Resenha do novo CD do ForFun – Polisenso
Do ano de 2004 pra cá, o cenário do rock no Brasil foi tomado pela onda de novas bandas compostas por nomes como NX Zero, ForFun, Fresno, Hateen e mais recentemente Strike. Foi o famoso boom do Emocore, o que, convenhamos, é o termo mais incorreto que se pode aplicar à essas bandas. NX Zero e Fresno podem se enquadrar nesse quesito, como bem afirmam em alguns casos, mas, das demais, o Hateen sempre manteve a linha do Hard Core melódico e ForFun, o bom e velho Hard Core californiano.
Das bandas acima, a que eu sempre preferi foi, obviamente, o ForFun. Sempre me identifiquei mais com o estilo da banda. As músicas descompromissadas, as letras divertidas e o hardcore alegre, que promove sempre as melhores rodinhas na hora do show. Sem contar que conheci os caras pessoalmente e afirmo, são uma das pessoas mais humildes com quem já conversei. Os caras tem um pensamento totalmente diferente das demais. Pensam no coletivo, na sustentabilidade do planeta e em como promover a paz de espírito e a união com o próximo.
O novo CD da banda reflete esse pensamento em todos os sentidos. Seja nas letras ou nas levadas de Dub com um toque de eletrônico e samplers. A banda alcança com esse novo cd, Polisenso, maturidade musical e espiritual. O que mais se observa no CD é a preocupação da banda em demonstrar a sua filosofia de vida. A preservação da natureza, o consumismo desenfreado, o egoismo do ser humano com o próximo.
O CD é completamente diferente dos dois outros álbuns da banda, Das Pistas de Skate para as Pistas de Dança (2002) e Teoria Dinâmica Gastativa (2005). Sai de cena as letras com tom adolescente e entram as letras com temas atuais. A levada também é completamente diferente. Sai o hardcore e entra o Dub, algumas pegadas de reggae acompanhadas de samplers e toques eletrônicos.
O CD começa com uma faixa alegre, mas que dá o tom do que vem pela frente. A música Aí Sim começa com um reggaezinho com uma linha linda de baixo. Em seguida vem O Viajante, uma das melhores do CD ao lado de Dia do Alívio, Eremita Moderno e Sigo o Som. Em o O Viajante a banda inova mais uma vez e se diferencia das demais ao utilizar um coral de crianças.
Logo depois somos brindados com Infinitas Possibilidades que fazer uma ode a natureza e a incapacidade do ser humano de conviver em harmonia com essa natureza. Vale lembrar que nesse CD, ao contrário dos demais, a banda utiliza apenas uma guitarra. Danilo se encarrega dos vocais e da guitarra, enquanto Vítor (Pirú) cria excelentes efeitos sintetizados e alguns mixes no meio das músicas.
Na seqüência temos o primeiro single desse cd, a música Sol ou Chuva. Me lembro na época do lançamento que foi um choque para os fãs. Muitos diziam que aquele não era o ForFun que todos conheciam, e da parte de uns, esse pensamento se confirmou com o lançamento do CD. Mas eu não penso assim. A música inclusive tem um dos clipes mais bonitos que já vi em se tratando de bandas nacionais.
A música Panorama, cantada por Vítor, aliás, quase declamada, é um tapa na cara da sociedade. Acusando a modernidade e a mecanização da sociedade em uma letra repleta de referências e frases marcantes, com samplers de discursos, se não me engano, de Martin LutherKing Jr.
A sexta faixa é, na minha opinião, a melhor do disco. É a música com uma pegada mais pop que as demais e trata sobre o “dia do alívio”, título da faixa. Sobre um dia em que a sociedade encontrará o pleno conhecimento e terá um dia do alívio. O refrão gruda na mente de imediato, e dá vontade de escutar a música incansavelmente.
Colírio é um instrumental belíssimo. Com efeitos sonoros, uma pegada leve de guitarra e uma linha de baixo matadora. Abusando das escalas e mostra uma evolução absurda do baixista Rodrigo.
Suave, como o próprio nome diz, é uma faixa mais suave, tranquila, e que de repente lança uma pancada com a letra. Uma música que dá vontade de ir pra praia com os amigos e ficar sentado o dia todo conversando.
Gruvi Quântico já é conhecida do público, pois fez parte do repertório da banda no CD/DVD MTV 5 Bandas de Rock e já é presença garantida nos shows desde o ano passado. A versão veio revigorada, ficando melhor do que a versão lançada anteriormente pela banda. É, como Infinitas Possibilidades, uma ode à natureza e as ações do ser humano contra esse bem precioso.
