Archive for the ‘Histórias’ Category
O Dia que Jesus me traiu
Jesus pode ter feito um cego enxergar, um aleijado andar e ter ressuscitado depois de alguns dias, mas, para mim, ele reservou algo muito mais irônico e humilhante. Jesus pode ter sido legal para você, mas comigo, ele apenas se divertiu rindo da minha cara. Vou contar para vocês um pouco dessa minha experiência com “Jesus”.
No final de 2005, eu estava de rolo com uma garota da minha rua. Estava curtindo demais ficar com ela e, quem sabe talvez, dar um passo adiante na “relação”. O Reveillon estava próximo e nesse ano eu passaria na casa da minha tia. Uma coisa mais família. A garota, por outro lado, resolveu passar em um clube tradicional aqui de Belo Horizonte.
Nesse momento, enquanto observava atentamente o desenrolar dessa história, o “criador” resolveu brincar um pouquinho com a cara desse blogueiro. E devo admitir, ele tem estilo.
Enquanto eu estava na casa da minha tia comendo pernil, tomando Coca-Cola e assistindo ao show da virada, a minha “peguete” estava lá no clube. Deu meia-noite e eu tentei ligar. Mas réveillon, após a meia-noite, é praticamente impossível conseguir completar uma chamada via celular. Logo, deixei para depois. Fui para a cobertura da titia e vi “de camarote” os fogos da lagoa da Pampulha.
Curiosamente, minha testa começava a demonstrar um pequeno sinal de coceira e minha cabeça pesava. Era hora de dormir, acreditei inocentemente.
Volta para “O Criador”. Sentado confortavelmente em sua cadeira de mogno e sucupira, nossa divindade bancando o Woody Allen celeste, escreve mais algumas páginas da comédia romântica que foi o meu ano de 2006.
Acordei no dia primeiro ainda com a cabeça pesada. Acordei bem tarde, pra ser sincero. Como de costume fui logo entrando na Internet pra falar com a “peguete” e deixar um scrap de feliz ano novo.
Nesse momento, alguém ri descontroladamente em algum lugar do universo.
Chegando à página de recados da garota, me deparei com um scrap mais ou menos assim de um gordinho qualquer: “O Orkut do “Jesim” é esse aqui: link”.
Alguém diz “LOL” em algum lugar do universo.
Tomado pela curiosidade mórbida querendo saber quem diabos é “Jesim”, cliquei no link deixado pelo gordinho e fui averiguar.
Na boa. Pode me zoar, fazer pegadinha comigo e tal. Eu não vou apelar. Você pode ser a pessoa mais irônica do mundo e eu vou entender. Mas Deus, com toda a sua sutileza tem um humor mais apurado e non-sense do que os ingleses em toda a sua infinita existência. Eu realmente não vou ligar, mas o que vocês lerão a seguir foi o maior Owned que eu já levei em toda a minha vida. Eu fiquei a ponto de fazer terapia por conta dessa “pegadinha”. Custei a superar.
Então, voltando ao Orkut. Cheguei no perfil do tal “Jesim”. Logo de cara já me deparo com o nome verdadeiro do sujeito: Jesus Salvador. Achando que eu era engraçado, disse um “amém” quando li e cliquei no link de recados.
O primeiro recado era da minha “peguete” e no melhor português que a Internet pode oferecer, li em letras garrafais e com uma cara de cu sem igual:
“Oi, lembra de mim? A gente ficou lá no clube. Te add. Beijos :*”

CARALHOPUTAQUEOPARIUAMINAMETRAIU!
Se não fosse humilhante demais ser traído em pleno réveillon, a menina ainda teve a ousadia de me trair com um cara chamado JESUS SALVADOR! Sério. Qual a probabilidade de uma família batizar alguém de Jesus Salvador e o cara resolver pegar justamente a menina que eu estava ficando?
Jesus Salvador? Eu não estava acreditando naquilo. E realmente não acreditei por muito tempo. Sei lá, se a menina tivesse me traído com Abraão, Salim, José, Moisés ou qualquer outro dos 12 apóstolos eu ainda entenderia. Mas com Jesus?
Deus deve ter um humor realmente non-sense.
O que eu poderia fazer? Era o filho do cara.
American Pie: A Faculdade
Hoje estava conversando com os caras da faculdade sobre o fracasso que foi a minha vida sexual durante o curso. Mas isso não vem ao caso. O que vou tratar nesse post foi um fato ocorrido no meu primeiro mês de faculdade. Algo que até então eu só tinha visto em comédias adolescentes. Sendo mais específico: algo que eu só tinha visto acontecer nos filmes American Pie.
