Archive | Histórias

04 April 2011 ~ 8 Comments

Histórias do acampamento cristão

O relato a seguir me foi confidenciado há alguns anos por uma fonte que prefiro deixar anônima. Na época, a pessoa em questão freqüentava um famoso acampamento cristão nos arredores de Belo Horizonte. Se o que me foi descrito é verdade, não posso dizer, mas acho digno compartilhar com vocês a fim de divulgar um pouco do que acontece nos chamados acampamentos cristãos.

O ano era 2002. Eu e meus amigos estávamos na casa dos 16 anos, o que quer dizer duas coisas: nossos sacos estavam completamente inchados e 98% dos nossos assuntos eram relacionados a sexo, por mais que não praticássemos o ato há algum tempo (ou até mesmo aqueles que nunca praticaram).

Com a chegada das férias, alguns amigos da “turma” iam para cidades do interior, outros para a casa de parentes em outros bairros da cidade e um amigo em particular ia para um acampamento cristão, ou colônia de férias, como queira chamar.

Naquele ano ele voltou diferente. Sabe quando você se despede do cara com a certeza de que ele ainda é um garoto e, ao revê-lo percebe que já não é mais nenhuma criança e que, provavelmente, passou por experiências que o tornaram mais “adulto” que os demais? Pois é. Foi assim com aquele amigo.

Nos dias finais de Janeiro a turma já estava se concentrando novamente no bairro. Quando o “wolfpack” finalmente estava completo, era a hora de colocar o papo e as novidades em dia.

Todos os anos era praticamente a mesma história: alguns pegavam as mesmas garotas de sempre, outros pegavam novas garotas, alguns pegavam garotas que não existiam e outros não pegavam ninguém, mas contabilizam pelo menos 5 nomes diferentes. Algo normal entre amigos adolescentes.

Compartilhados os feitos, era a hora do nosso amigo “cristão” contar sobre as suas férias.

Com a frieza de Charles Bronson ao acender um cigarro, o nosso amigo tirou um Hall’s do pacotinho e o colocou na boca. Há algum tempo já observávamos que alguma mudança se operara nele. O cara estava diferente. De alguma forma, era como se estivesse a alguns anos luz de distância dos demais rapazes do bairro.

O diálogo a seguir pode ter sofrido algumas alterações graças aos anos em que esteve guardado na minha memória, que vez ou outra costuma me trair. Porém, espero me lembrar da maior parte do conteúdo e o transporei letra por letra nessa missiva:

- Cara, as férias de vocês foram realmente legais, hein? Mas, acho que poucos ou nenhum de vocês passou pelo mesmo que eu.

- Ih, cole! Foi estuprado, Mané?

- Depende. Quando duas garotas diferentes te chupam é considerado estupro?

- Hahahahahaha. Estamos contando das férias, não dos sonhos.

- Tudo bem, criança. Acredite se quiser, mas isso não irá me impedir de contar pra vocês sobre as melhores férias da minha vida.

- Então vai lá, Rocco. Conta pra gente.

- Não sei se vocês sabem, mas esse foi meu último ano no acampamento. Depois que se faz a crisma, você não pode mais passar as férias por lá. É alguma regra estúpida inventada por algum padre estúpido pra manter sempre a faixa-etária por volta dos 16 anos. Triste, mas inevitável.

- Já há alguns anos eu notei que a turma dos 16 anos sempre era diferente. Várias vezes, a noite, na hora que a galera se reunia pra jantar, conversar, jogar e fazer essas coisas imbecis, eu notava que alguns rapazes e algumas garotas simplesmente desapareciam. Na minha cabeça, eles estavam ajudando a preparar a comida ou simplesmente pensando em alguma forma de dar um susto nos mais novos.

- Outra coisa que percebi também é que a Marcela e Karen adquiriram um par de seios sensacionais cada uma. Sem contar nas bundinhas redondas e empinadas, estilo Yoshi. E pensar que há uns 2 anos aquelas garotas eram duas varetas ambulantes que estavam sempre tentando se enturmar…

- Lembro que você falou delas pra gente. Uma queria ficar com você, mas você deu um fora porque não sabia beijar hahahahahahahahaha.

- Sim, criança. Eu não sabia beijar e pelo visto, naquela época, as garotas já estavam praticando e treinando para um objetivo maior. Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Nas bundas da Marcela e da Karen. Deixe-me continuar.

- Aquelas garotas estavam demais. A puberdade fez um bem danado pra elas. Enquanto eu fiquei um pouco mais desajeito, as duas atingiram o ápice de gostosura que uma garota de 16 anos pode atingir.

- Certa noite, eu estava no quarto jogando Pokémon no quarto. Antigamente eu até gostava de ficar lá fora com os outros. Mas, vocês sabem… aquilo só é legal quando você não tem nada melhor pra fazer. Que coisa mais idiota ficar contando história de terror que não assusta ninguém.

- Histórias que você sempre ficava com medo e ia dormir mais cedo, mas, vai lá. Continua aí… hahahahaha.

- Então, eu estava lá jogando Pokémon e bateram na porta do alojamento. Abri e lá estava a Karen com a blusinha vermelha do acampamento e um shortinho comprimindo as suas coxas de um jeito que ela parecia ainda mais gostosa do que nunca. Obviamente, eu tive uma E.T.

Ela me disse:

- A gente precisa de ajuda lá na cozinha. Você pode ir com a gente?

- Puta que pariu, hein Karen? Tem que ser eu?

- Tem. Você agora é da turma dos mais velhos. Você tem que ajudar.

- Que merda. Vamos lá.

- Amigos, deixei a Karen ir na frente só pra poder observar de camarote aquela bunda sensacional. Obvio que aquela imagem mais tarde se tornaria combustível mental para a boa e velha bronha. Mas, a noite era só uma criança, como todos vocês.

- Pff.

- Então cheguei na cozinha. Estranhei porque estava tudo apagado e não tinha nenhum instrutor. Mas a Marcela também estava lá com um short do mesmo estilo da Karen e com uma bunda tão boa quanto, se não melhor. A primeira coisa que ela disse: Conseguiu tirar o nerd da toca?

- Anda logo, Cella. O que é pra fazer aqui?

- Pra começar, fecha os olhos.

- Amigos, não sei se isso acontece com vocês, mas quando uma garota me pede pra fechar os olhos, é como se eu libertasse o Hulk dentro da minha calça. Só consigo pensar em putaria. E, naquela noite, eu não estava enganado.

