Sobre diplomas, jornalismo, publicidade e blogueiros…
O assunto do momento é a decisão pela não obrigatoriedade do diploma de jornalista. Eu não sou jornalista e acredito que não é um diploma que te faz um bom ou mau jornalista. É a experiência, o faro, o tal do dom pra coisa. Mas, por outro lado, como estudante deve ser frustrante você perder aquela garantia de que sim, você é um cara formado e devidamente capacitado para atuar na área.
Historicamente, grandes jornalistas não eram formados, da mesma forma como acontece no mercado de publicidade. Grandes nomes da publicidade brasileira eram formados, por exemplo, em letras. O cara sabia escrever bem, mas não dominava toda aquela teoria que a gente aprende na faculdade. E da� Hoje em dia esses caras são os mesmos que a gente estuda dentro da sala de aula.
Acredito que o principal motivo para tanta repercussão é a importância que o jornalismo tem frente à sociedade. O jornalismo tradicional. Hoje em dia, querendo ou não, toda pessoa é um jornalista em potencial. Pode não dominar a arte de escrever uma matéria com isenção ou não ter o faro para notÃcias ou cultivar fontes e contatos, mas como produtor de conteúdo, ele tem todas as ferramentas a disposição.
A diferença desse jornalismo “social” para o jornalismo tradicional é que, o cara formado, que passou quatro anos estudando a história da comunicação, do jornalismo, técnicas e como funciona uma redação, está mais bem preparado para lidar com essas questões do que o cara que faz isso apenas porque gosta, sem nenhuma pretensão.
Outro dia eu estava pensando sobre essa questão do diploma, mas voltado para a área de publicidade. Tenho visto um grande número de blogueiros que não são formados em publicidade atuando em agências. Por um lado, é frustrante. Realmente frustrante. Mas por outro, à s vezes o cara tem mais experiência para atuar em determinada área do que um recém-formado. Principalmente no caso de agências que trabalham com mÃdias sociais.
Vejo que algumas optam mais por pessoas influentes ao invés de pessoas formadas. É algo que não tem como lutar, serão sempre dois lados da moeda. O lado de quem investiu quatro anos de sua vida em aprendizado, teorias, técnicas e estágios e por outro, o lado do cara que desde sempre atuou como jornalista ou “agente de mÃdia social” e não tem um diploma que o ateste como especialista.
Um pedaço de papel não te qualifica para nada. O que conta é o quão bem você executa a sua tarefa. Para isso, basta gostar. Não precisa, necessariamente, ter um diploma. O bom do diploma é que agora ninguém tem desculpa pra te pagar como estagiário!
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Perfeita inclusão!
Você até agora foi uma das pessoas que melhor trabalhou esta questão do diploma. Ao invés de usar as “leis”, “liberdade de expressão” e outras baboseiras.
Discutindo com um colega, também estudante de Jornalismo que conhece como a área anda funcionando, todos sabem que há muitos não-jornalistas trabalhando no Jornalismo. No jornalismo diário, no jornalismo profissional. Há muitos veÃculos de comunicação que não possuem bons jornalistas especializados na área especÃfica dele. A maioria deles tem que usar de colaboradores para ocupar suas páginas.
Esse é um caminho no qual a maioria dos jornalistas falharam em ocupar a lacuna. Nunca é tarde e o mercado sempre irá absorver os bons profissionais (pelo menos a parte séria do mercado), porém tremei jornalistas ruins! Vão todos ser esmagados.
O mesmo vale para publicitários, blogueiros de meia pataca, e outras profissões…
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rafabarbosa Reply:
June 18th, 2009 at 23:57
Eu acho que não adianta se apoar em leis e etc. A realidade é uma só: Pessoas exercem a profissão sem o diploma e o fazem com maestria. Não vou negar que no começo, eu me sentia desvalorizado pelo fato de ver pessoas sem formação atuando na área que eu estudei. Mas, querendo ou não, se você não é bom no que faz, não será o diploma que vai salvar alguma coisa.
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Hugo Meira Reply:
June 19th, 2009 at 10:04
O problema é qua a lei e todo ordenamento jurÃdico nada mais é que a todos sÃntese dos valores da sociedade, tanto que se uma lei não for condizente com tais valores perde o sentido e até aplicabilidade.
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É como diria Miguel Reale, o fato é apreciado pela sociedade que o valora, para só depois surgir a norma e a lei que é uma conclusão das duas premissas anteriores.
