De cara nova

06/06/2013 at 02:47

Daqui a exatamente uma semana o meu blog completa 7 anos de vida. É muito tempo se você parar pra pensar. To nessa blogosfera há mais tempo que muita gente por aí. E pode acreditar quando digo que não é fácil manter um blog por todo esse tempo, ainda mais um blog autoral.

E você não leu errado lá em cima. O nome dele é esse mesmo “Sem título ainda…”, com as reticências. Não vejo o menor motivo para dar um nome melhor que esse. Afinal, em sete anos eu mudei pra caramba e o blog também.

Começou com posts mal humorados sobre assuntos totalmente aleatórios, depois passou para algo na linha “olha o que eu achei pela internet”, por um longo e lucrativo tempo foi caça paraquedista até o momento em que percebi que ele deveria ser, assim como os primeiros blogs da história da internet, uma espécie de “diarinho”, ou simplesmente um lugar para escrever sobre a minha vida pacata.

E assim tem sido há pelo menos uns 3 ou 4 anos. E não pretendo mudar.

Esse ano percebi que precisava dar uma atualizada no layout dele. Não tava curtindo aquele visual de pré-primário (mesmo que eu ainda tenha a idade mental de 12 anos). A procura foi frustrante. Não conseguia encontrar nenhum tema que me agradasse. WordPress ficou moderno e lucrativo demais para os desenvolvedores criarem blogs para quem só quer contar as enrascadas em que se mete.

Mas nessa madrugada a procura acabou. Encontrei esse tema que você está apreciando agora e não pretendo me desfazer dele tão cedo.

Agora deixa eu voltar para o meu filme aqui pois nem deveria estar escrevendo esse post, já que não devo satisfação a nenhum de vocês, seus intrometidos.

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Eu odeio academia

19/03/2013 at 03:34

ryanreynoldsgordo

Daí que hoje o projeto Rafael o policial mais lindo de Belo Horizonte entrou em uma nova fase: a preparação física total. Até o momento eu estava me dedicando razoavelmente a essa parte, caminhando todos os dias e correndo de vez em quando. Encontrava uma barra e opa, vamos lá! Fazia três e me sentia o verdadeiro campeão da ginástica olímpica. Sobre os abdominais, nem falo, já que é a única coisa que eu realmente consigo fazer sem me sentir o pior ser humano do mundo, graças ao bom e velho jiu-jitsu.

Encontrei com um preparador físico para fazer todo o trabalho com foco (força e fé) e já no primeiro encontro ele me desanimou completamente ao me pedir pra realizar as barras da forma em que são pedidas no edital. Voltei a estaca zero, com o mesmo sentimento de derrota de alguns anos atrás.

O diagnóstico do preparador físico foi:

- Acho que você precisa fazer um reforço muscular.
- Tipo academia?
- É. Tipo academia.
- Ok =(

Se você me conhece bem, deve saber que eu odeio academia. Não me sinto confortável em um ambiente onde todas as pessoas são mais magras, mais fortes, mais bonitas e provavelmente mais sexualmente ativas do que eu. Não é recalque. É só ódio mesmo.

Não nasci para malhar. Meus músculos se atrofiaram no momento em que eu ganhei o meu primeiro vídeo-game e decidi que daquele dia em diante eu só teria pontos de força na ficha do meu paladino ou nos meus personagens de vídeo-game. E assim foi até essa fatídica segunda-feira de março.

Para começo de conversa, a avaliação física foi marcada às 7h50 da manhã. Nada como começar o dia sabendo que você tem a condição física de um zumbi apodrecido. Mas enfrentei esse momento como um verdadeiro lorde.

Se você nunca fez uma avaliação física para começar a ~malhar~, vou te contar como é: É HORRÍVEL!

Em primeiro lugar eles te pesam. Se bem que esse momento foi um dos melhores, já que voltei a ser um cidadão com peso abaixo dos 90kg. Ou seja, estou realmente deixando de ser gordo e recomendo a todos. É uma sensação muito agradável.

Depois disso, o avaliador ou a avaliadora tira absolutamente todas as suas medidas (exceto o tamanho do pênis, que no meu caso fica bem evidente pelo avantajado volume). Eles utilizam um equipamento desenvolvido na época da inquisição espanhola que consiste em uma espécie de alicate que aperta (e mede) todas as banhas do seu corpo.

