Categorias: Histórias

O meu amigo gordinho deveria ser blogueiro.

Gordinhos são engraçados por natureza. Não que eu tenha alguma coisa contra pessoas com ossos largos ou um pouco acima do peso, longe disso (de mim), mas eu tenho que admitir que os gordinhos nos proporcionam as melhores sacadas no meio da rodinha de amigos, além de possuírem um dom natural de receberem a culpa por qualquer mazela.

Se o ar ficou levemente fétido, foi o gordinho quem soltou um singelo peidinho. Se em uma loja de departamento algum objetivo de valor é derrubado, todos olham em primeiro lugar para o gordinho. Uma outra utilidade para essas pessoas tão queridas no nosso dia-a-dia é de “enfeite de quadra”. Em qualquer esporte. O gordinho consegue dar graça a qualquer esporte quando o pratica.

Mas, esse meu amigo, o Gordinho, deveria ser blogueiro. Ele nasceu com o dom de ser blogueiro. Principalmente de humor. Há 4 anos ele faz a mesma piada sempre que me encontra ou deixa um scrap. Eu penso que ele é um eterno estudante do ensino médio que precisa fazer urgentemente uma reciclagem de piadas.

Em meados de 2004 o nosso colégio realizou uma excursão para Diamantina. Adolescentes longe de casa e reunidos. Era merda na certa. Mas até que éramos exemplos a serem seguidos. Não pegávamos ninguém, éramos loosers mas, pelo menos éramos engraçados.

Em uma de nossas saídas, estávamos eu, Edir (Rodrigo), Wally (Walison), Cristiano e o Gordinho. Andávamos tranquilamente por Diamantina quando avistamos um grupo de nativas. Eram bem bonitinhas e, como bons pega-ningas, armamos uma estratégia pra chegar. A primeira delas é decidir em qual menina cada um chegaria. Acredito que o Gordinho estava com fome, pois ele nos presenteou com a melhor tirada em 11 anos de Colégio Tiradentes:

Algum de nós, não me lembro quem, perguntou:

- E aí Gordim, qual você vai querer?

Eis que o Gordinho, com a maior presença de espírito do mundo nos responde com toda a sapiência de alguém que conhece toda a arte da conquista e não precisa escolher meninas:

- Eu acho que vou querer um Hamburguer.

Como diria o Luke - O Zaz Efron da Internet Brasileira: LOLOLOLOLOLOLOL.

A gargalhada foi geral. “Gordim” nos presenteava com mais uma gordice típica. E foram várias as vezes em que simplesmente olhávamos para o Gordinho e soltávamos um “Me dá um Hamburguer”, com a voz levemente fanha imitando alguém com uma concentração absurda de tecido adiposo na região do pescoço.

Esse ano, como tradição é tradição e nunca deve ser quebrada, Gordinho me presenteia no dia do meu aniversário com a sua quote básica:

Não sei, mas algo me diz que ele daria um ótimo blogueiro de humor. Principalmente daqueles que postam uma piadinha, imagem ou vídeo batido… pelo menos duas vezes por mês. Gordinho, você precisa se tornar um blogueiro!

Ah, o que a gente não faz pela namorada?

Duas moças do filme

Duas moças do filme

Uma das principais condições para que um namoro dê certo é, que ambas as partes, façam alguns sacrifícios em função do outro. Um exemplo prático é a namorada que não gosta de filmes violentos ir assistir Batman The Dark Knight e o namorado que não gosta de filmes musicais ir assistir a High School Musical. O pior não é assistir ao filme em si, pois eu tenho um certo preparo psicológico para ingerir qualquer porcaria cinematográfica, mas o problema são as pessoas que vão à esse tipo de filme. Exceto a minha namorada linda, claro.

Ontem o dia já não começou muito bem. Graças a um problema aqui em casa, acabei não podendo ir à cabine de imprensa do filme Rock ‘n Rolla. Ao invés disso, tive que ir para a faculdade para não causar maiores problemas. Como se isso não bastasse, ainda tive uma pequena discussão com a namorada, mas foi resolvido rapidamente. Mas eu não sabia que isso teria um preço.

Havíamos combinado de ir ao cinema, já que ela estava querendo assistir High School Musical 3. Como ela sempre vai aos filmes que eu escolho, não custava nada ir a um filme que ela escolhesse. Por mais que eu odeie filmes musicais, principalmente da Disney, valia a pena abrir uma exceção dessa vez. Como combinado, fomos ao cinema.

