Os ritos de passagem do colégio

08/05/2013 at 16:39
Nessa imagem você consegue identificar tudo: da fila da merenda aos grupinhos

Nessa imagem você consegue identificar tudo: da fila da merenda aos grupinhos

Estou próximo do aniversário de 10 anos de formatura do ensino médio. Pois é. Eu sou mais velho do que aparento ser fisicamente e mentalmente, já que tenho a pisque de um pré-adolescente. Isso me faz refletir sobre alguns ritos de passagem que somos submetidos durante a época de escola.

Existe um momento claro, marcado entre o final da oitava série e o início do primeiro ano (na minha época a contagem ainda era assim, mas parece que mudou, né?) em que deixamos de ser meras crianças que jogam futebol com latinha de refrigerante amassada a passamos a ser jovens entrando na adolescência e buscando algo mais do que apenas interações intra-classe com as garotas do colégio.

Como estamos nessa fase de transição, queremos sempre passar a impressão de que não somos mais aquelas crianças bobinhas do primário. O primeiro passo é adotar novos termos para velhos conhecidos:

O recreio deixa de ser recreio e passa a ser chamado de “intervalo”. Recreio é coisa de criança que precisa desses preciosos 20 minutos no meio do dia para brincar e se distrair durante as aulas.

A merenda passa a ser chamada apenas de “lanche”. Já que merenda lembra merendeira e como um bom pré-adolescente, você não usa mais essa maletinha com personagens da Turma da Mônica (que você adora) pra levar os lanchinhos do intervalo.

O recreio, digo, o intervalo, que antes era repleto de crianças correndo brincando de pega-pega ou jogando futebol de latinha dá lugar a pequenos e grandes grupos de pré-adolescentes que se juntam para conversar sobre bandas, artistas e revistas da moda. Em alguns casos (era o meu), uma turma se junta pra jogar RPG em algum canto obscuro do colégio, longe da vista dos curiosos e dos ignorantes sobre o assunto.

E nesses grupinhos, o pega-pega de brincadeira dá lugar ao “pegar” de verdade. Se você corre no intervalo, você passa a ter menos chances de conquistar as garotas que nesse momento deixam de usar roupas largas e passam a desfilar com calças mais coladas e blusas mais apertadas, destacando os atributos que conquistaram nos últimos meses.

Muitos pré-adolescentes perdem o “B.V” nessa fase da vida. Alguns demoram um pouco mais.

A aula de Educação Física deixa de lado os jogos de queimada e atividades mais bobinhas e passa a ser apenas futebol, handebol, vôlei e basquete. Qualquer outra atividade além dessas é coisa de criança e não vale a pena ser feita.

E assim você vai crescendo. Deixando de lado aquelas coisas que você contava os segundos para fazer e quando menos percebe, está dando adeus ao colégio e entrando na faculdade. Um mundo completamente diferente. Até que você se forma e percebe que se tornou um adulto e fica morrendo de saudade daquele tempo em que as preocupações se resumiam em estar com os amigos na hora do recreio e não ficar por fora de nenhum assunto.

Crescer é uma droga.

Operação padrinho de casamento

03/05/2013 at 04:40

bro-mitzvah

Amanhã um dos meus melhores amigos irá se casar e eu serei o padrinho. Pessoas se casam todos os dias (preferencialmente nos finais de semana, acredito eu), mas essa é a primeira vez que um amigo realmente próximo dá um passo desses. Tenho outros amigos que já moram juntos, mas que já conheci mais velhos. Esse é um daqueles que você praticamente cresce junto e a sensação é um pouco estranha.

Não estranha por ele estar se casando. Claro que não. To feliz pra caramba pelos dois. Lembro como se fosse hoje do dia em que ele me disse que estava começando a ficar com a garota. Em 2005. Ele ainda nem tinha se formado no ensino médio. O tempo passa rápido pra caramba.

Não sei se é pelo fato de ser mais velho que ele, mas fiquei pensando nesse assunto. Já escrevi sobre isso há alguns meses, quando reparei que a grande maioria dos meus colegas de colégio já estavam casados e com filhos, mas nada tão próximo de mim. Não são amigos que eu tenho contato quase que semanalmente.

Mais uma vez é aquele papo de pensar se não estou ficando pra trás, já que parece que todos os meus amigos encontraram as suas respectivas almas gêmeas e eu ainda to tentando encontrar as esferas do dragão. É algo complicado de se pensar, ainda mais quando você já está batendo na porta dos 30 anos e a vida começa a fazer um pouco mais de sentido. É realmente estranho.

Só sei que amanhã estarei lá, apoiando dois dos meus melhores amigos nesse passo gigante que estão dando. E fico feliz por ter acompanhado essa história desde o começo. O primeiro encontro, quando virou namoro, quando se separaram, quando ela foi morar em outra ponta do país e ele ficou por aqui, quando eles voltaram a se aproximar, quando voltaram a namorar, quando ela se mudou pra cá novamente, quando a coisa ficou séria e decidiram morar juntos. E agora só oficializando o que já estava feito desde 2010.