É tipo isso

É tipo isso

Um beliscão no braço, um beliscão na perna, um beliscão na barriga (opa, a picanha já tá pronta pra corte) e em todos os lugares em que você tenha tecido adiposo. Depois, o avaliador vem com uma fita métrica e mede desde a circunferência do seu pescoço até a órbita abdominal.

É um tanto quanto constrangedor, já que em alguns momentos as mãos do profissional ficam bem próximas do órgão sexual. Eu não estou acostumado com toda essa proximidade de estranhos.

Por fim, a pior parte: avaliar o seu condicionamento físico e batimentos cardíacos/pressão arterial durante uma atividade.

Me colocaram para pedalar em uma bicicleta ergométrica saída de um desses filmes de ficção steampunk. Juro. Uma parada meio de metal com uns marcadores parecendo aqueles de válvulas e tudo o mais. Foi bem estranho.

Um pouco menos estilosa

Um pouco menos estilosa

Por 6 minutos tive que pedalar com uma determinada carga e manter uma velocidade constante determinada pelo avaliador. Lá vai o Rafael pedalar.

Confesso que foi bem tranquilo. Aparentemente não senti nada. Nem cansaço, nem dores nas pernas e muito menos fiquei com a respiração ofegante. Mas, tudo não passou de uma falsa impressão. Segundo o avaliador, meu condicionamento físico é horrível.

HORRÍVEL.

Meus batimentos cardíacos foram de 75 para 130 em menos de 1 minuto. Depois para 140. Eu não senti, mas pelo que ele explicou eu estive bem próximo de ter um alien saindo do meu peito. Não seria nada agradável.

Mas “passei” no teste. Estou apto a iniciar a academia, o que quer dizer que não irei morrer de repente ao tentar levantar 2,5kg no supino reto. O que já é um grande começo.

Agora, é ter que enfrentar todo o ambiente de uma academia de musculação, que convenhamos, é um dos mais constrangedores do mundo para quem não tem muito domínio das técnicas de convívio social.

Manterei os senhores informados do meu progresso. Mas só daqui uns dias, porque agora #partiu #academia #treino #wayprotein #maromba.

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Rafael – o matemático

21/02/2013 at 14:18

grande sucesso dos anos 2000

Eu nunca fui bom em matemática. Sempre odiei a matéria. Não sou um cara dos números. Me dou melhor com Português e suas milhares de regras. Também sou um grande amigo da História, que me apresentou Hitler, Getúlio Vargas, JK, os motivos das duas Guerras Mundiais e me mostrou tudo o que rolou no Brasil para que pudéssemos ter toda essa liberdade hoje em dia. Também gosto muito de redação, como você já deve ter percebido. Mas quando o assunto eram os números… Era birra mesmo.

Porém, estou me dando conta de uma coisa. Acho que nunca gostei de matemática porque simplesmente não via motivo para tanto. Fui aquele tipo de aluno que levava a matéria o ano inteiro com a barriga (que na época não existia – eu era magro). Só aprendia o que era extremamente necessário nos últimos meses pra passar de ano. E a estratégia deu certo, já que só tomei uma recuperação em matemática em toda a minha vida.

Mas aí chegamos em 2013 e na minha preparação para fazer a prova da Polícia Militar. No edital consta que serão 7 questões de matemática. E sendo completamente sincero com vocês, eu não estudo matemática desde o dia em que me formei no ensino médio, ou seja, no já distante ano de 2004. São 9 anos sem abrir um livro sequer com equações, inequações, frações e geometria analítica. É tempo demais.

Resolvi me matricular em um cursinho, já que se deixasse para estudar em casa, me conhecendo como ninguém, eu sabia que não venceria o cansaço e a preguiça, por mais que eu esteja completamente determinado a passar nessa prova.

Para a minha surpresa, não é que dessa vez eu estou aprendendo a matéria? Pode até ser que o motivo seja que eu já esteja mais velho, mais experiente, mais maduro e com um objetivo claro e definido, mas a questão é que eu posso afirmar com todas as letras:

EU AGORA SEI MATEMÁTICA BÁSICA DO ENSINO MÉDIO! CHUPA AQUI SUA OTÁRIA!