Não vou citar nomes, apenas acompanhem.
Primeiro período de faculdade você sabe como é: todo mundo querendo se conhecer melhor, pegar as mais gatinhas da sala, fazer amizade com os caras populares e etc. Nada melhor do que uma festinha para permitir essa confraternização entre os calouros.
Logo, um dos alunos ofereceu a sua casa para a primeira festa. Tudo combinado, dinheiro coletado e festinha marcada. Era hora da diversão.
Obviamente, como eu disse no início do texto, a minha vida sexual durante a faculdade foi um fracasso completo. Não é difícil imaginar que eu não fui a essa festa e os relatos a seguir foram feitos por todos os alunos da sala. A chance de serem verdadeiros são enoooooormes.
Dizem as más línguas que a mãe do dono da casa era bem pra frente. Em um primeiro momento, diziam ser mais uma mamãe descolada, que curte conhecer os amigos do filho, fazer uma média e participar da bagunça. Normal. Até porque, se não me engano, o cara é filho único e morava só com ela.
Porém, contudo, entretanto e, todavia, essa senhora acabou sendo “descolada” demais a ponto de pegar outro cara da sala. Poxa, pegar tudo bem, ta tranqüilo, o moleque supera. Mas a pegação não parou por aí. A mãe do nosso, vamos chamá-lo de Stifler, levou o garotão pro quarto e partiu para o ataque.
Dizem que o rapaz só saiu do ninho de amor ao final da festa.
Os primeiros dias foram repletos de risinhos abafados e olhares tortos pela sala. Mas ninguém ousou chegar para o garoto e falar:
- E aí colega. Já pediu a benção para o seu papai hoje?
RÁ!
Depois desse episódio, o garoto nunca mais realizou festas em sua casa. Enfim. Depois desse episódio a minha sala não teve nenhuma outra festa. O que só corrobora o fracasso que foi a minha vida sexual-acadêmica.
Rafael, um lutador.
Apesar de dominar com absoluta perfeição as artes marciais do Kung-Fu, Karatê, Tae-Kwon-Do, Capoeira e Krav-Magá, sempre fui um cara de diálogo. Minhas brigas eram resolvidas sempre com um bom bate-papo e uma partida de Jokempô, que modéstia a parte eu também domino muito bem.
Mas chega uma hora na vida de um cara que se faz necessário utilizar seus dotes marciais a fim de se auto-preservar. Sr. Miyagi sempre disse que não devemos lutar fora do tatami. Até certo ponto isso faz sentido, mas a partir do momento em que a sua honra e a sua integridade física estão em jogo o papo muda.
Tudo estava tranqüilo na quadra do condomínio. Todos jogando futebol civilizadamente. Eu estava na “de fora” esperando com mais alguns garotos. Para passar o tempo, batíamos bola do lado de fora de quadra. Não havia motivo pra alguém levar aquilo a sério, era só passatempo. Mas sempre tem aquele puto estressadinho que não aceita perder e resolve apelar.
Esse era o William. Eu tinha os meus 12 ou 13 anos e ele tinha uns 7 ou 8, não me lembro. Apesar da tenra idade, esse aprendiz de cão de guarda era uma máquina de nervos. Não aceitava nada sem encrencar. Naquele dia não podia ser diferente, mas ele não contava que eu estaria em um dia único de fúria. Pior pra ele.
Após uma discussão eu virei às costas e o bastardinho me acertou com a bola. Eu virei tranquilamente já com os punhos fechados e perguntei que merda era aquela. Ele não se preocupou em responder e veio pra cima de mim como um Pincher vai pra cima de qualquer pessoa.
Ele deu dois passos e caiu pra trás. O soco que eu dei na cara dele foi tão bem dado, tão perfeito e tão bem encaixado que se eu fosse italiano e ele negro, eu seria chamado de Rocky Balboa e ele de Clubber Lang. O garoto ficou deitado por um bom tempo.
Do lado de dentro da quadra, o irmão mais velho do William, o Tiago, que era um ano mais novo do que eu resolveu tomar as dores e veio pra cima de mim. Nesse momento o meu cérebro só conseguia pensar em uma coisa: auto-preservação. Trocando em miúdos, o certo seria correr o mais rápido possível. Afinal, lutador que é lutador resolve as diferenças no ringue. Mas a honra falou mais alto. A quadra estava lotada e a massa queria espetáculo.
