decepção dos amantes do bom futebol, retornei aos gramados. Alegria porque eu dou show. Decepção porque o show está comprometido enquanto estou fora de forma.

Retornei aos gramados sem uma boa pré-temporada. Não consegui correr por mais de 15 minutos no primeiro dia, mas ainda foi possível ver pequenos lampejos da minha genialidade com alguns dribles desconcertantes que logo em seguida foram consertados, já que eu não aguentava correr para completar a jogada.

Ciente de que o meu futuro em campo dependeria de conseguir sobreviver aos 90 minutos de jogo (são várias partidas de 7 minutos que mais parecem 2 horas devido à teoria da relatividade e por estar tão gordo a ponto de possuir um campo gravitacional próprio), acabei retornando para a minha posição de origem.

Pois é. Voltei a ser goleiro.

Foi uma escolha acertada, pois apesar de estar pesado, venho conseguindo recuperar aos poucos a minha elasticidade e as acrobacias que me tornaram uma lenda no bairro onde morei.

Tem sido uma boa experiência voltar a jogar futebol. É uma atividade necessária para que eu consiga retirar a minha carteirinha de membro oficial da ATBC – Associação Brasileira dos Tiozões do Churrasco.

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Romero Britto e as Chuteiras

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Voltei a jogar futebol.

Como estava parado há muito tempo, era necessário comprar uma chuteira. Um artista precisa das ferramentas certas aliadas ao seu talento para brindar o público com suas obras de arte.

Parti em busca daquela que seria a responsável por calçar os meus pés nesse retorno triunfal. Só que eu não estava preparado para o que viria a seguir.

Depois do fatídico 7×1 para a Alemanha, o brasileiro está decepcionado com o escrete canarinho. Nos falta aquela gana de vencer, disputar cada bola como se fosse o último lance. Nos falta aquele beque com cara de poucos amigos, muita força e pouca técnica. Também perdemos aquele volante cabeça de área, caneleiro, raçudo. Que não tem medo de dar um carrinho criminoso visando proteger o gol brasileiro.

Falta raça e sobra estilo e fanfarronice. E acredito que a grande responsável por essa derrocada em nosso futebol seja a fashionização dos materiais esportivos.

A chuteira, que deveria ser uma ferramenta de trabalho, hoje em dia é um acessório de moda. Temos douradas, amarelas, vermelho carmim, rosa choque, verde cintilante do fundo do mar, azul turquesa e infinitas combinações de cores.

Mosaico de cores

Mosaico de cores

A prateleira de chuteiras parecia um quadro do Romero Britto. Aliás, até arrisco a dizer que deve existir uma chuteira da Nike Special Edition Romero Britto.

No meu tempo a regra era clara: chuteira somente no estilo clássico: preta com um ou outro detalhe em branco. Havia a exceção com as chuteiras da Diadora, mas nessa época se resumiam a apenas duas cores: verde e roxa.

Com essa variação de chuteiras equivalente a variação de cores de esmaltes, as chuteiras pretas, verdadeiras raridades, acabaram tendo os seus preços elevados. Só me restava escolher uma dessas chuteiras saídas diretamente dos livros de colorir.

Acabei me rendendo e comprei uma chuteira com tons de rosa, mas não muito chamativa. Afinal, independente das cores, o artista precisava entrar em campo. Não seria a cor da chuteira que me impediria de dar alegria a esse povo tão sofrido, não é mesmo?

Meu instrumento de trabalho

Meu instrumento de trabalho

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Tiozão do churrasco

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Esse final de semana estava em um churrasco com amigos e tive aquela constatação – epifania, melhor dizendo – que cedo ou tarde chega pra todo mundo: me tornei o tiozão da turma.

Durante boa parte do dia as caixas de som nos presentearam com os Greatest Hits do atual imperador da música brasileira: Wesley Safadão. Entre 1% do amor que te dei e ser sem vergonha e ciumento mesmo, presenciei uma playlist repleta de singles dos famigerados sertanejo universitário, arrocha e funk ostentação.

Eu não conhecia nenhuma das músicas.

Sou um cara bem tranquilo em relação ao tipo de som de festas. Não faço nenhuma ressalva e se precisar e o ambiente estiver propício, posso até dançar com a turma. Mas não espere que eu procure por essas músicas quando estiver em casa. Isso não vai acontecer.

