Às vezes me pego pensando o que seria da nossa vida se naquele fatídico dia 22 de Abril de 1500, Pedro Alvares Cabral não tivesse aportado em terras brasileiras. Não sei ainda como dizem que foi o “descobrimento” do Brasil, como se nós fóssemos uma terra em outra dimensão, pesquisada a fundo pela nata científica de Portugal. Nós éramos apenas um pedaço de terra gigante geograficamente localizado na América do Sul. Não gosto de pensar que “descobriram” o Brasil. Voltando ao raciocínio.

Pra começo de conversa, se Cabral não tivesse aportado aqui, uma hora dessas eu estaria andando pelado e tranquilo pela mata, ou quem sabe me atracando com alguma indiazinha mais sapeca da tribo e pensando no que caçaria amanhã: porco ou tucano? Eu não teria grandes preocupações. Vez ou outra teria que enfrentar algum engraçadinho de outra tribo e, no máximo, sei lá, participar de algum ritual de passagem que formalizaria a minha vida adulta.

Eu não teria preocupações quanto a um curso superior ou um emprego que pagasse bem. Não, nada disso. O Cacique da tribo meio que daria todas as informações necessárias para o nosso convívio pacífico e organizado. Se tivesse passando mal, não teria que ter um bom plano de saúde ou enfrentar a porcaria da fila do SUS, era só marcar uma hora com o Pajé ou o curandeiro da tribo e pronto. Estaria curado.

Mas não, Cabral teve que aportar aqui e corromper a indiarada com panelas e espelhos. Desde cedo brasileiro foi um puto mesmo. Panelas e espelhos? Isso me lembra vagamente quem se vende por, sei lá, brindes de anunciantes. Mas bom, eu nem saberia do que se trata isso se o Cabral não tivesse estacionado sua caravana aqui. Eu não estaria blogando. Provavelmente estaria contando o meu dia a dia de outra forma, sei lá, fazendo pinturas em paredes de cavernas ou até mesmo em pedaços de madeira.

Mas o portuga descobriu o Brasil e deu um jeito de foder isso aqui logo de cara. Comeu todas as indiazinhas mais bonitas da tribo, catequisou as criancinhas e os demais índios do país, levou todo o nosso ouro embora, por mais que os índios não ligassem pra isso e, principalmente, ensou a gente a comer bacalhau. Bleargh. Mas não adianta reclamar. Depois de 500 anos só nos resta conformar. Quem sabe um dia não volte a ser tudo como era antes? Já estou até tirando minha roupa aqui e me preparando pra dormir na oca.

Já tentei ser jogador de futebol, físico nuclear, cientista da computação e famoso. Terminei formado em publicidade e escrevendo em um blog sobre a minha vida. Isso, meus amigos, é o que eu chamo de sucesso.

5 Comments on “Maldito Cabral!

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