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E o Kiko?

Nayara quer mudar de escola em 2009

Longe da sala de aula desde que ficou refém em um apartamento em Santo André, no ABC, em outubro, a estudante Nayara Silva, de 15 anos, não renovará sua matrícula na Escola Estadual Professor José Carlos Antunes, em 2009. A intenção da família é que ela faça escola técnica. Para não sofrer com o assédio e também não atrapalhar a rotina de seus colegas, Nayara não fez as provas com sua turma do 1º ano do ensino médio. As notas finais virão de trabalhos feitos em casa.

“Ela fez trabalhos de todas as matérias. É comum esse procedimento quando o aluno não pode estar na escola”, contou Andréia de Lourdes Rodrigues de Araújo, mãe de Nayara e professora da rede estadual de ensino. Segundo ela, quando houve dúvidas, alguns professores foram à casa dela ou a própria Nayara esteve na escola, localizada em Santo André, no ABC. “Mas só umas duas ou três vezes”, contou Andréia.

Boa aluna “em todas” as disciplinas, de acordo com Andréia, a jovem Nayara gosta mesmo é de matemática. “Ela nem sabe o que vai fazer ainda. Tem o plano de fazer um curso técnico, mas não pude ver isso ainda”, disse a mãe da adolescente, que ficou sob o poder de Lindemberg Alves, 22. Com ela, também estava Eloá Cristina Pimentel, 15, ex-namorada de Lindemberg.

Os três ficaram no apartamento de Eloá, na periferia de Santo André, porque o rapaz não aceitava o fim do namoro. O seqüestrom de 100 horas, terminou com Eloá morta e Nayara ferida com um tiro na boca. O criminoso está preso no interior do estado. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria estadual de Educação confirmou que a adolescente foi liberada de fazer provas e informou que os trabalhos “estão sendo avaliados”. O ano letivo da escola termina dia 19.

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Exatamente. E o Kikotenho haver com isso?

É só regar…

Que alguém provavelmente vai dar o botão. Rá.

Já tá fazendo até pedido. Que gracinha.

A cicatriz ainda nem fechou. Provavelmente a mocinha ainda está com um sorriso no rosto, e ao contário dos comentaristas desse blog, já tá aproveitando o fato de ter tomado um tiro no rosto e ter sido vítima do Lindemberg:

Nayara pede visita do jogador Alexandre Pato

Um dos médicos se surpreendeu com o pedido da adolescente. Ela está internada no Centro Hospitalar Santo André, no ABC.

Só são autorizadas visitas que podem trazer benefícios para a recuperação de Nayara, conforme a avaliação dos médicos. Se Pato fizer uma visita, será recebido.

Os médicos que cuidam de Nayara evitam conversar sobre o seqüestro de mais de 100 horas em Santo André, que terminou com a morte de sua amiga Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. Um dos médicos se surpreendeu com o pedido de Nayara e, sem poder fazer nada, comunicou o desejo da jovem à assessoria de imprensa.

A estudante Nayara Silva, de 15 anos, fez um pedido nesta segunda-feira (20) aos médicos do Centro Hospitalar de Santo André, no ABC. Ela pediu uma visita do atacante do Milan Alexandre Pato, segundo a assessoria de imprensa do hospital.

Daniel Haidar Do G1, em São Paulo

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Agora eu me pergunto: Provavelmente ela não é a única vítima de tiro no hospital e por que diabos esse pedido dela deve ser atendido e o pedido do Sebastião não? Ela estava na mídia? É uma jovem de apenas 15 anos? E essa visita do Pato? Provavelmente vai render uma foto no álbum do orkut com a legenda “Migaaaa, se tivesse aqui, era nóis! Eu e Pato.”

Adoro meu país!

