Archive for the ‘Cinema’ Category

Rafael - O Roteirista

Eu assisto muitos filmes, muitos filmes mesmo. E também leio vários e vários livros, desde comédias, romances e suspenses, até livros de terror e técnicos. Diria que eu tenho uma certa carga de referências para em um futuro próximo desenvolver algum roteiro de sucesso para Hollywood, já que aqui no Brasil, eu não teria muito sucesso. Sabe por que? Leia os parágrafos abaixo.

Um dos gêneros de filmes que mais gosto, são as comédias adolescentes. Por mais descerebradas que sejam, é sempre muito divertido ver as aventuras e desventuras sexuais, escolares e universitárias apresentadas em filmes como American Pie, Colegiais em Apuros, O Clube dos Cinco, Não é Mais um Besteirol Americano e SuperBad, da safra mais recente, o melhor deles.

Como adoro esse gênero, estava pensando que meu primeiro roteiro poderia ser uma comédia adolescente. Teria direito à todos os clichês do gênero, desde garotas lindas e semi nuas, os grupos sociais do universo escolar, as festas regadas à bebidas e drogas e com um grupo de personagens principais carismáticos. Mas foi exatamente nesse ponto que eu desisti de pensar em uma comédia adolescente aqui no Brasil.

O primeiro empecilho seria a mentalidade do público que, por comédia adolescente, entende-se Malhação. Ninguém bebe, ninguém fuma, ninguém transa e são todos filhinhos de papais criados com muito leite Ninho, que o máximo de putaria que conhecem é uma menina de biquíni. Esse fato nos leva ao segundo fator crucial: o elenco.

Atualmente, as caras jovens da televisão brasileira estão reunidas em Malhação. E o principal, não tem ninguém ali carismático. Não precisa nem ser talentoso, já que pra uma comédia adolescente, você não espera ver uma interpretação digna de Oscar. Basta apenas carisma e infelizmente ninguém dessa geração jovem tem isso. Vejamos:

A atual cara da dramaturgia jovem brasileira:

Muuuuito leite Ninho.

Muuuuito leite Ninho.

Atoooron!

Atoooron!

Esse galãzinho aí de cima é Rafael de Almeida. Ele era protagonista de Malhação e fez a sua estréia em uma novela das oito interpretando um jovem e virgem pianista.

Talento: 0
Carisma: 0

OK. Depois disso não preciso nem mostrar mais nada. A cada ator jovem que eu tenho contato, a minha idéia de fazer um filme para adolescentes aqui no Brasil vai sendo destruída. Além de não existir mão de obra qualificada pra isso, teria que recorrer a uma trilha sonora ridícula contando com Fresno, Nx Zero ou qualquer outra banda random que estiver no auge na época.

A boa é fazer as malas, escrever o roteiro em inglês e tentar a sorte em Hollywood. Vai que eu não me torno tipo, o novo Judd Apatow, não é mesmo?

JCVD (JCVD, 2008) - Resenha do novo filme do Van Damme

Poster JCVD

Como eu falei nesse post anteriormente, com esse filme Jean Claude Van Damme se redime de todos os seus últimos pecados cinematográficos e confirma acima de tudo uma das suas melhores qualidades: o seu tremendo carisma. Esqueça os filmes em que a marca registrada de Van Damme era a voadora com as duas pernas. Nesse filme o cara mostra que tem talento e, ao mesmo tempo em que faz uma auto-biografia, brinca com os gêneros de filmes e principalmente com os últimos acontecimentos da sua vida.

Na história Van Damme interpreta a si mesmo. Um ator em decadência, estrelando filmes de baixo orçamento e com histórias absurdas, brigando pela guarda de sua filha e tentando se reerguer como homem e como ator. Como desgraça pouca é bobagem, ao entrar em um posto dos correios em Bruxelas o astro se depara com um assalto. E o pior de tudo, todos acreditam que ele está assaltando.