- A Marcella veio e começou a me beijar. E que beijo foda. Dois três beijos que dei em toda a minha vida, aquele com certeza era o melhor de todos. Mas, enquanto ela passava a língua pela minha boca, notei que a minha desceu subitamente pelas minhas pernas.

- Mandei um “Opa”, e a Karen disse pra relaxar.

- Não sei quantos de vocês aqui, e apenas suponho que nenhum, saiba a sensação de receber um “boquete”. Nem se compara a colocar água morna na latinha de Pringles e colocar no pinto. A latinha não tem o principal: língua.

- Cara, você tá de onda. Seu mentirosinho de merda.

- Tudo bem. Pode pensar o que quiser. Mas deixe-me continuar a história. Minhas pernas estavam tremendo, cara. Estava com medo de perder o equilíbrio ali e cair. Eu já estava tendo o melhor dia da minha vida e não queria estragar parecendo o perdedor de sempre. Afinal, vocês se lembram que eu fiquei com dor de barriga na festa da Fernanda quando a Alice quis ficar comigo, né? E que se não fosse o Fábio, eu não teria chegado a tempo no banheiro…

- Ali estava eu, ganhando um bola-gato da menina mais gostosa do acampamento enquanto a outra mais gostosa me beijava. A probabilidade de estragar tudo era enorme. Tão grande que fiquei parado.

- Nessa hora a Marcella pegou uma das minhas mãos e colocou por dentro da blusa dela. Sem sutiã.

- HAHAHAHAHAHHAHAHA CARA, VOCÊ É MUITO CRIATIVO. ONDE VOCÊ LEU ESSE CONTO? NO POMBA-LOCA?

- Shiu. Calado. A história não terminou.

- Run, Forrest. Run.

- Cara, pela primeira vez na vida eu estava com um seio na minha mão. Não chega nem perto da sensação de encostar o cotovelo no peito de uma garota na fila da merenda. Apertei. Foi a primeira coisa que fiz. Apertei. Confesso que fiz até um “fom-fom” mental.

- Calma, devagar. Foi o que a Marcella falou. Parei de apertar e só fiquei com a mão. Enquanto isso, no andar de baixo a Karen continuava a fazer o bola-gato. Caras, juro por Deus, e estou sendo muito errado quando faço esse juramento, mas eu tava vendo a hora que ia rechear a boca da garota.

- Mas, parece que elas andaram treinando outras coisas além do beijo e pouco antes de liberar uma porção caprichada de suco peniano ela parou.

- Eu só consegui dizer “pelo amor de Deus, continua. Não para. Por favor. Eu te imploro”. E ela disse:

- A gente vai ficar aqui por mais duas semanas. Ou você faz tudo hoje, ou aproveita esses dias.

- Tá bom, tá bom. Mas agora volta, por favor.

- Mas não adiantou. Naquela noite as garotas foram para o alojamento delas e eu tive que terminar a festa com minha melhor amiga.

- Cara, na moral. Para de mentir.

- Bom, como elas disseram. Aquele foi só o primeiro dia. E, posso dizer com toda a dignidade que me é permitida que tive duas semanas de punhetas, boquetes, mãos e bocas em seios, dedos em vaginas e – infelizmente – apenas um dia de sexo.

- Comeu porra nenhuma, cara. Cheio de goma*.

- Eu trouxe isso, já que vocês provavelmente iam duvidar…

Surpreendentemente, o cara tirou um par de calcinhas e uma foto em que as garotas estavam ao lado dele. Não tinha ninguém pelado na foto, mas a cara dos três dizia tudo o que precisávamos saber: transaram como se o Juízo Final estivesse próximo.

Naquele fatídico ano de 2002 soubemos que todas as vezes que chamávamos o nosso amigo de coroinha, carola e cordeirinho de Deus, foram apenas brincadeiras de criança perto de um cara que se tornou uma lenda no bairro.

Também descobrimos que os acampamentos cristãos são a melhor e única chance de se comer duas garotas com 16 anos de idade (a não ser que você estude em uma escola pública de bairro).

Daquele dia em diante, passamos a respeitar o nosso amigo como se fosse um professor. Claro que ele ainda agia como um apóstolo virgem em algumas ocasiões. Além disso, alguns dos outros garotos do bairro não acreditavam na história. Mas, quem era amigo, sabia que ele não estava mentindo. O cara era foda.

Depois disso, o número de garotos que começaram a fazer primeira comunhão e crisma na paróquia do bairro cresceu consideravelmente. Mas, se algum deles conseguiu façanha parecida, ninguém soube.

——
*Goma: gíria do bairro para “mentira, lorota”.

Posts Relacionados

Sono pesado by rafabarbosa

Amante Virtual by rafabarbosa

Quer verdura? by rafabarbosa

O malandro do inglês by rafabarbosa

Histórias de outros carnavais. by rafabarbosa

Continue Reading

Tags:

18 March 2011 ~ 2 Comments

Histórias que o povo conta

Esse vulto tá mais pra vagina...

O texto a seguir estava no rascunho desse blog há quase 3 anos. Como a falta de criatividade mandou lembranças, resolvi editá-lo, corrigindo os vários erros de português e publicá-lo mesmo assim. Não que seja algo interessante, mas fica aí o registro de um grande e… bem, de um momento da minha vida.

Era início de 2006 e em poucos dias eu viajaria pra Guarapari, uma cidadezinha litorânea de Minas Gerais (rsrs). Sem mais nem menos comecei a sonhar bastante com acidente de carro. Depois de um tempo eu realmente comecei a ficar preocupado, pois sonhava todos dias. Acidente, morte, carros destruídos. Sinistro mesmo.

Era sábado e eu viajaria na terça da semana seguinte, e como de costume, saí com os amigos. Barzinho, “zuera” e, finalmente, hora de ir embora. Naquela época, eu não tinha carteira de motorista e nenhum dos meus amigos. Então, obviamente, frequentávamos a região do bairro mesmo. Voltamos a pé mesmo, como era de costume.

Cheguei em casa, abri a porta normalmente e fui em direção ao meu quarto. Mas sabe quando você passa por uma porta e, institivamente resolve dar uma olhada? Olhei de relance na porta da cozinha e vi um vulto de um homem alto. Sabe quando você olha, vê alguma coisa e quando olha de novo já sumiu? Então. Foi isso.

