O rock salvou a minha juventude.

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Por mais subversivo, rebelde e, de certa forma, mal visto pela sociedade, o rock salvou a minha juventude. E não estou falando do rock evangélico. Falo do tradicional rock ‘n roll e as suas vertentes como o hardcore e o punk rock. E sou grato à todas as bandas que conheci durante essa fase determinante da minha personalidade.

Aqui no bairro onde eu moro, dessa nova geração de garotos que estão entrando na fase adulta, posso dizer que 95% deles não serão nada de muito relevante na meritocracia informal da vida. E não digo isso como alguém que é bem sucedido ou qualquer coisa do tipo, digo isso porque vejo todos os dias que eles mesmos não querem ser nada. Não que ser alguma coisa na vida seja parte fundamental do desenvolvimento do ser humano, mas também, ser um nada, não deve ser muito bom.

Mas você deve estar se perguntando como o rock entra nessa história, e eu explico. Quando eu estava entrando na adolescência, comecei a ter os meus primeiros contatos com o estilo musical. Tudo isso graças aos primos dos meus vizinhos que, por serem mais velhos, já tinham esse contato e repassavam pra gente. Como somos todos da mesma idade, agíamos como um rebanho mesmo e a cada nova banda conhecida era uma festa.

Entramos na adolescência e continuamos a experimentar o rock. Vieram as primeiras bandas, as tardes sentados na porta da casa do Kejera tocando violão, sentados no hall do prédio com o Mini-System do Alce ligado e rolando de tudo, desde Blink 182 a Cripple Bastards.

A certa altura da nossa adolescência, a galera que curtia os gangsta raps americanos e principalmente os brasileiros, não aqueles que falam sobre desigualdades ou injustiças, e sim aqueles que pregam a morte dos inimigos, a queima dos “X-9’s” e demais babaquices. Em nenhum momento esses caras conseguiram influenciar a gente. Éramos como uma bolha. Skatistas, rockeiros e sem cair nas influências de pessoas que vinham de fora.

Já a geração posterior a nossa, que estava entrando na adolescência nesse momento, geralmente uma fase em que procuramos uma identidade social, um grupo que nos aceite, foi no embalo desses carinhos do rap, funk e etc. Como eram novinhos e bobinhos, da mesma forma que nós éramos com essa idade, foram completamente influenciados por esses caras. E não de uma forma boa, pois se a influência se baseasse na música, estaria tudo ótimo. O problema é que esses caras começaram a mostrar pra moleques de 12 anos de idade que fumar cigarro, fumar maconha e beber era algo “cool”. Some a isso o fato de que a grande maioria dos pais dessa turma trabalhavam fora o dia inteiro. Como resultado temos um bando de garotos sem orientação e base familiar alguma expostos as idéias e caprichos de caras mais velhos.

Não vou ser hipócrita. Da nossa turma teve gente que já fumou o seu baseadinho e até hoje bebe a sua cerveja. Mas ninguém se deixou levar pelo vício, e ao contrário da turminha mais nova, temos como manter um provável vício.

Não demorou para que os primeiros moleques fossem parados em batidas policiais e flagrados pelos vizinhos enxendo o rabo de maconha. Quanto aos mais velhos, a situação estava piorando aos poucos. Um deles quase foi assassinado no bairro, levando um tiro na perna. E acredite, meu bairro não é violento. O outro teve que ir embora daqui devido às ameças de morte. Enquanto isso, a molecada influenciada por eles ia crescendo. Vários tomaram bomba na escola e, finalmente, o primeiro da turminha se meteu em uma encrenca grande. Virou peneira em uma favela e mesmo assim não morreu. Ficou com uma bala alojada no peito.