2013 parece ser um ano promissor para os meus amigos. E fico feliz em saber que está tudo dando certo para eles. É impossível não me sentir como Ted Mosby nesse momento. Ainda mais quando metade dos meus amigos que acompanham a série diz que tem muita semelhança (não fisicamente).

Alguns já estão planejando filhos, outros estão se casando e eu continuo acompanhando tudo de perto, esperando o momento em que essas coisas acontecerão comigo. Ou não. Vai saber. Às vezes eu nasci pra ser uma espécie de Charlie Harper sem a parte da bebedeira e a quantidade de mulheres.

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Eles cresceram e estão com uma vida sexual melhor que a nossa…

24/03/2013 at 22:54

Em 2008, Marcelo Camelo surpreendeu o mundo do entretenimento ao assumir seu namoro com a jovem Mallu MagalhãesEle, com 30 anos e ela com 16 desprenderam-se das amarras sociais que ditam as regras da sociedade e resolveram dar uma chance ao amor. A surpresa foi grande, mas já tinha gente fazendo o mesmo um ano antes (risos).

Muitos criticaram a atitude do vocalista da banda Los Hermanos. Afinal, o que um homem formado e barbudo estaria querendo com uma inocente cantora de apenas 16 anos? Safadeza? Promiscuidade? Uma parceira para as horas e horas de jogatina de Xbox? Não. Era apenas amor em sua forma mais pura e simples.

Há quem diga que Marcelo Camelo é um dos maiores visionários que já pisou em terras brasileiras. Abraçou a “causa” Mallu Magalhães e lapidou a mocinha em um dos diamantes mais bonitos da música brasileira. E, acredite, eu a achava a pessoa mais estranha do mundo e se estou dizendo nesse momento que ela é linda, é porque foi capaz de mudar até mesmo a minha opinião.

Belissima transformação. Obg Camelo!

Belissima transformação. Obg Camelo!

 

Apesar da estranheza do público em geral, homens com mais de 25 anos assumindo relacionamentos com garotas de 16 anos é algo extremamente comum. Em alguns países, por exemplo, meninas com menos de 15 anos já estão celebrando casamentos e carregando os jovens herdeiros de algum fazendeiro paquistanês.

Vivíamos uma época em que a palavra de ordem era “quê isso, novinha! Que isso!

Porém, o inverso não era algo tão comum. Mulheres mais velhas dificilmente se interessam por rapazes ainda na adolescência, salvo algumas exceções como a sua mãe… brincadeira. Uma mulher com os seus 25 a 30 anos não quer um moleque que ainda tenha aulas de estudos sociais no colégio. Quer um homem bem sucedido, próspero e que tenha capacidade de realizar seus desejos sexuais, financeiros e matrimoniais (que por uma incrível coincidência bate com a minha descrição).

Mas isso mudou em 2013. Um novo precedente foi aberto com o anúncio do namoro entre a panicat Babi Rossi e o herdeiro do império OLX, Ollin Batista, filho de Eike Batista, popularmente conhecido como o homem mais rico do Brasil, e um dos mais ricos do mundo.

Ollin Batista tem apenas 17 anos e Babi Rossi já completou 23 primaveras. Tecnicamente, não é uma diferença assim tão grande (e estou chocado por ela ter nascido em 1990).

Amor $incero

Amor $incero

 

 

O bilionário pipi de Ollin Batista passou a frequentar as fartas carnes de uma das mulheres mais atraentes da televisão brasileira (na minha humilde opinião). A opinião pública massacrou a moça, creditando a sua súbita paixão pelo herdeiro única e exclusivamente ao interesse nas finanças do rapaz. Mas a questão é que Babi Rossi e Ollin Batista puseram fim na “Ditadura das Novinhas” (triste) e deram início à “Supremacia dos Novinhos”.

Não demorou muito para sermos surpreendidos com mais uma notícia de mulher mais velha pegando rapazinho adolescente. Nicole Bahls, a nossa carismática ex-panicat e ex-peoa d’A Fazenda (quanto ex’s em apenas uma descrição) anunciou em seu Twitter que estava namorando. O nome do sortudo não foi citado, mas instantes depois publicou uma foto ao lado de Enzo Celulari, filho de Cláudia Raia e Edson Celulari… De apenas 15 anos. Cara, eu me lembro de quando saiu na Caras ou na Contigo, sei lá, sobre o nascimento do Enzo. E o rapazinho já está nesse nível de possível fornicação?

A moça não confirmou o “affair”, mas a mídia já havia cogitado a possibilidade ainda no carnaval, quando os dois saíram juntos em fotos na quadra de uma das escolas de samba.

Enzo e Nicole pedem pizza no carnaval

Enzo e Nicole pedem pizza no carnaval

Estamos vivendo uma época muito estranha, amigos. Uma época em que esses jovens rapazes estão tendo a oportunidade de realizar as fantasias que nós, homens acima de 25 anos, tínhamos com mulheres parecidas durante a nossa adolescência.

Ainda mais com uma cabeça de 17 anos. Não consigo nem escrever aqui as coisas que se passavam na minha cabeça nessa idade. Eu era praticamente um pervertido em formação.

