Batman – O Cavaleiro das Trevas

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Dia de cinema com a namorada!

O Batman nunca foi um dos meus heróis favoritos. Não me identificava muito com ele. Aliás, não me identifico com nenhum, já que não consigo escalar paredes, voar, soltar raios nem nada do tipo. Mas enfim, isso não vem ao caso.

Os seus filmes também nunca chamaram a minha atenção. Isso até eu assistir Batman Begins, que na minha opinião conseguiu fazer em um único filme, o que os outros quatro filmes não conseguiram. Um Batman foda e verdadeiro. Você sabe que o cara ali é uma pessoa de verdade, com sentimentos. Nos outros filmes faltou isso, na minha opinião.

O único vilão do filme, o Espantalho, era um vilão mais crível do que o Coringa de Jack Nicholson, o Pinguim de Danny DeVito. Cara, Danny DeVito ahahha. Eu acho ele engraçado. Bom, também tivemos Michelle Pfeifer como Mulher Gato, Uma Thurman como Hera Venenosa, Jim “Ace Ventura” Carrey como o Charada. Cara, Jim Carrey em um filme do Batman. Sem contar Tommy Lee Jones como Duas-Caras e Arnold Schwarzenegger como Mr. Freeze.

Nenhum deles me convenceu. Em nenhum momento. Tá certo, na época, quando eu tinha 4 anos era o máximo. Mas eu não assistia filmes como assisto hoje. Assistia só pra ver passando algo na tela. Ta bom, foi complicado o que eu disse na frase anterior.

Batman Begins me fez ficar mais atento ao personagem. Me fez buscar mais informações, ler mais histórias e esperar pela inevitável sequência. Principalmente com o gancho sensacional no final. Todo mundo já fazia uma idéia do que estava por vir.

E dá-lhe notícias e informações sobre “The Dark Knight”. A cada nova informação sobre o filme, a expectativa só aumentava. Não sou do tipo chato, que fica escalando atores para personagens. Tirando Christian Bale, que seria o próprio Batman, qualquer ator que interpretasse os vilões seria uma escolha acertada. E sai a notícia de que o vilão do filme seria, conforme o esperado, o Coringa. E o ator escolhido era o Heath Ledger.

Acompanhei as discussões na internerd. Muita gente não gostou, blah blah blah. Bando de nerd revoltado. Mas aí começaram a sair as primeiras imagens. E não mostrava nem o rosto do Coringa. Pronto, quetou o rabo dos nerds revoltadinhos. E as notícias continuaram. Teríamos Harvey Dent, o Promotor que se torna o Duas-Caras. Mais expectativa. Será que o vilão estaria no filme?

E saiu a primeira foto de Heath Ledger devidamente maquiado e deformado como o Coringa. Sinistro, assustador, interessante, perfeito. Nada de pinturinha de palhaço como em Batman. Um vilão de verdade.

E toma o primeiro Trailer. Merecidamente, todo mundo pagou um pau pro Coringa de Heath Ledger. Quem não acreditava no ator, que ele não convenceria como Coringa, tomou um tapa na cara. Maníaco, irônico, mais assustador do que as fotos e peitando o Batman no meio da rua. Nesse momento, o filme passou a ser observado mais de perto, e todos os olhos se voltaram para o Coringa. Uma batalha épica estava por vir.

Christian Bale mais foda ainda como o Batman. Mais sombrio, mais violento e mais temido em Gotham. Era tudo o que os fãs queriam. A essa altura, eu já tava em estado máximo de ansiedade.

Inesperadamente, em Janeiro desse ano, o cara que se tornaria (se tornou a essa altura) um ícone no cinema, morre em seu apartamento. Poderia ser qualquer um, mas era ele, Heath Ledger. Todo mundo ficou chocado com a notícia e não era pra menos. O que se falava na rede era somente sobre a atuação genial do cara no filme. Era só elogios. O cara que elevou os vilões de quadrinhos a um novo patamar de realidade e terror. A intensidade do personagem foi tamanha, que ele teve que fazer tratamentos a base de remédios, e por uma infeliz coincidência, acabou morto por uma overdose de remedios. Suicidio? Nunca saberemos, mas que sua obra ficou para a posteridade, isso sim. Com toda a certeza do mundo.