Aos poucos os moleques foram seguindo um caminho sinistro. Enquanto a minha geração, a turma que curtia rock ‘n roll começava a se dar bem na vida. Comecei a trabalhar com 16 anos. Fui o primeiro da turma. Logo depois os outros começaram também. Em 2005 todos nós já estávamos na faculdade e hoje somos publicitários, advogados, contadores e até técnicos ambientais. Nos demos bem na vida. Ninguém de nós tomou tiro ou acabou sendo preso.

Dia desses, acho que ano passado, fiquei sabendo que um dos que influenciou a molecada do rap, foi assassinado embaixo de um viaduto de Belo Horizonte. Na base da porrada. Morreu de tanto apanhar. O moleque que tem uma bala alojada no peito já foi preso duas vezes e atualmente cumpre pena, já que agora é de maior. O restante da turminha passa o dia INTEIRO no boteco, bebendo e fumando sem ao menos ter um emprego ou coisa do tipo.

Eu tenho que afirmar mais uma vez que, por mais contraditório que seja, o Rock And Roll salvou a minha juventude e digo mais, salvou a minha vida.

18 Respostas para “O rock salvou a minha juventude.”

  • É bem por aí mesmo.
    Sendo que a minha história é quase igual a essa sua, só que minhas influências são as bandas nacionais da década de 80.
    E ainda curto os grandes grupos vocais dos anos 70.
    Não tinha como MESMO essa ondinha de rap, funk e demais porqueiras me influenciar.

    Sinta-se privilegiado por ter sido salvo.
    De lá pra cá, a coisa só piorou.

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  • Jhonny:

    foda demais o post!

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  • Tempo faz, não volta mais,
    saudades, quanto tempo faz!!!

    Época boa em que os amigos se reuniam para ouvir música, tocar violão, beber várias, fumar um e chapar o coco.
    Andar de skate, pular estação de trem, passar por debaixo da roleta do busão, era só loucura.
    Muito Nirvana, muito Raimundos, muito Planet Hemp e muito, mas muito Bob Marley, privilégio de ter vivido minha juventude nos anos 90 e também ter sido salvo pelo rock.
    Orgulho de ter sido um grunge louco e feliz ao invés de um Emo bicha e melancólico como a juventide de hoje.

    Como disse o Intruder:
    “Sinta-se privilegiado por ter sido salvo.
    De lá pra cá, a coisa só piorou”.

    Parabéns Rafa, mais um belo post.
    Abraço

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  • Olá Rafael, tudo bom?

    Realmente a juventude, tanto aquela, como a de agora, se deixa influenciar pelas suas bandas favoritas. No caso do hoje em dia, a coisa é pior, pois está todo mundo de mini-saia, bebendo, fumando, e rebolando um funk nos bailes da vida, mas antigamente as coisas não eram tão diferentes também não.

    Porém, o que salvou você não o rock, e sim sua mentalidade firme. Sua índole e sua criação. O que seus pais lhe ensinaram que era bom e o que era mau. Foi você mesmo que se salvou, não foi o rock que fez isso.

    O mesmo acontece com a cambadinha de hoje. O que estão levando eles ao buraco, não é suas bandas, é sua mentezinha fraca, é ser um piolho e ir pela cabeça dos outros, é ser um duente fraco.

    Belo post o teu, é bom relembrar a saudade do passado. muito bom. Eu, infelizmente, não tenho lá muita coisa pra contar.

    Abraços e sucesso!
    Monthiel

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  • Cara, vc não é o primeiro! O Rock já salvou muita gente, inclusive eu estou nessa també. Mas só tem um detalhe: Se vcs ouviram tanto Rock, pra depois se tornarem “publicitários, advogados, contadores…” Vcs não devem ter prestado mta atenção nas letras. Tsc, tsc, tsc… Coisa feia hein!?

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  • Concordo contigo, o rock é salvador! O rock nos faz pensar, nos faz amar, nos faz ler, nos faz pensar. O rock não joga respostas prontas na nossa cara. o rock nos faz buscar explicações.
    O rock não nos influencia. Nós influenciamos o rock. porque nós escolhemos o que ouvir, pois cada banda tem sua identidade, ao contrario de tantas coisas iguais por ai.

