Archive | Contos

25 May 2011 ~ 17 Comments

Coragem

Depois de muito tempo pensando em como fazer isso, finalmente ele tomou coragem. Vestiu-se com sua camisa favorita, a velha calça jeans surrada e o All-Star desbotado. Marcaram de se encontrar no mesmo lugar de sempre. Mas hoje seria diferente. Hoje aquele lugar teria um significado especial.

Ele chegou mais cedo, como de costume. Enquanto ela não aparecia, ele tuitava pelo celular. Não era segredo que estava ansioso. Qualquer um que o visse perceberia. Afinal, há mais de um ano ele vem planejando como fazer isso. Já esteve perto de fazer em outras ocasiões, mas sentia que não era o momento certo.

Quando terminava de mandar um último tweet, olhou para o lado direito e lá vinha ela. Coincidentemente ou não, com a mesma roupa que vestia no dia que se conheceram pessoalmente. A camiseta da banda favorita, a calça jeans desbotada e o All-Star vermelho. A sensação foi a mesma de quando a viu pela primeira vez: era, de fato, a garota da sua vida.

- Tenho que te falar algo…

Os dois disseram a mesma frase, ao mesmo tempo. Essa não era a primeira vez que isso acontecia.

- Fala primeiro. Disse a garota.

Ele respirou fundo. Preparou-se muito pra isso. Não ensaiou. Isso não é algo que se ensaia. As mãos estavam trêmulas, mas ele tentava disfarçar. As pernas bambearam de leve e o coração começou a bater mais rápido. Não dava pra fugir. Era hoje. Tinha que ser hoje. E então ele começou a falar.

- Não tem um jeito fácil de falar isso. Bem, pode até ser fácil pra outras pessoas. Mas você sabe como eu sou. Então, por favor, só escuta. Desde o dia que a gente se conheceu, eu tive certeza absoluta que você era a garota ideal pra mim. Comecei a ter essa certeza enquanto a gente ainda só se falava apenas por internet, mas, depois daquele dia, eu tive certeza. Eu não consigo nem descrever o que senti quando te vi pessoalmente pela primeira vez, só posso dizer que foi algo forte. E se eu me arrependo algo na minha vida, foi de não ter pelo menos tentado te beijar aquele dia. Tem mais de um ano que eu venho tentando te falar o quanto eu gosto de você, o quanto eu quero ficar com você, o quanto você significa pra mim. Tá certo, eu poderia facilitar isso tudo e simplesmente dizer um “quero ficar com você”, mas eu sempre complico as coisas. Então, já que não tenho coragem o bastante pra dizer isso ou simplesmente tentar te beijar… Só queria que você soubesse disso.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. Ele parecia ter tirado um peso enorme das costas e do coração. Depois de uns dois minutos, ela disse com a voz baixa:

- Por que você só me disse isso hoje? Justamente hoje?

- Porque hoje faz um ano que a gente se viu pela primeira vez.

- Eu também te falei que queria te contar algo.

- Eu sei. O que você queria me contar?

- Estou namorando.

- …

 

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13 April 2011 ~ 10 Comments

Conselhos amorosos

Inexplicavelmente, aquele cara que não pegava ninguém na escola havia se tornado uma espécie de guru dos relacionamentos. O recreio já não era mais o mesmo. Sempre havia alguém sentado ao lado dele perguntando o que deveria fazer ou responder durante as investidas de outras pessoas. Com a maior calma do mundo ele dava conselhos. Na maioria das vezes, conselhos certeiros.

Até que um dia a garota por quem ele era apaixonado se sentou ao seu lado. Ela queria saber como dizer a um garoto que estava apaixonada por ele. Pela primeira vez em semanas ele não soube o que dizer de primeira. Só sentia uma dor no peito. Uma dor que nunca havia sentido. Mesmo assim ele tentou cumprir o seu papel, afinal, tinha mais gente pra conversar e ele não queria perder a confiança das outras pessoas.

- Dizer pra uma pessoa que se está apaixonada por ela é sempre complicado. Você nunca sabe como ela vai reagir.

- Você já fez isso? Digo, se declarou pra uma garota?

- Já. Não foi a melhor experiência da minha vida.

- O que aconteceu?

- Nada demais. Ela disse que não sentia o mesmo.

- E por que isso foi tão ruim?