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Rafael – O Farinha

23/01/2013 at 23:56

Ser invisível em uma sala de aula não é algo fácil. Pratiquei essa milenar arte por 15 anos para atingir o nível de excelência que possuo hoje em dia.

No colégio e na faculdade eu era o aluno sem rosto, aquele que estava sempre com a cabeça baixa fazendo minhas coisas ou dormindo (no horário vago, que fique claro). As gatas não sabiam o meu nome e os meus professores se referiam a mim como “ah, aquele ali de trás, como é que chama mesmo”? Eu gostava. Evitava constrangimentos como ser chamado para ir ao quadro resolver exercícios ou ser chamado a atenção.

Depois que me formei na faculdade pensei que não entraria em uma sala de aula tão cedo. Porém, cá estou eu, frequentando as aulas de um cursinho preparatório a fim de me tornar um bonito, sensual e respeitável policial militar. Acho que esse “tempo” fora do ambiente estudantil afetou a minha incrível habilidade de ser invisível, pois hoje fui vítima de uma excelente trollagem do meu professor de Língua Portuguesa.

Eu sendo incrível na sala de aula

Já na primeira aula desse professor deu pra notar que ele é do tipo que gosta de fazer piadas com os alunos. Observei atentamente e felizmente consegui me manter invisível na maior parte do tempo. Documentei quem eram os alunos que ele mais interagia e me acomodei em um lugar completamente neutro na sala, misturando-me ao ambiente. De fora diriam que eu era parte da parede. Mas isso não passou batido pelo professor.

Hoje, enquanto percorria a sala entregando as folhas com propostas de redação, nosso adorado mestre chegou próximo a minha cadeira e fez a seguinte observação:

- Uai, você trabalha com farinha?

Como estava destreinado na arte de ser invisível, cometi o erro de olhar de volta e responder o que qualquer pessoa não iniciada na técnica diria:

- Eu não, por quê? – com uma risada meio abafada meio constrangida.

- Porque seu cabelo tá todo sujo de farinha.

Sem entender a piada de primeira, fiquei com aquela típica cara de paisagem, quando ele completou a “punch line” da anedota:

- Cabelo todo branco.

Aqueles 3 segundos que parecem 10 minutos antes de metade da sala explodir em risadas e comentários sobre o “Farinha”. De aluno invisível ao “aluno farinha” em questão de uma noite. Anos e anos de prática para ser invisível na sala de aula e falho logo em um momento como esses.

Nem entrei na PM e já sou conhecido como o Soldado Farinha.

Eu sendo zoado na sala de aula…

Acho que o universo está me dando sinais claros de que já não sou mais tão moleque quanto acredito. Primeiro foi a atendente do Detran dizendo que o tempo foi cruel comigo e agora o professor me chamando de Farinha.

Devo começar a me vestir e a me portar como o senhor de respeito que estou me tornando. Mas não abrirei mão dos cabelos brancos. Não sou do tipo que compraria Grecin 2000. Sou um cara que está à vontade com esse charmoso cabelo grisalho.

As mães das minas piram!

 

risos risos

Minha namorada invisível

21/01/2013 at 00:36

No longínquo ano de 2003 iniciei meu primeiro namorinho. Bom, pelo menos o primeiro pra valer, já que os de andar de mãozinha dada no primário não entram na minha conta. Mas esse não é o ponto.

A questão é que eu estava tão desacreditado no colégio, já que não pegava ninguém, que os meus amigos simplesmente duvidavam da veracidade do meu relacionamento.

Ao contrário do que se vê hoje em dia, não existiam redes sociais para você colocar “em um relacionamento sério com fulana”. Não existia o Instagram pra você postar fotos com a gata. Os celulares com câmera custavam quase o valor de um computador novo. Para piorar, era uma época em que as câmeras digitais estavam começando a ganhar força no Brasil, porém, os valores não eram nada acessíveis para um jovem garoto de 16 anos, desempregado e sem recursos próprios. E não estava nem perto do meu aniversário ou natal.

Ou seja: eu não tinha como “provar” para os meus amigos que eu estava namorando. Não que isso fosse uma obrigação, mas se você se acha um “troll” de internet, é porque não conheceu meus amigos de colégio: Cristiano, Rodrigo e Wallyson. Quando a trollagem era com outro, eu me incluía no grupo, mas nesse quesito “namorada”, eu era o mais trollado. Acho que até hoje sou, pelo visto.

