
Ontem teve aqui em Belo Horizonte a feira EduCanadá 2008, onde várias instituições de ensino fundamental, médio e superior do Canada vem oferecer a sua estrutura a recrutar jovens imigrantes com desejo de morar na terra gelada. Como eu sei que uma graduação fora do país conta demais em qualquer área, resolvi comparecer ao evento acompanhado da minha namorada linda e pefeita. E lá fomos nós.
Chegando lá a estrutura era a de uma feira mesmo. Vários estandes com os seus representantes canadenses, branquinhos e de olhos claros. Os estandes variavam de Colleges ou as faculdades, e os high-school ou os colégios daqui. Também haviam os estandes de cotação do dólar canadense e de empresas de intercâmbio. O meu martírio começou ai, quando percebi que na grande maioria dos estadnes, se encontravam justamente os canadenses com o seu francês e inglês perfeito.
Vale citar que eu falo francês da mesma forma que um recém-nascido domina álgebra. Prossigamos.
No primeiro estande que parei, de curso superior, cheguei todo educado e mandando um sonoro “Olá, tudo bem?”. Logo percebi que fiz merda, afinal, o sujeito do estande ficou com cara de “what a fuck?”, e então percebi que teria que tirar o meu bom inexistente e velho inglês do fundo do meu cérebro. Dito isso, torna-se necessário informá-los que, desde que comecei a ter aulas de inglês no colégio, eu nunca saí do “Verb to be”. Foram quase 6 anos estudando a mesma matéria, o que me torna apto a conseguir traduzir qualquer obra literária em inglês arcaico.
Sigamos em frente.
A conversa se desenrolou mais ou menos assim:
(Caso tenha dúvidas, aperte a tecla SAP do seu monitor, ou então clique aqui.)
Canadense fala alguma coisa incompreensível em francês.
Eu faço cara de “não sei o que você quer dizer”.
Canadense: English?
Eu, com toda a desenvoltura que me é peculiar digo: English? More or less. E faço aquele sinal de mais ou menos com a mão.
Canadense: Good.
Nesse momento eu fiquei tipo, uns 3 minutos mudo, lendo o banner do estande e pensando com todas as minhas forças em algo sensato e correto para dizer pro senhor Canadá. Se eu fosse um computador, naquele momento o meu cursor do mouse seria uma ampulheta.

Depois de formular uma frase deveras complexa, voltei ao diálogo com o Sr. Canadá (vamos chamá-lo assim).
- Errr, i want some information about Social Sciences. I’m graduating, Social Comunication (Publicidadetion and Propagandation) and i look for a pós-graduation in the same area.
Com uma cara de espanto, digna de Hitchcock, ele deve ter pensado “Esse índio sabe falar inglês. Oh god” e resolveu me sacanear. Começou a falar rápido pra caramba misturando francês com inglês. Por dentro ele devia estar gargalhando por ownar um pobre índio brasileiro.
Eu resolvi tentar fazer contato novamente com o gringo. E enfim, ele acabou me mostrando os cursos relacionados a “Social Comunication”.
- Well, we have this, in the same area. Sociology, Social Service and Social Science.
- Ahnn, Ok. Can i? Apontando pra canetinha de brinde e fui embora.
Depois das opções dele para a área de Comunicação Social, eu desisti e fui embora. Fui procurar outros estandes, que para a minha sorte possuiam tradutores, o que obviamente, facilitava a comunicação em 500%.
Fui para a outra parte da feira, onde havia uma maior concentração de estandes. Chegando lá encontrei minha prima de 13 anos e o pai dela. MInha namorada, que até então, segundo ela, estava envergonhada de falar inglês, rapidamente ficou soltinha soltinha, quase uma canadense. Sim, ela parece gringa e eu pareço a porcaria de um nativo. Macacos me mordam, sem trocadilho.

Meus futuros professores no Canada
Enfim, ela e a minha prima se empolgaram e foram procurar saber as opções de High School e intercâmbio, e estavam praticamente em casa, conversando em inglês como se essa sempre fosse a língua nativa delas. Eu compreendia um Yes ou No aqui e acolá, mas nada demais.
Eu ainda não tinha prestado muita atenção nas duas conversando até chegarmos a um estande em que elas literalmente ficaram horas conversando.
Sério, eu não fazia idéia que uma garota de 13 anos tinha capacidade de acumular tamanho conhecimento igual a minha prima. Com 13 anos eu brincava de Power Rangers e minhas únicas palavras em inglês eram essas: Power, Rangers, On, Off e Reset. Essas três últimas claro, do meu SNES.
A minha namorada então, nem se fala. Nesse momento ela havia perdido todo o constrangimento em ter que falar inglês e começou a falar e a falar e não parava mais. Mulher quando começa a falar é difícil parar. Ainda mais quando estão em dupla, bando ou grandes quantidades. Conversavam sem parar com a tiazinha da escola, que, usando todas as artimanhas da publicidade, conseguiu conversas as mocinhas que a escola dela é a melhor do mundo.
E eu lá, me sentindo a porcaria de um selvagem em meio a uma sociedade moderna desenvolvida. Olhava pra um lado e via canadenses, olhava pro outro e via brasileiros conversando como canadenses. E eu ali, sentindo saudade do tempo em que eu era o fodão da sala no inglês só porque eu sabia conjugar o Verb To Be no Past e no Simple Present.
Vale lembrar a sacanagem que é o mundo quando somos maior de idade. No meu caso, eu teria que pagar a faculdade - 10 mil dólares canadenses - mais a minha hospedagem e qualquer gasto adicional. Entenda como gasto adicional comer, beber e comprar agasalhos. Muitos agasalhos. Para quem é “dimenor” ainda, e está na escola, eles vão com casa pra ficar e têm somente a obrigação de estudar e não tirar notas vermelhas.
Hoje em dia eu vejo que eu poderia ter assistido muito mais filmes porn… Digo, muito mais filmes sem legendas pra aprender um pouco mais.
Finalizando a minha grande aventura pela terra da Polícia Montada, consegui algumas boas opções de cursos de graduação e pós-graduação por lá. Creio que daqui a uns 2 anos, possivelmente terei alguma graninha pra tentar me aventurar por lá. Isto é, se eu conseguir aprender algo além do Verb To Be. Caso não consiga aprender mais nada é só seguir o básico: Coke, Water, Coffee, Bathroom, Food, Internet, BigMac ou Number Five e Thanks. Essas são as palavras mágicas para quem deseja sobreviver em um país de língua inglesa.