Naturalmente eu já tenho um certo incômodo com os pré-adolescentes que vão ao cinema, em específico, os que vão as mesmas sessões que eu. Já cansei de citá-los aqui no blog e o quanto a presença deles pode ser irritante. Mas dessa vez, era eu quem estava no território deles. Eu era o estranho. Isso é pior do que ter o seu espaço invadido por eles. Posso dizer que, dada a bagunça que estes jovens fizeram, tolerar o filme foi o menor dos meus problemas.

Na fila, por incrível que pareça, não houveram problemas. Tudo correu bem, entramos na sala e sentamos no nosso lugar de praxe. Na última fileira, onde os apoios de braço levantam, o que permite um maior conforto na hora de namorar. Mas o sossego acabou ai. Logo os pequenos enfants já começavam a correr pelas salas de cinema e a fazer a algazarra de sempre. Gritinhos histéricos, risadas para chamar a atenção, comentários inoportunos. Tudo o que eles têm o costume de fazer.

Para a minha sorte, a grande maioria deles sentou-se do lado direto da sala, a uma certa distância da minha pessoa. O que eu posso dizer, é uma distância segura em se tratando do que eu sou capaz de fazer quando resolvem atrapalhar o meu divertimento cinematográfico. Porém, sempre tem um que insiste em sentar perto de mim. Algum tempo depois de acomodado no meu lugar, um grupinho composto de 3 meninas e 1 menino chegou. Sentaram-se logo à minha frente e já começaram a chamar a atenção. Falavam alto, riam alto, comiam de boca aberta e etc. Mas esse nem foi o que mais me incomodou. O que mais me incomodou foi o fato de que o garoto, provavelmente já começava a esboçar as primeiras reações homossexuais.

A voz do garoto era terrivelmente fina. Como se isso não bastasse, ele ainda falava com aquele trejeito característico, acentuando as palavras terminadas em TE com a seguinte entonação: Ciiclethy (sic), Patinethy, Refrigeranthy e por aí vai. Seria tudo muito normal, já que isso se manifesta cedo, se ele não fosse tão pentelho e começasse a tacar pipoca em uma garota logo a frente dele. Provavelmente ele sentiu que a mocinha poderia ameaçar o seu brilho durante a sessão e tratou de colocá-la em seu devido lugar.

Depois de muita bagunça, o filme finalmente começou. É sabido que Zac Efron é um pseudo-astro de cinema, que apesar de dois filmes para TV e dois para cinema, já se acha o novo Marlon Brando. Tudo bem, sem problemas. E o diretor do filme sabe explorar isso. Tanto é que o filme começa com um close no rosto do ator, com cara de determinação, cabelo milimetricamente atrapalhado. Esse foi o estopim para a bagunça começar de vez na sala. As mocinhas presentes, por mais que não saibam o que seja um orgasmo, provavelmente esboçaram um na hora em que o astro apareceu. Gritinhos, palmas, gemidinhos. Tudo como manda o figurino.

Não vou entrar em detalhes sobre o filme. Não é necessário. Não existe história praticamente. Apenas pessoas dançando. Mas rende boas risadas pelas caras forçadas que os atores fazem. Acho que eles têm consciência de que aquilo é ridículo, mas como estão ganhando, o importante é se divertir não é mesmo? Pois é.

Por mais que o público não soubesse as canções, alguns esboçavam aquele inglês macarrônico, onde a letra da música se confunde com palavras inventadas ali na hora, que em meio à massa, acabam não sendo entendidas, e o “cantor” da platéia ainda fica com fama de poliglota. Junto com a cantoria, não poderiam faltar as palminhas no rítimo da música. Nesse momento, a nossa pequena borboleta, citada parágrafos acima, deu o seu show. Além das palminhas, as músicas eram complementadas por vários “Uhull” com a sua vozinha fina e irritante.

Surpreendentemente, do outro lado da sala, haviam pessoas em pé e dançando. A sessão havia virado uma palhaçada total. Provavelmente era a primeira vez que essas crianças saíam de casa sozinhas, e como não haviam pais por perto, resolveram fazer o que, segundo eles, se chama “zoar pácaramba”. À essa altura, eu só queria sair dalí o mais rápido possível, ou então dormir. O problema era que: a) não dava para dormir com aquela gritaria e b) eu não saíria da sala sem a minha namorada. Me restou apenas aguentar o término da sessão de tortura.