Esperei o Tiago vir correndo e quando ele chegou perto, não sei como, consegui pegá-lo pela blusa e aplicar aquela famosa rasteira do judô. Fato que derrubei o valentão em questão de segundos e logo após o quase ippon já estava desferindo vários e vários socos em sua nuca e cabeça.
A massa ensandecida começou a gritar “Rafinha! Rafinha!” e a adrenalina subiu pelas minhas veias de tal forma que nem senti o soco nas costas que o William - ainda meio zonzo - me acertou. Como um verdadeiro Jack Chan apliquei um chute bem no estômago enquanto imobilizava o seu irmão no chão. Por fim, depois de quase sufocar o garoto tamanha era a minha raiva, a massa acabou separando a briga.
Dava pra escutar ao longe Gonna Fly Now e se eu tivesse uma namorada naquela época, provavelmente estaria gritando o nome dela com os braços erguidos. Como é doce o sabor da vitória, não é minha gente? Adoro o cheiro de irmãos derrotados no café da manhã. Nham Nham Nham!
Como ali todo mundo era amigo, de tarde já estávamos no hall do prédio jogando War e conversando sobre Cavaleiros do Zodíaco.
Rafael - O malandro carioca
Bebida e mulher são duas coisas que não combinam. Aliás, combinam sim. Dependendo das suas intenções, mulher e várias doses de vodka, cerveja, whisky ou outra bebida alcoolica qualquer pode render grandes momentos a dois, ou até três, se é que me entende. A história a seguir, se passa em 2004 e já utilizei até para alertar a minha namorada (linda) quanto a como um homem pode ser filho da puta com uma garota bêbada. Portanto, leia a história a seguir e tente tirar alguma lição.
Era mais uma excursão do colégio. Dessa vez estávamos indo para o Rio de Janeiro. Um dia na capital e um dia em Petrópolis.Dá pra imaginar o que poderia acontecer em uma excursão onde 90% das pessoas eram adolescentes com os hormônios borbulhando e doidos para conhecer a fundo as cariocas ou os cariocas, dependendo do gênero sexual? Como eu havia recém-terminado um namoro e não era o que poderia se chamar de atraente: gordinho, com espinhas e nerd, nem mantive grandes esperanças quanto a realizar o ato fornicatório em terras fluminenses. Fato que eu estava enganado.
Chegando em Petrópolis, na sexta-feia, a mineirada toda resolveu curtir a noite da cidade imperial. Claro, todos foram para o mesmo lugar, afinal, ninguém conhecia nada da cidade e estávamos no Rio de Janeiro. Como estudávamos em um colégio militar, a instrução era: não cacem confusão com ninguém. E lá fomos nós. Todos em direção a uma boate chama Happy News ou algo do tipo.
Meu grupinho característico estava reunido: O Gordinho, Wally, Edir e o Cris. Junto a nós estavam três amigas, que iremos chamar de A, C e E. Eu já havia feito um boobie teste na A dentro do ônibus, porém não tinha esperanças de que mais nada acontecesse. Mas em determinado momento, o fator álcool começou a influenciar. Como eu não bebia e nem a maioria dos meus amigos, ficamos apenas assistindo as meninas se esbaldarem de Kaiser Summer. E dá-lhe long neck nas meninas. Algumas garrafas depois, A e C já estavam completamente alcoolizadas. Como ninguém se dispôs a voltar para o Hotel, já que a única forma era ir de Taxi, eu e o Wally resolvemos levar as meninas.
Deixamos A e C no quarto. Antes disso o Edir já tinha ido embora com uma outra garota, amiga da A, a M. O quarto da M e da A era o mesmo e quanto batemos na porta, Edir e M estavam deitados lá. O cara se arrumou, deixamos as garotas e subimos para o nosso quarto.
Um tempo depois sobe a A e a M para o nosso quarto. Foram perguntar se alguém tinha remédio para dor de cabeça, já que a A estava que não se aguentava. Nesse momento, os sinos da glória tocaram, meus olhos brilharam e o famoso clichê do diabinho da consciência falou mais alto que tudo: “leva a garota para o quarto… e não esquece o remédio”. Logo me prontifiquei a descer com a A e o remédio.