Tornou-se uma tradição os caras entrarem na sala, me cumprimentar e simular um “oi, Bianca” (era o nome dela) e um beijinho em uma pessoa invisível. Meus amigos apelidaram minha namoradinha carinhosamente de “Gasparzinha”. Pois só eu conseguia enxergá-la.

Isso me deixou um tanto quanto irritado na época. Sem provas digitais para comprovar o meu recente relacionamento, me restava apenas aparecer em todas as fotos possíveis que a família dela tirava com uma câmera analógica qualquer.

O problema é que essas fotos nunca eram reveladas.

Isso me fez questionar se a minha namorada realmente existia. Passei a duvidar de mim mesmo. Quando nos encontrávamos, dava um jeito de passar perto dos meus amigos do prédio pra ver se eles a enxergavam também, até mesmo como uma questão de sanidade mental.

Tudo ficou um pouco mais tranquilo quando minha família a conheceu. Mas, é aquela coisa: quando um membro começa a ter problemas mentais, a família entra na onda para tentar ajudá-lo. Vai que os meus pais estavam entrando na minha fantasia só pra ver se eu superava aquilo?

Mas parece que ela realmente existiu. Dia desses procurei o nome dela no Facebook e descobri que já está noiva. E eu continuo aqui, escrevendo essas histórias no blog.

Não é de se espantar que as pessoas duvidem que eu tenha uma namorada.

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O tempo é cruel, mas a atendente do Detran é mais

27/12/2012 at 13:39

Carteira de motorista ideal

2012 foi um ano de renovação. Pelo menos da minha carteira de motorista, já que o resto do ano não teve nada de diferente que eu possa afirmar “wow, como a minha vida mudou, se renovou e agora está perfeita como um comercial de margarina”. Não, não rolou.

Falando sobre carteira de motorista, rolou um fato deveras constrangedor na época de renovar a minha habilitação.

Tirei minha primeira habilitação em 2008. Não tem tanto tempo assim. Claro que de lá pra cá eu ganhei alguns quilos, os cabelos ficaram mais brancos e deixei de lado o cabelo estilo colírio. Além disso, cultivei uma barba de respeito. Mas qualquer pessoa ainda conseguiria me identificar na foto de quatro anos atrás.

Então estou lá na clínica do Detran pra fazer os exames de renovação. Cheguei em um horário bom. Não tinha fila nem nada. Era só apresentar os documentos, o comprovante de pagamento, entrar em uma sala e realizar o exame. Simples e sem burocracia, mas as coisas nunca são tão simples quando se trata de mim.

Quando entreguei a carteira de motorista para a moça do guichê, ela olhou repetidamente da carteira para o meu rosto. Pensou um pouco e por fim disse:

- Você tem uma foto 3×4 recente?
- Não. Não sabia que precisava tirar outra.
- Mas você era muito novo nessa foto. Uma criança.
- Ah, obrigado! Eu sei que to conservado. Mas ela só tem 4 anos. Serve, não?
- Só tem 4 anos? Nossa, mas o tempo foi cruel demais com você de lá pra cá, hein?

É, amigo. Eu admiro muito a presença de espírito das pessoas que trabalham nos órgãos públicos brasileiros. Acredito que bom humor deve ser essencial quando você precisa lidar com pessoas que estão estressadas e odeiam toda a burocracia com as quais se veem envolvidas nesse tipo de situação. Confesso que fiquei sem palavras. De verdade.

- …
- Você pode tirar uma foto nova enquanto eu marco aqui o seu exame. Tem uma drogaria aqui pertinho que tira foto instantânea.
- …
- Posso te esperar depois do almoço?
- P-p-p-pode.

Raramente fico assim. Mas a moça foi tão ousada e tão espontânea que eu simplesmente não tinha nenhuma resposta pronta. Toda a minha sagacidade foi por água abaixo com esse comentário acerca da minha atual aparência.

Pois fique sabendo, dona mocinha do Detran, que até hoje tem gente que ainda acredita que eu tenho na faixa dos 21 anos. Acho que você estava apenas com inveja da minha aparência jovial e um leve toque de maturidade com os cabelos brancos.

De qualquer forma, fica aqui o registro do atrevimento dessa moça. Se eu me preocupasse com esse tipo de comentário, provavelmente faria um post muito mal criado em algum blog ou rede social para relatar o fato. Como estou bem comigo mesmo, deixarei isso pra lá.