Rafael - O Insensível

Antes de tudo vou fazer uma analogia aqui: As tragédias no Brasil podem ser comparadas à temporadas de séries. De 6 em 6 meses temos uma tragédia nova que domina os noticiários. Ás vezes parece que são até encomendadas. Em dois anos tivemos um garotinho arrastado, uma garotinha jogada pela janela, um padre que não sabia operar GPS e inventou de voar com balões de festa e atualmente o caso de um jovem apaixonado que, após o término do namoro, resolveu que a melhor cantada para reconquistar a menina era sequestrando-a.

A violência no Brasil já é tão banalizada que não me surpreende mais. Eu não fico mais assustado quando escuto o plantão da Globo, e muito menos comovido quando vejo as imagens na televisão. Isso não me comove. Não me rende uma lágrima sequer. Eu posso ser insensível por isso. Mas, se o sou, é graças a mídia. A tão malvada mídia, a culpada de tudo. Eu não me comovo porque casos como o da Eloá, crianças mortas e etc acontecem todos os dias. Nem todos tem a “oportunidade” de mostrar o seu drama em rede nacional. Isso não me comove.

Provavelmente vai te comover e fazê-lo pensar que eu sou um filho de uma puta insensível. Você tem todo o direito de pensar assim. Eu não tenho nada com a sua vida e nem você com a minha. Mas, daqui há 6 meses, quando a próxima tragédia entrar em cartaz, ninguém vai se lembrar da Eloá, da mesma forma como ninguém lembra da Isabella Nardoni, do João Hélio, da Liana, do Felipe, da Geísa. Tá vendo? Nem sabe quem são essas pessoas. E sim, elas são vítimas de casos famosos. Só que são peças descartáveis e com prazo de validade para o grande público. As únicas pessoas que se lembram são os familiares.

Me criticam porque ao invés de fazer um post em protesto, cheio de palavras de ordem ou lágrimas sobre o caso Eloá, eu fiz uma piada. A família que me perdoe, mas eu não vou me comover por isso. Vocês são os familiares, respeito a dor que estão sentindo, mas não mudarei meu jeito de ser apenas por mais uma tragédia transformada em espetáculo pela mídia. Os que me criticam agora, estarão grudados na televisão domingo que vem de olho na entrevista exclusiva com a família da Eloá. É isso que vai acontecer. Se não for com a familia da Eloá, será com a família do Lindemberg ou com a família da Nayara, e, se bobear, com a própria Nayara. Esse será o Gran-Finale do espetáculo.

Foi uma piada de humor negro? Sim. Mas uma hora ou outra alguém o faria. E não seria a Beth. A questão é que, a alienação e hipocrisia no país é tanta, que as meninas se tornaram uma espécie de heroínas no Orkut. Tem até comunidade “Original”. Os pais que me desculpem mais uma vez, mas heroína por que? Por tomar um tiro na cabeça? Isso não faz de ninguém herói. São casualidades e fatalidades. Estava premeditado o tempo todo, era assim que o Lindemberg provavelmente imaginava o desfecho, e se aconteceu, a culpa não é minha.

Não vou ficar chorando, colocando florzinha no nick e imagem de luto no meu orkut. Eu não conhecia a menina pra ficar de luto. Não sou tão sentimental assim. Volto a dizer, casos como esse acontecem todos os dias. Enquanto o cara tava lá com a arma na cabeça dela, metade do departamento de polícia se enfrentava no outro lado da cidade. Com certeza se alguém morresse lá, a atenção seria desviada.

Enfim. Me considerem o cara mais insensível do mundo, mas, eu não vou deixar de fazer as minhas piadas por causa de mais uma tragédia brasileira. Eloá já tá com o prazo de validade vencendo. Só mais algumas semanas na mídia e então as mesmas pessoas que me criticam aqui hoje, estarão atentas na tv para acompanhar mais uma temporada de tragédias. O que a Eloá vai virar? Mais uma referência no Google e um vídeo no Youtube. E com certeza, a comunidade dela vai mudar de nome após a próxima tragédia.

Ainda sobre o BuddyPoke

Cara, sério. Esses aplicativos para o Orkut estão cada vez mais assustadores e realistas. Eu sempre digo que a tendência é a virtualização das ações e emoções humanas, mais isso aqui já é demais né?