- Porque, acredito eu, você não sabe como é ruim dormir e acordar todos os dias pensando em como seria bom estar com essa pessoa. Poder dizer um “eu te amo” e ganhar um beijo como resposta. Não precisa nem escutar um “eu também”. Algumas coisas a gente consegue entender só pelo olhar.
- Sabe, é realmente foda ficar alimentando um amor por uma garota que simplesmente ignora a sua existência. Então, quando você resolve mostrar pra ela que existe e que gostaria de fazer o possível e o impossível pra vê-la feliz, e ela te diz não, é como se você estivesse sendo fuzilado por um exército inteiro. No final, só resta um buraco enorme.

- Nossa. Realmente nunca passei por isso.

- Pois é… Eu te amo.

- Eu também.

- O que?

- Viu, não foi difícil. Você se declarou e eu também.

E naquele recreio em específico, no dia 13 de abril de um ano que ninguém se lembra direito, todo o colégio viu aquele cara, que ninguém lembra o nome, o famoso “o conselheiro amoroso” ficar com uma garota.

Dizem que eles estão juntos até hoje. Mas, bem, você sabe como é essa coisa de amor…

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02 April 2011 ~ 5 Comments

Algo que você não vai gostar…

- Fiz uma coisa que você não vai gostar…

- Ih, lá vem. É o que eu to pensando?

- Não sei. O que você tá pensando?

- Que você ficou com a menina lá. Te falei que não era pra fazer isso. Maior furada.

- Não. É outra coisa. Mas to com tanta vergonha de te falar…

- Fala. Já começou, termina pelo menos.

- Sério, eu tenho certeza que você não vai gostar.

- Fala logo.

- Tá bom. Mas, pra não ter que agüentar o seu olhar de desaprovação, você pode só… escutar? Tipo, fechar os olhos e tal?

- Que idiota. Mas, vai. Faço isso sim.

Ela fecha os olhos e ele, sem pensar duas vezes, a beija. A impressão que ele teve é o que o mundo simplesmente parou por mais de duas horas. Mas não se passaram nem dez segundos.

- Eu falei que você não ia gostar…

- …

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01 April 2011 ~ 4 Comments

Amor de verdade

- Olha, eu te amo.

- Hahahaha. Primeiro de abril, né?

- Não. Eu te amo. Sempre te amei. Tá, nem sempre. Desde que a gente se conheceu e tal. Só não tinha coragem de falar.

- Não é primeiro de abril mesmo?

- Bem, é. A data. Mas não é pegadinha.

- Não sei o que dizer.

- Bom, não precisa dizer nada. Eu só queria que você soubesse.

Então, ele saiu se sentindo um campeão. Eles não se beijaram. Na verdade, ele nem ao menos tentou, pois sabia que naquele momento, essa não era a coisa certa a se fazer. Quem sabe daqui a alguns dias? Mas, pelo menos, agora ela sabe por que ele sempre esteve presente. Porque ele sempre se preocupou.

Agora ela sabe.

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10 June 2009 ~ 1 Comment

Petrônio – O craque

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O sonho do menino Petrônio era jogar pela seleção brasileira de futebol. Desde muito novo já esboçava os seus primeiros passos no campinho de terra do aglomerado onde morava. Seu futebol era diferente. Era moleque, brincalhão. O verdadeiro futebol arte.

O tempo passou e Petrônio cresceu. Agora era um adolescente e gostava de ser chamado de Pepê. Ainda dominava como ninguém uma bola de couro. Praticamente brincava em campo com os outros garotos.

E não era só no campo que ele brincava. Também adorava brincar com a namorada no quarto. Numa dessas brincadeiras, Pepê enfiou o Pipi sem camisinha e encomendou um bonequinho.

Hoje, aos 24 anos, Pepê pesa 104kg e trabalha no açougue do seu Gilberto.

Era evidente que o futuro de Pepê estava na bola.

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19 February 2009 ~ 8 Comments

O Evangelho segundo a blogosfera

jesus

Então existia aquele blogueiro, um tal de Jesus. O cara mandava bem no que fazia. De retórica excelente, atraía seguidores por onde passava. Apesar de influente, ele gostava de manter uma certa privacidade dos seus conhecimentos. No twitter só tinha 12 seguidores, mas o número de leitores do seu feed aumentava a cada dia.

Nos BlogCamps e Campus Party da vida, Jesus era figurinha carimbada. Sempre chamado para ministrar palestras, onde havia Jesus havia pessoas em volta absorvendo atentas aos ensinamentos daquele blogueiro proeminente.