Vocês podem conferir o quanto eu ainda estou lindo na foto abaixo:

Muito conservado

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Eu e a inesquecível chuva de calcinhas

25/10/2012 at 16:16

Um homem pode viver 100 anos e não ter nenhuma história ou experiência incrível para contar aos seus filhos. Felizmente, eu não serei esse cara, já que presenciei um fenômeno único em uma era onde estamos repletos de El Niños, La Niñas, Katrinas e outras manifestações climáticas no planeta Terra.

O ano era 2011 e eu estava curtindo uma deliciosa fase de home-office. Como possuía dinheiro e tempo livre, resolvi fazer uma visita ao meu grande amigo Super Wallace. Era um empreendimento que já estava planejando há algum tempo. Afinal, conheço o cara desde 2007 e em uma oportunidade anterior passei algumas poucas horas na casa dele. Dessa vez era pra valer.

Vale deixar claro aqui que eu acho o Rio de Janeiro o lugar mais foda do mundo. Tive, com certeza, alguns dos melhores dias naquela cidade. Não me pergunte motivos. É apenas algo que sinto. Penso que um dia irei morar nessa cidade e espero que não demore.

Continuando a história.

Após conhecer os encantos do bairro Cavalcanti, o amigo Wallace falou que me levaria para conhecer uma balada na região. Era o tão falado Via Olimpo. Já havia escutado histórias sobre o local e na minha cabeça era uma espécie de templo da putaria. Um lugar onde um mineiro acanhado como eu seria apresentado ao verdadeiro Rio de Janeiro, a cidade proibida.

O que estava pra vir era muito, muito maior do que isso.

Era chegado o grande momento. Como um bom turista, fui guiado pelos amigos rumo ao Olimpo. Para quem não manja de mitologia grega, o Monte Olimpo é conhecido por ser a morada dos deuses, e naquele dia, amigos, os Deuses estavam com o cu pegando fogo. A atração do dia era Mr. Catra e participação de Gaiola das Popozudas. A festa não poderia ter um nome mais apropriado: Guerra dos Sexos.

Mr. Catra Zeus e Gaiola de Atenas Popozuda

A dinâmica da festa era bem interessante: das 22h às 00h, era permitida apenas a entrada de mulheres com vodka liberada e apresentação de go-go boys. Uma mistura explosiva de álcool, feromônios e um estilo de música bastante convidativo.

Estava me sentindo em casa.

Quando a nossa entrada (verdadeiros machos-alfa) foi liberada, um mundo novo e cheio de oportunidades se abriu a minha frente. A estrutura da casa não era muito diferente de outros lugares aqui em Belo Horizonte: palco, pista, camarote e bar. A diferença é que o Via Olimpo é absurdamente maior que as boates daqui (não que eu conheça muitas). A chance de sucesso estava acima dos 80%. Algo até então jamais imaginado por mim.

A primeira e melhor impressão que tive foi: mulheres estavam literalmente saltando nos nossos respectivos colos. Acredito que foi o local em que peguei garotas de forma mais fácil em todos os meus 25 anos de existência.

Por uma triste e infeliz jogada do destino, o Wallace acabou abandonando a festa mais cedo, impedindo-o de compartilhar um dos grandes momentos da minha vida.

O pancadão comia solto e posso dizer que estava vivendo o sonho. Eu, que não manjo nada de funk e tenho o molejo de um poste de energia elétrica estava cantando e curtindo como se tivesse passado a vida toda nos bailes funks da Rocinha. Se bobear já até puxava um X ou outro nas palavras terminadas com S.

Tudo estava caminhando perfeitamente bem quando em determinado momento da “balada”, o DJ da casa solta a frase que daria início a um dos momentos mais inesquecíveis de toda a minha vida.

Luzes piscando, funk rolando, gatas (e não gatas) rebolando freneticamente até o chão. De repente, silêncio. O DJ avisa com seu microfone e uma amistosa empolgação na voz:

“Aí pessoal, só um minuto. Só um minuto da atenção de todos vocês. Agora no Olimpo está proibido usar calcinha”.

Essas palavras ecoaram por alguns segundos na minha cabeça. Eu ainda não tinha ideia do que estava prestes a presenciar.

