O Clube dos Cinco - The Breakfast Club (1985)
Quem acompanha o mundo do cinema, gosta do assunto, sabe quem é Judd Apathow. É o cara que vem nos presenteando com as melhores comédias, uma atrás da outra. O Virgem de 40 anos, Ligeiramente Grávidos, Superbad entre outros. O cara é gênio. Mas, antes dele, lá no século passado, por volta dos anos 80, existiu um outro senhor, chamado John Hughes que simplesmente escreveu ou dirigiu 90% das comédias e filmes que marcaram a nossa infância e a adolescência dos mais velhos.
Não sabe quem é? Bom, é o cara que escreveu e dirigiu Curtindo a Vida Adoidado, A Garota de Rosa Shocking, Mulher Nota 1000 e Esqueceram de Mim. Só pra citar alguns.
Em 1985, um ano antes de eu nascer, ele escreveu e dirigiu um filme que pode ser considerado uma obra-prima dos filmes de adolescente, O Clube dos Cinco. Uma análise sobre o que é ser adolescente. Os problemas, as diferenças, as cobranças e a descoberta de amizades onde menos imaginamos.
No filme acompanhamos a história de cinco alunos do Shermer High School, “sentenciados” à uma detenção em pleno sábado. Os criminosos são o “atleta” Adrew (Emilio Estevez), o “nerd” Brian (Anthony Michael Hall), o “punk” Bender (Judd Nelson), a “estranha” Allison (Ally Sheed) e a “popular” Claire (Molly Ringwald). Estereótipos mais que marcados do mundo escolar, principalmente dos filmes americanos. Cinco pessoas que não possuem nada em comum a princípio, a não ser o fato de estudarem na mesma escola e darem o azar de cumprir detenção.
Para assegurar que os garotos cumprirão a sentença, a figura sempre carrasca do diretor da escola, Diretor Vernon (Paul Gleason), que também não foge do estereótipo do diretor pé-no-saco.
Dentro da sala de aula, o diretor dá o recado: Sem conversa, sem bagunça, cada um no seu lugar e, ao final do dia, uma redação dizendo por que cada um estava na detenção. A partir daí, descobrimos que aqueles, em um primeiro momento completamente estranhos e diferentes, possuem muito mais em comum do que imaginam.
O verborrágico Bender desencadeia toda essa situação, provocando cada um e fazendo-os se questionarem sobre as suas atitude e problemas. Um punk de raiz, com seus problemas e com raiva do mundo, e que utiliza isso para provocar os seus colegas. As provocações funcionam, mas também, graças a elas, o elo entre esses cinco alunos vai sendo fortalecido.
Ao longo do filme, vários assuntos sobre a adolescência são tratados da forma mais pura e cativante possível. A relação com os pais, as diferenças sociais, sexualidade, histórias pessoais, sucessos e fracassos, sustentados por uns dos melhores roteiros que já assisti na minha vida. A história se passa toda no colégio, mas os diálogos são ácidos, bem-humorados e reflexivos, fazendo com que pensemos, ao final de cada frase, se o que fazemos na nossa adolescência nos torna diferentes de outras pessoas.
Durante o filme acompanhamos vários estágios da relação entre esses alunos. O estágio de diferença, onde fica explicito a qual mundo cada um pertence. O diretor Vernon funciona como um grande catalisador para a relação desse grupo, pois graças as suas intervenções, os jovens vão se defendendo e ao mesmo tempo, sutilmente, criando uma amizade.
Depois passamos pelo estágio do conhecimento, onde cada um fala sobre seus problemas. Sobre sua vida e o motivo de estarem ali. Sem muita enrolação, mais uma vez a genialidade do diálogo vem à tona, especialmente na cena em que Bender faz um teatrinho mostrando como é a vida de Brian e logo em seguida, mostrando como é a sua. Com esse tapa na cara sabemos o motivo do garoto ter tanta raiva do mundo. E vale citar a atuação de cada um no filme.
O próximo estágio é o de aceitação das diferenças. Eles começam a se entender e a se ajudar, deixando as diferenças de lado por um momento, para poderem aproveitar o sábado inteiro de detenção e a escola vazia. Tudo isso, para logo em seguida, sabermos o que levou cada um para a detenção.
Nessa hora, o filme se torna mais sério do que os anteriores de Hughes, pois trata de temas como abuso, nos EUA o Bullying, suicídio, a simples falta de não ter o que fazer e como isso se deu, graças as relações com a família. Cobranças, desejo de agradar e a vontade de ficar longe de casa, ajudam esses jovens a se descobrirem e a criar laços mais estreitos.
No final do filme temos o estágio da compreensão. Cada um aceita as diferenças que existem e contornam isso. Cinco perfis completamente diferentes, a princípio intolerantes uns com os outros, acabam se tornando o tal Clube dos Cinco, encerrando o filme com a redação proposta pelo professor.
Emilio Estevez em início de carreira, já mostrava que era um bom ator. Não acima da média, mas não deixa a desejar em nenhum momento do filme. Judd Nelson a mesma coisa. Graças ao seu personagem, esses jovens vão descobrindo as suas afinidades e pontos em comum. Anthony Michael Hall interpreta o típico nerd. Virgem e timido, e ao mesmo tempo sensível. Molly Ringwald era a queridinha da época e estrelou grande parte dos filmes de John Hughes, está completamente confortável em sua personagem, garota popular e tradicional, que se vê rodeada de pessoas que não suporta. E por fim Ally Sheed. As esquisitisses que ela faz no filme são das mais variadas. A cena do desenho na mesa é bizarra, pra citar o mínimo.
Com certeza esse é um dos melhores filmes dos anos 80. Não é tão reprisado quanto Curtindo a Vida Adoidado (Save Ferris!) ou A Malandrinha, mas possui a história mais adulta e profunda dos filmes sobre a adolescência.
Precisamos de mais filmes assim hoje em dia. Desde que perceberam que parodiar fazia sucesso, nunca mais tivemos uma comédia adolescente como as de antigamente. American Pie tentou resgatar isso, mas ao utilizar peitos, bundas e muita putaria como combusível, falhou miseravelmente. Judd Apathow fez com maestria em Superbad, mas não é o bastante. Precisamos de mais.
Clube dos Cinco é um filme que diz bastante sobre a vida, principalmente na adolescência. É também um daqueles filmes que não precisa de uma sequência ou refilmagem, pois tudo que precisava ser dito, foi feito em 1985.





