Diz-se que a blogosfera foi criada por Jesus. Antes dele havia apenas sites, fóruns e listas de discussão. O cara foi pioneiro ao espalhar a palavra. Foi questão de tempo até que ele começasse a incomodar os grandes conglomerados de mídia e um certo todo poderoso.

Muitos acreditam que Jesus possuía um dom divino de criar posts polêmicos. A cada novo texto em sua página, centenas de comentários pipocavam e a discussão era sempre sadia. Como não poderia deixar de ser, naquela época também já existiam os trolls. Aqueles que não acreditavam em nada do que Jesus falava e sempre tentavam arrumar alguma treta com o messias da comunicação.

Jesus operou pequenos milagres no meio virtual. Um deles foi a multiplicação de links, onde uma pequena citação em um post de sua autoria foi o suficiente para que um blog completamente desconhecido se tornasse a grande revelação da blogosfera.

A passagem de Jesus pela Internet foi meteórica. Houve uma ascensão gigantesca desse jovem blogueiro. Porém, um tempo depois, graças as suas críticas sempre muito ácidas contra a grande mídia, Jesus foi crucificado por esse grande magnata midiático. Devido a um processo sem direito a uma boa defesa, Jesus passou pelo que muitos chamam de via crucis.

Fora humilhado e espancado pelos grandes meios de comunicação. Teve a sua intimidade exposta em TV Aberta e passou por muitos transtornos. Tudo isso levou Jesus a cometer Orkuticidio, Twittercídio, MSNcídio e, por fim, blogcídio. Por ser um cara bem versado e sem papas na língua, Jesus foi vítima da manipulação operada pelos grandes meios de comunicação e teve que abandonar tudo.

Jesus chegou a ressuscitar o seu blog pouco tempo depois. Muitos acreditaram que foi um milagre. Mas, cansado desse mundo desregrado e cheio de pecados que é a blogosfera, ele resolveu descansar.

Seus seguidores ainda espalharam a palavra por muito tempo e foram responsáveis pela publicação de um livro reunindo os melhores textos de Jesus. Esse livro é chamado de a bíblia dos blogs e conta com ensinamentos preciosos para aqueles que almejam e apreciam a boa escrita e grandes ensinamentos.

Ainda hoje muitos acreditam em um retorno triunfal de Jesus. Alguns sinais já são evidentes. A mídia precisa de um crítico e pouco a pouco os sinais dessa ressurreição vão sendo observados. Quando menos esperarmos, o blogueiro mais famoso de todos os tempos vai voltar com tudo.

Ou não, como dizem os céticos.

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09 February 2009 ~ 121 Comments

O Melhor lugar para comprar computador!

baianinho

Essa merece vir para o blog. Essa semana comprei um computador novo e tenho que admitir: foi o melhor investimento da minha vida. Estava eu tranquilo assistindo a minha novelinha preferida – Caminho das Índias -, quando apareceu aquele comercial maravilho das Casas Bahia anunciando a semana da informática. Como o meu K6-II já andava meio capenga, fiquei de olho nas ofertas anunciadas. E no meio de Pen-drives, impressoras e monitores, eu vi aquele belo computador. Logo de cara já chamou a minha atenção e, no mesmo instante, coloquei o meu despertador no ponto: 7:30 da manhã. Quando a loja abrisse, as 8h, eu já queria estar lá.

No dia seguinte, lá estava eu. A vontade de comprar um computador era enorme e os vendedores das Casas Bahia farejam essa vontade de longe. Um vendedor de lá, o Wilton, me atendeu super bem. Perguntou se eu estava lá pela semana de informática e começou a me apresentar as ofertas. Mas como eu disse, foi amor à primeira vista com aquele computador da oferta. Percebendo que eu já estava decidido, Wilton me levou até o meu precioso.

Era um lindo AMD-Sempron, com 1GB de memória, HD de 80 GB. 80 GB esperando toda a minha coleção de vídeos pornô, músicas e grandes aventuras na terra mágica de Tíbia. O monitor era de 15 polegadas de LCD e, o melhor de tudo, era um PCTV. Eu poderia assistir aos meus programas favoritos durante uma ou outra partida de Ultima On-line. Sem contar que ele era todo pretão, com mouse óptico e um teclado maravilhoso. As caixinhas de som então, eram um show á parte.

Perguntei para o Wilton:

- Quanto é?