Algumas horas depois alguém segeriu buscar o violão do aniversariante.

Foi com aquela gostosa nostalgia que lembrei da minha época de jovem. Alguém sempre aparecia com um violão no meio da roda e começava os primeiros acordes de Pais e Filhos ou Come as you are.

Senti que pela primeira vez no dia eu reconheceria as músicas tocadas.

Comentei isso com os meus amigos que me olharam de forma muito estranha. Pais e filhos? Come as you are?

Alguns segundos depois, os primeiros acordes que surgiram até que não me eram estranhos. É uma música que tenho escutado bastante graças à namorada que é fã de sertanejo universitário (apesar de pagar de rockeira indie na internet): Suite 14.

Meus amigos apenas confirmaram a minha epifania: hoje as pessoas só escutam e conhecem sertanejo universitário. É a música do jovem sexualmente ativo e socialmente aceito.

Chateado com a constatação, peguei minhas agulhas e voltei para o ponto e cruz e minhas peças de crochê.

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Serginho Hondjakoff – um herói renasce das cinzas (ou flocos de neve) do ostracismo

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Não é segredo nenhum a minha admiração pelo Serginho Hondjakoff. Já falei sobre ele em duas oportunidades recentes que você pode conferir em:

Paulistinha – a nova aposta de Serginho Hondjakoff

Frogman (ou a inesperada virtude do Sapinhow)

Agora volto a falar do nosso eterno Arthur Malta para anunciar uma grande novidade: A Trident resolveu apostar em nosso inusitado herói como garoto propaganda da sua nova campanha de divulgação do Trident Fresh.

Se tem duas coisas que combinam perfeitamente são geladeira e Serginho Hondjakoff. Aproveitando essa deixa e a inestimável capacidade de Serginho em fazer humor auto-depreciativo, a marca de gomas de mascar resolveu apostar alto e transformou nosso querido sapinho no arauto que anuncia a chegada do inverno.

Afinal, ninguém melhor que o nosso Jon Snow brasileiro que sabe bem como é viver no eterno inverno do ostracismo para anunciar a chegada da estação mais fria do ano.

Confira comigo:

O vídeo tem tudo aquilo o que esperamos de uma obra que envolva o Serginho:

  • Caretas
  • Referências e piadas internas (o Ogro Móvel, o Sapinho, Globo – só faltou o dildo rosa)
  • O sotaque inconfundível do verdadeiro carioca da gema
  • Movimentos corporais que mais se parecem com convulsões
  • Serginho rodeado de belas mulheres
Sdds Ogro Movel

Sdds Ogro Movel

Fica aqui o meu agradecimento e parabéns a Trident Brasil por ter resgatado nosso herói nesse momento de necessidade e dado a oportunidade de brilhar novamente. A geladeira da tv brasileira pode ser um lugar frio, mas contamos com Serginho Hondjakoff para aquecer nossos corações nesse inverno.

P.S.: não ganhei nenhum centavo por esse post. Apenas a satisfação de ver um ídolo voltando a trabalhar com o que gosta.

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Você se lembra como era a vida sem internet?

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Estou escrevendo esse post única e exclusivamente porque a internet caiu. Como você deve ter imaginado, nesse momento, estou com uma tela do WORD aberta em minha frente enquanto digito essas palavras.

O que me leva a crer que um computar sem internet hoje em dia pode ser considerado basicamente uma enorme calculadora ou uma máquina de escrever. No caso, uma máquina de escrever que possivelmente roda um ou outro jogo que não precisa estar conectado o tempo todo. Bem melhor que a atual moda hipster.

Sim, os hipsters resgataram as máquinas de escrever.
Sim, alguns jogos agora exigem que você esteja conectado pra jogar. Mesmo no single player.

Estranho pensar no quanto estamos presos e dependentes da internet para fazer coisas simples como interagir com outros seres humanos.

Acostumamos-nos a manter as relações sociais baseadas em curtidas, compartilhamentos e conversas por chats (seja no Messenger ou no Whatsapp). Nem usamos mais o telefone com tanta freqüência (que não seja para checar o Messenger ou o Whatsapp).