Cósmica nos lembra bandas como 311, com uma pegada mais tranquila. Uma letra cantada de forma suave e a utilização de sintetizadores ao fundo. Sem dúvida alguma, se fosse cantada em inglês poderia se dizer que é uma música do 311. Lembra bastante a música Amber.
Eremita Moderno, como já citado acima, é uma das melhores músicas do CD. Um groove gostoso de se escutar, com uma letra de protesto e exaltante. Lembra músicas dos anos 70 e também tem um refrão forte e marcante.
Escala Latina me faz querer ir pra Cancun. Como o próprio nome, a música tem uma levada bem latina, com castanholas e uma guitarra que lembra a salsa. A música fala sobre a exploração latina pelos outros países, mais uma vez refletindo o pensamento da banda em relação a assuntos sérios.
Uma Noite em Havana é mais um instrumental da banda com uma cara bem cubana mesmo. Dá vontade ser integrante do Buena Vista Social Club escutando essa música.
Sigo o Som é outra velha conhecida do público da banda. Mais uma vez com uma nova cara, o que deixou o que já era bom, ainda melhor. É uma das músicas mais pesadas do novo CD. Uma das músicas com cara do ForFun de 3 anos atrás, apesar do tom político da letra.
Sócrates e a Deusa Música é uma música mais pesada. Instrumentalmente falando, já que a letra é um pouco mais leve. Com um tom filosófico, a música utiliza a famosa expressão de Sócrates “Só sei que nada sei” como ponto de partida.
Cigarras tem uma levada bem praiana. Um dub com um toque eletrônico o que lembra algumas músicas do início dos anos 90.
O CD ainda vem acompanhado de 3 faixas bônus. São os remixes das músicas Dia do Alívio, O Viajante e Suave. Dia do Alívio no remix virou um reggae da melhor qualidade, com um baixo sensacional. O Viajante ganhou um toque eletrônico e Suave virou um set eletrônico, que poderia muito bem ser tocado em uma rave.
Finalizando, esse CD marca um ponto de divisão na carreira do ForFun. A banda mostra que evoluiu tanto musicalmente quando espiritualmente e apresenta um cd cheio de conceitos. Uma obra autoral diferente de tudo que foi lançado esse ano em relação as outras bandas de rock. Em meio a lançamentos como Black Ice do AC/DC, Polisenso, o novo CD do ForFun se torna a melhor pedida em questão de rock nacional.
Uma ressalva. A banda lançou o cd exclusivamente na internet, em seu site oficial, e em breve irá lançar o cd físico. Mas, ao baixar, o pacote vem com o encarte e a capa do CD. A banda seguiu a tendência de grandes bandas gringas e deu a oportunidade das pessoas apreciarem a obra antes do lançamento físico. Ponto pra eles.
Para baixar o CD é só clicar aqui.
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Meus parabéns pelo post sobre 4fun, excelente cd, nao era para esperar por menos da banda, e sim que se superou musicalmente e as letras nem se falam!
abraço!!
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Forfun é dimais,parabens pelo novo CD.
criativa as letras i um bom som como sempre hehe,mudaram um poco o estilo tall,mas continua sendo a melhor banda pra mim ;D
floow
abrazz
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Parabéns pelo texto sobre o Polisenso. Muito bom mesmo e, como fã, concordo plenamente com tudo o que foi dito e parabéns a Forfun também por esse belo trabalho!
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Parabéns galeraa do forfun esse CD éé MUIITO bom msm! =D amoo suuas musicaas ii amoo voocês! ? Beeeijos galerinhaa ii boa sortee pela frentee
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O CD ficou simplesmente sensacional !
A crítica do Rafa esta perfeita Forfun é a melhor banda nacional atualmente.
Acho que foi só eu, mas eu achei esse cd + ou – parecido com o cd mais vendido de 2007, o Minutes to Midnight do Linkin Park, digo isso mais pelas letras do que pela musicalidade, posso até estar falando besteira, fica aí o recado !
Tomara que forfun venha pra Porto Alegre (minha cidade) em setembro como andam comentando ^^
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Essa resenha ficou perfeita! Os caras merecem…mesmo mudando de estilo continua a melhor banda =]
ForFun sempre!
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Muito bom mesmo !
Forfun, muito mais que uma banda, um exemplo de pensamento pra todos nós ! (L)
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Muito bem observada a citação ao 311, mas creio que não seja somente em uma música, o trabalho como um todo lembra muito 311. E pra uma banda lembrar 311 tem que ser muito competente, oq o Forfun demosntrou ser.
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