Não liguei muito pra isso e fui dormir. De novo sonhei com acidente de carro. Alguma coisa me dizia pra não ir nessa viagem. Papo de me cagar de medo. Odeio viajar de carro, ônibus, qualquer coisa. Se pudesse seria tudo na base do teletransporte*.

O dia amanheceu como outro domingo qualquer. Meu pai foi jogar bola e eu e minha mãe ficamos em casa. Por volta de 13h da tarde meu pai liga e fala:

- Avisa pra sua mãe que eu bati o carro aqui em frente a pizzaria.

Pronto, me borrei. Sonho com a parada o mês inteiro, vejo a porra de um vulto e meu pai bate o carro. Em uma linguagem mais popular, fodeu! A primeira coisa que veio a minha mente foi “Premonição 1 e 2″.

Enquanto pensava sobre o assunto, fui até a cozinha conversar com a minha mãe sobre a batida. Durante o bate-papo ela me solta:

- Nossa, eu sabia que alguma coisa ruim ia acontecer. Ontem eu vi um vulto de um homem aqui na cozinha.

Novamente, fodeu! Minha mãe viu o vulto, eu vi o vulto, meu pai bateu o carro. Vai todo mundo morrer, só pode!

O carro ficou destruído. Tá, exagerei um pouco. Não foi perda total, mas ficaria no mínimo uns dias na oficina. O capô foi todo  amassado. Entrou embaixo de uma caminhonete. Não aconteceu nada com meu pai, mas foi um sinal: Não vai pra Guarapari!

Acho que um sinal mais claro que esse, só se o “vulto” escrevesse nas paredes do meu apartamento. O que, convenhamos, me faria não ir para Guarapari nem para nenhum outro lugar do mundo que eu não pudesse ir a pé sem ter contato com qualquer tipo de veículo. Ou seja, só poderia ir na cozinha e banheiro.

Mas, mineiro quando quer ir a praia, não há quem segure.

Um amigo do meu pai lhe emprestou o carro, e na terça feira, zarpamos pra Guarapari, não que eu quisesse, mas eu era voto vencido nessa batalha. No meio do caminho, eu curtindo aquele sono gostoso, porém tenso, que só as estradas podem oferecer quando minha mãe me cutuca e fala:

- A lá Rafael, olha o acidente. O carro caiu no barranco, não deve ter sobrado ninguém.

Isso é tudo o que um cara extremamente paranóico com acidentes de carro precisa ouvir enquanto viaja dentro de um veículo a mais de 130 Km/h. Eu, tenso com a viagem, me cagando de medo, travado até o talo e a minha mãe vem me mostrar um acidente?

Isso é que é família!

Mas enfim, chegamos vivos. Estou aqui hoje postando essa história, que com certeza na época me fez ficar muito bolado! (hauhuahuahuahuahuuhahua “muito bolado”. Esse Rafa Barbosa de uns anos atrás não era fácil).

*(deixei essa parte do texto original só pra dizer que hoje eu adoro viajar de carro)

Fui!

Posts Relacionados

O grande assalto. by rafabarbosa

O manézão! by rafabarbosa

Mas foi tão real... by rafabarbosa

Amante Virtual by rafabarbosa

Minha primeira fossa amorosa by rafabarbosa

Continue Reading

20 April 2010 ~ 2 Comments

A casa caiu… e levantou poeira

Coisas fantásticas acontecem no meu dia a dia. Coisas que, se eu contar pessoalmente, as pessoas acham que eu estou mentindo. É como se eu vivesse numa dessas histórias non-sense que essa turminha nerd adora baixar na internet. O que não é verdade, pois, fora essas coisas, minha vida é até bem monótona.

Hoje foi um desses dias em que coisas incríveis acontecem. Mas, não são coisas incríveis no sentido legal da coisa. São coisas incríveis no sentido “alguém lá em cima tá de brincadeira comigo”.

Tinha um bom tempo que não conseguia estacionar o carro na parte “gratuita” da Savassi. Umas duas semanas, eu acho, onde tinha que revezar entre estacionar em um rotativo de 6 horas e gastar $5.20 com a folha, ou parar no Pátio Savassi em ultimo caso e gastar $8.00. De qualquer forma, eu tomava prejuízo.

Mas hoje, milagrosamente achei uma vaga e, sem pestanejar parei o carro. Uma baliza perfeita, diga-se de passagem. O carro milimetricamente parado entre outro carro e uma árvore. O exato espaço para abrir as portas sem encostar em um ou o outro. Perfeito.

Fui trabalhar como se não houvesse amanhã.

Dez horas depois, o resultado foi surpreendente. A sensação foi de que eu estive fora por uns 5 anos. Meu carro estava completamente empoeirado. Cada centímetro da sua linda lataria preta estava coberto por uma camada especa de poeira, quase areia. De onde surgiu? Eu não fazia a menor idéia, até olhar para o lado.

Em frente o local onde eu estacionei, simplesmente havia desaparecido a casa que estava lá de manhã.

Isso aí, amigo. Demoliram uma casa em frente o local onde eu estacionei o meu carro simplesmente pelo prazer de destruir e empoeirar o meu automóvel.

Acredito que essa tenha a sido a maior trollagem sofrida por esse blogueiro. E foi com estilo, pois demoliram uma casa para fazer a “brincadeira” comigo. Se alguém filmou a minha reação, não sei. Mas provavelmente alguém deve ter registrado esse momento.

Foi, de fato, a primeira vez que eu entendi a expressão “a casa caiu, mano”.

Posts Relacionados

A arte de traficar maconha by rafabarbosa

Rafael - O Alquimista by rafabarbosa

Amante Virtual by rafabarbosa

Histórias que o povo conta by rafabarbosa

O Dia que Jesus me traiu by rafabarbosa

Continue Reading

14 April 2010 ~ 5 Comments

Orgia alimentar

Alguém aqui já passou mal de tanto comer? Pois é, eu já e foi uma experiência horrível. É como se de uma hora pra outra, a melhor coisa do mundo começasse a me fazer mal. É deveras triste, pois.

Tudo começou dia desses quando resolvi fazer aquela parada estratégica na Companhia do Boi. Afinal, para um carnívoro, picanha é sempre uma ótima companhia. Mas esse não é o caso.