Seis horas depois (pelo menos foi essa a sensação temporal que eu tive) o filme terminou. A massa se levantou e como uma boa manada de Gnus, dirigiram-se a saída.

Olha, sinceramente, essa é uma experiência que provavelmente eu não repetirei, ouviu Ohanna?

Entrevista com Mallu Magalhães

Cara, essa garotinha deve fumar alguma coisa antes de dar entrevistas, ou já fumou antes, ou então é problema de dicção mesmo e mais correto seria procurar um fonoaudiólogo. As entrevistas com Mallu Magalhães se resumem a pequenos grunidos, e vários “tipo”, “err” e “aí né”. Veja abaixo uma entrevista exclusiva do Sem Título ainda… com Mallu Magalhães. Nem parece aquela garota prolixa das músicas. Monossilábica e meio lesadinha, escutar ela falando é quase uma tortura.

Bom dia Mallu. Primeiramente, se apresente para quem não te conhece.

Errr, tipo… Mallu Magalhães.

Então Mallu, conta pra gente como você começou a cantar.

Errr, tipo, peguei meu violão meio que tipo, vou tocar né? Aí tipo, comecei a tocar e tipo, fui cantando né? Tipo que eu gostava de tipo, cantar. Errr, tipo, é.. Foi assim.

E como você lida com a fama Mallu?

Err. tipo que, eu errr, não acho que a fama seja um fator decisivo nas escolhas do ser humano. Err, mas tipo, err, eu nem sou, err.. lido bem.

Obrigado Mallu.

Errr, de err.. de.. nada.

O malandro do inglês

Ontem teve aqui em Belo Horizonte a feira EduCanadá 2008, onde várias instituições de ensino fundamental, médio e superior do Canada vem oferecer a sua estrutura a recrutar jovens imigrantes com desejo de morar na terra gelada. Como eu sei que uma graduação fora do país conta demais em qualquer área, resolvi comparecer ao evento acompanhado da minha namorada linda e pefeita. E lá fomos nós.

Chegando lá a estrutura era a de uma feira mesmo. Vários estandes com os seus representantes canadenses, branquinhos e de olhos claros. Os estandes variavam de Colleges ou as faculdades, e os high-school ou os colégios daqui. Também haviam os estandes de cotação do dólar canadense e de empresas de intercâmbio. O meu martírio começou ai, quando percebi que na grande maioria dos estadnes, se encontravam justamente os canadenses com o seu francês e inglês perfeito.

Vale citar que eu falo francês da mesma forma que um recém-nascido domina álgebra. Prossigamos.

No primeiro estande que parei, de curso superior, cheguei todo educado e mandando um sonoro “Olá, tudo bem?”. Logo percebi que fiz merda, afinal, o sujeito do estande ficou com cara de “what a fuck?”, e então percebi que teria que tirar o meu bom inexistente e velho inglês do fundo do meu cérebro. Dito isso, torna-se necessário informá-los que, desde que comecei a ter aulas de inglês no colégio, eu nunca saí do “Verb to be”. Foram quase 6 anos estudando a mesma matéria, o que me torna apto a conseguir traduzir qualquer obra literária em inglês arcaico.

Sigamos em frente.

A conversa se desenrolou mais ou menos assim:

(Caso tenha dúvidas, aperte a tecla SAP do seu monitor, ou então clique aqui.)

Canadense fala alguma coisa incompreensível em francês.

Eu faço cara de “não sei o que você quer dizer”.

Canadense: English?

Eu, com toda a desenvoltura que me é peculiar digo: English? More or less. E faço aquele sinal de mais ou menos com a mão.

Canadense: Good.

Nesse momento eu fiquei tipo, uns 3 minutos mudo, lendo o banner do estande e pensando com todas as minhas forças em algo sensato e correto para dizer pro senhor Canadá. Se eu fosse um computador, naquele momento o meu cursor do mouse seria uma ampulheta.

Depois de formular uma frase deveras complexa, voltei ao diálogo com o Sr. Canadá (vamos chamá-lo assim).

- Errr, i want some information about Social Sciences. I’m graduating, Social Comunication (Publicidadetion and Propagandation) and i look for a pós-graduation in the same area.