E ele me disse que à vista sairia por R$ 1500. Não era bem a minha verba disponível para informática, mas sempre muito prestativo, Wilton me disse que poderia fazer um crediário e dividir em 48 parcelas com uma taxa de juros baixíssima. Sem dúvida esse pessoal das Casas Bahia sabe trabalhar. Mesmo que você não tenha condições, eles dão um jeito de realizar o seu sonho. E esse Sempron era o meu sonho.

Feito o crediário, meu crédito foi aprovado, afinal, eu tenho o nome mais limpo do que UTI de pronto-socorro. Esperei a minha vez na fila para retirada de produtos e saí de lá com há de melhor e mais moderno no ramo da informática.

Chegando em casa só me deparei com um problema: Cadê o Windows? Veio um tal de Linux no lugar do bom e velho Janelas. Mas como eu tenho amigos bem informados, logo consegui um CD gravado pelo Pedrão e instalei tudo tranquilamente. Daí em diante foi só alegria.

Se me pedissem uma dica de um lugar com preços excelentes e qualidade em atendimento para comprar um computador, eu diria Casas Bahia sem pestanejar. Atendimento eficiente e bem educado, com o Wilton como prova viva disso, além de preços completamente acessíveis e as melhores formas de pagamento. Recomendo para todos os amigos. As Casas Bahia têm o melhor preço do mercado e é o lugar mais em conta para esse tipo de compra.

Até agora o computador não deu nenhum problema e estou felizão aqui, fazendo esse post diretamente do meu Sempron novinho. Bom, agora vou jogar um pouquinho de Tibia e mais tarde assistir a algum filminho educativo para adultos.

Fui.

*********

Esse é um publieditorial. Este é um post em forma de crítica. Um conto. Uma pegadinha. Uma ironia.

A história acima não é verídica. Foi uma invenção da minha mente sórdida e uma forma de criticar a atual farra dos publieditoriais. Por motivos de bom senso, estou fazendo esse breve comentário e salientando mais uma vez que a história acima não passou de uma gracinha. Também alterei o selo que estava aqui antes. O novo dá uma idéia melhor do que eu quero dizer:

artigoironico


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22 January 2009 ~ 34 Comments

O blogueiro mais feliz do mundo.

Era uma vez um blogueiro, e vamos tratá-lo apenas assim, como “blogueiro”. Ele era um blogueiro de raiz, mantinha os seus textos sempre em um tom pessoal e nunca se vendia. De uns tempos pra cá, ele começou a utilizar o seu blog como um emprego e esporadicamente fazia publieditorais e posts patrocinados. O blogueiro era um entusiasta das mídias sociais e tudo o que elas proporcionavam.

Esse blogueiro também era publicitário. Logo, ele tinha um conhecimento um pouco maior de como a coisa funcionava e sabia como utilizar isso da melhor forma possível. Foi contratado para o departamento de mídias sociais de uma grande agência e a sua primeira missão, como coordenador de mídias sociais seria algo, no mínimo, inusitado.

Uma casa de tolerância, o famoso puteiro, em um linguajar mais sujo, estava crescendo e o nível dos seus clientes também. Como investir em mídias sociais é a tendência da moda (redundância?), o dono dessa casa resolveu procurar a agência do blogueiro para trabalhar a sua marca e aumentar o retorno através da utilização dessas mídias sociais.

O blogueiro, o personagem principal dessa história, era um cara esperto. Bem esperto. Sabia do que o pessoal gostava. Todo mundo gosta de brindes, festinhas, ações que envolvam viagens e etc. Como todo bom estrategista de mídias sociais, o blogueiro pensou em uma ação que envolvesse, claro, os blogs, o twitter e redes socias como Orkut e MySpace.

Para os blogs, o blogueiro aproveitou a sua grande influência e cantou a pedra para o pessoal do planejamento e o dono do puteiro:

- Vamos resenhar as suas garotas!

- E como seria isso? Disse o dono do puteiro.

- Bom, eu posso passar 2 horas com cada uma delas e realizar posts no meu blog. Com a minha influência e a quantidade de leitores virgens que possuo, logo logo terá fila dando a volta no quarteirão para conhecer a sua casa.

- GÊNIO!
Exclamou o dono do puteiro.

E lá foi o blogueiro, passar uma semana trepando com todas as garotas da casa de tolerância e resenhando a transa e o tratamento recebido nos seus posts que entravam no ar todas as noites. Logo se tornou um sucesso e, como é bem a cara das mídias sociais, os posts se viralizaram de uma maneira impressionante. De fato, as pessoas já estavam fazendo filas para conhecer esse puteiro que o blogueiro descrevia como “o paraíso na Terra”. “a melhor foda da minha vida”, “um boquete inesquecível” e vários outros adjetivos pomposos.