Temos um Van Damme velho, cansado, sem paciência para chutes, tiroteios e torneios de artes marciais. Temos ali um ator em decadência que precisa de dinheiro para pagar os seus advogados que estão atuando na disputa pela guarda da filha. Temos uma cidade inteira apoiando o astro, mesmo ele sendo considerado o suspeito pelo assalto. E o ator aproveita toda essa situação para rever o que fez da sua vida até aquele dia. Durante todo o filme, realidade e ficção se misturam. Van Damme é Van Damme, seus filmes são citados a todo o momento, porém a situação em si, que é a ficção, serve de catalisadora para as reflexões do ator.

Em um monólogo, você percebe que naquele momento o cara não está atuando, ele está falando de coração sobre como o mundo do entretenimento pode ser cruel com as pessoas. Ele fala sobre a sua vida, desde as aulas de Karatê até o estrelato, mulheres, drogas e festas. Agora, um homem mais velho, ele busca suas raízes e tenta se reerguer.

Esteticamente o filme é lindo. Um visual meio noir, sem contar o cenário. Bruxelas é uma cidade linda, tipicamente europeia e aproveitam isso da melhor maneira. Até a hora do assalto, claro, quando o filme se concentra em um pequeno posto dos correios. Os tons usados nas cenas de “ficção” e realidade servem para mostrar ao público o que Van Damme pensa. Na vida real não existem heróis que matam vários bandidos e se dão bem. Existem pessoas com problemas, medos e anseios. O diretor Mabrouk El Mechri soube aproveitar isso muito bem.

O filme envolve em sua maior parte, o drama pessoal de Van Damme, mas também tem um humor refinado, ação e um certo suspense. Os melhores diálogos se dão entre o trio de assaltantes e Van Damme ali, sem ser o herói da vez, apenas um refém famoso no lugar errado e na hora errada.

Ao que se propõe, o roteiro está perfeito. É apenas a situação de um cara em um péssimo dia. Não vale procurar furos, a história não tem o que procurar acontecimentos anteriores que inflenciem outros. É apenas um assalto a um posto de correios e apenas isso.

Eu diria que esse, até o momento, é o filme definitivo de Van Damme. Ali ele se confirma como um ator e não um brutamontes. O cara passa sentimento ao interpretar a si mesmo e a gente acredita no cara. Mesmo sendo um filme, aquela é a realidade de JCVD e ele nos mostra que é apenas um cara comum que conseguiu vencer na vida, mas teve que pagar um preço.

Foi sem dúvida um dos melhores filmes que vi esse ano. Pena que não deve estreiar por aqui nos cinemas. Deve sair direto em DVD.

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Veja o trailer:

Van Damme is back, bitch!

Sem dúvida alguma esse é o filme definitivo da carreia de Jean Claude Van Damme. Não é Soldado Universal, nem o Alvo e muito menos A Colônia. Estou falando de JCVD. Uma auto-biografia misturada com elementos de ficcção em que Van Damme interpreta a si mesmo, no que eu posso dizer, o melhor momento de sua carreira como ator e não como brutamontes.

Essa ainda não é uma resenha do filme, farei isso mais tarde. Esse post é apenas para expressar o quanto eu fico feliz ao ver os meus ídolos do cinema retornando em boa forma. Foi assim com Sylvester Stallone em Rocky Balboa e Rambo IV, Bruce Willis em Duro de Matar 4.0 e agora com Jean Claude Van Damme em  JCVD.

Não espere aquele Van Damme quebrando tudo e batendo em todos. O cara no filme interpreta. Mesmo sendo a si mesmo, o filme é de uma sinceridade tremenda e o próprio Van Damme brinca com a recente fase de sua carreira, recheada de filmes ruins e de baixo orçamento. Mas o cara conseguiu. E merece meu respeito.

Parabéns Van Damme.

Black Dynamite - Yo Nigga!

Eu sou branquinho, mas posso dizer que tenho metade do meu sangue de negão. Acho que é por isso que eu gosto tanto de black music dos anos 60, 70 e dos filmes clássicos de negões. Não essa coisa “Yo, Wazz Up, Nigga” que surgiu com o gangsta rap. Eu curto as coisas clássicas. O verdadeiro Nigga Way Of Life, estilo Shaft por exemplo. Acho foda aqueles cafetões bem vestidos com o seus ternos lilas-pérola e suas pequenas bengalinhas com um diamante na ponta. Clássico. E por dizer negão, não me venham com essa de racismo.

