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O caso da menina Eloá. Pra quem tá de fora é fácil criticar a polícia.

Eu não sei se essa minha opinião é por ser filho de policial e conviver desde pequeno nesse meio ou se eu sou diferente da grande maioria das pessoas. O fato é que a população adora criticar a polícia quando algo dá errado mas ninguém se manifesta quando eles realizam uma ação bem planejada e com sucesso. Estava na cara que esse sequestro não acabaria bem, seja por invasão da polícia ou não.

Para quem está de fora é simples solucionar um caso como aquele. Mete uma bala na cabeça do sequestrador. Claro. Quem emite essa opinião são pessoas que ficam no Twitter o dia inteiro e o máximo que conhecem dessa situação é o mapa CS_Rio de Counter-Strike. Não sabem os desdobramentos que a Polícia tem que enfrentar sempre que realiza uma ação com cobertura maciça da mídia. O Brasil é um país hipócrita, e como tal, somos rodeados de instituições que apenas agravam essa situação. Os órgãos de Direitos Humanos são os maiores representantes desse gênero.

Cara, é fácil demais a opinião pública criticar a ação da Polícia. Eram 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado. Se a polícia não invadisse, ela seria criticada. Como invadiu e a menina levou tiro, também foi criticada. Já conversei várias vezes com o meu pai a respeito de casos assim. A Polícia fica de mãos atadas e não pode utilizar força letal. São questões éticas que devem ser respeitadas e que impedem o desfecho da maneira que a populalção gostaria.

Outro fator que me irrita é o fato das pessoas acharem que a vida é um enorme vídeo-game. Usam palavras americanas comumente utilizadas por aqui somente em games como Sniper, Wind-Resistance e blah blah blah. Isso é legal nos vídeo-games e no primeiro mundo. Aqui isso não funciona, e falar bonito não te faz mais conhecedor da situação do que quem está realmente passando por ela. Nessa hora não existe teoria, somente prática.

Chega uma hora que irrita. Ver as pessoas só criticando e falando que fariam melhor quando na verdade não sabem a merda que é ser policial em uma situação dessas. Se eles matassem o cara ali, seriam criticados da mesma forma, por que a opinião pública é uma massa uniforme, que mantém sempre a mesma opinião. Pelo histórico do nosso país deveriam saber que a Polícia realmente é fiscalizada pelos órgãos de direitos humanos, o que nessas situações fazem com que a instituição fique com as suas ações restringidas, sendo pensadas de maneira a causar o menor dano e impressão possível.

Dêem um crédito. Pra nós que estamos de fora é realmente muito fácil criticar. Toda ação é suscetível a erros. Mas antes a ação do que a passividade e conformismo das pessoas.

Um tira da pesada 3 1/2

Hoje foi um dia estranho. Pelo menos na parte da manhã.

Acordei e fui cortar meu cabelo. A juba tava grande, precisando dar um tapa. Fui tranquilamente em direção ao “salão de beleza” e aguardei a minha vez.
Ser o único homem do recinto é um inferno. Você tem que escutar as madames conversando sobre assuntos em que não se tem o mínimo de interesse e concordar com um “ahn ham” sempre que te perguntam alguma coisa.

Enquanto lia uma Veja antiga, olhei para a rua e vi minha vizinha e um cara. O cara itava  indo pra cima dela. Sabe quando você brinca de “vô te pegar”? Tava parecendo isso até o cara fazer de novo, pegar o celular dela, subir na bicicleta calmamente e começar a pedalar.

Assalto rapá. Chamem os tiras. Em plena luz do dia.

Nessa hora não raciocinei direito, subi a rua correndo e perguntei se o cara realmente a tinha assaltado. Ela disse que sim. Na hora eu liguei para o meu pai e desci a rua correndo. Meu pai é um “tira de verdade”. Mas a adrenalina tava tão alta na hora que me senti o próprio Axel Foley de Um Tira da Pesada. Só faltou a jaquetinha e a música.