Estou escrevendo esse post enquanto poderia estar acessando a internet através do meu celular (o 3G continua firme e forte). E posso me considerar um vencedor por isso, já que se pararmos pra pensar, a ~grande rede mundial de computadores~ está tão presente em nossas vidas que até quando estamos sem internet em casa, ela ainda continua ativa em nossos celulares (ou smartphones se quiser ser um pouco mais pedante).

Nem me lembro mais como era a vida sem internet. Tenho vagas recordações que eu fazia coisas como jogar futebol, andar de skate ou descer para ficar sentado na escadinha do condomínio conversando com os amigos enquanto um deles tocava violão.

Hoje em dia não sei se as pessoas ainda fazem esse tipo de coisa. Eu não faço. Pra falar a verdade, não sei o nome dos meus vizinhos do prédio onde moro atualmente. E eles também não fazem questão de saber o meu.

Bons tempos quando eu tinha uma vida agitada fora da internet.

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Meu Brazil brasileiro – parte I

Escrito por Arquivo

Trinta e sete cascos de cerveja acumulados ao lado da mesa. Esse era o saldo de uma noite memorável com os amigos.

Pedro saiu do bar sem saber muito bem como chegaria em casa. Era provável que nem chegasse, a julgar pelo seu estado etílico.

Enquanto caminhava pela avenida procurando um táxi, sentiu aquela necessidade enorme de “dar um mijão”. Aquela vontade que somente os bêbados mais versados na arte do álcool podem compreender. Parou no primeiro beco que viu.

Apoiou-se com a testa na parede enquanto botava pra fora aquela mistura de cevada e etanol. Com uma das mãos livre, Pedro foi conferir a timeline do Facebook e uma das postagens chamou a sua atenção:

david-brazil-facebook

Enquanto lia a notícia, Pedro só conseguia pensar em uma coisa:

– Como deve ser a vida do David Brazil? Eu não vejo o cara fazendo nada a não ser tirar foto com famoso ou selfie mandando beijinho.

Deu aquela balançada no samango. Sabia que pelas regras não escritas da vida a última gota é obrigatoriamente da cueca. Seguiu seu caminho, trôpego, em busca de uma forma de voltar pra casa.

O que Pedro não havia percebido é que acabara de urinar na porta de uma lojinha cigana.  Em letras azuis, um pouco desgastadas e competindo com alguns lambe-lambes, estava escrito:

CARTAS, TARÔ E BÚZIOS. TRAGO A PESSOA AMADA. LEIO O FUTURO. DESATO NÓS. E TENHO O PODER DE ATAR AINDA MAIS SE VOCÊ QUISER. MARIA MELINDA – HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO – 09H ÀS 17H

Continuou seu caminho por mais alguns quarteirões.

O despertador tocava incessantemente. Desligou da primeira vez apertando o botão de soneca sem nenhum peso na consciência.

Sentia uma dor de cabeça infernal e não tinha a menor vontade de abrir os olhos. Naquela manhã, excepcionalmente, a cama estava bastante aconchegante. Não sabia de onde surgira aqueles travesseiros extras, mas não pensou duas vezes ao abraçar o primeiro e colocar o segundo entre as pernas.

Ao se virar na cama, Pedro sentiu uma coisa diferente. Cócegas na orelha direita e na ponta do nariz. Ele conhecia aquele tipo de cócegas. Geralmente a sentia quando dormia com alguma garota. Era a sensação de cabelo roçando no seu rosto.

Será que me dei bem noite passada? Não me lembro de ter saído acompanhado do bar.

Abriu os olhos com algum esforço, lutando contra a claridade que invadia seu quarto. Uma claridade fora do comum. Para falar a verdade, Pedro não se lembrava de algum tipo de claridade em seu apartamento. Ele ficava na parte de trás do prédio e era cercado por outros prédios por todos os lados. Era impossível ter claridade.

Estou em um motel ou na casa dela?

Conseguiu abrir os olhos e a primeira coisa que notou é que não havia mais ninguém na cama.

O cérebro de Pedro ainda não conseguia processar tantas informações ao mesmo tempo.

A segunda coisa que notou é que seus cabelos haviam crescido da noite para o dia.

Será que eu to de peruca? – pensou.

Passou a mão naqueles fios misteriosos e ao puxá-los notou que realmente estavam presos em sua cabeça. E eram encaracolados. Puxou um pouco mais forte e sentiu uma dor aguda. Uma dor tão forte que o fez esbravejar em voz alta:

– Ca-ca-ca-caraaalho!