Eis que dando uma navegada pelo Judão, encontro o trailer desse filme - Black Dynamite.

Cara, Blaxploitation da melhor qualidade. Black Dynamite é um cara que busca vingança após a máfica matar seu irmão. E tome Kung-Fu estilo Karl Douglas com direito a faixa vermelha na cabeça, além de várias moléres nuas e um bocado de morte. Tem até um Shogun. Caraca, totalmente anos 70.

Veja o trailer do filme logo abaixo. Sim, tem seios.

Propaganda Enganosa

Creio eu que a partir do momento em que você anuncia algo dentro do seu estabelecimento comercial, você deve, no mínimo, vender esse produto anunciado. Porém, acredito que a equipe de Marketing do Cinearte Multiplex do Shopping DelRey em Belo Horizonte não sabe disso. Já é a terceira vez, em menos de 6 meses que eles anunciam um filme através de cartazes e na data de estréia o filme simplesmente desaparece do circuito deles.

O exemplo mais recente é o filme Max Payne. O cartaz do filme estava colado na sessão de cartazes do cinema, além de ter um display gigante na entrada. Hoje é a estréia nacional do filme e, apesar das péssimas críticas recebidas, eu quero assistir. O problema é que o Cinearte Multiplex do Del Rey não está exibindo.

Se não vai exibir o filme, então não anuncie ou divulgue os cartazes. Assim é mais fácil não criar expectativas nos seus clientes. Ainda mais no meu caso, que sou um frequentador assiduo do cinema. Não pela qualidade, mas pelo conforto de ser próximo da minha casa e da minha faculdade. Toda semana assisto a um filme, desde 2005.

Portanto equipe de marketing do Cinearte Multiplex do DelRey, se não for exibir um filme, por gentileza, não veicule nenhum tipo de material promocional relacionado ao mesmo.

P.S.: Provavelmente esse é o tipo de ação que os grandes cinemas promovem ao exibirem filmes mais rentáveis em duas ou até três salas, deixando os outros lançamentos comprometidos em salas minúsculas ou até mesmo não lançando-os. Enfim, é assim o capitalismo. Devemos conviver com isso.

Carol Miranda - Perdendo o Selinho.

Uma mulher traída. Um namorado safado. A vingança? Liberar o selinho pra geral! Essa é a premissa básica do tão aguardado filme pornô com Carol Miranda, a sobrinha da Gretchen. Claro, um filme pornô não precisa de história, roteiro, diretor de fotografia e etc. Basta apenas tirar a roupa e mandar ver. Mas, a produtora Sexy tinha uma carta na manga: a virgindade da moça.

Com um dos melhores roteiros do cinema, digno de Cannes, Berlin, Tribecca, Sundance e por fim, o grande prêmio da academia, Perdendo o Selinho nos apresenta a jovem Carol. Menina recatada, que preza pelos bons costumes e tradições da família brasileira.

A moça fora traída pelo seu namorado e o pior de tudo: ele a traiu com sua melhor amiga. É o tipo de história que a academia adora. Histórias que se aprofundam (e muito) na existência do ser humano. A partir desse momento, Carol triste como só, resolve bolar um plano que fará com que seu namorado se sinta o pior homem do mundo. A moça guardava o grande presente para o garotão. A sua virgindade, tal qual uma Jonas Brothers. Faço aqui uma ressalva, a música “When You Look me in the Eyes” da boy band americana poderia ser parte da trilha sonora do filme.

Voltando ao filme. A moça decide que, ao invés de oferecer o presente ainda lacrado para o namorado, transará com o também namorado da sua amiga, a mesma que ficou com o seu namorado. Uma história típica de Wood Allen, diriam os mais puristas críticos de cinema, mas eu digo que a história é superior a tudo isso. Não há nada semelhante na história do cinema.