Sim. Eu sei que foi uma atitude muito feia, mas o nível alcoolico já devia ter diminuido. Enquanto a A foi tomar o remédio, fiquei deitado na cama. Logo em seguida ela chegou. Bom, não preciso continuar os detalhes para vocês saberem que, dado o nível de cachaça no sangue da moça, acabamos realizando o ato fornicatório. Foi um dia cheio de vitória e glória pra mim. Afinal, gordinho, nerd e sem esperanças no Rio de Janeiro, a noite tinha até me proporcionado uma surpresa.
É por isso que eu disse para a minha namorada. Nunca beba de ficar chapada. Aquele seu amigo pode ser um grande filho da puta que não deixará a primeira oportunidade de aproveitar de você enquanto bêbada. Tá certo que a menina se lembrou de tudo no outro dia. Mas, fica o conselho.
Se você é homem, deixe a sua amiga beber a vontade. Em um recinto cheio de possíveis fodas, deixe que elas bebam até cair. Na hora de levar para o quarto, seja o primeiro. É recompensa garantida. Agora, se você é mulher, nunca beba até cair. A não ser que você queira terminar a noite com um gordinho nerd com um sorriso no rosto.
A primeira vez a gente nunca esquece…
Domingo minha namorada estava me contando um caso engraçado. O tio dela pegou um garotinho bem no meio do ato masturbatório em um clube, escondido atrás da moita. A desculpa dada pelo jovem corneteiro foi a de que estava apenas coçando. Isso me lembrou um fato engraçado e totalmente semelhante que aconteceu com… digamos assim, um amigo meu.
Esse meu amigo devia ter uns 13 anos, por aí. Estava na fase pós-descoberta dos prazeres do sexo solitário. Todo lugar era lugar e toda hora era hora para, furtivamente, descascar a bananinha. Naquela noite não poderia ser diferente. Deitado na cama, a luz do quarto apagada e a televisão ligada logicamente na Band. Adivinha o que esse meu amigo estava assistindo? Exatamente. Cine Peitinhos, mais conhecido como Cine Privê.
Antes de prosseguir, se você vive ou viveu a sua adolescência na era da Internet de banda larga, você provavelmente não teve que passar por grandes sacrifícios como ficar acordado até tarde para assistir programas como Cine Privê, Todo Êxtase, Sexy Time e derivados. Hoje você tem toda e qualquer sorte de putaria devidamente arquivada a um clique de mouse. O ato de se masturbar vendo algum vídeo é bem mais fácil hoje em dia do que há alguns anos.
Voltando ao meu amigo. Ele estava tranquilamente deitado na sua beliche, com a avó dormindo na parte de baixo, assistindo a uma cena tórrida de amor, provavelmente Emmanuelle em algum lugar do mundo. Ele estava com o salame na mão e aplicando os movimentos ritimados. O famoso movimento retilíneo uniforme, quase alcançando o clímax de uma bela sessão de sexo quando sumariamente a porta do seu quarto se abre e o pai aparece perguntando:
- O que é que você tá fazendo ai?
- Err.. né nada não pai. To só coçando. Aqui ó.
- Coçando né? Sei…
Nesse momento o coração do meu amigo estava disparado. Até aquele dia ninguém havia interrompido abruptamente a bronha do cara. Ele sempre fora cuidadoso. Esperava os pais entrarem para o quarto e trancarem a porta e a sua avó dormir. Se ele poderia ser chamado de alguma coisa, seria de cauteloso. Mas não aquele dia.
O meu amigo foi flagrado com o salame na mão e não tinha como se esconder. Uma mera coçadinha não deixaria o membro em estado de prontidão. Fato que seu pai, um malandro da velha guarda, sabia que o seu querido menininho era agora um homem. Um homem punheteiro.
O grande assalto.
Eu nunca fui assaltado à mão armada. Nunca fui abordado por meliantes me perguntando as horas e de repente me enquadrando e levando todo o meu dinheiro da balada conquistado aqui no blog. A única situação em que eu fui, basicamente assaltado, foi quando eu ainda era um adolescente rebelde que andava de skate. Se não me engano, isso foi em 2001. No início do século, para ser mais exato.
Era uma noite agradável e o clima propício para o tradicional rolé de skate. Depois de uns ollies pra cá, uns ollies pra lá, eu e a minha turma resolvemos descansar em frente à casa de um dos caras. Tudo corria tranquilamente. Falávamos sobre amenidades enquanto alguém tocava violão. Provavelmente tocavam System of a Down, ou sei lá, Nirvana. Não me lembro muito bem.