Com uma cara de espanto, digna de Hitchcock, ele deve ter pensado “Esse índio sabe falar inglês. Oh god” e resolveu me sacanear. Começou a falar rápido pra caramba misturando francês com inglês. Por dentro ele devia estar gargalhando por ownar um pobre índio brasileiro.

Eu resolvi tentar fazer contato novamente com o gringo. E enfim, ele acabou me mostrando os cursos relacionados a “Social Comunication”.

- Well, we have this, in the same area. Sociology, Social Service and Social Science.

- Ahnn, Ok. Can i? Apontando pra canetinha de brinde e fui embora.

Depois das opções dele para a área de Comunicação Social, eu desisti e fui embora. Fui procurar outros estandes, que para a minha sorte possuiam tradutores, o que obviamente, facilitava a comunicação em 500%.

Fui para a outra parte da feira, onde havia uma maior concentração de estandes. Chegando lá encontrei minha prima de 13 anos e o pai dela. MInha namorada, que até então, segundo ela, estava envergonhada de falar inglês, rapidamente ficou soltinha soltinha, quase uma canadense. Sim, ela parece gringa e eu pareço a porcaria de um nativo. Macacos me mordam, sem trocadilho.

Meus futuros professores no Canada

Meus futuros professores no Canada

Enfim, ela e a minha prima se empolgaram e foram procurar saber as opções de High School e intercâmbio, e estavam praticamente em casa, conversando em inglês como se essa sempre fosse a língua nativa delas. Eu compreendia um Yes ou No aqui e acolá, mas nada demais.

Eu ainda não tinha prestado muita atenção nas duas conversando até chegarmos a um estande em que elas literalmente ficaram horas conversando.

Sério, eu não fazia idéia que uma garota de 13 anos tinha capacidade de acumular tamanho conhecimento igual a minha prima. Com 13 anos eu brincava de Power Rangers e minhas únicas palavras em inglês eram essas: Power, Rangers, On, Off e Reset. Essas três últimas claro, do meu SNES.

A minha namorada então, nem se fala. Nesse momento ela havia perdido todo o constrangimento em ter que falar inglês e começou a falar e a falar e não parava mais. Mulher quando começa a falar é difícil parar. Ainda mais quando estão em dupla, bando ou grandes quantidades. Conversavam sem parar com a tiazinha da escola, que, usando todas as artimanhas da publicidade, conseguiu conversas as mocinhas que a escola dela é a melhor do mundo.

E eu lá, me sentindo a porcaria de um selvagem em meio a uma sociedade moderna desenvolvida. Olhava pra um lado e via canadenses, olhava pro outro e via brasileiros conversando como canadenses. E eu ali, sentindo saudade do tempo em que eu era o fodão da sala no inglês só porque eu sabia conjugar o Verb To Be no Past e no Simple Present.

Vale lembrar a sacanagem que é o mundo quando somos maior de idade. No meu caso, eu teria que pagar a faculdade - 10 mil dólares canadenses - mais a minha hospedagem e qualquer gasto adicional. Entenda como gasto adicional comer, beber e comprar agasalhos. Muitos agasalhos. Para quem é “dimenor” ainda, e está na escola, eles vão com casa pra ficar e têm somente a obrigação de estudar e não tirar notas vermelhas.

Hoje em dia eu vejo que eu poderia ter assistido muito mais filmes porn… Digo, muito mais filmes sem legendas pra aprender um pouco mais.

Finalizando a minha grande aventura pela terra da Polícia Montada, consegui algumas boas opções de cursos de graduação e pós-graduação por lá. Creio que daqui a uns 2 anos, possivelmente terei alguma graninha pra tentar me aventurar por lá. Isto é, se eu conseguir aprender algo além do Verb To Be. Caso não consiga aprender mais nada é só seguir o básico: Coke, Water, Coffee, Bathroom, Food, Internet, BigMac ou Number Five e Thanks. Essas são as palavras mágicas para quem deseja sobreviver em um país de língua inglesa.

Banda RBD anuncia retorno

Empresário anuncia retorno da banda RBD

Cidade do México - Sábado, 06 de setembro de 2008

Em uma coletiva secreta realizada nesse sábado na Cidade do México, o produtor e empresário Pedro Damián, junto com os integrantes Maite Perroni, Christian Chávez, Anahí Portilla, Alfonso Rodriguez, Dulce Maria e Christopher Uckermann, anunciou a retomada das atividades da banda RBD.