Comecei a correr atrás do maluco de bicicleta e no meio do caminho encontrei com o meu pai que já tava devidamente armado, estilo lock n’ load. Descemos a rua correndo e nenhum, repito, NENHUM puto ajudou a gente. Odeio populares. Só servem para atrapalhar o serviço de “tiras” como eu. ¬¬’

O cara tinha entrado num matagal que tem no final da minha rua e enquanto meu pai entrava armado, eu continuei subindo e fui para a parte de cima, que teria uma visão melhor da área. Daria cobertura para o Capitão Nascimento do bairro. Não vai subir ninguém, era o que eu diria se de repente algum vizinho putinho se prontificasse a ajudar.

O cara num passe de mágica desapareceu. Puf! E quando vi, meu pai também já tinha sumido atrás dele no matagal. Aí nessa hora que eu finalmente parei e racionei para ver a merda em que eu tava me metendo. No meio da favela, sozinho, com minha cara de menino criado com vó e totalmente desprotegido e desarmado. Se eu encontrasse com o cara, com certeza ele me assaltaria e sairia rindo da minha cara. A brincadeira de polícia e ladrão acabou ali.

Aí não deu, voltei para trás e fui cortar meu cabelo. Minha curta e emocionante aventura como policial. Finalmente os policiais de verdade chegaram e foram atrás.

O filho da puta do assaltante escapou.

Cara, é impressionante como hoje em dia não se pode dar mole em nenhum lugar. Não era nem 11:30 da manhã. O cara ao invés de tomar café da manhã, tava praticando um assalto. O café da manhã dos campeões. A violência se tornou uma coisa banal. Acontece a toda hora, mas quando acontece com a gente, que não é acostumado a viver com isso, não sabe como agir. Eu esperava o que correndo atrás de um assaltante armado? A minha única arma era um chinelo Raider e um molho de chaves. O que eu poderia fazer? Dar uma chinelada e uma chavada na cara? Se pegasse o cara, com certeza daria, mas estaria sendo burro. Estaria colocando um alvo no meio da minha testa esperando tomar um tiro.

Mas serviu pela experiência. Pelo menos agora posso contar como é a sensação de participar de uma perseguição policial.

=)

Primeiro computador utilizado pela Polícia Militar de Minas Gerais

Hoje meu velho, coroa, papai recebeu uma condecoração FODA. Foi agraciado com a medalha Alferes Tiradentes, a maior honraria que a polícia mineira oferece. O negão é foda!

O que achei interessante foi o museu que montaram na solenidade com a exposição de vários equipamentos utulizados pela polícia ao longo de toda a sua história.

Um que me chamou a atenção foi esse computador IBM. O primeiro utilizado pela polícia. Sério, imagina o trabalho que era? Imagina quando essa relíquia travava? Tenso!

A máquina é um CP-500, produzido pela Prologica. Foi lançado no ano de 1981 com um processador z80/ 8 Bits. Segundo informações a parada tinha absurdos 48K de Memória Ram mais 1K para buffer de vídeo. Sua resolução era de 502 x 192 em um monitor de 12 polegadas.

Cara, 48k de memória RAM. Essa máquina deveria rodar paciência com a menor qualidade possível. Mas claro, essa não era uma máquina de jogos. Muito menos rodava Windows, que nem existia na época.

Acessórios especiais que acompanhavam a máquina: gravador cassete, 4 discos flexíveis de 5 1/4 polegadas de dupla densidade, impressoras matriciais, joystick (para jogos e gráficos), plotter e uma porta serial, padrão RS232 C.

Maluco, um gravador de cassete! Hoje em dia nego compra um gravador de CD e acha que tá abafando. Sai vendendo CD pirata dentro dos ônibus. Queria ver nego vendendo fita cassete na parada.

Foi o primeiro computador brasileiro totalmente compatível com o TRS-80, considerado um dos melhores computadores já construídos.

Não sei, mas me pareceu um Pense Bem gigante. Só faltou um livrinho de perguntas!

Fonte das Informações: Museu da Computação Antiga.

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