Pedro tampou a boca com as mãos em um gesto de surpresa. Será que havia bebido tanto que ficou gago? E o que acontecera com a sua voz? Ela estava completamente diferente. Tentou falar em voz alta novamente para tirar a prova:

– O-o-o q-que ca-ca-ca-caralhos está-tá aconteceeeendo?

Pedro começou a ficar desesperado.

Não sabia onde estava. Sua voz mudara completamente. O cabelo então, nem se fala. Tentando colocar os pensamentos em ordem, resolveu levantar e lavar o rosto.

Quando ficou de pé, viu que existia um enorme espelho em frente a cama. Ao se olhar, Pedro não conseguia mais se mover. Estava em completo estado de choque.

Refletido no espelho não estava aquele rapaz tatuado, magrelo e de cabelo raspado com máquina dois. Refletido no espelho, estava David Brazil.

– Fo-fo-fo-fodeeeeeu!

david-brazil

Continue acompanhando os próximos capítulos de Meu Brazil Brasileiro.

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Marcos Oliver está de volta!

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E vai e vem não tem parada. Traz uma carga de saudades na chegada.
E vem e vai mais uma jornada e a minha vida vai com ele nessa estrada.

É com esse refrão que Sula Miranda, a eterna rainha dos caminhoneiros (e irmã da Gretchen) nos emociona com a regravação do hit “Caminhoneiro do Amor que conta com a presença de ninguém menos que Marcos Oliver, ator, sedutor profissional, pintor e ídolo maior de quem escreve esse texto.

No melhor estilo road-movie, Oliver nos entrega uma interpretação sensível e tocante de como é a vida dos caminhoneiros, esses profissionais que movimentam a economia brasileira através da nossa malha rodoviária.

Já Sula Miranda, canta ao pé do nosso ouvido, o dia a dia da esposa que fica em casa esperando o marido trabalhador e apaixonado, contando os segundos para matar as saudades e viver bons momentos a dois.

Marcos Oliver mostra que continua em forma tanto fisicamente quanto profissionalmente e prova para os críticos, de forma contundente, que é um ator versátil e de múltiplas facetas.

Não sei vocês, mas eu já estou aqui esperando por mais trabalhos do nosso mestre maior.

 

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Relíquias brasileiras no Spotify

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Tenho um gosto musical peculiar. Não sei se essa seria a expressão correta já que trabalho sem o menor critério na hora de decidir o que ouvir.

De alguma banda obscura do leste europeu a Wesley Safadão, sou uma pessoa que encara sem medo as surpresas que o Spotify pode nos proporcionar.

Foi com a mente aberta que resolvi procurar e compartilhar com vocês algumas das pequenas relíquias que esse maravilhoso serviço de streaming esconde em seus servidores.

Preparados para descobrir algumas relíquias brasileiras no Spotify? Vem comigo!

1 – Celso Portiolli

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Radialista, ex-vereador, apresentador e showman. Como se não bastassem todas essas facetas, Celso Portiolli nos apresenta um sólido trabalho como cantor.

Seu único álbum foi lançado em 1998. “É Tempo de Alegria” deve ser uma daquelas bolachas raras que somente os melhores colecionadores tem acesso.

Com hits como Amizades Virtuais, Que bom que o domingo chegou e Mocinho de Cinema, o disco é uma verdadeira ode à alegria, diversão e a televisão brasileira.

Clica no play e divirta-se com o sucessor espiritual de Augusto Liberato, o Gugu:

2 – Baladão do Faustão

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Em algum momento de 2012, nosso querido Fausto Silva resolveu fazer um compilado dos “melhores do ano” (com um critério muito obscuro e subjetivo) e lançou um disco chamado Baladão do Faustão.

Nada combina mais com o dono das tardes de domingo da Rede Globo que esse cd.

Um mix delicioso de tudo o que embalou as novelas e rádios brasileiras naquele ano. E tudo acompanhado com a Banda do Domingão em versões inéditas.

Para citar apenas alguns dos hits presentes:

Michel Teló – Ai se eu te pego/Humilde Residência (num remix delicioso)
Sorriso Maroto – Assim você mata o papaiJoão Lucas & Marcelo – Eu quero tchu eu quero tcha
Munhoz e Mariano – Camaro Amarelo

Sem mais delongas, clique nesse link  (ou na imagem, porque não deu pra incorporar) e retorne para 2012 com Faustão e sua turma.