A segunda etapa da estratégia pensada por esse gênio das mídias sociais foi convocar os blogueiros mais badalados do momento para um “safari” na zona. O kit que esses blogueiros receberam continha um pacote de camisinhas, uma camisa com a frase “Intro-Meteu” e vários mimos como vibradores, bonecas infláveis e vale drinks que poderiam ser utilizados á vontade durante o “safari”.

Foram dois dias da melhor putaria da vida desses caras. Em um fim de semana comeram mais mulheres do que em toda a sua vida. Um live-stream para a ação foi criado, acompanhando as fotos e os vídeos que eram postados, além de coletar todos os twitts que continham a tag #intro-meteu. Claro, em um primeiro momento a ação do blogueiro foi mal vista, pois todos os vídeos que subiam para o Youtube eram deletados logo em seguida devido ao conteúdo explícito. As fotos do Flickr eram um verdadeiro acervo digno dos maiores catálogos de pornografia do mundo.

No Orkut, foram criadas várias comunidades contra e a favor a ação. A repercussão foi excelente. A ação foi excelente. E o blogueiro? O blogueiro era o cara mais feliz do mundo. Comeu mais de 30 mulheres em uma semana e não precisou gastar um centavo pra que os outros blogueiros fizessem da sua campanha um sucesso. Naquele momento ele era o blogueiro mais feliz do mundo.

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16 January 2009 ~ 10 Comments

A emocionante história de Ricardo Tavarez, o pro-blogger que só queria ser amado.

Por trás de luxuosos passeios patrocinados por anunciantes regados à Bavária e charutos importados da Guatemala, existe toda uma realidade, um dia a dia na vida de um pro-blogger. Esta é a história de um cara, igual a eu ou você, que se esforçou, que lutou, prosperou e hoje em dia é um dos mais renomados e conceituados blogueiros do Brasil, quiçá do mundo.

Ricardo Tavarez era um garoto comum. Criado em um bairro de classe média, teve o seu primeiro contato com o incrível mundo da informática aos 13 anos de idade (o primeiro contato com uma mulher nua de verdade, só veio ocorrer anos depois, muitos anos depois). Desde então se apaixonou pelas maravilhas proporcionadas pelo computador.  O jovem Ricardo começou a entender a máquina como ningém. Em poucos meses já estava programando e aprendendo cada vez mais.

Os anos foram passando e Ricardo Tavarez descobrira uma nova maravilha em relação aos computadores: a Internet. Sua casa foi uma das primeiras a possuir uma conexão com a grande rede. Ricardo passava horas e horas participando de listas de discussão e bulletins. Depois, resolveu avançar um pouco mais e começou a acessar salas de bate-papo e em pouco tempo já estava criando os seus próprios sites. Era um prodígio, sem sombra de dúvida.

Ricardo acompanhou de perto a evolução da Internet no Brasil e, como fazia parte do pequeno grupo de usuários que desbravavam essa terra inexplorada em busca de oportunidades, em pouco tempo foi fazendo grandes amigos virtuais, que, assim como ele, passavam horas e horas em frente ao computador absorvendo informação, música pirata, pornografia e programando.

Em 1998, ao participar de listas de discussão do mundo todo e ser um cara antenado, Ricardo descobriu uma nova ferramenta que vinha ganhando força nos Estados Unidos. Como  sempre foi um cara bem informado e que adorava descobrir e difundir tendências, foi logo criando o seu “blog”. Ricardo não fazia idéia, nem seus amigos, de que essa seria a ferramenta do futuro e que anos mais tarde os tornariam personalidades na Internet. E o nosso jovem montou o seu blog, o Barraca Armada.

O Barraca Armada era um espaço pessoal onde Ricardo Tavarez podia contar sobre a sua vida, o seu dia a dia, as suas aventuras e desventuras, ao contrários dos seus sites, que geralmente eram acessados por usuários fiéis e que não se interessariam em saber que o gatinho de Ricardo, o Ulisses, havia derrubado um pote de Whiskas no teclado do K6-II velho de guerra. O blog proporcionava essa liberdade e Ricardo adorou. Sentia-se livre, como não se sentia há anos.