Agora, nos resta esperar para confirmar se realmente estamos vivendo numa época prospera para os nossos adolescentes que sempre sonharam ter um momento a sós com a “gostosa da vez” brasileira. Aproveitem o momento e honrem isso, rapazes. Os sonhos, as fantasias e a experiência de milhares de ex-adolescentes estão com vocês.

P.S.: Será que Ronald, o primogênito do nosso Ronaldo Fenômeno também vai garantir a sua “coroa”? Façam as suas apostas.

A evolução do nosso pequeno fenômeno.

A evolução do nosso pequeno fenômeno.

A semelhança entre escovas de dente e relacionamentos

22/03/2013 at 22:49
Escovas de dente no Chalezinho. Foto: SouBH

Escovas de dente no Chalezinho. Foto: SouBH

Eu não sei como é a vida de casado (mal sei o que é sexo), mas se tem algo que acredito chegar bem próximo disso é a relação entre o ser humano e a sua escova de dente.

Quando você acorda, o primeiro contato é sempre com a escova de dente (no meu caso, primeiro eu dou uma olhada no Ipad e depois me levanto para fazer as demais necessidades, mas essa informação não deveria estar aqui para não atrapalhar a fluência do texto). E não pode ser qualquer escova de dente. Tem que ser uma que se encaixe perfeitamente na sua arcada dentária e que possua uma pegada anatomicamente confortável. Afinal, você começa e termina o seu dia com a escova de dente.

Hoje foi um dia triste, pois tive que trocar de escova. Estava acostumado com a minha antiga Oral-B azul e branca, com um cabo confortável e cerdas macias e especialmente desenvolvidas para propiciar a limpeza ideal para o meu tipo de arcada dentária.

Foi um relacionamento duradouro. Mais de um ano. O que é muito se você der uma olhada no meu histórico nesse ramo da vida. Foram muitas histórias com essa escova. Me acompanhou nas minhas últimas viagens e teve bastante trabalho, já que comendo de 3 em 3 horas, você acaba dando uma escovada pra não ficar com hálito de biscoito ou de barrinha de cereal.

Mas como toda história de amor, chega um momento em que o relacionamento fica desgastado. Ela já não estava me proporcionando uma limpeza de qualidade. Estava ficando um pouco desgrenhada. As cerdas já não estavam tão alinhadas e asseadas como antigamente. Caiu na rotina. Não se preocupava mais em ficar bonita pra mim. Notei que tanto a escova quanto eu havíamos perdido aquela química, aquela cumplicidade que só os grandes casais compreendem.

Sem o menor desejo de adiar o inevitável, fui ao armário de higiene (que pode ser considerado como a boate do mundo das escovas de dente) e cortejei uma nova parceira de higienização bucal.

Foi amor à primeira vista: ela era mais magra que a anterior, com cerdas menores e mais bem cuidadas. Um cabo anatomicamente correto que se encaixou perfeitamente ao meu toque. Além disso, possui um corpo mais curvado do que a anterior, que em minha opinião sincera era uma verdadeira tábua: completamente reta. Não sei, mas nessa fase da vida, estou dando mais valor às curvinhas. Um gosto apurado desenvolvido com o tempo. Um verdadeiro sinal de que estou amadurecendo.

Mas um relacionamento não se baseia somente em aparência e atrativos visuais. Era preciso testar a novidade. E posso dizer que valeu a pena. Como disse anteriormente, a nova escova se adaptou perfeitamente ao formato da minha mão. As cerdas, como imaginei, são completamente macias e proporcionam um escovar suave e objetivo, alcançando os pontos mais profundos da minha arcada dentária.

Envolvido pelo momento, me deixei levar. Escovei fazendo círculos, depois passei para o famoso esfrega-esfrega e por fim apliquei a técnica da “vassoura”, que consiste em movimentos ritmados de baixo para cima nos dentes do fundo.

Em questão de minutos já havia me esquecido completamente da antiga escova de dente, que nesse momento deve estar em algum lixão usando calças de moletom, devorando um pote de sorvete e assistindo o Diário de Bridget Jones enquanto lamenta por ter perdido esse grande partido chamado Rafael Barbosa.

Como eu estou? Muito bem, obrigado. Por falar nisso, vou ali escovar os dentes.

Universidade para todos, mas nem tanto…

09/01/2013 at 13:31

Só que ao contrário

Nesse momento estou muito feliz por ter concluído o ensino médio em 2004 e já estar formado também na faculdade. Não é uma felicidade do tipo “estou realizado”, mas algo mais “ainda bem que eu não tenho que enfrentar esse inferno que está se tornando entrar em uma faculdade pública”.

O governo brasileiro iniciou um processo de “democratização do acesso ao ensino superior” no final de 2004. Bem no ano em que eu estava me formando no colégio. Naquela época, o ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio ainda era apenas uma prova de avaliação do seu aprendizado ao longo do ensino médio. Ao contrário do que o nome sugere inicialmente, esse “exame” continha questões totalmente objetivas, raciocínio lógico e conhecimentos gerais em sua grande maioria. Ou seja, não era separado por questões de português, matemática, geografia, história, química, física e biologia, tal qual uma prova tradicional de vestibular.