Com a sincronia de um grupo bem treinado de golfinhos do Sea World, praticamente todas as mulheres que estavam no camarote, a uns 2 ou 3 metros acima, removeram as suas calcinhas e com todo o carinho e dedicação jogaram na pista.

Por um breve momento, eu, Rafael Barbosa, presenciei um evento único. Um evento de causas naturais (levemente influenciado pelo álcool e música safada). Vislumbrei uma CHUVA DE CALCINHAS.

Amigos, sério. Não há palavras para descrever a sensação daquele instante. Imagine um jovem e magricelo garotinho do norte da África presenciando o cair das primeiras gotas de chuva no outono.  A alegria, a felicidade. Tudo. Era mais ou menos assim que eu estava:

Ah, a chuva!

Por alguns poucos segundos, eu tive o prazer de sentir o mesmo que o nosso eterno e saudoso Wando em todos os anos dedicados à essa indústria vital que é o entretenimento.

Muitas pessoas pensarão pelo lado anti-higiênico da coisa e eu quero avisar logo que não cheirei ou guardei nenhuma das calcinhas envolvidas nesse grande espetáculo. Não sou tão pervertido assim, né?

Mas, do fundo do meu coração, posso dizer que foi uma experiência transformadora no que diz respeito às boas coisas da vida. Até hoje não vi ou passei por nada parecido com isso. E acredito que não verei. Eventos assim acontecem apenas algumas vezes em cada 100 anos (ou todo final de semana no Olimpo, mas eu não moro no RJ ainda). Felizmente, tive o prazer de estar no lugar certo e na hora certa.

Desse dia em diante, posso dizer que surgiu um novo Rafael. Com um pouco mais de desenvoltura com as gatas e ainda mais incrível do que quando pisou no Rio de Janeiro naquele início de 2011.

Chuva de calcinha num show do Wando

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Meu primeiro amor: Angélica

21/10/2012 at 22:42

Essa semana, enquanto realizava as minhas últimas cerimônias de despedida para Emmanuelle acabei me lembrando dos meus amores platônicos da televisão. Foram momentos de pura nostalgia e depressão. Gostaria de narrar um em particular.

Não sei dizer exatamente quando me apaixonei por aquela garotinha loira e animada que aparecia todos os dias pela manhã na televisão. Não, não era a Xuxa. Particularmente, nunca gostei muito da Xuxa (futuramente descobriria que se quisesse perder a virgindade mais cedo, ela era muito mais indicada). Estou falando do ser mais ~angelical~ que pisou na face da Terra. Por coincidência, seu nome era Angélica.

Com um toque angelical, essa garota simplesmente entrou na minha vida apresentando uma gama enorme de brincadeiras e roupas ridiculamente curtas. Se bem que naquela época eu não ligava muito pra roupas curtas. Apenas para brincadeiras e os desenhos que ela exibia em seu programa. De algum modo, me cativou e despertou no pequeno Rafael sentimentos que até então eram desconhecidos.

angelical touch

De uma hora pra outra resolvi que Angélica seria a minha namorada. Por mais que eu não fizesse a menor ideia do que o termo “namorada” significasse na prática. Mas posso dizer uma coisa, meus amigos: cheguei ao extremo de dar um selinho na televisão durante um close na moça. (Acredito que agora vocês entendem um pouco mais sobre a minha mente e tudo o que diz respeito aos meus relacionamentos).

O tempo passou (e eu não sofri calado) e minha paixão por Angélica apenas aumentava. Eu já devia estar com os meus quatro anos de idade quando a televisão anunciou que exibiria um filme dos Trapalhões com a presença da minha e apenas minha Angélica.

Por uma incrível coincidência, a banda mais incrível que já passou pelo planeta também estaria presente no filme: Polegar. Mas falarei sobre eles em outro momento. Hoje estou abrindo meu coração.

Enfim. Angélica estaria no filme e era tudo o que eu precisava saber naquele momento.

O grande dia havia chegado. Era dia de ver Angélica na TV de uma forma que até então não conhecia. O meu pequeno coraçãozinho bateu mais forte quando Tami apareceu em cena.

Aqueles longos e levemente encaracolados cabelos loiros, uma roupa extremamente descolada pra época e um óculos escuro que atestava o quanto aquela garota era “awesome” para os padrões do início dos anos 90. Era a coisa mais linda que já havia visto até aquele momento.