Estava eu e a Ohanna na ocasião. Optamos pela já tradicional picanha maturada e, como complemento resolvi pedir também peito de frango com catupiry. É a décima segunda maravilha do mundo, acredite.

Passado um tempinho, chegava o banquete. Fritas, farofa, vinagrete e arroz pra acompanhar essa deliciosa orgia alimentar, pois eu mereço o bom e o melhor. Começamos a comer.

Com toda a educação, garbo, elegância e sagacidade que me é peculiar comi aos poucos e começando pelas carnes, deixando os acompanhamentos para o final. Apenas para completar e dizer que não deixei sobrar nada.

Por incrível que pareça, eu terminei de comer e não estava naquele estado “jibóia”. O estado jibóia é quando você come demais e não consegue fazer outra coisa a não ser ficar parado no lugar por 3 ou 4 dias esperando a comida ser digerida. Eu ainda agüentava um gole de Pepsi (infelizmente não havia Coca-Cola).

Lentamente levei o copo até a minha boca e tomei um gole mínimo de Pepsi.

Acredito eu, que a sensação que tive foi similar a do inventor da bomba H. Sabe, quando o cara despeja aquele ingrediente secreto que faz toda aquela explosão sair maneira do jeito que é? Pois é. Quando tomei o gole de Pepsi, foi como se detonasse uma bomba H no meu estômago e a única coisa que me ocorreu foi chegar ao banheiro mais próximo e no menor tempo possível.

Não sei explicar por qual motivo, razão ou circunstância, aquele gole de refrigerante fez com que toda aquela comida ingerida com amor e carinho resolvesse sair do meu corpo da pior forma possível: pela boca.

Eu estava em pé, no banheiro da Companhia do Boi, com vontade de vomitar, mas sem querer fazer isso. Havia um impasse entre o meu cérebro e o meu corpo. Um queria botar tudo pra fora e o outro evitava isso a todo custo. Esse sou eu sendo patético em pleno restaurante.

Depois de alguns daqueles arrotos típicos do pré-vômito, consegui segurar a onda. Mas, eu andava três passos e a vontade voltava com tudo. Nessa brincadeira eu voltei três vezes ao banheiro, sem sucesso.

Por fim, resolvi encarar o enjôo e fui par o carro. O cinto de segurança, por mais que seja um item de segurança obrigatório, estava fora de questão naquele momento. O que eu menos precisava era ser “apertado”.

Manobrei o carro e, no primeiro movimento do volante, a vontade de vomitar veio incontrolável. Quem já foi na Companhia do Boi da Pampulha, sabe que o estacionamento é uma mini pista de rally. Ou seja, é feito de brita, terra e declive/aclive.

Até hoje não sei como, mas desci aquele pedaço de terra da mesma forma como eu ando no anel rodoviário. Rápido.

Virei o carro e parei imediatamente. Mais uma vez, o meu corpo impulsionava toda a comida esôfago acima, mas meu cérebro insistia em enviar os comandos necessários para o processo ser concluído com sucesso. O que eu agradecia profundamente, diga-se de passagem.

Resolvi que não adiantaria ficar ali parado esperando o vômito. Era como esperar uma garota que você conheceu no bate-papo da UOL. Você marca o encontro, mas no fundo sabe que a garota não vai aparecer. Esse sou eu sendo patético no meio da rua.

Resolvi ir pra casa. Puta sensação horrível dirigir com a iminente possibilidade de preencher todo o painel do seu carro com vômito. Pior ainda, pois no caso eu havia acabado de gastar em torno de uns 40 reais com comida. É praticamente jogar o investimento no lixo. Nesse caso, na privada ou na rua.

Passando um sufoco foda, finalmente consegui chegar em casa e vomitar com tranqüilidade no meu banheiro, sem me preocupar com quem está do lado de fora. Acontece que, nesse momento, o “destino” me pregou uma peça e ao invés de vomitar eu… bem, você sabe. A comida saiu pelo outro “pólo”.

Uma merda.

Essa foi a primeira vez que passei mal de tanto comer. Não é nada agradável. Não é legal. Não é correto. E eu também não fui esfomeado, porque eu terminei a refeição de forma tranqüila, só não lidei muito bem com aquele último gole de Pepsi. Acho que foi uma brincadeira de muito mal gosto do meu corpo dizendo: manera na comida, seu gordo.

Sem senso de humor. Diz aí.

Posts Relacionados

Rafael, um lutador. by rafabarbosa

O Senhor das Moscas by rafabarbosa

Rafael - O Alquimista by rafabarbosa

Eu e o meu binóculo by rafabarbosa

Pé de valsa, ou quase isso. Parte 2 by rafabarbosa

Continue Reading

16 October 2009 ~ 6 Comments

Questão de atitude.

Tem que ter atitude, Yo?

Tem que ter atitude, Yo?

As mulheres são complicadas, mas você pode saber somente o básico pra se dar bem em algumas situações. Além da comodidade financeira e auto-locomotiva, as mulheres também admiram (sexualmente) caras que tem a famosa atitude.

Se você é do tipo que fica esquentando, esquentando e preparando, saiba que o primeiro malandro que chegar com uma mordidinha na orelha enquanto lança uma cantada mais sagaz vai levar a sua mina. E você vai ficar chupando dedo enquanto chora com seus amigos no MSN.

Os problemas de atitude masculina ocorrem, em grande parte, durante a adolescência. Você ainda não tem a intimidade necessária com o sexo oposto e acaba dando aqueles vacilos que só a puberdade consegue proporcionar.

Certa vez, eu devia ter os meus 16 anos, por aí, mudou-se uma nova garota para o prédio. Veja bem: estamos falando de um prédio onde a maioria das pessoas da minha idade eram do sexo masculino, aliás, todos eram homens. De todas as garotas que moravam ou moraram lá, todo mundo pegou pelo menos uma vez (menos os irmãos Tampa). Quando mudava uma novata, a turma ficava agitada e doida pra inaugurar a moça. Não necessariamente no sentido sexual.

O nome dela era Giselle. Três anos mais nova do que eu, ou seja, estava com os seus 13 anos de idade, mas bem desenvolvida (aquela doce fase onde as garotas começam a se interessar pelos garotos). Ou seja, seios, e isso, aos 16 anos de idade é um ótimo atrativo. Obviamente cada garoto começou a se mostrar para a novata. Cada um exibindo o que tinha de melhor. Porém, o que ninguém imaginava era que a moça daria mole para o maior bocó do prédio, o Tiago, mais conhecido como o Tampa mais velho.