Para se ter ideia, algumas das questões da minha prova do ENEM eram “qual é o mosquito transmissor da Dengue” e “o quadro Retirantes, de Cândido Portinari se refere a qual período histórico brasileiro”? Sim, era chupetinha. Tirei 92 na prova objetiva e 98 na redação. Porém, essas notas ainda não valiam nada.

Em 2005 o Governo anunciou o Programa Universidade para Todos, ou ProUni. A partir desse momento o ENEM passou a ter uma função. Era através da nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio que os alunos de escolas públicas teriam a oportunidade de entrar em faculdades particulares com bolsas integrais ou parciais de estudo.

Esse foi o primeiro passo na “democratização do ensino superior”. Como eu tinha estudado a vida toda em escola pública e tirado uma nota sensacional no ENEM e, ainda por cima, não ser de classe “alta”, consegui uma bolsa parcial pelo ProUni. Mesmo já tendo passado no vestibular da faculdade em questão. Ótimo!

A partir daí, o exame foi totalmente reformulado. Tornou-se mais difícil, já que agora era uma porta de entrada para as faculdades privadas. Foi uma boa iniciativa do Governo. Ainda não estavam pipocando faculdades particulares a todo o momento, então, ajudava a galera a cursar boas instituições que já eram bem reconhecidas no mercado.

Pessoas que não teriam condições de pagar uma PUC, por exemplo, agora tinham a chance de ganhar meia-bolsa ou bolsa integral. Digamos que é mais “tranquilo” pagar R$ 350 em um curso do que os tradicionais R$ 700,00 (na época). Ter um curso superior ainda não era algo tão normal em 2004/2005. Poucas pessoas tinham e geralmente pertenciam às classes sociais mais altas.

Graças a esse projeto, Lula praticamente garantiu a sua reeleição.

Em 2009, o Governo dá mais um passo nesse audacioso projeto e o ENEM passa a valer também como porta de entrada para as universidades Federais através do SiSU (Sistema de Seleção Unificada). É nesse momento que as coisas começam a ficar um pouco mais complicadas.

A prova que antes era tranquila se tornou uma maratona com 180 questões de todas as matérias divididas em dois dias intensos de prova. Os cursinhos que antes eram “pré-vestibulares”, agora são Pré-ENEM. O que, na minha opinião, desvirtuou bastante a função de um exame que avalia o ensino médio. Quem antes estudava para passar em uma boa faculdade, agora estuda para tirar uma boa nota no ENEM.

Se o aluno já tinha uma carga absurda sobre as costas com a preocupação de passar de ano, agora era ainda maior com o tão temido exame.

Estuda, negada…

Some a isso outras questões que foram levantadas como as controversas cotas para negros e índios nas faculdades federais. Não vou me alongar nesse assunto e muito menos discorrer sobre ser contra ou a favor dessas cotas. O ponto não é esse.

Enfim, chegamos em 2012 e o ponto principal desse meu texto.

Nesse processo todo de democratização do ensino superior, o Governo acabou favorecendo demais algumas situações e prejudicando bastante gente.

Hoje em dia você tem:

- Cotas para pessoas de baixa renda (e essas cotas são divididas de acordo com a renda familiar, tendo várias categorias)
– Cotas para estudantes do ensino público
– Cotas para negros
– Cotas para índios
– Bolsas de estudo em faculdades privadas para pessoas de baixa renda

Pode me chamar de elitista ou de preconceituoso, que é o que mais acontece quando se toca nesse assunto, mas os jovens que são de classe média e estudaram a vida toda em escolas particulares, muitas vezes com pais se sacrificando pra pagar a mensalidade, acabaram ficando prejudicados.

Você estuda o ano todo e se prepara para o ENEM. Apesar dos estudos, não é todo mundo que faz uma prova brilhante. Não é todo mundo que tem um QI acima da média e, muitas vezes, só estudar não conta.

Você tira uma nota que não é suficiente para te fazer entrar direto no curso e na faculdade que você escolheu. Isso porque o número de vagas para pessoas na sua “condição” diminuiu drasticamente.

Em um curso com 50 vagas, faça as suas contas tirando aquelas destinadas para as cotas de negros, índios, estudantes de baixa renda e estudantes de escola pública. Sim, esse resultado é o número de vagas que você terá que disputar com as outras milhares de pessoas na mesma situação que você, em um país onde a classe média é a maior representante.

Mas você desanima totalmente, pois em alguns dias ainda terá a abertura do SiSU. Infelizmente, com todas as vagas anteriormente preenchidas, as notas de corte para os cursos sobem consideravelmente. Se a nota para passar em medicina já era normalmente alta, no SiSU ela estará ainda mais alta.