Após 22 dias do comunicado oficial de encerramento das atividades, comovidos pelos protestos mundo afora, principalmente em países como Brasil, Colômbia e México, onde passeatas foram organizadas por fãs, empresário e banda resolveram presentear o público com o retorno da banda. O que era um sonho, nesse sábado, se tornou realidade. A banda RBD está de volta.

A idéia é continuar com a atual turnê, Empezar Desde Cero*, e em seguida, lançar um novo cd marcando o retorno e agendando novos shows. Força de vontade é o que não falta. Os integrantes da banda eram só sorrisos durante a coletiva. Visivelmente emocionados com a atitude dos fãs, que em um espírito revolucionário pararam cidades inteiras com seus protestos, falaram um pouco sobre os novos planos da banda.

“É incrível pensar que movimentamos todas essas pessoas através da nossa mensagem. Com tantas causas importantes, pararem cidades inteiras por nós, é um ato incrível de autruísmo” disse Anahí, a integrante mais querida pelos fãs e a que solicitou as passeatas mundo afora.

Já para o integrante Alfonso, essa foi uma oportunidade de voltarem a mídia mundial: “Foi um incentivo a mais para nós. Estar na cabeça das pessoas, influenciando as atitudes é algo incrível. Com o anúncio do fim, tivemos um retorno incrível através da mídia. Isso ajudou bastante ao decidirmos voltar”, afirma o cantor com um enorme sorriso no rosto.

Questionada sobre os planos para o futuro bebê, Dulce Maria foi enfática: “Assim como meu filho, esse momento é de vida nova para a banda. Sei que sou uma peça importante para essa conquista, e meu filho entenderá daqui a alguns anos”.

Os integrantes de banda, fenômeno cultural do século XXI, agradeceram à mobilização dos fãs. “Foi algo surreal. Acompanhamos através da mídia e ficamos emocionados ao vermos pessoas de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Caracas e Tijuana marchando com faixas, camisas e bandanas em apoio a nós”, disse um emocionado Christopher.

A coletiva de imprensa terminou com os integrantes cantando a música Rebelde, que segundo eles, traduz o espírito da banda e a mensagem que eles transmitem: Sempre siga os seus sonhos. Por mais difícil que sejam, eles podem se realizar. Se até o retorno da banda foi possível, qualquer outra coisa pode ser.

*Nota da Redação: O nome da atual turnê é Empezar Desde Cero. Obrigado aos leitores que nos avisaram do erro por e-mail e comentários.

Grande Nogueira

Daí que havia esse amigo meu, o Nogueira. Estudava na mesma escola que eu, desde que entrei lá. Mas só fui começar a conversar pra valer com ele muito tempo depois.

O Nogueira era o típico cara que todo mundo batia. Era magrelo, narigudinho e com cara de bobão. E ainda era nerd, o que piorava a situação dele uns 300%, levando-se em conta que o resto da escola era composto de metidos a valentões. Mas sabe aquela história de superação? Que no final o cara sai vencedor, conquista a menina e tem um final feliz? Bom, não aconteceu isso com o Nogueira. (Cabe aqui fazer o tracadilho recorrente que o Nogueira era alvo: OHH Nogueira? Oi. Pega na minha e cheira! haha.)

Não que tenha sido aquela superação, mas Nogueira conseguiu fazer com que, pelo menos, não abusassem mais dele. Em uma das muitas vezes que alguém tentou se aproveitar da fragilidade do menino, Nogueira deixou de ser um cagão e resolveu encarar. Sem medo, peito no peito. E quando foi atacado, revidou e saiu vitorioso na briga.

Desse dia em diante, todo mundo hesitava sempre quando pensavam em abusar do Nogueira. Aquele Nogueira… peça rara o menino.

Eu e o meu binóculo

Ah o meu tempo de criança. Aquela tenra e doce época onde tudo era mágico e interessante. Época em que as brincadeiras de polícia e ladrão eram praticadas na rua, não em jogos de computador com Counter-Strike. Época onde as pistolas de bolinha eram uma vantagem.

Mas uma coisa que marcou minha infância foi com certeza absoluta o meu binóculo.

A primeira vez que tive contato com um binóculo foi quando meu pai trabalhava na Polícia Florestal. Ele chegou aqui em casa com aquele artefato mágico, encantador, proíbido e tentador. Era preto com uma lente meio avermelhada. Era o tipo de instrumento que os pais dizem “não toque nele”. Mas ao mesmo tempo, é o tipo de instrumento que não tem como não tocar. É uma relação de atração. O seu subconsciente ativa processos químicos no corpo que o levam a tirar o binóculo da caixa e experimentar aquela visão única.