 3 – Sérgio Mallandro

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Maior expoente do humor nacional, Sérgio Mallandro é a versão em carne e osso dos coelhinhos da Duracell após uma rave de 72h regada a muita cocaína e energético.

Além de par romântico e príncipe da Xuxa em Lua de Cristal, Serginho também se arriscou na carreira de cantor. Sua frase mais emblemática leva o nome de seu hit supremo:

Vem fazer Glu-Glu

Com um gostinho de anos 90, no disco auto-intitulado Sérgio Mallandro, você encontra hinos de toda uma geração:

– Tic Tic Nervoso
– Lua de Cristal (a versão do Serginho)
– Superfantástico
– Rap do Mallandro
– Vem fazer glu-glu

Tá esperando o que pra ouvir?

4 – Os Trapalhões

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Bastiões do humor politicamente incorreto entre os anos 70 e 90, Os Trapalhões são um patrimônio histórico da humanidade brasileira.

Com o auge do sucesso na televisão e nos cinemas, a trupe humorística também soltou o gogó em um álbum recheado com aquela sacanagem gostosa com todos os estereótipos e preconceitos que marcou a era de ouro da turma.

O Monty Python brasileiro, já recuperado do baque da morte de um de seus integrantes, nos entrega um dos melhores trabalhos até aquele momento, mais especificamente em 1991.

Imortalizado pelo grupo, a canção Pula Veadinho narra as desventuras da turma em um zoológico sendo um dos grandes sucessos desse álbum.

Se você também adorava as trapalhadas de Dedé, Didi, Mussum e Zacarias, clique no play e relembre os melhores momentos dos Trapalhões:

5 – Gugu Liberato

gugu

O eterno concorrente de Fausto Silva nas tardes de domingo também não marcou bobeira quando o assunto era música.

Gugu gravou inúmeros discos ao longo de sua carreira, mas o Spotify tem apenas um registro dessa fase racional. Nesse caso, voltado exclusivamente para crianças (imagino que tentando pegar carona no sucesso do Xuxa Só Para Baixinhos).

Imagino que a motivação para esse álbum tenha sido a paternidade, já que em 2002 nascia João Augusto Liberato, o herdeiro do apresentador.

Eu confesso que fiquei assustado com algumas músicas desse disco, especialmente Táxi do Gugu.

A música me passa a sensação de que o táxi é uma espécie de carona para o inferno, cujo motorista é alguém um pouco atormentado e com certas predileções por crianças.

Para piorar, a música é cortada com alguns sussurros do Gugu soltando frases como “O táxi do Gugu é mais gostoso viajar” ou “Pode pedir pra ele pegar na escola ou em qualquer lugar”.

Tenho certeza que se essa música for tocada de trás pra frente teremos uma espécie de cântico satânico invocando Lúcifer.

Imagino que muitas crianças tenham ficado traumatizadas devido a exposição a esse disco.

Mas é um dos tesouros do Spotify que vale o play:

Acho que a conclusão desse post é óbvia, né? O Jay Z pode até tentar revolucionar a indústria da música e do streaming com o seu TIDAL, mas aposto que jamais terá uma seleção tão minuciosa e relevante de músicas quanto essa do Spotify.

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5 coisas que eu já quis ser

Escrito por Arquivo

O que você quer ser quando crescer? 

Eu já tive várias respostas para essa pergunta e nenhuma delas foi a correta. Se é que existe uma resposta certa pra isso.

Seguindo a minha primeira participação dos posts propostos pelo grupo RotaRoots, farei uma lista com 5 coisas que eu já quis ser e espero o mínimo de compreensão para não ser zoado, ok?

1 – Jogador de Futebol

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A resposta clássica quando se é criança e não tem a menor noção de como a vida ou o mundo funciona. Sim, eu queria ser jogador de futebol nos meus primeiros anos de vida e cheguei bem perto disso. Dos 13 aos 15 anos fui jogador das categorias de base do América-MG, mas descobri que essa vida de atleta não era pra mim.

Gostava mais dos coletivos que dos treinos físicos. Se tivesse seguido a carreira, hoje em dia seria o que se convencionou chamar de “jogador chinelinho”, no melhor estilo Roger Flores.

