Justiça?
Oba, oba, oba estou de volta!
Agora com a volta as aulas, o ânimo e as idéias para postar todo dia começam a diminuir. Mas não é desculpa para abandonar esse blog não é mesmo?
Pois bem, muito tem se falado sobre o crime bárbaro que ocorreu no Rio de Janeiro, onde uma criança foi arrastada por um carro por 7 Km.
É sempre aquela mesma história, as pessoas pedem justiça, pedem punição, saem as ruas vestidas de branco com uma pomba na blusa, pedem paz, organizam protestos e todas essas manifestações. O problema é que só fazem isso enquanto a notÃcia ainda está quente. E semana que vem já esqueceram porque a gringaiada está chegando, e é hora de mostrar o carnaval para eles. Mostrar as escolas de samba, as mulatas peladas e mostrar como se faz o samba.
Soma-se a isso o sensacionalismo da mÃdia que explora de todas as formas possÃveis essas tragédias. Fazem questão de fazer entrevistas “exclusivas” com a famÃlia. Com a câmera pegando os closes que demonstram mais nitidamente o sofrimento da mãe. Tudo milimetricamente calculado. Sombra, ângulos de câmera, tudo dentro de um “script” feito com o fim de chocar realmente as pessoas que assistem. Como se não bastasse isso tudo, ainda colocam a Fátima Bernardes para fazer a entrevista. Talvez por ser mãe de trigêmeos? Não sei, mas quando é uma criança de clásse média baixa baixa (vulgo pobre), não vemos nenhum repórter indo na casa da famÃlia.
Pode ser devido a crueldade do crime, mas uma criança que morre com uma bala perdida não é menos importante do que uma que morre arrastada por um carro.
A criança que morre por uma bala perdida em uma favela, convive com a violência ali diariamente, o caso da famÃlia desse garoto, foi um fato isolado, não vemos pessoas sendo arrastadas todos os dias, mas eles não conviviam com a violência ali, jogada na sua cara.
Eu arrisco a dizer que a criança infelizmente estava no lugar errado e na hora errada, foi muito azarado ao ficar preso pelo cinto de segurança. Aparato utilizado para salvar vidas, mas que infelizmente nesse caso empregou outro papel.
Cobram justiça dos governantes, acho isso certo. Mas todos os envolvidos no crime já estão presos, e a� O que vão fazer agora? Vão tocar como sempre na tecla da maioridade penal, já que um deles é menor. Mas apenas vão falar, falar e falar como sempre. Não vejo ninguém fazer nada para mudar. Podem até fazer, mas eu não vejo.
É legal e politicamente correto pedir essa diminuição na maioridade penal para punir esses assassinos, mas eu tenho certeza que se for para prender o filho de um burguesinho com posse de drogas, a lei é muito rigorosa, o filho é apenas uma criança que não sabe o que está fazendo.
É questão de atender aos interesses pessoais e não o bem coletivo.
O deputado federal e o senador que não votam esses projetos, são os mesmos que você elegeu, são os mesmos que não votam porque não foi com o filho deles que isso aconteceu. E meu amigo, não adianta pedir justiça, isso é uma coisa que parte de todos nós. Ir na televisão e pedir justiça, é uma coisa, agora agir em prol dessa justiça é outra.
Não vai ser uma passeata que vai mudar isso, não vai ser uma pomba branca que vai trazer a paz, não vai ser uma ONG que vai mudar o mundo. Simplesmente não adianta nada disso se todas as pessoas não se empenham e não agem para mudar. É esse conformismo que faz com que as coisas estejam como estão.
Temos que respeitar a dor da familia e não devemos ficar explorando esse sofrimento com uma câmera e uma entrevista, não tem nem uma semana que o menino morreu, e não querendo ser grosso, o cadáverzinho dele ainda nem esfriou e já estão planejando coisas e mais coisas para que a famÃlia lembre sempre dessa desgraça.
Hoje fazem uma manifestação, semana que vem tem desfile. Do que as pessoas mais vão se lembrar daqui a um mês? Com certeza da rainha da bateria da Viradouro ou do samba enredo da Mocidade. O garotinho arrastado e o que morreu de bala perdida? São somente parte do passado, infeliz por sinal.