E então Carol parte para a sua grande vingança. Liga para o namorado e diz: “Sabe aquilo que eu estava guardando pra você? Então, já era. Perdeu”. Liga também para a sua amiga, agora ex no caso, e avisa que também irá mandar umas fotinhas para a moça.

Nesse momento chega a revelação do cinema nacional (eu juro que procurei o nome do ator, mas no site da Sexxxy Produtora diz que o filme tem “Caroline Miranda e ‘grande’ elenco”. Eu não duvido do tamanho do elenco). Um ator ainda desconhecido, mas que, com toda a sua desenvoltura e malemolência interpreta o namorado da amiga de Carol. A reação do ator ao saber que foi traído é digna de um monólogo Sheakspeariano. Só a sua expressão merece um prêmio.

Então, juntando a fome e a vontade de comer (e muito), os dois planejam uma pequena vigança. Sim, Carol Miranda decide perder o selinho com o namorado da amiga.

Vale citar a interpretação da moça. Se não fosse pelo sangue, a cara e os gemidinhos de dor, eu não diria nunca que Caroline Miranda era virgem. A moça demonstra total desenvoltura, habilidade e intimidade com a boca preenchida. Até o ator se espantou e durante o sexo oral pergunta “Onde que você aprendeu isso, hein?”. E Carol apenas sorri. Aquele sorrisinho sacana, que sem nenhuma palavra quer dizer “Relaxa e deixa comigo”.

Após o aquecimento, o personagem principal do filme aparece em cena. O tal do selinho. Em nenhum momento o vemos, de fato, apenas sabemos que ele está ali, tal qual um uma garrafa de Coca-Cola esperando ser aberta para liberar todo o seu sabor. Com certa dificuldade e trabalhando apenas com a cabeça (é um gênio mesmo aquele ator), finalmente o selinho é rompido. No melhor estilo medieval, onde o lord deveria deflorar a virgem sobre um lençol branco para provar a pureza da mesma, temos uma camisinha com uma singela rodelinha de sangue. É a prova final de que, a partir desse momento, Carol Miranda se tornava uma mulher.

Após tamanha dificuldade Carol Miranda fica mais solta. Rebola, grita, geme. Estava liberta. A vingança é um prato que se come frio. Poderia dizer que, o humor está presente sutilmente no filme. A história termina de forma gozada, mas, isso não é supresa para ninguém. O fato é que, o ex-namorado de Carol Miranda não apareceu no seu Cavalo Branco e a donzela ofereceu o seu maior bem a um homem sedutor, que a fez mulher.

Uma obra que envolve drama, suspense e um pouquinho de humor. Perdendo o selinho é um filme que nos faz refletir a condição do ser humano perante os infortunios da vida.

Para assistir ao filme Carol Miranda Perdendo o Selinho e Carol Miranda - Fiz Pornô e Continuo Virgem, clique nesse link e siga as instruções.

Novo trailer do filme Watchmen

É um dos filmes mais aguardados do ano que vem. Pelos trailers, parece que Zack Sneyder conseguiu mais uma vez. Não vejo a hora de assistir ao Dr. Manhattan desintegrando alguns Vietcongs. Veja o novo trailer abaixo:

Vi no Omelete.

O Pior filme de “terror” de todos os tempos.

É assim que eu defino o filme O Juízo Final (Doomsday) de Neil Marshall. O filme não se leva a sério em nenhum momento. Recilcla o visual e a idéia de filmes consagrados da ficção científica como Mad Max e de algumas bombas como Fantasmas de Marte. Sim, o cara copia um filme que tem a presença do Ice Cube.

O filme sai da ficção científica com armas modernas e a mais avançada tecnologia e entra na porcaria de uma era medieval com cavaleiros, conselheiros e todas essas coisas que a gente vê em MMORPGs. Mas tudo não passa de uma desculpa para vermos cabeças esmagadas, braços arrancados e muito sangue jorrando.