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  • Há parabéns pelo post… sábias palavras ^^

    E há… o rock tb me salvou ahuahuaha

    \o/

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  • Mari:

    o gosto musical pode falar muito sobre uma pessoa, não é?
    claro que isso não é regra, mas faz sentido… gostei do post, mas será que nao é a sua personalidade inata que influencia seu gosto musical, e não o contrário? talvez vc terminasse da mesma maneira que é hoje, ainda que fosse fã do tal rap do mal.

    mas enfim, lembrei disto:
    http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=2599389&tid=2522538132368516922
    “Jovens superdotados preferem ouvir metal”
    e podemos tirar nossas próprias conclusões… =D

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    rafabarbosa Reply:

    Sim sim, não é a regra. Mas realmente diz muito sobre uma pessoa.

    Responder

  • André:

    @Topic: Bom tenho 13 anos e curto muito rock ^^ (ramones, the offspring, blink182, sum41…) e tipo a galera “do mau” aki da minha cidade sempre esta ouvindo esse tal “rap do mau”… sei la acho q a musica influencia muito na vida das pessoas… msm q o rock nao tenha letras muito educativas mais eh o q eu mais gosto =)

    @Off:Cada veiz veio me vendo em cada topico sobre as “aventuras da adolecencia do rafa” tipo ando de skate, curto rock e parece q cada situação do topico ja aconteceu de alguma forma comigo ^^

    Belo trabalho rafa ;D

    Desculpem os erros de português xD)

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    rafabarbosa Reply:

    Eu também acho que influencia André. Até porque vc acaba andando com pessoas que escutam o mesmo tipo de música e passa a ter uma boa influência. Claro que tem gente que escutou o rap do mau e hoje também se deu bem. Mas, a grande maioria auqi no bairro, não deu em nada.

    Pow, que bom que vc se identifica com as minhas “desventuras” cara. UHhuauhauh fico feliz que goste.
    abraço!

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  • E ai Rafa! Posso dizer que sei exatamente do que você esta falando. Tivemos muita sorte haha!

    Abraço cara!!

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  • ronan:

    putz cara, vc falou td
    eu tbm fui salvo pelo rock (agradeço isso tds os dias) comecei ouvindo vinil junto de um amigo do iron maiden e tals, eu hj tenho meu emprego que eh de boa, to fazendo minha facul, e quando olho pra tras e vejo aqueles mulequinhos eu curtiam rap e tals, igual vc disse, eles naum tem perspectiva de vida mto menos futuro VIVA O ROCK
    \../

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    rafabarbosa Reply:

    O Rock é a nova bíblia cara! Valeu pelo comentário Ronan. Volte sempre!

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    ronan Reply:

    volto sim, curti o blog pakas tah no favoritos ^^

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  • Lm:

    olha você ta completamente certo, mais os tempos mudarão e hoje acho que nada mais salva, quer dizer poucas pessoas saem da escola e vão pra faculdade, as vezes só pra se divertir quando podem ir pra faculdade os tempos mudaram e tudo que as pessoas pensam é em se divertir e tudo mais, eu nao nasci num tempo em que as pessoas se reuniam na casa dos outros pra tocar violão, mais meus pais nasceram e sempre se recordam de uma epoca muito boa.

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  • Arthur:

    Apesar de ter apenas 16 anos eu concordo com você porque no meu colégio eu vejo essa diferença de mim que graças a minha família curto muito mais rock doque essas porras de “é o kit to portando .-.” e acho que até por isso me sinto meio deslocado da minha época! Vontade de ter nascido no tempo de vocês ><

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  • [...] Dead Fish é uma banda hardcore de Vitória-ES que posso dizer sem exageros mudou a minha vida. Depois de sua aventura pelo mainstream lançando clipes na MTV e trabalhando com uma gravadora [...]

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