Nesse momento você esquece as faculdades públicas e tem que se voltar para as particulares. Porém, lá em cima eu falei que o ProUni oferece bolsas parciais e integrais para alunos que estudaram o ensino médio em escolas públicas e possuem renda familiar mais baixa. Ou seja, você que é um aluno de escola particular e de classe média mais uma vez não pode ser beneficiado por nenhum dos programas do Governo. Nesse caso, as suas duas alternativas são: estudar mais um ano da sua vida pra passar em uma federal ou cursar uma particular que custa bem caro.

O Governo ainda é bonzinho e te dá mais uma opção: o FIES – Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. Na verdade, o FIES já é bem antigo, da época do regime militar (Crédito Educativo). Só foi reformulado e ganhou um novo nome.

Como o próprio nome diz, é um financiamento que pode ser total ou parcialmente utilizado na sua graduação. Você faz a sua faculdade, se forma e 1 ano e meio depois começa a pagar o financiamento que é dividido de forma análoga à duração do seu curso (se cursou 4 anos, tem 4 anos para pagar) com uma taxa de juros de 6.5% ao ano.

Ou seja, se você é de classe média, estudou o ano todo e não conseguiu passar em uma federal, não se encaixa nas exigências para conseguir o ProUni, não é negro e nem índio, a única ajuda que o Governo te dá para cursar uma faculdade é um financiamento que ao final terá um valor total maior do que aquele do seu curso. Muito justo.

No meu ponto de vista, não é bem a ideia de “Educação para Todos” que tanto se prega por aí.

Infelizmente, em um país como o nosso onde existe muita desigualdade social, as iniciativas para tentar diminuir e ajudar os menos favorecidos acabam ajudando demais e em algum momento vão passar a desfavorecer completamente aqueles que tem alguma condição.

Hoje em dia, se você está se formando no colégio, eu só posso dar um conselho: estude, mas estude muito e como se não houvesse amanhã caso você queira entrar em uma boa faculdade, seja ela pública ou privada.

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O homem ideal?

07/01/2013 at 10:48

Tá cada vez mais difícil ser o homem ideal para essa nova geração de mulheres influenciadas pela literatura “romântica” moderna.

Nos últimos 3 ou 4 anos, o homem ideal (de acordo com o fenômeno “Crepúsculo”) deveria estar morto, porém ressuscitado na forma de um bonito, exageradamente romântico e bem sucedido vampiro. Além disso, a personagem feminina principal prezava pela total e completa submissão a esse ser, não tendo absolutamente nenhuma decisão própria e sendo totalmente dependente das vontades de Edward Cullen.

Robert Pattinson fazendo carinho

Na época, cheguei a uma breve conclusão: Edward Cullen nem é tão perfeito assim.

Hoje em dia, grande parte das garotas que cresceram lendo sobre o amor de Edward e Bella migrou para um novo e arrebatador sucesso literário: 50 Tons de Cinza.

Na história, a bela e virginal Anastásia Steele se apaixona pelo megaempresário Christian Grey, que tem gostos sexuais digamos um pouco peculiares.

50 tons de Tiazinha do H

Ao contrário da Saga Crepúsculo, que li todos os livros (podem me zoar), ainda estou na página 110 de 50 Tons de Cinza. E, mais uma vez estão criando um padrão de homem ideal que é simplesmente impossível de existir.

A descrição de Christian Grey é basicamente assim: bonito, forte, charmoso, bilionário, sedutor, dominador e para completar bem dotado. Sim, em determinado momento, durante o primeiro encontro sexual da mocinha com o rapaz, ela faz questão de exaltar o tamanho do órgão genital do pervertido em questão.

Particularmente, pênis grande nunca foi um problema pra mim. Como disse no meu texto anterior (Sobre Menage e Amigos), meu pênis está uns 8 ou 9cm acima da média brasileira. Provavelmente em decorrência dos meus 1/12 avos de descendência africana (da cintura pra baixo).

Voltando ao assunto, é praticamente impossível um cara reunir todas essas características que as novas escritoras de sucesso aplicam na criação de seus personagens masculinos perfeitos.

Dificilmente uma garota encontrará um vampiro tão “romântico” quanto Edward. E agora, no caso de 50 Tons de Cinza, as fãs do livro que me desculpem, mas os caras que tem essa tara aí do Christian Grey de ser “amo”, apanhar e bater nas suas garotas submissas são minoria.

Não duvido que exista um cara milionário e com gostos sexuais duvidosos. Quando se tem dinheiro, toda maluquice é chamada de “excentricidade”. Mas, cá pra nós? Esse é realmente o tipo de cara que você quer? Que te amarre numa cama e te bata com um chicote de plumas enquanto “te fode duro por trás”? Tá certo que é uma posição muito maneira e excitante, mas não precisa dos outros aparatos, né?

Penso que o cara ideal para as garotas deveria ter outro perfil. Não, também não é o “cara” do Roberto Carlos. Aquele lá é só um chato grudento. Imagino algo como um rapaz na faixa dos 26 anos, inteligente, bem humorado, excepcional autor de sucessos como o blog www.rafabarbosa.com e, acima de tudo, com um carisma contagiante. Esse sim, é o tipo de homem que toda mulher deveria ter ao seu lado.