@Diego Camara: Creio que a liberdade de expressão não seja baboseira, talvez seja uma das maiores prerrogativas de alguém e a discussão reside: Diploma – Regulamentação VS Liberdade de Expressão – Liberdade para Livre ExercÃcio de Profissão/Iniciativa. Ou seja, sacrificar estas liberdades se justifica? Foi isto que o STF discutiu é isto que afeta a vida de todo paÃs. Daà ser relevante este tipo de abordagem…
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Exelente texto Rafa! É exatamente esse mesmo ponto de vista que eu tenho.
Convivo com muitos profissionais excelentes em suas áreas, e não são formados nelas, ou são formados em qualquer outra coisa.
Meu pai é o maior exemplo disso. Escreve para jornais desde os 18 anos, lutou e foi preso por falar (ou melhor, escrever), o que pensava durante a época da ditadura militar.
Hoje, em seus 65 anos, ainda trabalha em jornal, escreve cada vez melhor, e foi convidado a participar da academia de letras da cidade na qual ele vive.
Sorte? Acredito que não. Força de vontade, e querer fazer as coisas fazem com que uma pessoa sem formação alguma tenham mais qualificação do que alguém formado.
E acredito que, quem é formado, ou quem está estudando pra ser jornalista, não precisa ficar acoado com este acontecimento, pois bons jornalista terão boa carreia, com essa lei vigorando ou não. Acho que as grandes carreiras são daqueles que lutam para crescer nela e não daqueles que estudaram e se acham donos da verdade.
Isso em qualquer profissão, não só jornalismo.
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rafabarbosa Reply:
June 19th, 2009 at 00:03
Poxa, valeu pelos elogios Luh.
Como disse ao Diego, o que conta em alguns casos é a qualidade do serviço que você presta. Muitas vezes um diploma não significa qualidade.
Em qualquer área, bons profissionais sempre terão um lugar garantido independentemente de um diploma ou não.
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Eu sou recém-formado em jornalismo e, pra ser sincero, nunca fui muito ligado nessa causa de defender o diploma por acreditar mesmo nisso, sempre foi mais por corporativismo. O que me irritou na decisão do Supremo foi a forma desrespeitorsa que os Ministros trataram a profissão, tirando totalmente o mérito dos jornalistas.
Mas apesar de ter meu diploma a menos de seis meses, eu sei que o que importa no fim das contas é a competência. E é claro que os veÃculos sérios não vão sair contratando qualquer um que faz uma redação e colocar na vaga de um jornalista. Faz o seu serviço direito que ninguém vai roubar sua vaga em lugar nenhum.
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Você não tocou no principal ponto do litÃgio. A ética.
Foi por ela que rolou toda a discussão. Os cursos de jornalismo dispõem de uma formação ética que implica a imparcialidade, objetividade, verossimilhança, pluripartidarismo e etc para exercer a profissão.
E ‘jornalismo’ é considerado uma ciência. Toda ciência tem seus licenciados (docência) e bacharelados (que manejam as técnicas da profissão).
Vide a minha parte sobre: http://formigueirocomunista.com/2009/06/a-ordinaria-estupidez-do-gilmar-mendes/
Abraço!
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É intrigante como alguns defendem a capacidade de todos serem jornalistas. O que há por trás de tudo isso? Como estudante de jornalismo, vejo que há mais do que imaginamos. Alguns defendem a situação porque a proliferação de blog’s e tudo mais já mostra uma tendência popular de divulgar a informação, porém divulgar, comentar, etc… não é tudo. O que aprendemos no curso de jornalismo é muito mais do que uma simples articulação de informação, temos conceitos sobre ética, aperfeiçoamos as ferramentas que utilizamos para exercer a profissão, e também, encontramos um universo onde nos esforçamos o máximo para o nosso diferencial como profissionais. A informação qualquer pessoa é capaz de passar, não querendo ser arrogante no comentário, porém o conhecimento que se obtem durante 4 anos de curso algumas pessoas não o terão e mais do que isso esse conhecimento é acompanhado com experiência acadêmica que nos permite ter uma visão geral sobre a ciência e o comportamento do receptor que estudamos. Permitir que qualquer ética possa exercer a profissão dá margem para a inserção de pessoas inescrupulosas que não tem a ética profissional, ocorrendo a banalização da informação.
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Sinto informar, mas vão roubar sua vaga sim. Aceitar isso é aceitar ser um estagiário por muito tempo até o profissional formado pela vida saia do cargo por causas naturais. E é bom lembrar que a medida pode se extender para outras áreas. Já postei muito sobre isso… agradeceria a visita, ok
Até!
