Barba, cabelo e bigode.
Assim como as mulheres sonham com a Menarca, a sua primeira menstrução, o ato de tornar-se mulher, os homens sonham em ter e cultivar os seus primeiros fios de barba Nas castas sociais da juventude, aqueles que possuem barba ganham certa fama perante os demais machos do bando. É tido como alguém que evoluiu um pouco mais do que os outros. Um dos grandes macetes nessa fase da vida é raspar o rosto mesmo sem ter barba. Há quem diga que faz nascer mais rápido.
Eu sempre tive um certo problema de aparecência. Apesar de extremamente bonito e atraente (como bem sabe a minha namorada), eu tenho uma cara inconfundível de criança. Aquele ar pueril e inocente. Muitas pessoas acham que eu tenho por volta dos 16 anos, quando na verdade, sou um idoso de quase 22. Mas isso não é problema, consigo conviver com isso.
De uns tempos pra cá, resolvi adotar um estilo mais adulto, no que diz respeito a aparência. Ainda continuo usando minhas roupas normais, mas mudei o visual do meu rosto (não, não passo maquiagem). Comecei a cultivar uma modesta barbinha. Ela é estrategicamente bem localizada. Vem pela costeleta, passa pela bochecha, desce até metade do meu pescoço e mantém o mesmo traçado do outro lado até chegar na orelha. Não é nada muito espalhafatoso, mas já são alguns pêlinhos.
Eu deixei essa barba crescer. E como uma plantinha bem regada, ela realmente cresceu. Na parte do pescoço então, nem se fala. Se eu demorasse mais uma semana pra dar um trato, ficaria igual o Marcelo Camelo do Los Hermanos. Se deixasse o cabelo crescer, e colocasse um turbante, com certeza não entraria nos EUA, e seria chamado de Mohammed pelos meus amigos.
Minha namorada pediu que tirasse a barba, mas não sei porquê, ela me deixou com um ar tão mais adulto. Resolvi “fazer” a barba para agradá-la, mas não perderia todo o meu grande trunfo visual. Depois de tomar um bom banho, me postei em frente ao espelho com o prestobarba na mão e iniciei aquela que pode ser considerada a minha obra-prima.
Raspa aqui, raspa ali, tirei todo o matagal existente do pescoço. Fiquei com a aparência de uma púbis infantil. Lisinha. Mas daqui há alguns dias será igual a uma púbis de mulher recém depilada. Cheia de pêlos nascendo. Tudo bem, consigo conviver com isso.
Na buchecha, raspei milimetricamente dando uma aparada e deixando uma linha reta e paralela à minha silhueta, criando assim um charmoso cavanhaque, digno dos melhores atores da consagrada BollyWood indiana.
Gostei desse meu novo visual. Fiquei parecendo um galãzinho de cinema. Ou então um daqueles atores de propaganda de desodorante masculino saca? Só aquela bem definida trilha de pêlos ao redor do rosto. Uma coisa garbosa e elegante, que só os mais belos conseguem cultivar com tamanha exuberância. Agora é ver se a namorada aprova o novo visual.



















