Sobre blogs profissionais e blogs pessoais.

Desde que eu comecei a me interessar por blogs, no distante ano de 2004, a grande maioria dos blogs que eu acessava era no estilo diário, sendo poucos deles no sentido de entretenimento como atualmente são. Até os blogs que faziam humor, tinham um toque pessoal dos seus autores. Porém, de uns 2 anos pra cá, os blogs começaram a se tornar populares e a adquirir um caráter mais profissional. Com isso, saíram de cena os blogs diarinhos e entraram em cena os blogs especializados em nichos, entretenimento de massa e feitos sob medida para as grandes massas. Mas, com toda essa profissionalização e a existência de uma linha de pensamento na blogosfera que prega que os blogs diarinho morreram, como explicar o sucesso de vários blogs que ainda mantém a essência do “diarinho”?

O ser humano por natureza tem interesse na vida alheia e, de certa forma, os blogs permitem que qualquer pessoa acompanhe a vida de um anônimo (ou conhecido da web) que relata das mais variadas formas a sua vida. Da mesma forma que existe o público que consome informações sobre tecnologia, publicidade, humor, curiosidades e etc, existem aquelas pessoas que preferem acompanhar a vida de alguém e com a proximidade que os blogs permitem, se sentirem parte do dia a dia dessa pessoa.

Quando entrevistei o Marlos e o Saulo da 5Clicks, um dos benefícios do blog apontado por eles é justamente essa aproximação entre o leitor e o autor do blog. Será mesmo que esse tipo de blog está com os dias contados? Mesmo que nos mais conhecidos do gênero como o Substantivolátil, Hoje é um bom dia, Pensar Enlouquece haja vários leitores de feeds e centenas de comentários em cada post? Isso sem contar os blogs hospedados no Bloglogs, que são em sua essência de celebridades e em determinados posts, alcançam um número de comentários que nenhum desses outros blogs jamais conquistará.

A profissionalização ainda não aconteceu como deveria acontecer no Brasil. O perfil egocêntrico dos nossos blogueiros ainda não permite que tudo ocorra como deve ocorrer e por isso mesmo, os blogs “diarinho” ainda despertam tanto interesse por quem consome informação. Acredito que esse tipo de blog ainda não está pra acabar. Em um meio democrático como a Internet, enquanto houver gente publicando conteúdo, seja ele sobre a sua própria vida ou sobre assuntos de interesse geral, ainda haverão pessoas que estão dispostas a consumir esse tipo de informação.

20 Respostas para “Sobre blogs profissionais e blogs pessoais.”

  • Pois é, antigamente era raro blogs ‘profissa’ era diarinho msm, mas é complicado, muita gente se interessa nisso.
    exemplo? o BBB \o
    só no brasil deu 9 edições o.O

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    rafabarbosa Reply:

    As pessoas sempre vão se interessar pela vida alheia!

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  • Amanda:

    Olá!Há algum tempo venho acompanhando seu blog, mas só hj resolvi comentar. Quero dizer que gosto muito de suas publicações, são extremamente inteligentes e críticas… e deixa bem claro que é o seu ponto de vista, e não influência de terceiros ou da tv… Bom saber que ainda existem pessoas com essência e senso crítico, pessoas que realmente têm opnião própria!
    Adoro seu blog!

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    rafabarbosa Reply:

    Poxa Amanda, muito obrigado pelos elogios. Fico feliz em saber que você gosta do meu blog. Espero que continue acessando e comentando sempre que possível. =)

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  • Acho que as questões principais do seu post seriam: “o que de fato é a PROFISSIONALIZAÇÃO dos blogs?” E a outra é sobre essa afirmação: A profissionalização ainda não aconteceu como deveria acontecer no Brasil. “Como deveria>/i> acontecer?”

    Eu ando procurando respostas para essas perguntas. Na faculdade de jornalismo “me ensinaram” que enquanto profissional, muito além de investigar a ‘verdade dos fatos’, o jornalista tem que buscar a ‘imparcialidade’, em qualquer que seja o meio de divulgação da informação. Assim, bons profissionais são aqueles que ’se apagariam’ ao máximo de seus textos (entre outros conteúdos) em busca de uma ‘maior credibilidade’. No entanto, acho que algumas coisas nessa enquação ‘imparcialidade = credibilidade’ mudaram… e muito.