<3

Se eu pudesse descrever o sentimento, seria mais ou menos como a primeira picanha que um ex-gordo come depois de 95kg a menos e 3 anos de regime voltado apenas para saladas. Ou algo bem perto disso.

Infelizmente, a vida tem um jeitinho muito especial de nos mostrar que nem tudo é como a gente pensa. Um jeitinho muito escroto de despedaçar um coraçãozinho puro e inocente como o meu.

No filme existia um personagem chamado Carlão. Eu nunca tinha ouvido falar naquele cara. E de repente ele estava ali, dando em cima descaradamente da minha namorada. E o pior de tudo: ela estava cedendo aos encantos daquele pseudo-punk-rebelde que nem sabia tocar guitarra. E o detalhe mais ridículo: o cara usava camisetinha baby-look. Sério?

Obs.: Na época eu não sabia, mas o Carlão era interpretado pelo Supla. Daí o meu ódio inconsciente pelo cara durante a Casa dos Artistas.

Enquanto aquela tragédia se desenrolava na minha televisão Telefunken de, sei lá, 20 polegadas, eu só conseguia pensar em uma coisa: estou perdendo Angélica.

Nessas horas, sempre existe aquela falsa esperança de que tudo pode dar certo no final. No meu caso, foi durante uma partida de vôlei. Em uma breve discussão, Carlão acerta um cruzado de direita no lindo rostinho de Tami. Tomado pela fúria, soquei o braço do sofá e desejei apenas que aquele maldito fosse fatiado pela espada de Jiraya.

Pensei que estava tudo bem e ela continuaria a ser minha. Que aquele clima de amor entre os dois era apenas uma fase, comum quando estamos no colégio, e que passaria em breve.

Mas a vida, ah, a vida, sempre me fodendo…

Minutos antes da típica festinha do colégio, Carlão reaparece com seus galanteios baratos e falas decoradas (é roteiro, né?). O cara chega e joga na minha cara que sabe o segredo de Tami. Que ela gosta dele. E nesse momento, meus amigos, pude aprender da forma mais trágica possível que garotas podem ser muito cruéis. Minha Angélica corresponde à cantada com um sorrisinho e um número musical – Angelical Touch. Definitivamente, a barrinha de Life do nosso relacionamento já estava nas últimas.

Naquele momento em diante parei de prestar atenção no filme em si e me concentrei apenas nos movimentos de Carlão e em como a minha musa reagiria àquelas investidas.

Depois de uma confusão qualquer no colégio, para piorar ainda mais a minha situação, Carlão faz algo que é impossível competir: salva a vida de Tami. Veja bem, na minha cabeça de 4 anos de idade, não existia a distinção entre personagem/atriz. Pra mim, era a Angélica ali, apenas com um nome diferente.

É, amigos. Salvar a vida de uma garota é uma declaração de amor impossível de ser batida (risos).

Depois da confusão, Carlão e Tami vão acertar as contas.

Um último respiro de esperança. Após uma breve discussão entre os dois, pensei que ainda existia salvação. Porém, Carlão retorna ao auditório do colégio e com uma das cantadas mais fracas da história do mundo, arranca um sorriso da minha Angélica.

Os dois se aproximam, se olham e o cara simplesmente diz que não se importaria de namorar uma milionária. Com toda a audácia de um verdadeiro filho da puta, começa a beijar os dedos daquela que era minha até poucos segundos atrás e finalmente tocam os lábios.

O mundo parou. Um relacionamento lindo como o nosso, de quase 2 anos, jogado fora em uma projeção de menos de 100 minutos.

Angélica não me ligou. Angélica não me mandou uma carta. Angélica sequer me comunicou que estava terminando o nosso relacionamento. Angélica simplesmente me traiu com o cara mais tosco da face da Terra.

fui trocado por um cara que se veste assim…

Com toda a tristeza e raiva que um jovenzinho de apenas 4 anos pode suportar, desliguei a televisão e me entreguei à melancolia do meu quarto. Chorei. Sim, chorei. Chorei por uma garota com apenas 4 anos de idade e não tenho vergonha de admitir.