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Sobre ménage e amigos

02/01/2013 at 17:36

Não é muito ético

No primeiro post de 2013 quero tratar sobre um assunto sério: amizade. Para ser mais específico, vamos falar sobre amizade durante um ménage ou o famoso sexo a três.

Não quero ser taxado de machista, mas não curto a ideia de realizar essa “deliciosa” fantasia com uma garota e outro cara. Não que eu seja contra. Se de repente tem uma garota dando sopa e manda um “Rafa, eu quero dar pra você e praquele cara agora”, eu não hesitaria um segundo sequer em tirar a minha roupa. Não estou tão exigente assim a ponto de dispensar uma foda.

Mas se você tem um compromisso com a moça e quer realizar um ménage, sou a favor de ser com outra garota e explanarei o meu ponto de vista nas linhas abaixo.

Em primeiro lugar, acredito que homens são mais possessivos. Pelo menos eu sou. Então, não acharia nada legal praticar sexo com a minha namorada e um terceiro membro (risos) masculino à sua escolha (ou dela). De uma maneira bizarra e levemente preconceituosa, me sentiria traído. Ou pelo menos muito preocupado pensando que o cara está proporcionando mais prazer a ela do que eu. Sem contar que eu ficaria tentado a comparar quem tem o maior membro (mesmo com 100% de certeza que o meu está pelo menos uns 5 ou 6cm acima da média brasileira).

Sendo assim, o caminho mais lógico seria escolher um amigo para participar. Aí entra toda aquela questão ética sobre confiança. Responda-me com sinceridade: você tem algum amigo que chamaria para transar com você e a sua namorada? Eu tenho ótimos e melhores amigos, mas não sei se consigo pensar em algum para realizar tal ato. Já vi grandes amizades se desfazendo por muito menos, e como diria um dos principais mandamentos do The Bro Code: “bros before hoes”.

Mas voltamos à questão do possível ménage com uma garota aleatória, você e seu amigo. Vamos supor que seja aquele amigo de muitos anos. De infância. Com certeza vocês passaram por muitas aventuras, por momentos alegres e tristes. Deram apoio um ao outro. Enfim, construíram uma história de amizade que só se fortaleceu nos últimos 20 anos.

Eis que vocês estão em um quarto de motel qualquer com uma garota linda e safada. Enquanto você está por baixo e o amigo pratica o famoso doggy style, rola aquele momento extremamente constrangedor: um piru encosta no outro acidentalmente.

Não é nem esteticamente bonito

Eu, particularmente, interromperia o ato na hora e entraria em uma espécie de estado catatônico.

Todos os 20 anos de amizade serão colocados de lado porque ficará um clima ruim. Ver um amigo pelado é algo relativamente normal (e não venha dizer que é papo de gay, porque qualquer pessoa que cursou o ensino médio, faculdade ou já praticou algum esporte coletivo tipo futebol já presenciou amigos sem roupa no vestiário), mas a partir do momento em que seus membros sexuais se encontram, todo um novo panorama se forma.

Eu não veria meu amigo com os mesmos olhos. Eu ficaria constrangido perto dele. Cara, nossos pênis se encontraram. Tais quais duas pederneiras, seus pênis entraram em atrito por um breve momento e isso não é legal. Em nenhuma ocasião isso pode ser legal. Eu teria que fazer psicanálise para me tratar se houvesse atrito entre o meu pênis e o pênis do meu melhor amigo.

É o tipo de situação que derruba o argumento da tatuagem do Macarrão, amigo do Bruno: “a amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir” :cry: . Amigo, experimente encostar os seus respectivos penises durante um ménage e veja se mantem essa tattoo.

Não sei vocês, mas ainda não estou preparado para ter esse contato imediato de 4º grau com um pênis que não seja o meu.

Adeus 2012. Seja bem vindo 2013!

31/12/2012 at 12:06

O mundo não acabou em 2012, mas a julgar pelos comentários que vi na reta final de dezembro, esse não foi o melhor ano na vida de muitas pessoas. E vou me incluir nessa. Não foi fácil.

No último dia de 2012, a gente para pra pensar no ano que passou (e como foi rápido) e percebe que apesar de todas as coisas ruins, as pequenas coisas boas sempre irão se sobrepor. E melhor ainda é poder contar com os amigos ao lado sempre que algo parece não dar certo.

Mas o que importa é que em 2012 eu fortaleci ainda mais os laços com os meus amigos e família. Afinal, nos piores momentos são eles quem vão te dar uma palavra amiga, um abraço, um conselho, um puxão de orelha ou simplesmente escutar os seus lamentos e choros.

Em 2012 conheci muita gente legal, que espero levar comigo e fortalecer a amizade ainda mais em 2013. Pessoas do trabalho, da rua de trás, do Twitter e também aquelas que foram atropeladas na minha frente, mas só esse ano que fomos realmente desenvolver uma “amizade”.

Dentre essas novas amizades, vale destacar a santíssima trindade composta por Marcos Oliver, Latino e Felipe Dylon. Amigos “de longa data” que interagiram comigo nas redes sociais, proporcionando um dos melhores momentos da minha vida.