    Veja bem: o que enxergo é que no cenário atual as pessoas – como você mesmo disse – procuram cada vez mais nichos de informação. Eu ainda acrescento: elas buscam identificação com outras pessoas. Histórias reais.

    Sendo assim, nada mais ‘real’ do que uma confissão, uma opinião, um adjetivo, um… diário!(?) Por trás de qualquer texto há uma pessoa, e mesmo que se queira (tente), traços dela continuarão presentes nas escolhas de vocabulário, nas omissões ou destaques, nas vírgulas.

    Acho que a grande discussão para a ‘profissionalização’ dos blogs (não gosto dessa palavra) vai muito além se o texto dele (ou o propósito) é PESSOAL. Vai em COMO e QUE temas o autor do blog enquadra para seu público.

    E mais: passa pelo fato dele ser relevante ou não. Relevância é muito mais que pageviews, assinantes no feed ou seguidores (opção nova no Blogger). Relevância é trazer óticas inéditas para temas já intensamente explorados pela ‘velha mídia’. Relevância é ser honesto com seu público e dizer “eu sou uma pessoa como você e o que você lê/vê/ouve aqui é o que acredito”.

    PS: Empolguei. Na verdade escrevi muito mais, mas acho que fugi um pouco do tema, então cortei metade do texto. De acordo com sua resposta, eu continuo por aqui!

    Responder

  • Acho que as questões principais do seu post seriam: “o que de fato é a PROFISSIONALIZAÇÃO dos blogs?” E a outra é sobre essa afirmação: A profissionalização ainda não aconteceu como deveria acontecer no Brasil. “Como deveria acontecer?”

    Eu ando procurando respostas para essas perguntas. Na faculdade de jornalismo “me ensinaram” que enquanto profissional, muito além de investigar a ‘verdade dos fatos’, o jornalista tem que buscar a ‘imparcialidade’, em qualquer que seja o meio de divulgação da informação. Assim, bons profissionais são aqueles que ’se apagariam’ ao máximo de seus textos (entre outros conteúdos) em busca de uma ‘maior credibilidade’. No entanto, acho que algumas coisas nessa enquação ‘imparcialidade = credibilidade’ mudaram… e muito.

    Veja bem: o que enxergo é que no cenário atual as pessoas – como você mesmo disse – procuram cada vez mais nichos de informação. Eu ainda acrescento: elas buscam identificação com outras pessoas. Histórias reais.

    Sendo assim, nada mais ‘real’ do que uma confissão, uma opinião, um adjetivo, um… diário!(?) Por trás de qualquer texto há uma pessoa, e mesmo que se queira (tente), traços dela continuarão presentes nas escolhas de vocabulário, nas omissões ou destaques, nas vírgulas.

    Acho que a grande discussão para a ‘profissionalização’ dos blogs (não gosto dessa palavra) vai muito além se o texto dele (ou o propósito) é PESSOAL. Vai em COMO e QUE temas o autor do blog enquadra para seu público.

    E mais: passa pelo fato dele ser relevante ou não. Relevância é muito mais que pageviews, assinantes no feed ou seguidores (opção nova no Blogger). Relevância é trazer óticas inéditas para temas já intensamente explorados pela ‘velha mídia’. Relevância é ser honesto com seu público e dizer “eu sou uma pessoa como você e o que você lê/vê/ouve aqui é o que acredito”.

    PS: Empolguei. Na verdade escrevi muito mais, mas acho que fugi um pouco do tema, então cortei metade do texto. De acordo com sua resposta, eu continuo por aqui!

    PS2: Deleta o comentário de cima, que a formatação saiu errada. Foi mal.

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    Thiago Araújo Reply:

    Percebi que cortei uma parte importante. Blogueiro e Jornalista são coisas diferentes. Fato. O que quis nesse comentário era explorar a questão de que sempre que se fala em ‘profissionalizar’ um blog, levanta-se a bandeira do ’seja impessoal’. Esse é justamente um dos pilares do jornalismo: impessoalidade. Assim, ‘profissionalizar’ um blogueiro, como muitos indagam, seria tentar transformá-lo em jornalista.

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    rafabarbosa Reply:

    Cara, é sempre muito bom quando alguém acrescenta e aumenta o nível da discussão sobre um assunto.