As pessoas que pedem justiça hoje são as mesmas que votaram não na campanha do desarmamento, mas que hoje, sentem a necessidade e a vontade de terem uma arma nessa hora. Eu sou a favor das pessoas terem o direito de se defender, não tendo necessariamente que estar armada, apenas se defender.
Casos assim depois de um tempo apenas entram nas estatÃsticas, ou será que alguém ouve falar de alguma mudança depois da morte daquela menina no metrô do Rio de Janeiro?
Recebi no email uma “corrente” que consistia em colocar uma “rosa” no nick do MSN ou na imagem de exibição do orkut a fim de “ajudar” no luto da famÃlia.
Agora me diz, no que isso vai mudar o que aconteceu? Uma florzinha no nick não vai adiantar nada. A vida não acontece na internet, a violência é real meu amigo. Você tem que fazer alguma coisa é na realidade.
Essas pessoas que se dizem “inconformadas” com a violência, são as mesmas que estão protegidas no aconchego da sua mansão, com cerca elétrica e câmeras de vigilância, são as mesmas que ficam impressionadas quando alguém fuma maconha do seu lado, são as mesmas que estudam em colégios particulares e vão para casa de escolar. São as mesmas que demonstram uma certa “consciência” para os amigos.
Eu não sou nenhum expert em vida real. Eu digo, moro em um bairro bom, em um apartamento bom, não tenho contato direto com violência assim, mas conheço pessoas, tenho amigos que se envolvem com esse tipo de coisa. Posso não ter contato direto, mas sei o que se passa e não fecho meus olhos para isso. Cada um faz o que quer com sua vida.
O mundo não é uma vidinha perfeita que nem aquela que aparece na televisão, as coisas aqui acontecem de verdade, uma bala mata, as drogas estão aÃ, e sim, existem escolas públicas, ao invés das particulares que mostram na televisão.
Se quer mudar alguma coisa, se você se sente indignado, faça algo para mudar ao invés de ficar parado reclamando.
Como diria a música do ForFun:
“Nasce de você a revolução, sufocada atrás da inércia.“
Fui.
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Fála, rafa!
Cara, basicamente a mesma coisa que tá lá no meu blog. A vida é assim mesmo.
Os nossos governantes dão inertes, só agem se uma merda bem grande acontecer e se a Rede Globo quiser.
lembra do caso Daniela Perez? Então? Ela foi formadora da Leio dos Crimes Hediondos, lei essa que foi feita com os pés. Tomara q desta vez, façam uma com a cabeça.
Vou linkar o seu blog na postagem, de hoje. Valeu!
Responder
Olá,
Sou editora do Jornal de Debates (www.jornaldedebates.com.br), um
jornal colaborativo na internet, que propõe diversos debates semanais.
Encontrei no seu blog um post que fala sobre a maioridade penal, e gostaria de convidá-la a escrever no nosso jornal sobre esse tema, ou mesmo replicar seu post, que se encaixa muito bem num dos debates desta semana.
Qualquer dúvida, entre em contato
Grata
Gabriela Nardy
gabriela@jornaldedebates.com.br
Editora – Jornal de Debates
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“Pode ser devido a crueldade do crime, mas uma criança que morre com uma bala perdida não é menos importante do que uma que morre arrastada por um carro.”
tens razãoo!!
Engraçado, foi algo como eu falando aÃ. Acho exatamente oq achas.. orraa.. não tenho muito mais oq falar..
tbm recebi isso da flor e pensei “pra q?” Comentei com minha amiga e ela disse: “mas fabi blablabla”.. o resto não me arrisquei em ouvir..
uma flor não trás passado..
ajudar com o luto?? realmente, ajudar a famÃlia a não esquecer do episódio tão cedo!!
bah.. dá uma revolta!!
^^
**
acabou as férias? éééé.. agora eu voltarei a escrever!! ;]
bjos
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Exatamente o que eu estava pensando… Agora ta todo mundo pedindo justiça… Já já vem o carnaval e todo mundo esqueçe…
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Que texto perfeito, isso sim devia sair em todos os jornais, é exatamente isso que ocorre quando o assunto é violência e indignação.
Parabéns!
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PERDI UM FILHO DE 5 ANOS POR CAUSA DE BALA PERDIDA . MORRO DE SAUDADES DELE. DEUS E POR NOS.
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