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Vou esperar a visita
http://diums.blogspot.com
Parabéns pelo espaço
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O problema não é somente ficarmos 4 anos estudando (e não estudamos só a história do jornalismo,aliás isso é o de menos).
A qualidade do jornalismo no Brasil é péssima e com isso de não ser mais necessário o diploma pode ser que piore muito. Não que o jornalismo não possa ser exercido por pessoas que não tem diploma, acho que pode sim, assim como na publicidade, mas isso desvaloriza muito o nosso esforço para aprender uma profissão.
E pra ser jornalista não é preciso somente faro e saber escrever bem, já acabou a muito tempo isso de que jornalista tem que trabalhar na rua e é aquele cara boemio, lógico que as duas coisas ainda são necessárias, mas é necessário saber apurar os fatos direito e depois elaborar uma matéria melhor, o que não acontece no Brasil, tanto que em muitos casos acaba se ouvindo somente um lado da história.
Ainda temos muito que aprender sobre o que realmente é jornalismo no paÃs e tentar pegar como exemplo o jornalismo de outros paÃses, como o The New York Times ou El pais, que tem um jornalismo excelente e que não é tão preso como as coisas são por aqui.
Isso sem contar que por aqui ainda gostamos de aumentar tudo e colocar terror por coisas mÃnimas, o sensacionalismo domina a mÃdia no paÃs.
Precisamos aprender muito mesmo e não acredito que pessoas sem diploma consigam fazer com que o jornalismo melhore todas as coisas necessárias nos jornais.
É muito triste saber que escolhi uma profissão que qualquer pessoa que não tenha toda a prática que se adquire em uma faculdade pode exercer.
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E´verdade que os 3 primeiros semestres de jornalismo condizem com os de publicidade?mesmas matérias?Estou em sérias dúvidas sobre qual curso seguir?Sou apaixonado pelas duas áreas e gostaria de ouvir experiências quanto a campo de trabalho,mercado,regiões favoráveis,salário etc…Obrigado.Moro em Florianópolis Sc.
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Todos os dias pela manhã disputava a tenção do meu pai com pilhas enormes de jornais ,foi ai que eu desenvovi uma forma estratéica e criativa para ter atenção dele: Foi ler junto com ele aquela pilha de jornais nacionais,regionais ,revistas etc…sob uma visão bem critica eu ia onversando com ele e debatendo sobre temas polêmicos,mas eu sempre levava aquelas idéias para uma forma criativa de olhar .
Resumo : Me descobri uma apaixonada pela Publicidade e criatividade e uma futura jornalista que adora escrever e debater assuntos cotidianos.
Não tenho diploma de jornalismo ainda…mas estou estudando pra ter um que possa me qualificar ,apesar de berço já ter toda a experiência prática. comecei a ler e escrever com apenas 3 anos e até hoje não desprezo nenhuma das 3 faculdades que cursei.
Vamos estudar Brasil!!!
*formada em Administração,estudante de Publicidade e jornalismo.
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Todos os dias pela manhã disputava atenção do meu pai com pilhas enormes de jornais ,foi ai que eu desenvovi uma forma estratéica e criativa para ter atenção dele: Foi ler junto com ele aquela pilha de jornais nacionais,regionais ,revistas etc…sob uma visão bem critica eu ia conversando com ele e debatendo sobre temas polêmicos,mas eu sempre levava aquelas idéias para uma forma criativa de olhar .
Resumo : Me descobri uma apaixonada pela Publicidade e criatividade e uma futura jornalista que adora escrever e debater assuntos cotidianos.
Não tenho diploma de jornalismo ainda…mas estou estudando pra ter um que possa me qualificar ,apesar de berço já ter toda a experiência prática. comecei a ler e escrever com apenas 3 anos e até hoje não desprezo nenhuma das 3 faculdades que cursei.
Vamos estudar Brasil!!!
*formada em Administração,estudante de Publicidade e jornalismo.
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Concordo. Devemos fortalecer esse debate e buscar um conselho para a nossa categoria. Não podemos deixar pessoas ocuparem o lugar dos Publicitários sem ao menos cursarem uma graduação em comunicação social. Estamos prestes a receber a Copa do Mundo no Brasil, centenas de marcas serão trabalhadas e grande parte delas estarão na mão de profissionais pouco preparados. Vamos lutar e buscar os nossos direitos como trabalhadores que descontam FGTS, IR e pagam imposto sindical. O Rio Grande do Sul está empenhado em conseguir esse feito para todos nós. Abs.
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