Logo eu estava observando o mundo com outros olhos. O binóculo que meu pai levara pra casa era muito potente. O alcance era enorme, uma coisa linda de se ver. Desde aquele dia o meu sonho de consumo infantil passou a ser um binóculo.

Depois de muitos pedidos, eu finalmente ganhei o meu binóculo. Não tão potente quanto o do meu pai, afinal, o dele era utilizado para missões perigosas, como observar caçadores e pescadores ilegais. O meu não tinha 20% do alcance, mas também era excelente.

A partir do momento em que ganhei, logo me tornei a nova sensação do bairro. Todos queriam utilizar o meu binóculo. Passei a ser um voyeur de primeira. Observava os moradores dos prédios ao redor com tamanha curiosidade que seria capaz de dizer a rotina de cada um tal qual James Stewart em Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock.

Tentar ver alguma vizinha tomando banho logo se tornou um objetivo, o que era praticamente impossível, mas mesmo assim, não custava tentar. Mas não dava em nada.

Até que um dia meus amigos me lembraram que na parte de trás do prédio tinha o morro, que separava meu condomínio da quadra de esportes. E de lá, teriamos uma visão abrangente de todo o prédio. E também estariamos escondidos e de frente para as janelas do apartamento daquela vizinha que todos nós admirávamos, se é que me entendem.

E lá fomos nós. Era noite e tínhamos o fator camuflagem, pois haviam arbustos que nos escondiam facilmente. Chegamos lá era mais ou menos umas 19h. Cada um ajeito no seu cantinho, só esperando o momento em que teríamos um showzinho particular.

Só esqueceram de falar pra gente que essas coisas só acontecem em filmes.

Depois de 4 horas deitados, sentados, encostados e totalmente decepcionados, fomos embora, sem nem sequer ver um peitinho, uma calcinha ou algo do tipo.

Mas eu ainda continuei minhas aventuras com meu binóculo. Já vi muitas coisas graças a ele, mas nada que se comparasse aquelas cenas de filme onde vemos praticamente um strip completo.

Obras, obras e mais obras

Como se não bastasse Belo Horizonte ser um enorme canteiro de obras atualmente, as reformas resolveram chegar até a minha casa.

Minha mãe foi possuída pelo espírito de Michelangelo e resolveu fazer da nossa casa a sua própria capela Sistina. Comprou tintas, pincéis, rolos e argamassa. Só faltou o macacão azul e bonézinho da Quartzolit. O único porém é que ela nunca havia feito isso antes. Ou seja, a experiência da minha mãe com pintura residencial é o mesmo que a minha experiência com física quântica. Inexistente.

Mas além dessa empreitada artística, no meu apartamento haviam alguns pequenos problemas técnicos, como um buraco na parede da sala devido à infiltrações no prédio. Para pintar, teria que fazer um rejunte com argamassa. Nesse momento minha mãe se ligou que não era uma pedreira ou uma mestra-de-obras, e resolveu contratar a mão de obra especializada. Um viva as castas sociais! :D

Como os pedreiros já estavam fazendo o serviço pesado, meu pai e minha mãe, em um consenso, resolveram que os fios da SKY e do hub que conecta os dois computadores daqui de casa, deveriam passar por dentro da parede.

Isso foi sexta-feira de manhã. Acordei com o típico barulho de pedra sendo quebrada. Aquelas marretadas em um rítmo milimetricamente sincronizado. Pin, Pin, Pin e Pin. Depois do Pin eram os entulhos caíndo no chão.

Como a idéia era passar os fios da SKY e da Internet por dentro da parede, eu não me liguei que eu estava completamente ilhado em casa. Sem televisão, sem internet e da porta do quarto da minha mãe (o único cômodo seguro da casa) pra fora, cercado de gesso, poeira, jornais e várias outras coisas pelo chão.

Minha casa estava um inferno. Ainda está pra dizer a verdade. O meu quarto está normal novamente, mas como os Pedreiros não eram treinados pela SKY, fizeram alguma merda que resultou em uma perda parcial de sinal da minha TV a cabo. Ou seja, metade dos canais pegam e a outra metade está sem sinal. Trocando os fios, a metade que estava funcionando pára de funcionar e a que estava sem sinal começa a funcionar perfeitamente.