Teoricamente, o cara não tinha atrativo nenhum. Era magrelo (na época eu era fortinho, tinha até abdomem parcialmente definido e era skatista malandro), completamente bobo e provavelmente virgem.

As vezes a Giselle curtia esse tipo de coisa, não sei. Mas o fato é que a menina cansou de oferecer oportunidades para o rapaz pegá-la de jeito.

Em uma das situações, a moça provou toda a crueldade peculiar ao sexo feminino e se fechou na portaria pelo lado de dentro e com o Tiago do lado de fora disse:

Você só entra aqui se me der um beijo.

Caras, o Tiago era só um ano mais novo do que eu. Porém o rapaz agiu como um recém nascido e inacreditavelmente beijou a Giselle. Com a boca na porcaria do vidro da portaria. Tipo, que merda foi aquela? A menina continuou provocando e o idiota resolveu dar as costas e sair.

A Giselle, claro, não perdeu a oportunidade e deu aquela zoada chamando o cara de frouxo. Frouxo, cara. Qualquer homem em uma situação como essa pegaria a garota pelo cabelo, daria um beijo bruto e dois tapinhas na caracomo quem diz “Who’s your daddy, bitch”? Mas ele não fez nada.

Como nesse meio tempo eu havia me tornado mais próximo dela (era vizinha de porta), acabei por começar a ir pra cima da garota. Mas nem cheguei a ficar com ela. Depois de um tempo comecei a achá-la um pouco infantil. Pois é, eu estava me tornando um jovem adulto.

Por muito tempo continuou nessa mesma história. A garota visivelmente afim de experimentar os dotes eróticos do Tiago e ele sempre inventando uma desculpa esfarrapada.

Era deprimente a falta de “atitude” do cara.

Se possuísse um mínimo de atitude, não perderia tempo e na primeira oportunidade investiria todo o seu “charme” com a garota. Ou as vezes isso também não daria certo. Vai que a Giselle só queria curtir com a cara do babacão. Conheço muitas assim.

O fato é que homem precisa ter atitude. Mulheres que preferem os tímidos e que vão pra cima são minoria. Se ela vai pra cima, espera pelo menos alguma reação do cara para o que ato se complete. Se você não tem isso, colega, sinto muito, mas você é um fracassado.

Posts Relacionados

Obras, obras e mais obras by rafabarbosa

Orgia alimentar by rafabarbosa

Bóston by rafabarbosa

Que nota você dá? by rafabarbosa

É o capeta em forma de guri by rafabarbosa

Continue Reading

10 September 2009 ~ 7 Comments

Histórias de outros carnavais.

Essa história se passa no carnaval de 2007, exatos sete meses antes de conhecer a minha namorada. Naquela época, obviamente, eu era um cara solteiro que de acordo com aquele grande hit do funk carioca estava na pista pra negócio.

Cidade pequena é um verdadeiro paraíso para caras da capital. As garotas estão ali, fartas de andar com os mesmos rapazes sem graça e monótonos de sempre e o carnaval vem pra limpar a alma dessas pobres moças entediadas. E dos rapazes da capital também, que podem fazer a festa sem se preocupar em ligar no dia seguinte ou marcar um cineminha. É só passar o MSN e amaciar durante o ano pra garantir a diversão do carnaval seguinte.

Urrú! É carna, risosrisos

Urrú! É carna, risosrisos

Voltando.

Solteiro, bem sucedido, bonito e com um charme irresistível, logo no segundo dia de carnaval já me arranjei com uma garota de lá. Por incrível que pareça, a menina era amiga de uma amiga minha da cidade (que eu já conhecia há mais tempo) e de tanto essa minha amiga falar de mim, a garota acabou me adicionando no Orkut. Isso ainda no ano de 2006. Não dei muita idéia até porque, você sabe, não é bom dar muita moral pra menina assim. Enfim.

Eu destilando toda a minha excentricidade pelo interior de Minas Gerais.

Eu destilando toda a minha excentricidade pelo interior de Minas Gerais.

O Thalles, meu amigo que tem parentes em Raul Soares e garantia a diversão carnavalesca da galera acabou conhecendo a garota um tempinho antes do carnaval e deu aquela sondada: era só eu chegar.

Então, com o aval do parceiro e em ritmo de festa, fui só esperando o momento certo. Pra dizer a verdade, a coisa mais difícil que existe é eu chegar em alguma garota. Somente em casos extremos, o que acarreta foras históricos que um dia ainda irei contar aqui no blog.

Para dar um clima um pouco mais romântico, a luz da cidade acabou e carnaval sem luz é o mesmo que, não sei, não consegui pensar em nada pra comparar, mas o fato é que sem luz, tudo escuro, a coisa começava a ficar interessante.

Sentados na porta da casa da avó do Thalles, tirei uma Ice Kiss do bolso, coloquei na boca com todo aquele charme que só eu consigo fazer a lancei a clássica cantada do “aceita uma bala”?

Obviamente a garota disse não. Mas, definitivamente eu estava cagando se pegaria ela ou não, mas a sorte naquele dia resolveu brilhar pra mim. A garota vira pouco tempo depois com uma carinha de cachorro pidão e fala “Nossa, se arrependimento matasse…

Foi só correr pro abraço.

A história poderia terminar aqui. Final feliz. Me dei bem e garanti uma companhia para o resto do carnaval. Mas quando o assunto é Rafa Barbosa, as coisas nunca saem como o esperado.

Vale aqui uma explicação a respeito da cultura local de cidades do interior. É um costume típico das garotas dessas cidades-pólo carnavalescas terminar o namoro as vésperas do carnaval a fim de fazerem a limpa na carne fresca que chega à cidade sem ficar com a consciência pesada após a folia.

É praticamente um acordo entre ambas as partes. Imagine esse “tempo” como um altas, aquela pausa das brincadeiras de pega-pega (sem trocadilho). Ambos podem pegar geral sem se preocupar com o que a(o) ex-futura(o) namorada(o) está fazendo. Um costume estranho, diga-se de passagem.

Como a garota era nativa, ela havia terminado o namoro pouco antes do carnaval. Nos primeiros minutos de conversa rolou aquele papo de “terminei agora, quero curtir e blah blah blah”. Na minha cabeça só passava uma coisa: “cala a boca, beija e boa noite”.

