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Mea Culpa

Venho aqui fazer um mea culpa. O mercado de mídias sociais em Belo Horizonte anda mais agitado do que eu pensava. Depois de entrevistar profissionais da área de web de duas grandes agências de Belo Horizonte (ainda faltam duas), já tive uma mudunça completa em relação ao que eu “achava” que sabia sobre o mercado. Esses profissionais (detalhes após a apresentação da monografia com direito às entrevistas devidamente postadas por aqui) me mostraram como as agências daqui se preocupam e têm a vontade de introduzir esses conceitos no mercado.

Um dos cases apresentados inclusive ganhou prêmio. Outros estão em andamento e estou a partir de agora companhando ansiosamente. Fico feliz porque a área em que eu pretendo atuar vem crescendo e ganhando cada vez mais espaço. Por outro lado, temos um amadurecimento das agências que buscam novas formas de criar uma comunicação eficiente e utilizando a interação sem mediadores entre cliente e público-alvo.

Pelo que conversei com esses profissionais, ainda não existe um departamento exclusivo de social media. Geralmente são as pessoas da área de web que planejam e desenvolvem essas campanhas. Mas, como questionei, tudo pode mudar. Depende de como as novidades são recebidas aqui em BH.

Acredito que após essa maratona de entrevistas, terei uma visão completamente diferente do mercado mineiro. Claro que será pra melhor.

Desânimo com a faculdade

O objetivo de um curso superior é dar conhecimento específico relacionado a alguma área de ciências, seja humanas, exatas ou biológicas. O curso tem que estar preparado para oferecer uma infra-estrutura moderna e com o que está em voga no mercado. Isso é o mínimo que se espera de uma faculdade. Mas o fator primordial que diferencia uma faculdade da outra é o ensino. E nesse quesito estou completamente insatisfeito com a minha faculdade.

O básico da Publicidade e Propaganda é ensinado com maestria. Temos professores com experiência de mercado, com mestrados e MBA’s, formados dentro e fora do páis. Porém, quando a questão é nos apresentar as novas tendências da publicidade, a faculdade vem pecando bastante.

Como já citei aqui, meu professor de Marketing/Gestão de Varejo não conhecia o termo Cauda Longa e praticamente o resto da minha sala, também não. Isso pode ser um diferencial pra mim, em um futuro, ter conhecimento sobre como funciona e como a publicidade está tomando esse rumo. Mas no momento, o mínimo que o professor poderia fazer é apresentar esse fenômeno aos alunos ao invés de se focar nas técnicas tradicionais de marketing.

Ainda na questão do Marketing, nunca chegamos a ser apresentados formalmente às técnicas do Marketing de Guerrilha, Marketing de Emboscada, Marketing Viral e PR Stunt dentre outras vertentes que estão em ascenção no Brasil. Não sei se essa área do Marketing faz parte da grade curricular de outras faculdades, mas a faculdade que fornecer esse conhecimento aos seus alunos, estará formando profissionais com conhecimento acima da média em Belo Horizonte, uma vez que o próprio mercado ainda não incorporou a utilização dessas técnicas de fato.

Outra área que vem crescendo bastante atualmente mas que não é citada nos cursos, é a área das Mídias Sociais, ou o Social Media, pra ficar mais chique. A possibilidade de saber como uma marca é vista pelo seu público em redes sociais, blogs e outras ferramentas sociais, possibilitando o planejamento de ações que mudem essa visão e crie um elo mais forte entre marca/consumidor.

Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo isso já uma realidade. Temos palestras, seminários, encontros destinados à discussão desses temas. Em Belo Horizonte, só de ouvir as palavras Social Media, Blogs, Redes Sociais, os estudantes ficam sem saber ao certo do que se trata.

Alguns poucos alunos, que acompanham a evolução do mercado conseguem compreender e tentar incorporar essas novas tendências no dia a dia, mas se as faculdades não estão preparadas pra ensinar, como colocar em prática esse conhecimento?

O próprio coordenador da agência experimental do meu curso desconhece o real significado de um “viral”. Me lembro quando ele propôs criarmos um viral para a entrega das peças dos alunos que concorreriam em um festival de publicidade. A idéia era fazer um vídeo simulando uma reportagem e jogar no Youtube. Pronto, esse era o viral que ele pensou. Soou forçado e se teve 30 views foi muito.

O que eu pretendo com esse post é mostrar o meu descontentamento com o atual sistema de ensino da minha faculdade. O curso está formando profissionais preparados para lidar com o formato tradicional de publicidade, onde compramos mídia, criamos uma campanha e aguardamos resultados. Não profissionais preparados para as tendências onde a mídia é só mais uma ferramenta. Se não nos apresentam as ferramentas que estão sendo utilizadas atualmente, como desejam que disputemos com alunos de faculdades do Rio e São Paulo onde essas novas tendências deixaram de ser tendências e se tornaram realidade? O atual mercado é um funil, somente quem apresentar um diferencial e estiver conectado à essas novas tendências será absorvido.

Eu não quero ficar de fora, por isso busco ler e entender o quem vem sendo criado e aplicado em termos de publicidade mundo afora.

Por que ser publicitário hoje em dia está difícil?

Ser publicitário hoje em dia é uma tarefa difícil. De repente, todo mundo resolveu cursar uma faculdade de Publicidade e Propaganda. Aquela sua prima chata, o seu amigo nerd, a sua amiga de infência. Todo mundo. E como se isso não bastasse, alguns fatores ainda afetam o mercado.

Em primeiro lugar, ninguém gosta de empregar recém-formados, e a quantidade de pessoas que acabaram de se formar, é enorme. Tirando por base umas 10 faculdades por cidade, com dois turnos de aula, têm-se em média, 100 alunos por curso. Vezes o número de faculdades, têm-se o número de 1000 (mil) formandos por semestre. 2 mil alunos por ano se formam em Publicidade e Propaganda. Isso só em BH e claro, fazendo uma média.

Logo, é difícil arrumar emprego pra todo mundo.

Em segundo lugar, o modelo tradicional de publicidade, aquela que a gente vê na TV, rádio, outdoor e cartazes, está cedendo lugar às novas mídias. E aquelas que ainda mantém o modelo tradicional, continuam com os mesmos funcionários de sempre. Aqueles macacos velhos e experientes, uma coisa Old School.

Fica complicado para quem está se formando agora entrar em uma grande agência e competir com caras premiados e experientes. Fora isso, tem o agravante das áreas.

Um diretor de arte tem muito mais rotatividade do que um redator. É só olhar na maioria das agências de médio e pequeno porte. Um redator e três ou quatro diretores de arte. Um redator experiente, claro. E na grande maioria, um dos sócios da agência.

Como em Belo Horizonte ainda predominam as agências de modelo tradicional, a concorrência fica mais apertada.

Fico imaginando como será daqui a 6 meses. Quando finalmente me formar. Bom, se eu já estiver empregado, que continue. :D

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