Também voltei a ter mais contato com aqueles amigos que por um motivo ou outro, você se afasta sem perceber, mas que não se esquece um minuto sequer.

Infelizmente deixei de ter contato com outras pessoas, mas espero que essas também tenham um bom 2013. Não é legal desejar o mal pra ninguém, já que normalmente isso só atrai o mesmo pra você.

Viajei, fiquei bêbado, chorei, ri pra cacete, fiquei triste, fiquei feliz, fiquei decepcionado, fiquei orgulhoso, fiquei com raiva e tudo passou, como sempre passa.

Acredito que todos esses sentimentos misturados, às vezes numa proporção diferente da que eu gostaria, ajudaram a ter ainda mais certeza sobre o meu caráter e o tipo de pessoa que sou/quero ser. E é sempre muito bom saber que você está no caminho certo, por mais que as circunstâncias de façam pensar em fazer o contrário.

Tive o prazer de finalmente tocar o maior e melhor instrumento já criado pelo ser humano: o Keytar (ou teclarra, como gosto de chamar) fazendo com que eu me sentisse um verdadeiro integrante do maior grupo brasileiro dos anos 80/90: Polegar.

Finalmente deixei de lado o sedentarismo e comecei a praticar uma atividade física (e que está me fazendo cogitar uma possível carreira no UFC em alguns anos. Fique ligado). Ou seja, pelo menos algumas das minhas “resoluções de ano novo” de 2012 foram adiante.

Mas o principal é que aprendi que você não deve ficar desanimado com um ano ruim até que ele realmente acabe. Você pode se surpreender nos últimos meses e descobrir que uma fase ruim é somente isso: uma fase ruim. As coisas sempre se ajeitam no final.

Um coração partido se cura (e acredite, tem pessoas que farão de tudo para que isso aconteça), uma decepção se torna apenas uma lembrança que vai sumindo aos poucos, uma derrota é algo que vai te servir de aprendizado para melhorar da próxima vez e perdoar é algo essencial, mesmo que não signifique esquecer o que passou.

É isso. Desejo a todos um ótimo 2013. Cheio de realizações e apenas sucesso. Se tiver algum fracasso, que sirva para incentivá-los e torná-los pessoas melhores. Espero ter todos vocês por perto nesse próximo ano.

Também prometo escrever muito mais por aqui. Mesmo que ninguém leia.

Quanto a resoluções para o ano que vem? Eu só tenho um objetivo e vou alcançá-lo.

Abraço a todos os envolvidos.

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Rodrigo Lombardi não é um galã

26/12/2012 at 00:00

Procurei galã no Google e veio essa imagem

Muitas pessoas (ou apenas o Elmer (em negrito), como sempre) vão interpretar esse post com o argumento “noffa, o Rafa tá analisando os galãs da rede Globo. Acho que ele curte um piru”. Não, eu não curto piru, ao contrário da senhora sua mãe. Mas gosto de assistir televisão e faço isso desde que me entendo por gente. Portanto, posso dizer que tenho autoridade pra criticar o elenco atual de galãs da Globo.

Na verdade, vou falar de um “galã” em específico: Rodrigo Lombardi.

Nada contra a pessoa de Rodrigo Lombardi. Ele parece ser um cara maneiro, bom de conversa e um verdadeiro imã de vaginas na balada. Eu até pediria pra tirar uma foto e dar um oi no telefone pra minha mãe se encontrasse com o cara na rua. Mas como galã ele não me convence.

Não sei se é por ter cara de bonzinho ou por nunca ter interpretado um vilão ou algo do tipo, mas a única imagem que eu tenho dele é como irmão do Marcos Pasquim em uma dessas novelas das sete horas, escrita pelo Carlos Lombardi (o nome é apenas coincidência de acordo com a Wikipédia).

E o cara não deveria ter passado disso: side-kick simpático, levemente abobalhado e carismático do Marcos Pasquim. Esse sim, um verdadeiro galã de novelas da Globo. Viril, peito cabeludo, forte, rústico e que já passou o rodo em metade das atrizes da casa, de acordo com o dossiê “As Pasquim Girls”, escrito por Chico Barney, o Cidadão Kane da blogosfera.

No ar atualmente em Salve Jorge como Theo (um oficial da gloriosa e famosa cavalaria do exército brasileiro, risos), esse é o terceiro papel de Rodrigo Lombardi como protagonista. As outras duas aparições foram como o indiano Raj em Caminho das Índias e Herculano Quintanilla – O Astro -, em uma refilmagem da novela homônima.

A prova cabal de que Rodrigo Lombardi não é um galã pôde ser vista em Caminho das Índias. Na trama, Raj acabou ficando com Maya, mulher que estava destinada a Bahuan, interpretado com maestria por um verdadeiro galã da casa: Márcio Garcia.

Taí um cara que merece respeito e deveria ser escalado mais vezes como galã. Mesmo interpretando um dalit indiano, nosso eterno apresentador do Melhor Do Brasil e Gente Inocente não deixou de lado toda a marra e malemolência do típico malandro carioca, sendo vítima de um claro boicote da produção do folhetim.

galã detected

Falta isso a Rodrigo Lombardi: marra, malemolência, maldade, pegada e um vilão no estilo de Marcos, o “michê” par de Claudia Abreu em Celebridade, um clássico moderno do horário nobre.