No outro dia teria a passagem do Trio Elétrico do grande Luciano Olimpo, um artista da região famoso pelo seu molejo, requebrado e malemolência. Um cara consagrado de outros carnavais. Era praticamente o ápice do carnaval Raulsoarense.

Por uma “incrível” coincidência o namorado da garota era um dos dançarinos do trio elétrico.

Obviamente ele era mais forte, mais definido, mais magro e mais “popular” do que eu na cidade e, de acordo com o manual básico da mente feminina, mulher odeia competição. Pior ainda: mulher odeia que as demais fêmeas da manada cobicem o macho com o qual ela mantinha relações.

Estava declarado mais um fail na minha vida. A garota teve uma crise de consciência pesada e resolveu repensar o término do namoro bem quando eu, o malandrão, achava que tinha me dado bem.

Isso não foi nem de longe um relacionamento, mas a menina teve todo o trabalho de romper a nossa relação com um singelo:

“Desculpa, mas eu acho que ainda gosto dele. Foi mal mesmo, Rafinha”.


Obviamente eu caguei pra esse fora e fui procurar a próxima, mas como disse nos parágrafos acima, não costumo chegar em garotas com tanta facilidade assim.

Resumindo, passei o resto do carnaval tomando Coca-Cola, indo na Lan-House e jogando baralho com o Thalles. A diversão sadia da família brasileira.

Mas ai veio Setembro, conheci a Ohanna e em Outubro comecei a namorar a garota mais linda do mundo! ;)

Posts Relacionados

Orgia alimentar by rafabarbosa

Amante Virtual by rafabarbosa

Um fim de semana estranho by rafabarbosa

Micaretas não valem a pena by rafabarbosa

Bóston by rafabarbosa

Continue Reading

31 August 2009 ~ 6 Comments

Uma noite alucinante!

Vocês se lembram da garota que copia os depoimentos e scraps que envio para a minha namorada para mandar para o namorado dela? (Clique aqui e aqui se não conhece a história)

O que eu citei apenas superficialmente é que eu estava ficando com ela basicamente um pouco antes de conhecer a minha namorada e, quando conheci a primeira dama, simplesmente parei de falar com a garota. Mas não é sobre isso que vou falar. É sobre a aventura medonha que foi encontrar com essa garota pela primeira vez.

Tudo começou quando ela respondeu que “me pegava” em um daqueles tópicos de comunidades do Orkut.  (Leia a frase anterior de novo. Sacou o nível da parada? Continuemos). Bonitinho, sensual e bem sucedido, sou um prato feito pra qualquer garota, mas já sou comprometido, felizmente.

Malandro adepto da escola Oliver de sedução que sou, logo me engravei com a garota,respondendo que também a pegava e já partindo pra troca de MSN’s e toda essa burocracia digital pós-Orkut.

Conversa vai, conversa vem, masco ela pra cá, masco ela pra lá e a garota me chama pra festa junina da escola dela, que por coincidência era outra unidade do colégio que eu havia me formado.

Em meio ao convite, a copiadora de scraps resolve bater uma aposta comigo. Ela apostou que eu não iria a festa. Obviamente, a brecha foi aberta e já lancei a clássica “o que eu ganho se eu for?” A resposta era uma só. heh6cg

Aposta selada, casada no chão,  parti para a aventura.

Pra começar, estamos falando do bairro Minas Caixa, que fica após o bairro Venda Nova, que para quem não conhece é, digamos, um distrito dentro de Belo Horizonte. Além daquele pedaço, todo o restante é considerado “barra pesada” pelos demais moradores de bom senso da capital mineira.

New Sale em vermelho.

New Sale em vermelho.

Uma pequena pausa narrativa:

Homem nessas horas é uma merda, pois acaba pensando com as bolas ao invés do cérebro e acaba se metendo em “altas confusões”. Ignorando completamente o meu sentido aranha que insistia em me dizer “é furada, amigo”, resolvi comparecer ao local.

Voltamos.

Não fazia a menor idéia de onde era a escola da garota e tive que apelar pra uma das coisas que mais odeio: pedir para o trocador do ônibus me avisar quando deveria descer.

Geralmente o trocador ignora a sua presença e só te avisa que o ponto passou uns 5km depois do local desejado. Mas, por sorte, esse trocador era legal e me mostrou o lugar certo.

Infelizmente aquele era o lugar certo.

Apesar de o colégio ser militar, era um lugar, no mínimo, nefasto. Estava rodeado pela famosa raça dos “abas retas”, que são nada menos do que aqueles garotos da periferia que utilizam os seus bonés com as abas devidamente retas e, por si só, já infligem um alto grau de medo em rapazes da área nobre como eu.

Vida Loka é nois. LOL!!!111 rsrrsrrssr

Vida Loka é nois. LOL!!!111 rsrrsrrssr

Passado o cagaço, vamos em frente. O show de horrores tinha que continuar.

O colégio não poderia ser diferente. A turma que estava na rua, migrou em peso para o ambiente da festa e minhas esperanças de sair vivo daquele local diminuíam a cada minuto.

Veja bem, eu sou o tipo de cara tem estampado na cara “burguesinho de merda”. Não é pelas roupas ou por algo que eu esbanje, mas é o modo como eu me comporto. Não me visto com quase nada de marca. O problema é que na época eu estava numa fase meio, astro do rock juvenil. E astro do rock juvenil não combina com o bonde do baile funk.

Sabe aquela cena do baile funk em tropa de elite, antes dos aspiras sentarem o dedo em todo mundo? Então, o local estava basicamente daquele jeito. E era uma festa junina, hein?

Uma rodada de suco pra galera! A moçada bonita de Venda Nova.

Uma rodada de suco pra galera! A moçada bonita de Venda Nova.

Resumindo a estadia na festa, sobrevivi e chegou a hora de ir embora.

Eu não tinha mais do que R$ 10 no bolso, afinal, isso dava e sobrava pra pagar a minha passagem de ônibus. O que ninguém me avisou era que o ônibus que ia direto de lá e passava pelo meu bairro, parava de circular após as 22h. Isso já era quase 23h.

Estava o Rafael em um local deserto, cheio de perigos e completamente sozinho esperando o primeiro ônibus random que passasse por ali. Todos convergiam para o mesmo lugar e eu poderia pegar outro de lá pra minha casa.

