Posts marcados: Revista Época

Jornalistas também são blogueiros, e dos bons.

Essa é uma constatação que eu fiz após ler a revista Época dessa semana. Dos 50 blogs brasileiros selecionados para a matéria, 17 são escritos por jornalistas e hospedados em portais de jornais ou editoras. Em uma continha simples, 34% da lista é composto por profissionais que atuam ou já atuaram na grande mídia e possuem blogs que “não podemos deixar de ler”.

Esse é um dos resultados da profissionalização da blogosfera. Ela já não é mais composta só por profissionais e pessoas de outras áreas. Jornalistas que blogam estão se tornando cada vez mais relevantes dentro deste cenário, pois, aliam experiência e credibilidade em seus posts. Isso confirma cada vez mais a idéia de que a grande mídia já descobriu os blogs e está dando o seu jeito de incorporá-los aos seus portais.

A blogosfera não é mais só composta por pessoas normais e profissionais de outras áreas. Alguns blogueiros jornalistas possuem liberdades em seu blog que não possuiriam dentro da redação de um grande jornal. Em muitos casos, ele mesmo é o seu próprio editor, o que permite um ponto de vista sincero, sem filtros e oferece a maior vantagem da blogosfera: a possibilidade do diálogo.

Percebo que vem acontecendo duas coisas: os jornalistas estão se adaptando ao formato dos blogs, descobrindo a liberdade que essa ferramenta permite tanto na linha editorial, quanto no diálogo. Já os blogs, com a crescente profissionalização, estão se parecendo cada vez mais com a mídia tradicional. Não se pode perder a essência da ferramenta. A Internet é um meio completamente diferente dos demais. É interativo e vive em constante adaptação. Se os blogs se adotarem a mesma postura da mídia tradicional nesse ambiente, não preciso dizer quem sai perdendo, não é mesmo?

Por mais que critiquem, os jornalistas estão aprendendo o caminho. Estão migrando cada vez mais para as suas próprias editorias online e a revista comprova isso: estão se tornando influentes.

Um tapa na cara da “nova mídia dona da verdade”.

Uma grande conquista para os blogs: sair na capa de uma revista nacional de grande circulação. Blogueiros comemoraram, se orgulharam de ter a logo de seus blogs estampada na capa da Época e cantaram aos quatro ventos que agora sim, os blogs terão o devido reconhecimento.

Mas, essa mídia tradicional, que envolve revistas, jornais, rádio e televisão é aquela mesma feia, velha e boba que os blogueiros tanto detestam e ridicularizam. O que é que aconteceu para, de repente, se sentirem tão felizes de estarem fazendo parte dela?

O que aconteceu é que, apesar de os blogs se acharem a maior revolução do mundo e os blogueiros os percussores dessa revolução, a mídia tradicional ainda exerce força e influencia tendência entre eles.

Blogueiro adora falar mal de revista, mas, quando tem a oportunidade de ser citado em uma, abana o rabinho, faz gracinha e espera o biscoitinho na boca. Querendo ou não, a grande mídia ainda dita regras no mundo offline e precisamos dessa mídia que influencia pessoas para ajudar na transição do offline para o online.

Eu sempre defendi o conceito de que as mídias se complementam. Quando uma nova mídia surge, as demais se atualizam, procuram uma forma de se diferenciar e não perder lugar, se integrando às novas mídias e proporcionando uma comunicação em vários níveis.

O alvoroço que essa capa da Época causou foi, na minha humilde opinião, o golpe de misericórdia sobre os blogs e blogueiros que se consideram superiores à mídia tradicional. Como sempre teve aqueles que ficaram tristinhos por não fazerem parte da gangue. Sair em uma revista? Poxa, me coloca nessa! Não dá pra perder.

Ainda estamos em fase de evolução. Os blogs ainda estão se descobrindo. É tudo muito novo. É cedo demais ainda para nos considerarmos a mídia do futuro sendo que, enquanto criticamos a mídia tradicional, nos estapeamos por um espaço de algumas poucas linhas em revistas e jornais.

O primeiro passo é decidir o que quer ser quando crescer. Os blogs ainda estão crescendo. Da mesma forma que existem restrições para crianças, existem certas restrições para os blogs que não nos permite ainda sermos considerados uma mídia indispensável e com a maior credibilidade do mercado. Essa matéria da Época, apesar de citar a patota da blogosfera, foi um tapa na cara daqueles que se consideram os “fodões” da nova mídia e menosprezam o poder e a relevância da mídia tradicional.

Façam um post, ou melhor, um guia sobre as revistas indispensáveis e veja qual terá mais repercussão. O seu post ou a capa da revista.

Simples.

Esmolas e burrice

Saiu uma matéria na revista Época da semana passada falando sobre o que pesa para o eleitor na hora da eleição. Segundo a reportagem, os eleitores prezam mais por candidatos à reeleição que investiram em programas sociais, os famosos bolsas-esmolas, do que os candidatos que investiram em educação.

Incrível como a população, com o perdão do trocadilho, consegue ser tão burra. Claro, não é toda a população. É em especial a classe média e a classe mais pobre, que precisa das famosas bolsas para sobreviver. Preferem que seus filhos ou eles próprios sejam primatas amebóides mas com um dinheirinho garantido no final do mês, do que ter uma educação de qualidade e oportunidades melhores e com qualificação.

A matéria ainda cita que a população entende a necessidade de investimentos em educação, mas ainda sim prefere ter a sua bolsa. Ela ilustra com gráficos que relacionam os candidatos que investiram em educação e os candidatos que investiram em outros programas, e a porcentagem dos que foram reeleitos e dos que não conseguiram.

Uma sociedade que preza por ajudas do governo ao invés de investir na educação de seus membros, que poderão tornar-se especialistas em áreas, caso tenham acesso a educação, obviamente merece ser fodida com a frequencia com que é no nosso país.

Para ler a reportagem:

Parte 1

Parte 2

Simpsons Brasileiros

A capa da revista Época dessa semana vem ilustrando o tema principal, “Quem é a nova classe média do Brasil”.

Segundo o blog da equipe de Design da revista, o desafio proposto para os ilustradores era:

Esta semana o tema de capa poderia ser ONGs ou classe média. Para ilustrar o tema “classe média” nós usamos como base o famoso desenho “The Simpsons”, que é a imagem da família americana trabalhadora. A idéia era traduzir o desenho para uma família brasileira. Convidamos vários ilustradores, cada um com um tipo de traço específico, com a imagem de referência e um texto assim:

Uma família brasileira com as seguintes características:
1 – pai feliz tomando cerveja ou com o controle remoto da TV na mão
2 – mãe fashion, ela pode estar lixando as unhas
3 – garoto com skate ou algum game
4 – menina falando no celular
5 – pode ter cachorro
6 – quadro de São Jorge na parede

Dentre os cartunistas convidados, o desenho escolhido acabou sendo do Ziraldo, o que na minha opinião retratou muito bem e com um traço característico a família brasileira. A primeira vista, achei que era um plágio descarado dos Simpsons, mas entrei no blog da equipe e vi que esse era realmente o objetivo.

Para ver as outras ilustrações baseadas em Os Simpsons, acesse o blog Faz Caber, da revista Época.

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