A única coisa que salva no filme é o personagem líder dos selvagens a lá Mad Max. Um sujeito chamado Sol. O cara rouba a cena sempre que aparece. Seja pelo seu sarcasmo, o seu estilo punk. O cara é a melhor coisa do filme. Até quando morre é engraçado.

Resumindo tudo: O filme é uma bosta e se você ver na sua frente, corra.

Ah, o que a gente não faz pela namorada?

Duas moças do filme

Duas moças do filme

Uma das principais condições para que um namoro dê certo é, que ambas as partes, façam alguns sacrifícios em função do outro. Um exemplo prático é a namorada que não gosta de filmes violentos ir assistir Batman The Dark Knight e o namorado que não gosta de filmes musicais ir assistir a High School Musical. O pior não é assistir ao filme em si, pois eu tenho um certo preparo psicológico para ingerir qualquer porcaria cinematográfica, mas o problema são as pessoas que vão à esse tipo de filme. Exceto a minha namorada linda, claro.

Ontem o dia já não começou muito bem. Graças a um problema aqui em casa, acabei não podendo ir à cabine de imprensa do filme Rock ‘n Rolla. Ao invés disso, tive que ir para a faculdade para não causar maiores problemas. Como se isso não bastasse, ainda tive uma pequena discussão com a namorada, mas foi resolvido rapidamente. Mas eu não sabia que isso teria um preço.

Havíamos combinado de ir ao cinema, já que ela estava querendo assistir High School Musical 3. Como ela sempre vai aos filmes que eu escolho, não custava nada ir a um filme que ela escolhesse. Por mais que eu odeie filmes musicais, principalmente da Disney, valia a pena abrir uma exceção dessa vez. Como combinado, fomos ao cinema.

Naturalmente eu já tenho um certo incômodo com os pré-adolescentes que vão ao cinema, em específico, os que vão as mesmas sessões que eu. Já cansei de citá-los aqui no blog e o quanto a presença deles pode ser irritante. Mas dessa vez, era eu quem estava no território deles. Eu era o estranho. Isso é pior do que ter o seu espaço invadido por eles. Posso dizer que, dada a bagunça que estes jovens fizeram, tolerar o filme foi o menor dos meus problemas.

Na fila, por incrível que pareça, não houveram problemas. Tudo correu bem, entramos na sala e sentamos no nosso lugar de praxe. Na última fileira, onde os apoios de braço levantam, o que permite um maior conforto na hora de namorar. Mas o sossego acabou ai. Logo os pequenos enfants já começavam a correr pelas salas de cinema e a fazer a algazarra de sempre. Gritinhos histéricos, risadas para chamar a atenção, comentários inoportunos. Tudo o que eles têm o costume de fazer.

Para a minha sorte, a grande maioria deles sentou-se do lado direto da sala, a uma certa distância da minha pessoa. O que eu posso dizer, é uma distância segura em se tratando do que eu sou capaz de fazer quando resolvem atrapalhar o meu divertimento cinematográfico. Porém, sempre tem um que insiste em sentar perto de mim. Algum tempo depois de acomodado no meu lugar, um grupinho composto de 3 meninas e 1 menino chegou. Sentaram-se logo à minha frente e já começaram a chamar a atenção. Falavam alto, riam alto, comiam de boca aberta e etc. Mas esse nem foi o que mais me incomodou. O que mais me incomodou foi o fato de que o garoto, provavelmente já começava a esboçar as primeiras reações homossexuais.

A voz do garoto era terrivelmente fina. Como se isso não bastasse, ele ainda falava com aquele trejeito característico, acentuando as palavras terminadas em TE com a seguinte entonação: Ciiclethy (sic), Patinethy, Refrigeranthy e por aí vai. Seria tudo muito normal, já que isso se manifesta cedo, se ele não fosse tão pentelho e começasse a tacar pipoca em uma garota logo a frente dele. Provavelmente ele sentiu que a mocinha poderia ameaçar o seu brilho durante a sessão e tratou de colocá-la em seu devido lugar.