Percebi uma certa galerinha do gueto se aproximando. Os caras só não eram mais suspeitos porque não andavam com a ficha criminal pendurada no peito, mas o cabelo raspado curtinho e pintado de “amarelo”, não era nem louro, era amarelo, denunciavam as intenções criminosas dos meliantes.
Se posicionaram de forma que não tinha uma saída para a gente e começaram um interrogatório. Perguntaram se conheciamos um fulaninho random qualquer, e como não nos misturávamos, dissemos que não conhecíamos. Pediram para a gente dar o recado e nesse momento, um dos malandros, agindo como um verdadeiro gatuno, deu um tapa na aba do meu boné da Nike, que nesse momento levantou vôo da minha cabeça e caiu encaixado na mão do sujeito.
A reação de uma pessoa normal seria, nesse exato momento, levantar de cima do skate e aplicar uma bela skatada na cara do meliante. Com o lado do truck, claro. A intenção seria no mínimo, um traumatismo craniano. Mas eu, em minha infinita gentileza, simplesmente continuei sentado, olhando e querendo chorar. E os meninos correram. Correram como nunca haviam corrido. E eu? Fui pra casa ligar pro meu pai, afinal, ele é cana.
E os dias se passaram. Dois dias, mais especificamente. E por um golpe de sorte do destino, quando voltava de carro com o meu pai, um dos assaltantes passou por nós. Foi um momento lindo. Meu pai estava fardado e o malandro do morro estava indo pra escola. Uma cabeça grande a amarela se destaca. Não foi difícil identificar. Meu pai, como todo bom policial, enquadrou o moleque, deu uns dois tapas pra mostrar autoridade e mandou devolverem o meu boné no dia seguinte.
Dito e feito. Devolveram o meu boné e pediram desculpa. Só havia um pequeno problema: me roubaram um boné da Nike e me devolveram um da Reebok. Marrom.
=(
Rafael - O Alquimista
Um dos principais objetivos da alquimia é transformar outros metais em ouro. Exceto o Paulo Coelho e o Edson Celulari, eu não conheço nenhum outro alquimista. Ah sim, tem mais um… eu. Posso dizer que já fiz de tudo nessa vida, mas transormar prata em ouro foi algo digno de respeito. E eu me respeito muito por isso. Afinal, não é todo dia que eu crio ouro do nada.
Muitos podem não saber, mas eu tenho namorada e uso aliança de compromisso. E nessa história a aliança é o personagem principal.
Foi no início do ano mais ou menos. Estava ajudando a minha mãe a manusear um produto. Eu não me lembro muito bem o que era, apenas que era composto de “hidróxido de sódio”. Não me pergunte o que é, afinal eu sou publicitário e, como bom publicitário, eu não sei nada de química.
Dizem que esse produto é muito forte, altamente corrosivo, podendo até mesmo causar pequenas queimaduras na pele. Mas, como minha mãe é sempre muito zelosa, não me avisou desse perigo todo. E lá vai eu metendo o mãozão no produto. Passa daqui, passa dalí e a mão toda lambuzada.
Eu não sabia, mas naquele momento eu estava desenvolvendo as habilidades de um alquimista nato. Eu nunca procurei a Pedra Filosofal e muito menos o elixir da vida. A parte do ouro eu gostaria e muito de possuir. E, sem saber do que estava por vir, fui tomar meu banho.
Escovei os dentes (sim, eu escovo durante o banho), molhei a cabeça e me ensaboei. De repente, em um golpe de vista rápido, meus olhos passaram pela mão direita, especificamente pelo dedo anelar, onde fica a minha aliança. Voltei o olhar e me espantei.
A minha aliança que até há alguns minutos atrás era de prata, estava completamente dourada. Ouro mané. Gold. Claro, na hora a minha reação não foi de felicidade. Foi de raiva, muita raiva por ter metido o mãozão no produto sem proteção e ter fodido com a minha aliança. Naquele momento eu estava noivo e nem sabia.
Liguei pra namorada e falei o que tinha acontecido. Nada demais. Resolvi que levaria a aliança ao meu primo que a fez, mas esperaria até o começo da semana, já que era um sábado se não me engano.
Mas, para a minha surpresa, meus dons de alquimista estavam mais aguçados do que nunca e como um verdadeiro milagre, a aliança foi voltando a pratear aos poucos. Até que finalmente se tornou prata novamente.