Para piorar a situação, a música “Esse Cara Sou Eu” do rei Roberto Carlos é a trilha sonora do personagem em Salve Jorge. E ligar a canção a Rodrigo Lombardi está causando uma espécie de lavagem cerebral na cabeça das mulheres que acompanham a trama. É como uma mensagem subliminar forçando as pessoas a aceitaram Lombardão como um galã, algo que ele não é.

Será que Rodrigo Lombardi não aprendeu nada com a velha escola da emissora (Antonio Fagundes, Zé Mayer, Francisco Cuoco, Ricardo Machi, Victor Fasano, Humberto Martins, Fábio Assunção apenas pra citar alguns)?

Fica aqui a minha indignação para com a emissora da esfera platinada. Não coloquem Rodrigo Lombardi na geladeira, mas ofereçam um workshop para o rapaz com os caras que realmente entendem o que é ser um galã do horário nobre.

Ele não me inspira. Ele não me proporciona admiração. No máximo, um leve sorriso de canto de boca durante as cenas em que ele conversa com seu Manga-larga Marchador.

Queremos galãs melhores no horário nobre! Queremos um cara que te faça querer ser ele, e no momento eu não quero ser o Rodrigo Lombardi.

Sobre a vida adulta

22/12/2012 at 17:31

Eventualmente, todo mundo encontra.

Tenho tentado escrever uma retrospectiva sobre o meu ano de 2012. Embora tenha sido repleto de bons acontecimentos, não dá pra ignorar aqueles que me desanimaram ou me deixaram pra baixo. Não preciso me lembrar das coisas ruins. Vivê-las já foi péssimo o suficiente. Portanto, não vou falar especificamente sobre isso nesse post.

O que quero comentar aqui é sobre como anda a vida dos meus amigos de colégio e faculdade. Pelo menos a grande maioria deles e traçar um breve paralelo com a minha vida.

Nesse ano de 2012 adicionei muita gente da época de escola no Facebook. Afinal, essa é a função das redes sociais, né? Reencontrar amigos e conhecidos que não se tem contato há anos. E para a minha surpresa, muitos deles já estavam, de fato, na vida adulta.

Não sei se sou eu que estou ficando pra trás ou se temos prioridades diferentes, mas a grande maioria deles já está casada e com família constituída. Inclua aí filhos (às vezes mais de um).

É engraçado, pois conheço a turma do colégio há pelo menos 18 anos (estudei na mesma escola da primeira série ao terceiro ano) e crescemos juntos. Na verdade, posso dizer que passamos todas essas fases da adolescência ao mesmo tempo e depois de formados os caminhos meio que se separaram. É sempre um choque ver pessoas que você conheceu ainda criança tendo as suas próprias crianças.

É normal, acredite, mas não deixa de ser marcante.

Não me vejo “construindo” uma família agora. Não me vejo casado ou com filhos até, pelo menos, os meus 30 ou 35 anos.  Alguns dirão que estarei velho demais pra isso. É claro que quero ter filhos, e como sou totalmente influenciável pela cultura pop, vejo a minha vida como a de Ted Mosby, de How I Met Your MOther. Ao meu redor, todos encontram as mulheres de sua vida e começam a ter outras prioridades além de se embebedar em uma mesa de bar ou realizar maratonas de Star Wars e Senhor dos Anéis.

Eu digo que quero estar completamente estabilizado para dar esse passo. Um grande passo, aliás. Infelizmente, não controlamos essas coisas e vai que ano que vem eu encontro o amor da minha vida, caso em pouco tempo e começo 2014 com um bonequinho encomendado pela cegonha?

A questão é que ainda bate aquela dúvida se eu estou atrasado. Como vocês podem ler por aqui, a maior parte do tempo eu ainda ajo e penso como um moleque de 17 anos que tá começando a curtir a vida agora. Mas sempre que vejo os meus amigos e suas respectivas famílias, me pergunto se já não é hora de começar a pensar nessas coisas.

Até os meus melhores amigos, aqueles que eu tenho contato frequentemente já estão pensando em juntar os pares de meias de vez com suas namoradas, enquanto ainda penso em qual será o próximo lançamento da Ubisoft ou em como passar de uma fase de Assassin’s Creed. É complicado.

Estou ficando velho e ao contrário do que gosto de pensar, a cada dia que passa, a “vida adulta” se mostra ainda mais presente do que eu gostaria de admitir. Acho que tenho essa tal de síndrome de Peter Pan que todo adulto metido a adolescente se diz vítima. Não quero ficar para trás e ser apenas o “tio Rafa” e escutar perguntas como “por que você nunca se casou, tio”? É apenas triste isso.

No fundo, no fundo, acho que apenas ainda não encontrei a pessoa certa pra me fazer mudar esse quadro. E eu não espero que ela esteja usando um guarda-chuva amarelo.

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