    Claro que a minha “análise” foi totalmente supercial e coisa de momento, mas tenho que admitir que o seu comentário mostrou bem mais profundidade do que o próprio post. Acredito que de fato as pessoas que desejam uma troca de informações, querem algo com que se identificar, em um tom bem pessoal mesmo. É isso que os blogs teoricamente deveriam fornecer e não se tornar isentos e impessoais.

    Acredito que, como você mesmo disse, a partir do momento em que os blogs se tornarem imparciais, estarão mais para a mídia tradicional e seus blogs como “jornalistas”. Não que isso seja ruim, mas vai tirar um pouco da essência do blog e da maior qualidade dele: a comunicação em um mesmo nível entre pessoas.

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  • É legal que isso ocorre com tudo…
    Tanto com os famosos fotologs,que na época que ainda era “.net” menininhas que contavam o seu dia e desfilavam de bikini tinham várias visitas,e aqueles com conteúdo como por ex. o /Cypher e o /ota eram vazios.

    Mas uma coisa é fato,as vezes pessoas oportunistas pegam uma carona no blog e fotolog dos outros,fazendo comentários do tipo “Lindo! Adorei”,deixando o link de sua pagina pessoal como propaganda barata.

    E ao Thiago Araújo uma pergunta (pra vc tbm Rafael):

    Acha mesmo que a mídia brasileira é imparcial?

    Responder

    Thiago Araújo Reply:

    Não acho nenhum tipo de mídia imparcial e nem espero que sejam. São pessoas comuns que – como já disse no comentário anterior – escrevem, filmam, gravam (e claro!) editam os conteúdos. Pessoas com gostos, orientações políticas e agendas diferentes. O mais importante nisso tudo é que o leitor/ouvinte/espectador tenha consciência de que forma esses ‘recortes’ foram feitos. Como? Perfis em redes sociais, blogs pessoais e outras ferramentas que dão um panorama (mesmo que às vezes pequeno) de quem é essa pessoa que está por trás daquela informação. Transparência é a chave da ‘nova credibilidade’. Ela está cada vez mais ligada à pessoas e não à veículos, pelo menos em alguns campos.

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    Spooky Reply:

    Infelizmente a grande massa não está preocupada em ver esses “recortes”,sendo que o que realmente importa é que o Big Brother está no ar e começou uma nova novela na Globo (a rede que em minha opinião é a que mais pende pro lado do governo,seja ele esquerdista ou como nos tempos do Governo Militar).

    Responder

    rafabarbosa Reply:

    Como dizem, toda maioria é burra. Mas é uma questão cultural. As pessoas ainda estão descobrindo essas novas formas de comunicação, como os blogs e as infinitas possibilidades e pontos de vistas diferentes. Claro, a televisão ainda é o maior meio de comunicação no Brasil e vai continuar influenciando as pessoas e gerando assuntos.

    Responder

    rafabarbosa Reply:

    O Thiago tocou em um ponto importante: sempre teremos o fator “ser humano”. O leitor que procura uma informação, ou que absorve essa informação de uma fonte já conhecida, tem mais conhecimento do processo que a pessoa utiliza. Pra ele, essa pessoa possui a credilidade necessária, mesmo que não seja imparcial.

    Responder

    rafabarbosa Reply:

    Sempre vão existir os oportunistas e aqueles que usam essas ferramentas sociais para uma auto-promoção visando somente o seu lado. Não é atoa que hoje o fotolog.net é uma bosta.

    Eu acredito que a mídia brasileira, pelo menos os grandes conglomerados, não são completamente imparciais. Até porque, pelo menos em Minas Gerais, temos uma forte influencia do governador Aécio Neves no que é ou não divulgado na imprensa em relação ao governo estadual. Não sei dizer a nível estadual em outros lugares. Mas, para isso temos alternativas como os próprios blogs e portais como o Mídia Independente.

    Responder

  • Mari:

    vc conhece o Nuvem Pimenta?
    http://nuvempimenta.org/blog/

    e o Lençol de Cetim?
    http://lencoldecetim.zip.net

    Macacos Pelados?
    http://www.macacospelados.com/

    vc tem razão, os blogs “diarinho” não vão acabar… Nem no Brasil nem no exterior, até porque alguns são muito bons. São meu tipo preferido de blog, gosto bem mais que os “profissionais”…
    Me espanta que muita gente ainda nao conheça o Nuvem Pimenta…

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    rafabarbosa Reply:

    Mari, não conhecia nenhum desses. Obrigado pelas dicas.

