Pé de valsa, ou quase isso. Parte 2

Um dançarino excepcional. Um verdadeiro mago das pistas de dança. Um fenômeno desde John Travolta, ou Tony Maneiro, como preferir. Essa descrição poderia ser sobre a minha pessoa. Mas infelizmente eu não sou nada disso. Bom, a parte do Tony Maneiro até vai.

Acabei de chegar da festa de 15 anos da minha amiga (parabéns de novo Gabi). Claro que eu tava acompanhado da minha namorada linda, que até tentou me ensinar um pouco de valsa há alguns dias. O problema é que eu não possuo o gene que nos permite dançar valsa.

Olhando de fora parece a coisa mais simples do mundo. Passinho pra cá, passinho pra lá, passinho pra cá de novo, passinho pra lá e pronto. Mas na prática não é nada disso.

Primeiro o nervosismo quando me chamaram pra fila dos garotos que iriam dançar. Não vou dizer príncipe porque de realeza eu não tenho nada.

Lá dentro uma verdadeira prova de tensão e nervosismo. Creio que um paredão do Big Brother não se compare à essa pré-valsa. Ali você tenta se descontrair conversando com os outros garotos. Até o momento em que você descobre que é o único ali que nunca dançou valsa. Pra piorar, você é o mais velho da turma.

Posso dizer que doeu o meu coração quando um dos garotos perguntou se eu não tinha passado pela oitava série. Eu passei, mas não era popular o bastante pra ser chamado pras festas. Minha primeira festa de 15 anos foi em 2006, acredite se quiser.

Começaram a explicar. Chamariam nome por nome e teríamos que andar o salão inteiro e quando chegasse onde seria a dança, cada um ia para um lado.

Mal assimilei as informações e começaram a chamar. Eu era o quarto nome da fila.

Rafael, falaram no microfone. Meu cérebro dizia para as minhas pernas se movimentarem, mas as pernas, atrevidas que só, custaram a entender o comando. Exitei um pouquinho e fui. Chegando quase lá todo mundo batendo palma e as garotas do salão gritando. Nessa hora a vergonha aumentou exponencialmente. Um vexame era iminente.

Todos a postos, aniversariante no devido lugar e começa a valsa.

Se eu estivesse no corredor da morte, o nervosismo não seria tamanho.

Vai o pai, vai o irmão, vai o primeiro amigo. Era a minha vez.

Cheguei de mansinho, como quem não quer nada e tomei a aniversariante. Nesse momento eu só conseguia pensar em duas coisas: Um passo pra cá e um passo pra lá.

Comecei a dançar, falando com a aniversariante que eu tava morrendo de vergonha. E ela até que tentou me acalmar falando que era fácil. Fácil pra ela, que ensaiou e sabia dançar. Ali eu era o pior tipo de Noob que você imaginar. Um virgem em questão de valsa.

Creio que não chegou a dar mais de um minuto de dança, mas na minha cabeça pareciam horas.

Quando ela me pediu para dar uma viradinha, meu cérebro deu o famoso PAM do Windows e travou. Tive que dar um Ctrl Alt Del e reiniciar. Claro que todo mundo percebeu a paradinha que eu dei. E logo depois ainda consegui a façanha de pisar no pé da garota.

Mas quando eu já estava sem esperanças, abatido pelo vexame, veio o próximo dançarino e tomou o meu lugar. A sensação foi de chegar a tempo na privada quando se está com o pior tipo de dor de barriga, tamanho foi o meu nervosismo. Acho que mais nervoso que a aniversariante.

Depois da valsa fui para os braços da namorada que me consolou, dizendo que não foi tão mal assim.

Bom, para a minha primeira vez, posso dizer que não foi tão traumatizante. Mas valsa de novo, só no aniversário da minha filha. E se eu tiver uma filha.

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