Antes de tudo vou fazer uma analogia aqui: As tragédias no Brasil podem ser comparadas à temporadas de séries. De 6 em 6 meses temos uma tragédia nova que domina os noticiários. Ás vezes parece que são até encomendadas. Em dois anos tivemos um garotinho arrastado, uma garotinha jogada pela janela, um padre que não sabia operar GPS e inventou de voar com balões de festa e atualmente o caso de um jovem apaixonado que, após o término do namoro, resolveu que a melhor cantada para reconquistar a menina era sequestrando-a.
A violência no Brasil já é tão banalizada que não me surpreende mais. Eu não fico mais assustado quando escuto o plantão da Globo, e muito menos comovido quando vejo as imagens na televisão. Isso não me comove. Não me rende uma lágrima sequer. Eu posso ser insensível por isso. Mas, se o sou, é graças a mídia. A tão malvada mídia, a culpada de tudo. Eu não me comovo porque casos como o da Eloá, crianças mortas e etc acontecem todos os dias. Nem todos tem a “oportunidade” de mostrar o seu drama em rede nacional. Isso não me comove.
Provavelmente vai te comover e fazê-lo pensar que eu sou um filho de uma puta insensível. Você tem todo o direito de pensar assim. Eu não tenho nada com a sua vida e nem você com a minha. Mas, daqui há 6 meses, quando a próxima tragédia entrar em cartaz, ninguém vai se lembrar da Eloá, da mesma forma como ninguém lembra da Isabella Nardoni, do João Hélio, da Liana, do Felipe, da Geísa. Tá vendo? Nem sabe quem são essas pessoas. E sim, elas são vítimas de casos famosos. Só que são peças descartáveis e com prazo de validade para o grande público. As únicas pessoas que se lembram são os familiares.
Me criticam porque ao invés de fazer um post em protesto, cheio de palavras de ordem ou lágrimas sobre o caso Eloá, eu fiz uma piada. A família que me perdoe, mas eu não vou me comover por isso. Vocês são os familiares, respeito a dor que estão sentindo, mas não mudarei meu jeito de ser apenas por mais uma tragédia transformada em espetáculo pela mídia. Os que me criticam agora, estarão grudados na televisão domingo que vem de olho na entrevista exclusiva com a família da Eloá. É isso que vai acontecer. Se não for com a familia da Eloá, será com a família do Lindemberg ou com a família da Nayara, e, se bobear, com a própria Nayara. Esse será o Gran-Finale do espetáculo.
Foi uma piada de humor negro? Sim. Mas uma hora ou outra alguém o faria. E não seria a Beth. A questão é que, a alienação e hipocrisia no país é tanta, que as meninas se tornaram uma espécie de heroínas no Orkut. Tem até comunidade “Original”. Os pais que me desculpem mais uma vez, mas heroína por que? Por tomar um tiro na cabeça? Isso não faz de ninguém herói. São casualidades e fatalidades. Estava premeditado o tempo todo, era assim que o Lindemberg provavelmente imaginava o desfecho, e se aconteceu, a culpa não é minha.
Não vou ficar chorando, colocando florzinha no nick e imagem de luto no meu orkut. Eu não conhecia a menina pra ficar de luto. Não sou tão sentimental assim. Volto a dizer, casos como esse acontecem todos os dias. Enquanto o cara tava lá com a arma na cabeça dela, metade do departamento de polícia se enfrentava no outro lado da cidade. Com certeza se alguém morresse lá, a atenção seria desviada.
Enfim. Me considerem o cara mais insensível do mundo, mas, eu não vou deixar de fazer as minhas piadas por causa de mais uma tragédia brasileira. Eloá já tá com o prazo de validade vencendo. Só mais algumas semanas na mídia e então as mesmas pessoas que me criticam aqui hoje, estarão atentas na tv para acompanhar mais uma temporada de tragédias. O que a Eloá vai virar? Mais uma referência no Google e um vídeo no Youtube. E com certeza, a comunidade dela vai mudar de nome após a próxima tragédia.