Os anos foram passando e Ricardo e o Barraca Armada foram se tornando cada vez mais populares. Sua rede de amigos virtuais crescia em progressão geométrica. Por ser um dos primeiros, senão o primeiro blogueiro brasileiro, Ricardo se tornou referência na hora de criar um blog. Todos pergutavam ao rapaz o que era necessário para se obter o sucesso. Com isso, Ricardo foi se tornando vaidoso. Quem antes era um humilde usuário de internet, ao se ver como exemplo para os demais, foi sentindo o gosto do poder. O gosto doce e prazeroso de, certa forma, ser superior aos demais.

Com alguns anos de blog, Ricardo descobriu uma ferramenta mágica criada pelo Google: o AdSense. Essa incrível ferramenta pagava aos administradores de sites, blogs ou fóruns um valor determinado a cada clique de anúncio veiculado. E o melhor de tudo: em dólar. Renato, curioso como só, resolveu utilizar a ferramenta e experimentar, quem sabe dalí não saíria uma graninha?

E como um magnata da mídia, Ricardo Tavarez prosperou. Em um dia recebia mais de 500 cliques em seus anúncios AdSense e faturava altíssimo. 50, 60 dólares por dia. Em um mês Ricardo já havia ganhado com seu blog o que ganharia em três meses de trabalho. A internet era o arco-íris, o blog, o pote de ouro no final, e Ricardo, era o mocinho que cruzava o arco-íris em busca do ouro.

As horas em um cubículo de uma copiadora tirando fotocópias deram lugar a horas e mais horas em frente ao computador. Ricardo largou o  emprego de auxiliar de fotocópia e resolveu adentrar com tudo no mundo dos blogs como negócio. Assim como no esporte, Ricardo agora era um profissional dos blogs, ou como ele gostava (gosta ainda) de ser chamado: pro-blogger.

Percebendo o crescente potencial da Internet como veículo de comunicação, e acima de tudo, dos blogs, as agências de publicidade resolveram explorar esse novo mundo e começaram, bem timidamente, a procurar blogueiros para anunciar campanhas, produtos e empresas nos seus espaços virtuais. O que antes era um diário, divertido e descompromissado, se tornava um local de trabalho. O que Ricardo havia comido no almoço não importava mais. Ao invés disso ele postava críticas ácidas à sociedade, à comunicação, um ou outro assunto que estava bombando no momento e agora, posts patrocinados por empresas.

Era uma nova era. A era da profissionalização dos blogs e dos blogueiros. Ter um blog agora era sinal de maturidade, empreendedorismo e uma visão de mercado sem precedentes. O dinheiro entrava como água na conta de Ricardo. Ele se permitia pequenos luxos como uma cervejinha no final de semana, uma baladinha no sábado, vez ou outra pagava uma garota de programa. Era um mundo mágico, um sonho do qual Ricardo não queria acordar.

Aquele menino gordinho, suado e cheio de espinhas que sempre fora humilhado pelos amigos na infância, hoje era bem sucedido. Tinha amigos de verdade, todos virtuais. Se encontravam uma vez por semana, quando saíam de casa e iam pra algum bar falar sobre monetização, agências de publicidade e tendências nas mídias sociais. Ricardo era o que eu, você e a mídia chamaria de bem-sucedido e relevante na meritocracia da Internet.

O que ninguém imaginava era que, por trás dos posts super badalados do Barraca Armada, dos mimos recebidos por Ricardo para resenhar, que iam desde camisinhas com sabor de morango à suportes para bebedouros industriais, dos eventos repletos de deslumbramento, comida farta e mulheres, existia um blogueiro amargurado. E é sobre essa outra faceta de Ricardo Tavarez que eu gostaria de falar agora.

Ricardo sempre fora um menino caseiro. Isso se agravou com as brincadeiras de mal gosto de seus amigos de infância. Por ser gordinho, ter espinhas e suar demasiadamente, Ricardo era chamado de Croquete. Isso pode ser traumatizante para uma criança e, de fato, foi para Ricardo. Sempre ignorado pelas meninas pela sua aparência, Ricardo foi se recolhendo a um mundo virtual onde poderia ser quem quiser. Se Ricardo fosse Adão, a Internet seria a sua  Eva.

Com a descoberta do blog e o crescente sucesso adquirido na rede, Ricardo foi incorporando novos traços de personalidade. No mundo virtual, quase ninguém sabia como ele era de verdade. A sua personalidade na rede era totalmente oposta ao menino frágil e carente por trás do monitor. Respondia às críticas com um tom severo. Na internet, ele era um valentão e isso foi se tornando uma caraceterística marcante na vida do blogueiro Ricardo Tavarez. Mas, por dentro, ele ainda era o Croquete.