Periferia é periferia em qualquer lugar.

Vamos aos fatos: O nome do cara é Lindemberg. O nome da menina era Eloá. Namoravam há 3 anos. Ela tinha 15 anos e ele 22. Logo, quando iniciaram o namoro ela tinha 12 e ele 19. Um dos motivos das brigas do casal era o famigerado Orkut segundo essa reportagem:

“Ela [a refém] adicionou um amigo da escola no Orkut e ele ficou com ciúmes”, contou. Suellen afirmou que o jovem quis terminar o relacionamento, como sempre fazia depois das discussões. “Ele sempre terminava, brigava por nada”, disse.”

Como o Morróida disse, provavelmente acessado através de um computador Positivo comprado em 48 suavex prestações. E agora isso:

Pelo corte de cabelo do cara, percebe-se que nem São Francisco de Assis foi capaz de ajudar a garota. Ou então que o nivel de amizade da garota era da melhor estirpe, garbo e elegância. Obviamente era um isento. É o retrato das tragédias brasileiras mesmo. Como algum sábio disse no Twitter mas não me lembro quem para creditar: “Mais uma chance de Oscar em 2011″.

Pergunte ao Alvim o porquê do São Francisco de Assis.

O caso da menina Eloá. Pra quem tá de fora é fácil criticar a polícia.

Eu não sei se essa minha opinião é por ser filho de policial e conviver desde pequeno nesse meio ou se eu sou diferente da grande maioria das pessoas. O fato é que a população adora criticar a polícia quando algo dá errado mas ninguém se manifesta quando eles realizam uma ação bem planejada e com sucesso. Estava na cara que esse sequestro não acabaria bem, seja por invasão da polícia ou não.

Para quem está de fora é simples solucionar um caso como aquele. Mete uma bala na cabeça do sequestrador. Claro. Quem emite essa opinião são pessoas que ficam no Twitter o dia inteiro e o máximo que conhecem dessa situação é o mapa CS_Rio de Counter-Strike. Não sabem os desdobramentos que a Polícia tem que enfrentar sempre que realiza uma ação com cobertura maciça da mídia. O Brasil é um país hipócrita, e como tal, somos rodeados de instituições que apenas agravam essa situação. Os órgãos de Direitos Humanos são os maiores representantes desse gênero.

Cara, é fácil demais a opinião pública criticar a ação da Polícia. Eram 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado. Se a polícia não invadisse, ela seria criticada. Como invadiu e a menina levou tiro, também foi criticada. Já conversei várias vezes com o meu pai a respeito de casos assim. A Polícia fica de mãos atadas e não pode utilizar força letal. São questões éticas que devem ser respeitadas e que impedem o desfecho da maneira que a populalção gostaria.

Outro fator que me irrita é o fato das pessoas acharem que a vida é um enorme vídeo-game. Usam palavras americanas comumente utilizadas por aqui somente em games como Sniper, Wind-Resistance e blah blah blah. Isso é legal nos vídeo-games e no primeiro mundo. Aqui isso não funciona, e falar bonito não te faz mais conhecedor da situação do que quem está realmente passando por ela. Nessa hora não existe teoria, somente prática.

Chega uma hora que irrita. Ver as pessoas só criticando e falando que fariam melhor quando na verdade não sabem a merda que é ser policial em uma situação dessas. Se eles matassem o cara ali, seriam criticados da mesma forma, por que a opinião pública é uma massa uniforme, que mantém sempre a mesma opinião. Pelo histórico do nosso país deveriam saber que a Polícia realmente é fiscalizada pelos órgãos de direitos humanos, o que nessas situações fazem com que a instituição fique com as suas ações restringidas, sendo pensadas de maneira a causar o menor dano e impressão possível.

Dêem um crédito. Pra nós que estamos de fora é realmente muito fácil criticar. Toda ação é suscetível a erros. Mas antes a ação do que a passividade e conformismo das pessoas.

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