2 – Físico Nuclear

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Parecia algo legal. O nome, pelo menos, é incrível. Imagina preencher qualquer questionário que pergunte a profissão com “Físico Nuclear”.

Eu não tinha a menor ideia de quais eram as atribuições de um físico nuclear. Devo ter visto essa profissão em algum filme e percebi que combinava comigo. Porém, na época eu ainda não tinha sido apresentado aos mistérios da física e da matemática.

Para ser sincero, nunca fui.

Quando tive a matéria de física pela primeira vez, ficou claro que aquele não era um sonho tão possível assim. No gabarito da vida, a resposta “Físico Nuclear” não era a correta pra mim.

3 – Cientista da Computação/Programador

programador

Gostar de computadores não quer dizer que você será um bom programador. Pelo menos no meu caso.

Eu tinha certeza, na adolescência, que o meu futuro seria desenvolvendo programas e pensando em coisas geniais para computador. Influenciado (terrivelmente) por filmes como Hackers – Piratas de Computador e Ameaça Virtual, minha carreira como programador se restringiu a aprender HTML e a publicar algumas home-pages no HPG sobre jogos, Blink 182 e Smallville.

Além de alguns sites para a sala do colégio e uma zine virtual zoando todos os amigos.

Mas quando fui me informar ainda mais sobre o dia a dia de quem trabalha com isso e começar os estudos, percebi que tenho um sério problema com lógica da programação e linguagens mais complexas.

Pela terceira vez, eu falhava na resposta da pergunta fundamental da nossa vida.

4 – Juiz

juiz

Finalmente uma profissão que eu não precisaria usar, diariamente, a matemática ou qualquer outra área de exatas. Afinal, sempre fui ótimo em julgar os amiguinhos. Imagina ganhar por isso?

Na minha cabeça de adolescente, bastava ser um bom advogado e em algum momento da vida você seria “promovido” a juiz. Não fazia ideia de que existia todo um caminho a ser percorrido e concursos a serem realizados.

Hoje em dia eu ainda tenho muita vontade de cursar direito, porém não para ser juiz. Gosto da área e vejo que existem muitas possibilidades dentro desse campo, mas com a cabeça que tenho hoje, odiaria ter esse tipo de responsabilidade pela vida das pessoas.

Desisti de ser juiz quando me interessei pela escrita, o que me leva para o último item da lista.

5 – Escritor/Roteirista

escritor

Como já escrevi recentemente, foi graças a Luis Fernando Verissimo que comecei a me interessar pela escrita.

Escrever é algo que sempre tive facilidade. Nunca empaquei em uma redação na escola, sempre tirava notas boas e não cometia tantos erros de ortografia. Mas nunca me imaginei escrevendo um livro ou qualquer coisa do tipo. Até aquele momento.

Depois que tomei esse gosto, imaginei que o mais próximo de seguir esse sonho seria cursando publicidade e propaganda. Eu sei que não faz sentido, mas sendo adolescente eu tinha a licença poética para acreditar nessas coisas e fazer esses tipos de associações.

Na faculdade, fui aprimorando ainda mais a escrita e vendo que redação seria a minha área.

Lá estava eu, sendo redator de agência e escrevendo meus spots, roteiros e títulos engraçadinhos.

Em paralelo a isso, mantinha um blog (esse mesmo que você está lendo nesse momento) e percebia que a internet era o lugar mais acolhedor para quem tinha esse tipo de aspiração a ser produtor de conteúdo.

Aos poucos, fui migrando da redação “off-line” para a redação on-line. Quando me dei conta, já nem era mais redator.

Profissionalmente, fazia mais planejamento que textos propriamente ditos. O amor por blogs era tanto que fiz uma monografia inteira dedicada a eles.

E assim, mais uma vez, fui deixando de lado algo que queria ser quando crescesse. Mas essa, pelo menos, não ficou de lado totalmente.

Ainda me imagino vivendo de escrever e com um ou dois roteiros emplacados em algum lugar.

Posso dizer que, de certa forma, tenho sido “escritor”, mesmo que seja nesse blog e o público se resuma basicamente a mim mesmo e alguns amigos que clicam nos links por dó.

Mas não se espante se algum dia encontrar algum livro com meu nome na capa.

 

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