Conversando com Ricardo Tavarez, eu vi em seus olhos um brilho diferente. Ele se sentia bem quando conversava com alguém que o tratasse bem. Uma conversa sincera, frente a frente, com a pessoa, o humano Ricardo Tavarez. Quando o questionei sobre perguntas pessoais, que qualquer jornalista faria, a princípio senti um pouco de hostilidade, mas da mesma forma que as agências de publicidade conquistavam o coração de Ricardo com mimos, eu o conquistei com carinho. Usei um tom de voz sereno, bem calmo, como se fosse um psicólogo, ou até mesmo um melhor amigo, já que o entrevistado, até os dias atuais, não havia tido nenhum “melhor amigo”.

Durante o bate-papo, perguntei ao Ricardo sobre os amores, como andava o coração desse blogueiro que todos adoram. E também pedi para contar um pouco sobre a sua vida amorosa passada e a atual. Ricardo, como a grande maiora dos blogueiros, é tímido, e disse que estava bem. Em tom de brincadeira disse que transava bastante, mais do que planejou quando era adolescente e se entretia acessando sites pornográficos. Mas, da mesma forma com que Ricardo suspeitava de um e-mail malicioso em sua caixa de e-mail, suspeitei que ele estava escondendo algo de mim. Apertando um pouco mais o entrevistado, Ricardo finalmente abriu o seu coração.

Ele nunca havia namorado. Nuunca havia sido amado por ninguém a não ser sua mãe e sua avó. O primeiro beijo e a primeira transa de Ricardo ocorreram no mesmo dia. E com uma blogueira. Uma garota de programa blogueira, diga-se de passagem. Segundo Ricardo, a moça em questão, além de cobrar a hora de programa, ainda cobrou um link e um banner. Como Ricardo esperou 32 anos por aquele dia, um link (com nofollow) e um banner não seriam nada comparado ao mais próximo de ser amado que ele teria.

Ricardo afirma, com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar que foi o melhor beijo e a melhor transa de sua vida. Mesmo durando 7 minutos, dos quais 3 foram gastos tentando encontrar o “alvo”. Nesse momento eu percebi que Ricardo, o pro-blogger bem sucedido, referência na área, odiado por milhares, amado por milhões, poderia ser realizado financeiramente, materialmente e possuir um status de celebridade na internet. Mas, no mundo real, a única coisa que esse blogueiro deseja é apenas ser amado. Sem ter que linkar de volta ou pagar por isso.

Escrevo este texto com lágrimas nos olhos ao perceber que, para uma pessoa que tem tudo, uma dos sentimentos mais humanos que existe, o amor, era ainda um bem inalcançável. Ricardo disse que até tentava se aproximar de blogueiras promissoras, oferecendo “suporte” e “dicas” em troca de um pouco de atenção. Mas bastava apenas um encontro pessoal para que toda a magia acabasse e os blogueiros não tão bem sucedidos, mas com um porte físico um pouco menos assustador, se dessem bem em cima das garotas que o nosso querido Ricardo almejava.

Encerro esse artigo com uma pergunta e uma resposta da entrevista original que define bem como é a personalidade de blogueiro que, assim como nós, também é humano:

Como você reage às críticas de pessoas que não concordam com os rumos que os blogs vêm tomando?

Eu quero que todas se danem. Se eu sou bem sucedido, relevante e reconhecido, é pelos meus próprios méritos. Eu sei que sou um daqueles casos típicos de pessoas que causam inveja. Todos querem a minha amizade, mas não basta só adular. Tem que fazer por merecer, entender que, em uma relação que envolva o mundo e eu, não preciso dizer quem dá as cartas, não é mesmo?

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24 December 2008 ~ 3 Comments

Pedido

Querido Papai Noel,

O ano está acabando e com ele mais um natal sem presentes. Será que não fui um bom garoto? Trabalhei todos os dias desse ano. Saía de casa às 6h da manhã e voltava as 22h. Nem sempre com o dinheiro necessário para sustentar minha mãe e meus quatro irmãos.

Quando podia, lia algumas coisas, já que não tenho tempo para estudar. Não tenho tempo e nem dinheiro, já que a escola mais próxima que poderia me matricular fica do outro lado da cidade. Estudar em uma escola particular nem pensar. Ou estudo ou minha família morre de fome. Estudo não enche barriga, ao contrário do dinheiro que tento conseguir todos os dias.