Fora isso, estar sem televisão e exposto a partículas de poeira que me fazem espirrar verdadeiras cachoeiras de catarro, ao furar a parede, mudar as canaletas de fios de lugar, os pedreiros deram sinal verde para uma invasão de baratas na minha casa.

Esses pequenos seres marronzinhos e nojentos estão à espreita, esperando apenas o apagar das luzes para fazerem a festa na minha casa. Eles não gostam de mim e o sentimento é recíproco. Meu chinelo não vê a hora de esmagar alguns desses insetos asquerosos.

Enfim, minha casa está totalmente bagunçada, empoeirada e com cheiro de tinta. Para quem tem alergia como eu, é uma maravilha. Espero que minha mãe seja tão boa pintora quanto mãe, porque senão, todo esse investimento de tempo e paciência terá sido em vão.

Fui.

Pé de valsa, ou quase isso. Parte 2

Um dançarino excepcional. Um verdadeiro mago das pistas de dança. Um fenômeno desde John Travolta, ou Tony Maneiro, como preferir. Essa descrição poderia ser sobre a minha pessoa. Mas infelizmente eu não sou nada disso. Bom, a parte do Tony Maneiro até vai.

Acabei de chegar da festa de 15 anos da minha amiga (parabéns de novo Gabi). Claro que eu tava acompanhado da minha namorada linda, que até tentou me ensinar um pouco de valsa há alguns dias. O problema é que eu não possuo o gene que nos permite dançar valsa.

Olhando de fora parece a coisa mais simples do mundo. Passinho pra cá, passinho pra lá, passinho pra cá de novo, passinho pra lá e pronto. Mas na prática não é nada disso.

Primeiro o nervosismo quando me chamaram pra fila dos garotos que iriam dançar. Não vou dizer príncipe porque de realeza eu não tenho nada.

Lá dentro uma verdadeira prova de tensão e nervosismo. Creio que um paredão do Big Brother não se compare à essa pré-valsa. Ali você tenta se descontrair conversando com os outros garotos. Até o momento em que você descobre que é o único ali que nunca dançou valsa. Pra piorar, você é o mais velho da turma.

Posso dizer que doeu o meu coração quando um dos garotos perguntou se eu não tinha passado pela oitava série. Eu passei, mas não era popular o bastante pra ser chamado pras festas. Minha primeira festa de 15 anos foi em 2006, acredite se quiser.

Começaram a explicar. Chamariam nome por nome e teríamos que andar o salão inteiro e quando chegasse onde seria a dança, cada um ia para um lado.

Mal assimilei as informações e começaram a chamar. Eu era o quarto nome da fila.

Rafael, falaram no microfone. Meu cérebro dizia para as minhas pernas se movimentarem, mas as pernas, atrevidas que só, custaram a entender o comando. Exitei um pouquinho e fui. Chegando quase lá todo mundo batendo palma e as garotas do salão gritando. Nessa hora a vergonha aumentou exponencialmente. Um vexame era iminente.

Todos a postos, aniversariante no devido lugar e começa a valsa.

Se eu estivesse no corredor da morte, o nervosismo não seria tamanho.

Vai o pai, vai o irmão, vai o primeiro amigo. Era a minha vez.

Cheguei de mansinho, como quem não quer nada e tomei a aniversariante. Nesse momento eu só conseguia pensar em duas coisas: Um passo pra cá e um passo pra lá.

Comecei a dançar, falando com a aniversariante que eu tava morrendo de vergonha. E ela até que tentou me acalmar falando que era fácil. Fácil pra ela, que ensaiou e sabia dançar. Ali eu era o pior tipo de Noob que você imaginar. Um virgem em questão de valsa.

Creio que não chegou a dar mais de um minuto de dança, mas na minha cabeça pareciam horas.

Quando ela me pediu para dar uma viradinha, meu cérebro deu o famoso PAM do Windows e travou. Tive que dar um Ctrl Alt Del e reiniciar. Claro que todo mundo percebeu a paradinha que eu dei. E logo depois ainda consegui a façanha de pisar no pé da garota.

Mas quando eu já estava sem esperanças, abatido pelo vexame, veio o próximo dançarino e tomou o meu lugar. A sensação foi de chegar a tempo na privada quando se está com o pior tipo de dor de barriga, tamanho foi o meu nervosismo. Acho que mais nervoso que a aniversariante.

