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Filhos da Putsom!

Tarde da noite. Após um longo dia de trabalho e algumas horas com a namorada, você chega em casa, acessa a internet, olha os e-mails, scraps, comentários do blog, fica um pouquinho msn e resolve se deitar. Tudo corria tranquilamente. A cama devidamente amaciada, o edredon com cheirinho de Confort, o travesseiro “afofado” na media certa. É quase uma ciência. Diria mais arte. A arte de afofar um travesseiro. Mas isso não vem ao caso agora. A questão é outra.

Você se deita, dá aquela despreguiçada gostosa, todos os seus ossos e vértebras estralam. Agora sim, pode deitar e desfrutar das merecidas horas de sono. O sono dos justos e dos dignos. Quando Orfeu começa a trocar uma idéia com você, acontece um ruído na comunicação, o que impede o boot completo do cérebro. Esse ruído nada mais é do que um bando de filhos da puta escutando som alto em frente ao meu prédio. Um bando de nego atoa que não se contentando em beber e falar merda, tem que beber e falar merda justamente em frente ao meu prédio no momento em que eu resolvo pegar no sono.

Parece cronometrado. Eu deito, relaxo e a barulhada começa. Geralmente são funks de quinta categoria. Diria o Underground do Funk. Músicas que são conhecidas somente por pessoas que frequentam os mais badalados bailes funks das favelas de Belo Horizonte. Mc Pirú, Mc Pelado, Mc o caralho a quatro.

Geralmente o aprelho de som que proporciona esse ruído ensurdecedor é mais caro do que a casa, o carro três anos de trabalho do indivíduo dono do automóvel. O cara junta dinheiro a vida inteira, vende todos os seus bens e compra um som. Um som ultra-moderno em um… Chevett 87. Uma maravilha.

Além dos funks e demais músicas, essa espécie de pessoas geralmente andam em grupos compostos de machos e fêmeas, onde as fêmes, atiçadas pelo hormônio do sexo conhecido como Gasolina, combinado com bebida, exibem-se com toda a graça e elegância de um ornitorrinco. Falam alto, dão gritinhos e risadas histéricas e excitantes ao mesmo tempo. Afinal, a chance de terminar a noite em um barracão ou em um Drive-In de R$ 7,50 é enorme.

Eles fazem questão de ficarem parados aqui por no mínimo uns 40 minutos. São 40 minutos insuportáveis, e nem com a janela fechada consigo abafar o som completamente. É interessante notar, que em todas as vezes, nunca passou um carro de polícia sequer. Seria interessante observar a ação dos policiais perante esse bando de meliantes, pertubadores da ordem pública.

A minha vontade é descer lá em baixo, dar um tapa na cara de cada um, estilo Bitch Slap e dizer: “Who is your daddy bitch? It’s me.” Mas como eu sou um cara da paz e prefiro dormir a caçar briga com pessoas de certo relacionamento crimino-afetivo com grandes nomes do tráfico do Helípolis, fico debaixo das cobertas assistindo TV e esperando os idiotas se cansarem e sumirem de vista.

Meu grande sonho é que a raça dos Filhos da Putsom um dia entre em extinsão completa. Somente assim terei sossego e poderei desfrutar das melhores noites de sono que só um cara como eu merece.

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