Será que deixei de cumprir alguma obrigação? Será que não vou ganhar presentes por não almoçar direito? Não é sempre que temos alguma coisa em casa para comer. Como sou mais velho, deixo o pouco que tem para os meus irmãos, mas mesmo assim, nem eles ganham nada no natal.

Será que nossas cartas não chegam até o Polo Norte? Acho que os selos que podemos comprar não são suficiente para uma carta que pretende chegar tão longe.
Ás vezes acho que o Senhor realmente não existe. Muitos dizem isso, mas não acredito. Não acredito porquê sempre vejo crianças com presentes no dia de Natal.

Pode ser que o senhor não receba minha carta, ou tenha medo de subir onde eu moro. Muitas pessoas tem medo. Têm que pedir autorização pra quem toma conta daqui. Quem toma conta de onde eu moro, são pessoas do “movimento”. Acho que elas não acreditam no senhor, mas isso não impede que eu acredite.

Escrevo essa carta tendo a esperança de todos os anos. A esperança de que o senhor vai recebê-la e na véspera do Natal, quando der meia-noite, o senhor vai chegar no seu trenó e deixar os nossos presentes na porta de casa. Na porta, não temos chaminé. Mas acho que o senhor não importa não é mesmo? Isso não é muito comum no meu país.

O que eu mais quero nesse Natal é que eu não dependa do meu trabalho. Eu gosto do meu trabalho. Mas gosto de ler, de escrever. Gosto de estudar e saber o que acontece no mundo. Gosto de fazer cálculos quando preciso e gosto de saber a história do meu país. Gosto de saber porquê falam tanto nesse tal de aquecimento global. Gosto, mas não consigo entender. Não consigo porquê não estudo. Eu quero estudar. Quero orgulhar minha mãe. Quero fazer algo que ela possa lembrar e se orgulhar. Quero que meus irmãos saibam que eu faço o melhor por eles.

Eu sei que isso pode não ser nada perto de milhares de video-games, computadores, bicicletas, bonecas e carrinhos que o senhor recebe como pedido todos os anos. As vezes um pedido assim pode passar despercebido. Ou pode ser que seus elfos ainda não saibam como construir escolas ou escrever livros. Eles devem ser como eu. Só devem saber construir brinquedos, da mesma forma que só sei vender balas no mesmo sinal. Faço isso desde que me tornei gente. Gostaria de fazer outra coisa. Não que eu não goste do que faço, apenas queria fazer coisas novas e que as pessoas não me ignorassem.

Alguns acham que sou bandido, Papai Noel. Quando olham pra mim fecham as janelas dos carros. Não entendem que eu estou alí só para vender balas. Acham que estou alí para disparar balas. Eu não quero ser visto assim. Quero ser visto como o senhor, que todos abrem a porta para receber. Sempre com um sorriso no rosto, um copo de leite e biscoitos. Será demais pedir isso?

Vou encerrando minha carta por aqui. O senhor deve estar cheio de pedidos para atender. Sei que é difícil para o senhor, mas sei também que não deixa nenhuma criança na mão. Se deixa não é por mal, tenho certeza. Sei que o senhor não deve receber minhas cartas. Só pode ser essa, a única explicação para eu não ganhar nada. Mas eu não fico chateado com o senhor. Sei por experiência própria. É a mesma coisa quando chega o final do mês e o dinheiro que consegui não dá pra pagar as contas e comprar comida para todo mundo aqui em casa. Ninguém fica decepcionado comigo. Sabem que não foi minha culpa. Foi apenas um mês apertado, mas mesmo assim continuam acreditando em mim. Como eu acredito no senhor. Sei que existe, e quando tiver a oportunidade de ler a minha carta, vai atender ao meu pedido.

Não ligo se demorar. Eu tenho fé no senhor. Eu, meus irmãos e minha mãe. Nunca deixaremos de acreditar, mesmo que todos ao nosso redor digam que o senhor não existe. Sei que existe.

Se receber a minha carta, por favor, tente me dar a oportunidade de saber sobre o mundo e as coisas que existem nele. Se for demais, apenas dê alguma coisa que a gente possa comer aqui em casa. O senhor sempre será bem vindo aqui. Em qualquer época do ano. A porta sempre estará aberta.

Atenciosamente…

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Repostando este, que acredito ser um dos melhores textos que já escrevi na minha vida. Enfim, feliz Natal pra quem acessa!

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