O que o Paulo Coelho demorou um livro inteiro pra contar eu fiz em apenas um dia rapá. Eu exijo respeito!
Micaretas não valem a pena
Isso todo mundo já sabe. Principalmente quando a mãe da gente morreu alguns dias antes. Mas, as micaretas podem ser uma experiência traumatizante na vida de uma pessoa que não faz parte desse universo, como é o meu caso.
Tudo aconteceu em 2006. Conheci meus atuais melhores amigos na praia e eles já tinham o costume de ir ao Axé Brasil religiosamente em todos os anos. Eu, desde muito cedo um roqueiro incorrigível, para fazer uma média com os amigos e experimentar uma coisa nova, já que na época todo mundo falavar que era fácil pegar mulheres nesses shows, resolvi entrar nesse mundo. Mas havia um pequeno problema: dinheiro.
No ano anterior, em 2005, trabalhei por 3 meses em busca de um único objetivo: comprar um Playstation 2. Três meses de trabalho e eu já tinha o dinheiro para realizar esse sonho de consumo. E foram bons tempos aqueles jogando Winning Eleven, Black Hawk Down e GTA.
Voltando ao assunto, era chegada a época da micareta e eu não teria dinheiro. Bem se sabe que em determinadas ocasiões o lado negro da força se faz presente e em uma conspiração universal para foder a nossa vida, oportunidades aparecem. Uma delas foi a mãe do meu amigo oferecendo o mesmo preço que eu paguei no Playstation 2 novo, por ele usado. Com 1 ano de uso. No momento eu não raciociei direito e não pude calcular o prejuizo sentimental que eu sofreria.
No momento a única coisa que passava na minha cabeça era o tanto de mulher disponível naquele ambiente. Eu não levava em conta o ambiente lotado, a música ruim e as constantes brigas que acontecem nesse tipo de evento. Sim, eu era solteiro na época.
Fiz uma das maiores cagadas da minha vida, e ela não veio acompanhada de uma diarréia. Vendi o Playstation 2. A cagada não se restringiu a só vender o video-game. Além disso eu gastei o dinheiro com a porcaria de um ingresso pra micareta. E mal sabia que o me esperava nessa micareta. Se meu video-game tivesse sentimentos, eu seria odiado eternamente por ele.
Na época eu estava “afim” de uma amiga que conheci no carnaval. Vale aqui fazer uma pequena observação:
Homens são um dos seres mais idiotas do mundo quando o assunto é mulher. Você gasta, investe dinheiro em um “possível” relacionamento. Aliás, não precisa nem ser um relacionamento, basta ter a mínima chance de você pegar uma garota. Irracionalmente, fazemos as piores merdas possíveis, nos tornando motivo de chacota entre os amigos e, futuramente, post em um blog.
Voltando, digamos que eu também estava indo ao show pra tentar ficar com essa amiga. Mas, não sei porque diabos eu simplesmente não conseguia esboçar nenhuma reação além de contar piadas inúteis, fazer trocadilhos e rir como uma hiena com gases. Não cheguei na menina e, pensando em uma futura oportunidade, não cheguei em nenhuma outra menina com medo de estragar qualquer (inexistente) chance que eu tivesse com ela.
Como se não bastasse tudo isso, eu tive que aturar um dia inteiro de Axé, estilo musical que eu simplesmente abomino, além de um estádio de futebol lotado de isentos, outra coisa que abomino e principalmente, ter que aturar aquele bando de cara bombadinho que faziam de tudo para arrumar um briga e poder mostrar o quão fodão eles são. Claro, se eu fosse brigar ali, seria considerada uma chacina, devido ao meu domínio das artes marciais em suas mais variadas formas.
Sabe o que tudo isso significou? Que eu fui otário o suficiente para abrir mão de um dos meus maiores companheiros para tentar ficar com uma menina, fato esse que não se concretizou e deixou os meus dias mais entendiantes. Mas claro, em 2007 isso mudou quando conheci a mulher da minha vida.
Apenas um conselho: NUNCA, em hipótese alguma, traia o movimento nerd vendendo os seus gadgets pensando em uma possível troca de fluidos corporais com uma mulher. A não ser que o seu video-game estrague, ele nunca irá te abandonar, já as mulheres, podem ser bem cruéis.
O meu amigo gordinho deveria ser blogueiro.
Gordinhos são engraçados por natureza. Não que eu tenha alguma coisa contra pessoas com ossos largos ou um pouco acima do peso, longe disso (de mim), mas eu tenho que admitir que os gordinhos nos proporcionam as melhores sacadas no meio da rodinha de amigos, além de possuírem um dom natural de receberem a culpa por qualquer mazela.