Depois de muita bagunça, o filme finalmente começou. É sabido que Zac Efron é um pseudo-astro de cinema, que apesar de dois filmes para TV e dois para cinema, já se acha o novo Marlon Brando. Tudo bem, sem problemas. E o diretor do filme sabe explorar isso. Tanto é que o filme começa com um close no rosto do ator, com cara de determinação, cabelo milimetricamente atrapalhado. Esse foi o estopim para a bagunça começar de vez na sala. As mocinhas presentes, por mais que não saibam o que seja um orgasmo, provavelmente esboçaram um na hora em que o astro apareceu. Gritinhos, palmas, gemidinhos. Tudo como manda o figurino.

Não vou entrar em detalhes sobre o filme. Não é necessário. Não existe história praticamente. Apenas pessoas dançando. Mas rende boas risadas pelas caras forçadas que os atores fazem. Acho que eles têm consciência de que aquilo é ridículo, mas como estão ganhando, o importante é se divertir não é mesmo? Pois é.

Por mais que o público não soubesse as canções, alguns esboçavam aquele inglês macarrônico, onde a letra da música se confunde com palavras inventadas ali na hora, que em meio à massa, acabam não sendo entendidas, e o “cantor” da platéia ainda fica com fama de poliglota. Junto com a cantoria, não poderiam faltar as palminhas no rítimo da música. Nesse momento, a nossa pequena borboleta, citada parágrafos acima, deu o seu show. Além das palminhas, as músicas eram complementadas por vários “Uhull” com a sua vozinha fina e irritante.

Surpreendentemente, do outro lado da sala, haviam pessoas em pé e dançando. A sessão havia virado uma palhaçada total. Provavelmente era a primeira vez que essas crianças saíam de casa sozinhas, e como não haviam pais por perto, resolveram fazer o que, segundo eles, se chama “zoar pácaramba”. À essa altura, eu só queria sair dalí o mais rápido possível, ou então dormir. O problema era que: a) não dava para dormir com aquela gritaria e b) eu não saíria da sala sem a minha namorada. Me restou apenas aguentar o término da sessão de tortura.

Seis horas depois (pelo menos foi essa a sensação temporal que eu tive) o filme terminou. A massa se levantou e como uma boa manada de Gnus, dirigiram-se a saída.

Olha, sinceramente, essa é uma experiência que provavelmente eu não repetirei, ouviu Ohanna?

Última Parada 174 - Resenha do filme

Depois de Cidade de Deus, o cinema nacional foi tomado de assalto - com o perdão do trocadilho - por filmes com a temática Morro Carioca/Tráfico de Drogas/Combate da Polícia. Por um lado, com a projeção que o filme teve mundo a fora, houve um maior incentivo à produções de qualidade superior. Isso se confirmou com Cidade dos Homens e depois Tropa de Elite. Esse nem se fala. Virou mania nacional pelos  bordões do grande Capitão Nascimento. Mas, se por um lado isso foi bom para o cinema nacional, por outro nos trouxe - pelo menos pra mim - a sensação de “eu já vi tudo isso em algum lugar”. A utilização dos mesmos atores ainda colabora para essa situação.

Última Parada 174, dirigido por Bruno Barreto retrata a história do assaltante Sandro, aquele que por 5 horas dominou os passageiros do ônibus 174. O filme não trata do sequestro em si, mas sim da história de vida do assaltante. Como recurso narrativo inicial, Bruno Barreto optou por mostrar a linha temporal de dois personagens. Alessandro, “Alê”, filho de uma drogada que é expulsa do morro e passa a ser criado pelo traficante Meleca e a história do sequestrador Sandro, morador de favela que presencia a morte da sua mãe e após uma breve estadia na casa de sua tia resolve morar nas ruas. Sandro vai dormir nas escadas da Candelária, onde passa a ser chamado de “Alê”.