Acontece que os ônibus simplesmente não passavam por ali. Acho que era toque de recolher ou algo do tipo. A quantidade de ônibus era inversamente proporcional à quantidade de caras suspeitos que passavam me encarando e me olhando de cima a baixo.

Uma certa compressão anal começou a se fazer presente.

Após mais de meia hora esperando um ônibus e nada. O primeiro Taxi que passou – era um táxi mesmo, cara! – chamei. Para a minha sorte, o motorista era legal e não pensou que eu iria assaltá-lo. Provavelmente porque eu era único cara vestido “como gente” naquele lugar.

Entrei no táxi e desembolei o seguinte diálogo:

- Cara, eu tenho R$ 10. Até onde você pode me levar com isso?

- Você precisa ir pra onde, chefe?

- Eu tenho que ir para o bairro X.

- Vishe colega, por dez barão nem rola.

- E na estação Venda Nova, dá pra me deixar?

- Aí sim. Bora.

Abençoado seja aquele motorista cujo nome, infelizmente, não me lembro. Salvou uma pobre alma aquele dia.

Infelizmente não era o Antônio Alves, Taxista.

Infelizmente não era o Antônio Alves, Taxista.

Chegando à estação ainda tive que esperar mais alguns minutos até o próximo ônibus sair. Eu já não agüentava mais ficar naquele bairro. Sinto calafrios só de pensar nos momentos em que passei ali.

Me chame de fresco. Prefiro dizer que é auto-preservação.

Naquele dia jurei que não voltaria mais lá e os próximos encontros que tive com a garota sempre foram em lugares públicos, como shoppings e etc. Afinal, ali pelo menos tinha segurança.

Depois ainda nego vem me perguntar por que parei de falar com ela quando conheci a minha namorada. Francamente.

Segurança em primeiro lugar. Sempre.

PS.: Te amo Ohanna!

Continue Reading

22 July 2009 ~ 4 Comments

O trocador galã.

A figura do trocador. hehe

A figura do trocador. hehe

Eu admiro a figura do trocador de ônibus. Haja saco e paciência para ficar sentado, tipo, 8 horas por dia recebendo dinheiro e escutando merda dos outros. É uma profissão que merece respeito.

Existem vários tipos de trocador de ônibus. Vou citar alguns deles antes de prosseguir com a minha história.

O gente fina

Esse é geralmente aquele trocador que te recebe com um sorrisão no rosto, te dá bom dia, comenta sobre o jogo da noite passa e se oferece para colocar a sua mochila no cantinho que existe entre o banco da frente e a cadeira dele. É um sujeito legal.

Esse daí parece ser um cara legal.

Esse daí parece ser um cara legal.

O sério

É o cara que cumpre a sua função sem dar muita importância para o azul do céu ou o aroma de leite de rosas da moça que subiu na sua frente. Ele recebe a grana, te dá o troco e parte para o próximo passageiro. Simples assim.

O filho da puta

Em toda profissão existe o filho da puta. Não existe definição melhor para as atitudes do cara a não ser a filhadaputisse de raiz, a filhadaputisse moleque, de várzea. Nos coletivos urbanos não poderia ser diferente.

O cara já te recebe com má vontade, fala merda se você dá R$ 5,00 quando a passagem é R$ 2,30 e fica resmungando o caminho inteiro sobre o quão filho da puta foi o passageiro que deu uma nota de R$ 20.

Enfim, é um cara normal.

A mão diz tudo. Oiducu!

A mão diz tudo. Oiducu!

Ontem enquanto voltava do trabalho tive o prazer de descobrir mais uma categoria de trocadores. Por enquanto ele foi o primeiro, mas acredito que essa fauna é ainda mais diversificada do que eu imagino.

O Trocador Galã.

Olhar de sedutor, postura impecável, vestuário mais bem elaborado que o dos demais. A cantada certa para todo tipo de mulher que gira a roleta. Meia hora sentado perto desse trocador e você sai do ônibus com um repertório gigante de cantadas ou, no mínimo, com a barriga doendo de tanto rir.

Sério. Peça rara.

Olha o tamanho do pandeiro da morena!

Olha o tamanho do pandeiro da morena!

Sentei no primeiro banco do lado oposto ao do trocador, de frente para quem passa pela roleta. Estava de camarote, podemos dizer. Não demorou muito, logo depois que me sentei o moço já colocou as suas asinhas de fora.

Entrou uma garota até bonita, um pouco mais velha do que eu, com uma tatuagem de estrela no pulso. Sem perder tempo o nosso Don Juan do asfalto me lança:

- Essa estrela combina com você. É linda.

Com a maior cara de What the fuck possível, a moça respondeu:

- Obrigada. Visivelmente impressionada com as habilidades seducionais do “agente de bordo”.

Além de galã, o cara era seletivo. Não cantava qualquer uma. Atacava as presas mais propicias a cair na sua graça.

A segunda vítima foi uma funcionária de alguma loja da Oi. A moça em questão entrou no ônibus com fones de ouvido, pagou a passagem e o trocador fez a sua mágica.

Não consegui entender muito bem o que ele disse, mas questão de alguns segundos depois, ele já compartilhava dos fones de ouvido da moça e ostentava um sorriso campeão na face.

Depois disso não me recordo de muita coisa porque apaguei. Tenho esse fraco. É sentar no ônibus e o sono vem incontrolável.

Para a minha sorte, tive a chance de observar como um verdadeiro pegador age nos ambientes mais inóspitos possíveis para a paquera. Uma verdadeira aula essa do trocador.

Update:

Siga O Trocador no Twitter.

Continue Reading

15 June 2009 ~ 6 Comments

O Dia que Jesus me traiu

Ele devia ser mais descolado do que eu

Jesus pode ter feito um cego enxergar, um aleijado andar e ter ressuscitado depois de alguns dias, mas, para mim, ele reservou algo muito mais irônico e humilhante. Jesus pode ter sido legal para você, mas comigo, ele apenas se divertiu rindo da minha cara. Vou contar para vocês um pouco dessa minha experiência com “Jesus”.

No final de 2005, eu estava de rolo com uma garota da minha rua. Estava curtindo demais ficar com ela e, quem sabe talvez, dar um passo adiante na “relação”. O Reveillon estava próximo e nesse ano eu passaria na casa da minha tia. Uma coisa mais família. A garota, por outro lado, resolveu passar em um clube tradicional aqui de Belo Horizonte.