Não vou entrar na questão dos virais. Todo mundo já falou sobre isso. Uma campanha que envolveu o mundo inteiro praticamente, e se tornou a mais marcante de todas as ações de Marketing na história do cinema. Pena que no Brasil as ações se resumiram somente em alterar uma foto e um banner.

Finalmente hoje foi a estréia do filme. Sessão lotada, ingressos esgotados.

O que falar do filme? Tensão do início ao fim. Assustador, intrigante, arrasador. Uma história de como um cara consegue desestabilizar uma cidade psicologicamente. A luta contra o crime ganha novos adeptos, como o promotor Harvey Dent, interpretado por Aaron Eckhart. Enquanto Batman é o vigilante mascarado, Dent é o “Cavaleiro Branco”, aquele que luta sem máscaras. O legítimo representante da cidade. Esta, por sua vez, afundada em corrupção. O tenente Jim Gordon já não sabe mais em quem confiar, a não ser no Batman e em si próprio.

Em meio a isso, surge um sociopata desconhecido. Sem um objetivo específico, apenas causar o terror. Como Batman está acabando com a máfia e os bandidos, é hora de contratar alguém que elime o Cavaleiro das Trevas, e esse alguém é ninguém menos que Coringa.

Quando ele entra em cena, o filme toma outro rumo. Heath Ledger conseguiu. Foi o seu derradeiro papel. Eu afirmo aqui, que será lembrado eternamente pelo seu Coringa. Uma atuação excelente. Você não reconhece o ator. Você não vê nenhum traço de Heath Ledger, ele é o Coringa em pessoa.

Causando o pânico na cidade, ele se torna o antagonista do Batman. Aquele que é a parte que completa o herói. E ele sabe disso, e faz de tudo para levar Batman ao seu limite. Não só Batman, mas toda uma cidade. O cara toca o terror em Gotham. Apenas um cara aterroriza toda a cidade.

É difícil falar de um filme como Batman – O Cavaleiro das Trevas sem soltar um spoiler sem querer. Mas alguns são inevitáveis. O que muita gente já sabe também, pois viu nos trailers.

Coringa causa toda uma situação que acaba levando Harvey Dent a se tornar o Duas-Caras. É a síntese da corrupção. De como uma pessoa normal, de bem, pode ser tornar um vilão. Basta mover as cartas certas, no caso o Coringa, e atacar aquilo de mais importante, que mais representa e significa uma pessoa. Coringa apenas queria mostra a verdadeira face do Cavaleiro Branco de Gotham.

O filme não mostra a origem do Coringa, mas em seus diálogos com Batman, ele é de uma verborragia incrível, o que nos mostra que ele é apenas um produto da sociedade. Um produto que não gosta da sociedade e apenas gosta de desestabilizar o sistema. Um verdadeiro anarquista. Engenhoso, sagaz e genial.

São 2h34m de filme. Mas que é pouco, se comparado a intensidade da história. Do início ao fim.

Quanto a direção do filme? Soberba.

Chistopher Nolan sabe mesclar momentos de ação, suspense e tensão, o que só aumenta com o excelente uso da trilha sonora. Os momentos em que o Coringa aparece em cena, são de enxer os olhos. Ele faz em um filme de ação e de super-herói, o que os filmes de terror não conseguem fazer hoje em dia. Nos faz prender a respiração e esperar ansiosamente pelo desfecho da cena. Magistral.

É um filme que recomendo para todas as pessoas. Tanto para as que gostam de uma boa história, quanto aquelas que apenas gostam de curtir um bom filme de ação. Batman – O Cavaleiro das Trevas proporciona isso e muito mais. É um filme de ação, aventura, suspense e um thriller psicológico, porque não?

Se houver uma sequência, dificilmente teremos um Coringa. E se tiver, um conselho para o ator: Estude a atuação de Heath Ledger, estude o personagem. Ele conseguiu aplicar um nível de realidade ao vilão que dificilmente alguém conseguirá superar.

O Cavaleiro das Trevas, dentre todos os filmes da franquia, é o filme definitivo sobre o herói.

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