O destino dos dois se cruza quando Alessandro, que fornecia droga para as crianças da candelária decide ir cobrar uma dívida. Nesse momento vale ressaltar a participação especial de Douglas Silva, o Acerola de Cidade dos Homens. No pouco tempo em que ele aparece, mostra porque ganhou um prêmio internacional. Sandro, que era uma das crianças da Candelária é quem deve arrumar o dinheiro para pagar as drogas mas não consegue. Nesse mesmo dia, acontece a famosa Chacina da Candelária e Sandro foi um dos sobreviventes, fingindo-se de morto. Com a chacina, Sandro tem um depoimento gravado exibido nos telejornais. Nesse momento, a mãe de Alessandro, que fora expulsa da favela, acredia que aquele é seu filho e parte em busca dele.

Os dois voltariam a se encontrar em um centro de recuperação de menores e acabam se tornando amigos. Fogem, cometem crimes, brigam e a história tem aquele desfecho que nós já conhecemos.

O roteiro de Bráulio Mantovani propõe uma análise do que levou uma criança comum a se tornar a protagonista de mais um caso trágico no Brasil. A famosa “falta” de oportunidade e a vida difícil no morro são o pano de fundo da grande maioria de filmes do gênero. O filme tenta mostrar o tempo todo que Sandro era apenas mais um produto da desigualdade social que ronda o Brasil. Criança pobre, traumatizada pela morte da mãe e sobrevivente de uma das maiores chacinas da história do país que sonha em ser um cantor de Rap e fazer sucesso.

O destaque desse filme vai para o ator que interpreta Sandro, Michel Gomes. Essa nova safra de atores vem surpreendendo. Pena que ficam apenas nesse tipo de papel. Jovens do morro que acabam se envolvendo com o crime. A atuação de Michel merece ser citada pela facilidade de mostrar a transformação do personagem ao longo do filme. Optaram por usar um desconhecido, já que os atores que se enquadram nesse tipo de papel já estão saturando as telas do cinema. Temos também a participação do ator André Ramiro, o Aspira Matias de Tropa de Elite interpretando ironicamente o Capitão do Bope que comandou as negociações. Vê-lo na tela foi como assistir o filme de Padilha novamente.

O filme é inspirado pelo documentário de José Padilha (Tropa de Elite), Ônibus 174. No documentário, a história do sequestro é contada paralelamente à história de vida do assaltante. No filme, a história de vida é contada mostrando como Sandro chegou ao fatídico dia 12 de Junho de 2000. O filme ainda utiliza algumas licenças poéticas para se enquadrar no formato de cinema. A catarse se dá quando todos esses fatores coincidem com a passagem de um ônibus no lugar errado, na hora errada.

O filme é o candidato brasileiro ao Oscar, mas, sinceramente, não sei se terá fôlego pra aguentar a disputa. O filme se preocupa em mostrar a todo o momento como a sociedade é a culpada pelo que Sandro se tornou. Por trás do assaltante existe um humano, claro, mas a vida traumatizante não é fator de redenção para ninguém. Uma pessoa que não tinha nada a ver com Sandro, com a situação toda foi morta naquele dia, além do próprio assaltante. No filme ela é apenas uma personagem sem nome (mas ninguém se lembra dela atualmente, a não ser os familiares). Nesse caso, a maior vítima, mãe de família, foi tratada como mais uma das milhões de pessoas que morrem todos os dias. Já Sandro, é tratado como um produto da sociedade brasileira que, pela falta de oportunidades, acabou se tornando um criminoso. A vida de bandido foi glamurizada e amenizda, dando um certo perdão ao assaltante por ter um passado triste.

Uma das cenas finais do filme é emblemática e reflete o qu eu penso sobre essas tragédias brasileiras. O tio de Sandro, marido de sua tia, ao chegar em casa e vê-la chorando apenas olha para a televisão e a desliga. Nesse momento tive dois pensamentos distintos: Ao desligar a televisão, fechamos os olhos e os problemas desaparecem. Ou então, é só desligar a televisão que amanhã tem mais.

Direção:
Bruno Barreto

Roteiro:
Bráulio Mantovani

Elenco:
Michel Gomes, André Ramiro, Cris Vianna, Marcello Melo Jr., Gabriela Luiz, Anna Cotrim, Tay Lopez, Douglas Silva, Rafael Logan

Veja o Trailer:

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