Se o ar ficou levemente fétido, foi o gordinho quem soltou um singelo peidinho. Se em uma loja de departamento algum objetivo de valor é derrubado, todos olham em primeiro lugar para o gordinho. Uma outra utilidade para essas pessoas tão queridas no nosso dia-a-dia é de “enfeite de quadra”. Em qualquer esporte. O gordinho consegue dar graça a qualquer esporte quando o pratica.
Mas, esse meu amigo, o Gordinho, deveria ser blogueiro. Ele nasceu com o dom de ser blogueiro. Principalmente de humor. Há 4 anos ele faz a mesma piada sempre que me encontra ou deixa um scrap. Eu penso que ele é um eterno estudante do ensino médio que precisa fazer urgentemente uma reciclagem de piadas.
Em meados de 2004 o nosso colégio realizou uma excursão para Diamantina. Adolescentes longe de casa e reunidos. Era merda na certa. Mas até que éramos exemplos a serem seguidos. Não pegávamos ninguém, éramos loosers mas, pelo menos éramos engraçados.
Em uma de nossas saídas, estávamos eu, Edir (Rodrigo), Wally (Walison), Cristiano e o Gordinho. Andávamos tranquilamente por Diamantina quando avistamos um grupo de nativas. Eram bem bonitinhas e, como bons pega-ningas, armamos uma estratégia pra chegar. A primeira delas é decidir em qual menina cada um chegaria. Acredito que o Gordinho estava com fome, pois ele nos presenteou com a melhor tirada em 11 anos de Colégio Tiradentes:
Algum de nós, não me lembro quem, perguntou:
- E aí Gordim, qual você vai querer?
Eis que o Gordinho, com a maior presença de espírito do mundo nos responde com toda a sapiência de alguém que conhece toda a arte da conquista e não precisa escolher meninas:
- Eu acho que vou querer um Hamburguer.
Como diria o Luke - O Zaz Efron da Internet Brasileira: LOLOLOLOLOLOLOL.
A gargalhada foi geral. “Gordim” nos presenteava com mais uma gordice típica. E foram várias as vezes em que simplesmente olhávamos para o Gordinho e soltávamos um “Me dá um Hamburguer”, com a voz levemente fanha imitando alguém com uma concentração absurda de tecido adiposo na região do pescoço.
Esse ano, como tradição é tradição e nunca deve ser quebrada, Gordinho me presenteia no dia do meu aniversário com a sua quote básica:
Não sei, mas algo me diz que ele daria um ótimo blogueiro de humor. Principalmente daqueles que postam uma piadinha, imagem ou vídeo batido… pelo menos duas vezes por mês. Gordinho, você precisa se tornar um blogueiro!
Ah, o que a gente não faz pela namorada?
Uma das principais condições para que um namoro dê certo é, que ambas as partes, façam alguns sacrifícios em função do outro. Um exemplo prático é a namorada que não gosta de filmes violentos ir assistir Batman The Dark Knight e o namorado que não gosta de filmes musicais ir assistir a High School Musical. O pior não é assistir ao filme em si, pois eu tenho um certo preparo psicológico para ingerir qualquer porcaria cinematográfica, mas o problema são as pessoas que vão à esse tipo de filme. Exceto a minha namorada linda, claro.
Ontem o dia já não começou muito bem. Graças a um problema aqui em casa, acabei não podendo ir à cabine de imprensa do filme Rock ‘n Rolla. Ao invés disso, tive que ir para a faculdade para não causar maiores problemas. Como se isso não bastasse, ainda tive uma pequena discussão com a namorada, mas foi resolvido rapidamente. Mas eu não sabia que isso teria um preço.
Havíamos combinado de ir ao cinema, já que ela estava querendo assistir High School Musical 3. Como ela sempre vai aos filmes que eu escolho, não custava nada ir a um filme que ela escolhesse. Por mais que eu odeie filmes musicais, principalmente da Disney, valia a pena abrir uma exceção dessa vez. Como combinado, fomos ao cinema.
Naturalmente eu já tenho um certo incômodo com os pré-adolescentes que vão ao cinema, em específico, os que vão as mesmas sessões que eu. Já cansei de citá-los aqui no blog e o quanto a presença deles pode ser irritante. Mas dessa vez, era eu quem estava no território deles. Eu era o estranho. Isso é pior do que ter o seu espaço invadido por eles. Posso dizer que, dada a bagunça que estes jovens fizeram, tolerar o filme foi o menor dos meus problemas.