Fui incapaz de ligar a televisão pela manhã por muitos e muitos dias. Aprendi da forma mais dura possível que garotas não dão à mínima para os nossos sentimentos. É só aparecer um cara um pouco mais boa pinta (e maior, e mais rebelde, e que toca guitarra) que elas se entregam sem nem ao menos lembrar que do lado de cá existe alguém sendo trucidado por esse ato.

Essa é a história de como eu tive o meu primeiro amor platônico e de como fui “doutrinado” pela vida.

Triste. Apenas triste.

=(

Dia mundial da água: projeto Água da Gente

22/03/2012 at 11:21

projeto agua da gente

Apesar de ser um “heavy user” de Coca-Cola, nunca deixei de lado a boa e velha composição com duas partículas de hidrogênio e uma de oxigênio (H2O), vulgo água. Dependendo da situação, nada melhor do que beber um bom copo de água gelada. Então, por ser considerada um dos principais elementos responsáveis pela capacidade do ser humano sobreviver no planeta Terra, é no mínimo justo que cuidemos desse “patrimônio”.

Dessa forma, para comemorar o Dia Mundial da Água, a COPASA resolveu criar um movimento de amor à água, contando com a ajuda de toda a sociedade. Com isso surgiu campanha Água da Gente.

A ideia é que cada um declarasse o seu amor pelo recurso natural mais importante do planeta: a água. Não demorou muito e várias instituições começaram a apoiar a ideia, distribuindo folders, adesivos, marcadores de livros e abusando da decoração com balões em forma de coração (formado por duas gotas de água – símbolo da campanha).

As homenagens foram enviadas de formas criativas e variadas: vídeos, fotos, textos, caminhadas, serestas, celebrações e várias outras ações. Cada um mostrando a melhor forma de cuidar desse bem essencial em nossas vidas.

No hot-site da campanha, algumas dicas e ações pontuais ajudam aqueles que também desejam fazer parte dessa campanha:

- Não lançar óleo de cozinha na rede de esgoto doméstica. 1 litro de óleo contamina 20 mil litros de água;
-  Plantar no jardim vegetação adequada ao clima de cada localidade, diminuindo a necessidade de regar o jardim com muita frequência;
-  Ter sempre à mão uma sacola retornável;

Esse ano a campanha continua, e você é meu convidado a participar cuidando da água e também contribuindo com dicas para melhor conservar esse recurso.

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Sobre humor e comentários desnecessários

03/10/2011 at 19:08

Sobre esse caso do Rafinha Bastos, eu realmente não tenho muito que dizer. Na verdade, não vai afetar em nada na minha vida o fato dele estar suspenso ou não do CQC. Até mesmo se o cara for demitido, o máximo que isso pode influenciar na minha vida é ter algum assunto pra comentar no Twitter. E só.

Mas, é claro, eu não poderia deixar a polêmica de lado. Vai que eu faturo alguns trocados com isso, não é mesmo? Enfim.

Fato é que, apesar de todo humorista ter o direito (não sei se isso é bem um direito, já que não manjo muito de Direito, entende?) de falar o que bem entender, uma pessoa que se sinta ofendida com o comentário também tem todo o direito de procurar os meios legais para, digamos, retaliar o comediante.

O marido da Wanessa Camargo não gostou. Acredito que o tipo de comentário que o Rafinha Bastos fez pode até ser engraçado pra você ou pra mim, que não temos uma esposa grávida. Para quem tem, pode sim, ter sido ofensivo. E como o marido dela não é humorista pra fazer o mesmo tipo de comentário em rede nacional, apelou para a forma que mais lhe conveio (tá certo isso?).

Não adianta reclamar. Na pratica, quem tem dinheiro e influência não leva desaforo pra casa. Pode espernear, escrever um texto mal criado no blog, twittar como se não houvesse amanhã e todas essas coisas. Isso não mudará.

Não quero tomar partido nesse texto. O Rafinha Bastos fez um comentário infeliz. Eu diria até desnecessário e babaca por se tratar de um programa na TV aberta. Se fosse no show dele, acredito, não teria tanta repercussão. O marido da Uánessa não gostou. Foi lá, usou a sua influência e amigos e conseguiu com que o humorista fosse suspenso. É assim que as coisas rolam. E não vejo uma mudança nesse padrão tão cedo.

Não quer dizer que o Rafinha Bastos afundou a sua carreira. Mas, fica aquela lição básica de que “você pode falar o que quiser, mas depois tem que agüentar o tamanho da rôla”.