    Bom, o que acontece por exemplo na blogosfera americana, é que os blogs mais acessados e participativos são pessoais, porém abordam temas mais sérios e relevantes como política. Lá, ao contrário daqui, eles adquiriram uma maturidade e noção da força que tem. E só estão ganhando com isso. Aqui ainda estamos engatinhando, mas ainda precisamos amadurecer e principalmente mudar a mentalidade de deslumbramento dos blogueiros brasileiros.

    Responder

  • Hmmm…discussão interessante. Acho que o sucesso dos blogs “diarinho” vai muito além do voyerismo. O Thiago Araújo acertou na mosca em seu comentário, principalmente quando disse que as pessoas procuram por identificação com outras pessoas. O leitor acaba procurando blogs de pessoas com quem ele se identifica, seja gostos, opiniões, maneira de ver a vida, etc. Por exemplo, o HBD faz um sucesso danado por causa da qualidade dos textos do Kid e da capacidade dele de se conectar (ui) com a nerdaiada em geral. Não é que estejamos imensamente interessados em saber da vida dele, a questão é que o público se identifica com o que ele escreve.

    Agora, um blog “profissional” não precisa abandonar o lado pessoal. Afinal, qual a diferença entre um site de notícias e um blog de notícias impessoal? E não falo aqui de fazer piadinhas, ser simpático, escrever num tom “jovem-moderno-pop”. Falo de conversar com os leitores, dar sua opinião sobre os assuntos discutidos no blog, fazer comentários, mostrar quem é você é para quem estiver te lendo. Se eu quiser ler notícias imparciais e impessoais, eu vou para um site de notícias. Agora, se eu quero saber o que a pessoa X, com quem eu me identifico e sei que terá algo interessante a falar, irá dizer de tal notícia, é aí que entram em cena os blogs. É aí que começa a entrar a construção da credibilidade, da confiabilidade dos blogs…

    Por fim, a profissionalização dos blogs ainda não aconteceu no Brasil, ponto. Temos probloggers, temos gente boa se arriscando e botando pra quebrar por aí, assim como temos gente babaca se achando os reis da cocada. Mas não temos uma blogosfera firme, grande, interligada, não temos ainda o mítico e inatingível CONTEÚDO. É o clássico caso de se colocar a carroça na frente dos cavalos. A profissionalização vai ocorrer quando houverem condições pra que ela ocorra, e isso não vai significar o fim dos blogs diarinho.

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    rafabarbosa Reply:

    Geralmente nos conectamos, seja na internet ou no mundo off-line, às redes sociais compostas de pessoas com gostos semelhantes aos nossos. Fica mais fácil trocarmos informações e discutirmos sobre temas que também temos conhecimento, nos identificando com o que o autor fala.

    Como você meso disse Enrique, ainda existem aqueles em um estado de deslumbramento, que faz com que se achem sem ainda ser coisa alguma. Aos poucos, alguns pró-bloggers vão sendo reconhecidos e tendo maior credibilidade perante os outros meios de comunicação e um número maior de pessoa. Mas é como eu já disse respondendo ao comentário do Spooky. Ainda falta um amadurecimento dos blogueiros brasileiros e até mesmo do público e dos meios de comunicação que ainda predominam por aqui.

    Responder

  • Seja lá que tipo de blog existir, sempre vai ter o toque pessoal do autor. Se não tivesse, quem se daria ao trabalho de procurar blogs bons se podemos acessar qualquer portal gigantesco como o UOL, Terra…? Se quiséssemos que os blogs se tornassem impessoais, eles seriam como qualquer outra notícia na web, e é o nosso toque pessoal em cada post, a nossa opinião, que dá aos blogs o prestígio.
    Isso não vai acabar tão cedo. Só quando as pessoas não tiverem mais sentimentos e nem sede de conhecimento. Você nunca aprende quando a informação é informal. O interesse se desvanesce.

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    rafabarbosa Reply:

    Exatamente Walquiria. O que dá o tom e é a maior qualidade dos blogs, é a característica pessoal do autor. Espero que os blogs assim não acabem.

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