Depois da valsa fui para os braços da namorada que me consolou, dizendo que não foi tão mal assim.

Bom, para a minha primeira vez, posso dizer que não foi tão traumatizante. Mas valsa de novo, só no aniversário da minha filha. E se eu tiver uma filha.

É o capeta em forma de guri

Eu já fiz muita traquinagem quando era criança. Pode incluir ai na lista tocar campainha e sair correndo, colocar merda de cachorro na porta dos outros, passar trote por telefone, soltar pneu de carro em uma descida gigante e por aí vai. Mas algumas aventuras foram marcantes.

Certa vez eu e meus amigos descobrimos uma forma de subir na caixa d’água do prédio. Era a nova coqueluche da juventude Heliópoliana. Dava pra soltar pipa ou papagaio para quem curtia isso, dava pra sentar e ficar conversando tranquilamente, rolava até partidas de War. Era só deixar a imaginação fluir. Só não rolava troca-troca. Eram todos devidamente héterossexuais, caso tenha pensado em outras coisas.

Algum tempo depois, um velho que morava no outro prédio, Ex-combatente da FEB - Força Expedicionária Brasileira, começou a nos enxergar como inimigos. Bom, nem tanto. Apenas não gostava de nos ver lá em cima e decidiu contar para os nossos pais.

Como sempre, só eu que me fodi. Só eu que fiquei de castigo. Mas tudo bem, a vinganção é um prato que se come frio. Clichê, mas é verdade.

Preparei todo um esquema de guerrilha urbana para me vingar do maldito velho e seus cúmplices, dentre eles o dono da padaria da rua.

As armas eram simples e eficientes. Bombas de balão de água, ovos, sacolas com lixo e uma arma de fabricação caseira que consistia em um bob de cabelo e um balão em uma das extremidades. Munido de uma pedrinha ou um grão de feijão, se tornava uma arma letal e eficiente. Silenciosa e ao mesmo tempo devastadora.

Nos preparamos para a guerra. Na época o meu pequeno levante contou com a participação dos companheiros Amadeus, Ravel, Cristiano e Vinícius Gambá. Naquele momento encarnei Che Guevara e iniciei uma guerra.

Descemos e nos dividimos. Eu, Gambá e Cristiano cuidaríamos de lotar a casa do velho de lixo, ovos e detonar a janela dele, enquanto o Amadeus e o seu irmão Ravel cuidavam de bombardear a padaria com bombas de balão e ovos.

A primeira etapa foi concluída com êxito. O velho não estava em casa e todas as janelas estavam abertas. Logo, com um pouco de sorte e muita mira, emporcalhamos todos os cômodos da casa daquele ex-combatente. O velho não tinha o seu avião agora, então não era tão fodão quanto na II Guerra.

Mas como todo bom filme de ação, em algum momento o jogo vira e é sempre por culpa de algum idiota do grupo.

Depois da ação bem executada, o Amadeus resolveu correr para dentro de uma construção que existia em frente ao nosso prédio. Foi esse o erro. Quando ele correu, eu e o Gambá fomos atrás e o dono da padaria viu. Era pra ser uma retirada estratégica e silenciosa, mas se tornou um fiasco.

O dono da padaria entrou no seu possante, um Chevette branco e desceu a rua. Como não tinha jeito de ficarmos na construção, descemos e corremos pela rua de trás. O maluco do Chevette saiu até cantando pneu e foi atrás. Chegando na esquina ele fechou a gente e pegou o Amadeus. Uma baixa é aceitável.

Eu e o Gambá corremos e nos escondemos. Depois de um tempo, quando a barra estava limpa, voltamos para o covil. Eu pra minha casa e ele pra dele. Dormi como um anjo aquela noite.

No outro dia, acordei com minha mãe berrando. Que queria me bater, que eu não tinha juízo, que eu tinha sujado a casa do velho e a padaria toda e blah blah blah. Se ela estava falando assim, provavelmente alguém abrira o bico. O Gambá. O pobre e fraco Gambá. Não podia escutar um “Fala senão eu te bato” que já soltava tudo.

Acabou me entregando.

O que era pra ser uma ação de guerrilha rápida e sem pistas, se tornou em um dos grandes fiascos da minha vida, o que me rendeu algumas semanas de castigo, enquanto os outros garotos brincavam tranquilamente lá fora.

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