Nesse momento, enquanto observava atentamente o desenrolar dessa história, o “criador” resolveu brincar um pouquinho com a cara desse blogueiro. E devo admitir, ele tem estilo.

Enquanto eu estava na casa da minha tia comendo pernil, tomando Coca-Cola e assistindo ao show da virada, a minha “peguete” estava lá no clube. Deu meia-noite e eu tentei ligar. Mas réveillon, após a meia-noite, é praticamente impossível conseguir completar uma chamada via celular. Logo, deixei para depois. Fui para a cobertura da titia e vi “de camarote” os fogos da lagoa da Pampulha.

Curiosamente, minha testa começava a demonstrar um pequeno sinal de coceira e minha cabeça pesava. Era hora de dormir, acreditei inocentemente.

Volta para “O Criador”. Sentado confortavelmente em sua cadeira de mogno e sucupira, nossa divindade bancando o Woody Allen celeste, escreve mais algumas páginas da comédia romântica que foi o meu ano de 2006.

Acordei no dia primeiro ainda com a cabeça pesada. Acordei bem tarde, pra ser sincero. Como de costume fui logo entrando na Internet pra falar com a “peguete” e deixar um scrap de feliz ano novo.

Nesse momento, alguém ri descontroladamente em algum lugar do universo.

Chegando à página de recados da garota, me deparei com um scrap mais ou menos assim de um gordinho qualquer: “O Orkut do “Jesim” é esse aqui: link”.

Alguém diz “LOL” em algum lugar do universo.

Tomado pela curiosidade mórbida querendo saber quem diabos é “Jesim”, cliquei no link deixado pelo gordinho e fui averiguar.

Na boa. Pode me zoar, fazer pegadinha comigo e tal. Eu não vou apelar. Você pode ser a pessoa mais irônica do mundo e eu vou entender. Mas Deus, com toda a sua sutileza tem um humor mais apurado e non-sense do que os ingleses em toda a sua infinita existência. Eu realmente não vou ligar, mas o que vocês lerão a seguir foi o maior Owned que eu já levei em toda a minha vida. Eu fiquei a ponto de fazer terapia por conta dessa “pegadinha”. Custei a superar.

Então, voltando ao Orkut. Cheguei no perfil do tal “Jesim”. Logo de cara já me deparo com o nome verdadeiro do sujeito: Jesus Salvador. Achando que eu era engraçado, disse um “amém” quando li e cliquei no link de recados.

O primeiro recado era da minha “peguete” e no melhor português que a Internet pode oferecer, li em letras garrafais e com uma cara de cu sem igual:

“Oi, lembra de mim? A gente ficou lá no clube. Te add. Beijos :*”

CARALHOPUTAQUEOPARIUAMINAMETRAIU!

Se não fosse humilhante demais ser traído em pleno réveillon, a menina ainda teve a ousadia de me trair com um cara chamado JESUS SALVADOR! Sério. Qual a probabilidade de uma família batizar alguém de Jesus Salvador e o cara resolver pegar justamente a menina que eu estava ficando?

Jesus Salvador? Eu não estava acreditando naquilo. E realmente não acreditei por muito tempo. Sei lá, se a menina tivesse me traído com Abraão, Salim, José, Moisés ou qualquer outro dos 12 apóstolos eu ainda entenderia. Mas com Jesus?

Deus deve ter um humor realmente non-sense.

O que eu poderia fazer? Era o filho do cara.

Posts Relacionados

Açougueiros by rafabarbosa

Rafael - O Alquimista by rafabarbosa

Um fim de semana estranho by rafabarbosa

Micaretas não valem a pena by rafabarbosa

Lendas lendárias! by rafabarbosa

Continue Reading

09 June 2009 ~ 1 Comment

American Pie: A Faculdade

american_pie

Hoje estava conversando com os caras da faculdade sobre o fracasso que foi a minha vida sexual durante o curso. Mas isso não vem ao caso. O que vou tratar nesse post foi um fato ocorrido no meu primeiro mês de faculdade. Algo que até então eu só tinha visto em comédias adolescentes. Sendo mais específico: algo que eu só tinha visto acontecer nos filmes American Pie.

Não vou citar nomes, apenas acompanhem.

Primeiro período de faculdade você sabe como é: todo mundo querendo se conhecer melhor, pegar as mais gatinhas da sala, fazer amizade com os caras populares e etc. Nada melhor do que uma festinha para permitir essa confraternização entre os calouros.

Logo, um dos alunos ofereceu a sua casa para a primeira festa. Tudo combinado, dinheiro coletado e festinha marcada. Era hora da diversão.

Obviamente, como eu disse no início do texto, a minha vida sexual durante a faculdade foi um fracasso completo. Não é difícil imaginar que eu não fui a essa festa e os relatos a seguir foram feitos por todos os alunos da sala. A chance de serem verdadeiros são enoooooormes.

Dizem as más línguas que a mãe do dono da casa era bem pra frente. Em um primeiro momento, diziam ser mais uma mamãe descolada, que curte conhecer os amigos do filho, fazer uma média e participar da bagunça. Normal. Até porque, se não me engano, o cara é filho único e morava só com ela.

Porém, contudo, entretanto e, todavia, essa senhora acabou sendo “descolada” demais a ponto de pegar outro cara da sala. Poxa, pegar tudo bem, ta tranqüilo, o moleque supera. Mas a pegação não parou por aí. A mãe do nosso, vamos chamá-lo de Stifler, levou o garotão pro quarto e partiu para o ataque.

-Q
-Q

Dizem que o rapaz só saiu do ninho de amor ao final da festa.

Os primeiros dias foram repletos de risinhos abafados e olhares tortos pela sala. Mas ninguém ousou chegar para o garoto e falar:

- E aí colega. Já pediu a benção para o seu papai hoje?

RÁ!

Depois desse episódio, o garoto nunca mais realizou festas em sua casa. Enfim. Depois desse episódio a minha sala não teve nenhuma outra festa. O que só corrobora o fracasso que foi a minha vida sexual-acadêmica.

Hehe
Hehe

Posts Relacionados

Rivalidade by rafabarbosa

O dia que (quase) amputei a mão do meu vizinho by rafabarbosa

Obras, obras e mais obras by rafabarbosa

O malandro do inglês by rafabarbosa

Histórias que o povo conta by rafabarbosa

Continue Reading