Eu tenho um talento nato pra certas coisas nessa vida. Uma delas é tropeçar.Eu considero meu corpo um imã ambulante que sempre é atraído por buracos, degraus, quinas de mesa e afins. Se tem um obstáculo, pode ter certeza que eu vou tropeçar!
Isso não inclui só tropeços, inclui chutes, batidas, caneladas. Toda e qualquer forma de machucar os membros inferiores. Já perdi a conta de quantas quinas de mesa eu chutei. A quina da porta do guarda-roupa. Até mesmo um suporte que tem em baixo de onde o meu teclado fica, eu sempre dou um jeito de dar um chute, uma canelada, uma dedada e as vezes até uma joelhada.
E sempre existem aqueles lugares que por mais que você tropece, você sempre vai continuar tropeçando. E quando você tropeça, para e pensa: “Droga, de novo?”.
No caminho pra faculdade existe um pequeno e incoveniente pedaço de ferro retorcido cravado no chão. É de lei, eu sempre tropeço. E ele é justamente em frente a esquina de uma escola. No horário que eu passo sempre tem muita gente. Digo, garotos, garotas. O tipo de gente que sempre ri quando você tropeça.
Parece que é uma platéia que já fica lá esperando eu passar.
- Lá vem o tropeço.
- Tropeço ta chegando, olha lá!
- 3, 2, 1 e…
Todos comemoram, eu tropecei!
E não é só na ida não. Se fosse estaria tudo bem. Mas quando é coisa ruim, comigo sempre acontece em dobro!
No caminho pro ponto de ônibus, quando estou indo embora, tem um pedacinho do meio fio que é quebrado, e como que inconscientemente eu sempre me dirijo na direção dele. É algo automático, eu não raciocino, apenas tropeço. Sorte que nesse horário geralmente não tem muita gente no mesmo caminho que eu.
Estes são só alguns casos que acontem comigo. Não são tão constrangedores quanto o do zoológico. Eu achei que aquele dia minha vida social tinha acabado. E eu só estava na 6ª série ainda.
Um belo dia de sol. O pessoal do escolar resolveu fazer uma excursão pro jardim zoológico. Eu como bom garoto dessa idade, topei na hora. Partimos pro zoológico.
Me lembro até hoje, eu todo bonitinho. Bermudinha, tenis e uma camisa do Mickey (na 6ª série e com camisa do Mickey? Sim e daí?) e toda aquela pose de “sou zuador”.
Tava cheio de gatinha esse dia e gatinha é sinônimo de Rafael pagando mico!
O percurso tava até tranquilo demais pra minha pessoa. Mas eis que em um certo momento, eu não lembro o que fui fazer, virei em direção oposta a que eu tava e saí andando.
Não dei nem um passo direito, e como no filme Matrix meu corpo deu uma cambalhota no ar. A princípio eu achei que era no ar. Só depois que eu caí de costas do outro lado é que eu fui perceber.
Uma cerca de arame, um arame grosso e quase invisível. Se eu não vi é praticamente invisível.
Aliás, cerca não, aquilo lá era uma arma mortal, esperando um distraido e alegre garoto tropeçar nela. E sempre sou eu nessas situações.
Todas as pessoas que tavam ali, viram e riram. Não teve coisa pior.
Mas como bom malandro, levantei, dei uma risadinha e sai como se nada tivesse acontecido!
Tem mais tombo também, mas fica pra outro post!