Na fila, por incrível que pareça, não houveram problemas. Tudo correu bem, entramos na sala e sentamos no nosso lugar de praxe. Na última fileira, onde os apoios de braço levantam, o que permite um maior conforto na hora de namorar. Mas o sossego acabou ai. Logo os pequenos enfants já começavam a correr pelas salas de cinema e a fazer a algazarra de sempre. Gritinhos histéricos, risadas para chamar a atenção, comentários inoportunos. Tudo o que eles têm o costume de fazer.
Para a minha sorte, a grande maioria deles sentou-se do lado direto da sala, a uma certa distância da minha pessoa. O que eu posso dizer, é uma distância segura em se tratando do que eu sou capaz de fazer quando resolvem atrapalhar o meu divertimento cinematográfico. Porém, sempre tem um que insiste em sentar perto de mim. Algum tempo depois de acomodado no meu lugar, um grupinho composto de 3 meninas e 1 menino chegou. Sentaram-se logo à minha frente e já começaram a chamar a atenção. Falavam alto, riam alto, comiam de boca aberta e etc. Mas esse nem foi o que mais me incomodou. O que mais me incomodou foi o fato de que o garoto, provavelmente já começava a esboçar as primeiras reações homossexuais.
A voz do garoto era terrivelmente fina. Como se isso não bastasse, ele ainda falava com aquele trejeito característico, acentuando as palavras terminadas em TE com a seguinte entonação: Ciiclethy (sic), Patinethy, Refrigeranthy e por aí vai. Seria tudo muito normal, já que isso se manifesta cedo, se ele não fosse tão pentelho e começasse a tacar pipoca em uma garota logo a frente dele. Provavelmente ele sentiu que a mocinha poderia ameaçar o seu brilho durante a sessão e tratou de colocá-la em seu devido lugar.
Depois de muita bagunça, o filme finalmente começou. É sabido que Zac Efron é um pseudo-astro de cinema, que apesar de dois filmes para TV e dois para cinema, já se acha o novo Marlon Brando. Tudo bem, sem problemas. E o diretor do filme sabe explorar isso. Tanto é que o filme começa com um close no rosto do ator, com cara de determinação, cabelo milimetricamente atrapalhado. Esse foi o estopim para a bagunça começar de vez na sala. As mocinhas presentes, por mais que não saibam o que seja um orgasmo, provavelmente esboçaram um na hora em que o astro apareceu. Gritinhos, palmas, gemidinhos. Tudo como manda o figurino.
Não vou entrar em detalhes sobre o filme. Não é necessário. Não existe história praticamente. Apenas pessoas dançando. Mas rende boas risadas pelas caras forçadas que os atores fazem. Acho que eles têm consciência de que aquilo é ridículo, mas como estão ganhando, o importante é se divertir não é mesmo? Pois é.
Por mais que o público não soubesse as canções, alguns esboçavam aquele inglês macarrônico, onde a letra da música se confunde com palavras inventadas ali na hora, que em meio à massa, acabam não sendo entendidas, e o “cantor” da platéia ainda fica com fama de poliglota. Junto com a cantoria, não poderiam faltar as palminhas no rítimo da música. Nesse momento, a nossa pequena borboleta, citada parágrafos acima, deu o seu show. Além das palminhas, as músicas eram complementadas por vários “Uhull” com a sua vozinha fina e irritante.
Surpreendentemente, do outro lado da sala, haviam pessoas em pé e dançando. A sessão havia virado uma palhaçada total. Provavelmente era a primeira vez que essas crianças saíam de casa sozinhas, e como não haviam pais por perto, resolveram fazer o que, segundo eles, se chama “zoar pácaramba”. À essa altura, eu só queria sair dalí o mais rápido possível, ou então dormir. O problema era que: a) não dava para dormir com aquela gritaria e b) eu não saíria da sala sem a minha namorada. Me restou apenas aguentar o término da sessão de tortura.
Seis horas depois (pelo menos foi essa a sensação temporal que eu tive) o filme terminou. A massa se levantou e como uma boa manada de Gnus, dirigiram-se a saída.
Olha, sinceramente, essa é uma experiência que provavelmente eu não repetirei, ouviu Ohanna?


















