Ah, o que a gente não faz pela namorada?

29/10/2008 at 14:03
Duas moças do filme

Duas moças do filme

Uma das principais condições para que um namoro dê certo é, que ambas as partes, façam alguns sacrifícios em função do outro. Um exemplo prático é a namorada que não gosta de filmes violentos ir assistir Batman The Dark Knight e o namorado que não gosta de filmes musicais ir assistir a High School Musical. O pior não é assistir ao filme em si, pois eu tenho um certo preparo psicológico para ingerir qualquer porcaria cinematográfica, mas o problema são as pessoas que vão à esse tipo de filme. Exceto a minha namorada linda, claro.

Ontem o dia já não começou muito bem. Graças a um problema aqui em casa, acabei não podendo ir à cabine de imprensa do filme Rock ‘n Rolla. Ao invés disso, tive que ir para a faculdade para não causar maiores problemas. Como se isso não bastasse, ainda tive uma pequena discussão com a namorada, mas foi resolvido rapidamente. Mas eu não sabia que isso teria um preço.

Havíamos combinado de ir ao cinema, já que ela estava querendo assistir High School Musical 3. Como ela sempre vai aos filmes que eu escolho, não custava nada ir a um filme que ela escolhesse. Por mais que eu odeie filmes musicais, principalmente da Disney, valia a pena abrir uma exceção dessa vez. Como combinado, fomos ao cinema.

Naturalmente eu já tenho um certo incômodo com os pré-adolescentes que vão ao cinema, em específico, os que vão as mesmas sessões que eu. Já cansei de citá-los aqui no blog e o quanto a presença deles pode ser irritante. Mas dessa vez, era eu quem estava no território deles. Eu era o estranho. Isso é pior do que ter o seu espaço invadido por eles. Posso dizer que, dada a bagunça que estes jovens fizeram, tolerar o filme foi o menor dos meus problemas.

Na fila, por incrível que pareça, não houveram problemas. Tudo correu bem, entramos na sala e sentamos no nosso lugar de praxe. Na última fileira, onde os apoios de braço levantam, o que permite um maior conforto na hora de namorar. Mas o sossego acabou ai. Logo os pequenos enfants já começavam a correr pelas salas de cinema e a fazer a algazarra de sempre. Gritinhos histéricos, risadas para chamar a atenção, comentários inoportunos. Tudo o que eles têm o costume de fazer.

Para a minha sorte, a grande maioria deles sentou-se do lado direto da sala, a uma certa distância da minha pessoa. O que eu posso dizer, é uma distância segura em se tratando do que eu sou capaz de fazer quando resolvem atrapalhar o meu divertimento cinematográfico. Porém, sempre tem um que insiste em sentar perto de mim. Algum tempo depois de acomodado no meu lugar, um grupinho composto de 3 meninas e 1 menino chegou. Sentaram-se logo à minha frente e já começaram a chamar a atenção. Falavam alto, riam alto, comiam de boca aberta e etc. Mas esse nem foi o que mais me incomodou. O que mais me incomodou foi o fato de que o garoto, provavelmente já começava a esboçar as primeiras reações homossexuais.

A voz do garoto era terrivelmente fina. Como se isso não bastasse, ele ainda falava com aquele trejeito característico, acentuando as palavras terminadas em TE com a seguinte entonação: Ciiclethy (sic), Patinethy, Refrigeranthy e por aí vai. Seria tudo muito normal, já que isso se manifesta cedo, se ele não fosse tão pentelho e começasse a tacar pipoca em uma garota logo a frente dele. Provavelmente ele sentiu que a mocinha poderia ameaçar o seu brilho durante a sessão e tratou de colocá-la em seu devido lugar.

Depois de muita bagunça, o filme finalmente começou. É sabido que Zac Efron é um pseudo-astro de cinema, que apesar de dois filmes para TV e dois para cinema, já se acha o novo Marlon Brando. Tudo bem, sem problemas. E o diretor do filme sabe explorar isso. Tanto é que o filme começa com um close no rosto do ator, com cara de determinação, cabelo milimetricamente atrapalhado. Esse foi o estopim para a bagunça começar de vez na sala. As mocinhas presentes, por mais que não saibam o que seja um orgasmo, provavelmente esboçaram um na hora em que o astro apareceu. Gritinhos, palmas, gemidinhos. Tudo como manda o figurino.

Não vou entrar em detalhes sobre o filme. Não é necessário. Não existe história praticamente. Apenas pessoas dançando. Mas rende boas risadas pelas caras forçadas que os atores fazem. Acho que eles têm consciência de que aquilo é ridículo, mas como estão ganhando, o importante é se divertir não é mesmo? Pois é.

Por mais que o público não soubesse as canções, alguns esboçavam aquele inglês macarrônico, onde a letra da música se confunde com palavras inventadas ali na hora, que em meio à massa, acabam não sendo entendidas, e o “cantor” da platéia ainda fica com fama de poliglota. Junto com a cantoria, não poderiam faltar as palminhas no rítimo da música. Nesse momento, a nossa pequena borboleta, citada parágrafos acima, deu o seu show. Além das palminhas, as músicas eram complementadas por vários “Uhull” com a sua vozinha fina e irritante.

Surpreendentemente, do outro lado da sala, haviam pessoas em pé e dançando. A sessão havia virado uma palhaçada total. Provavelmente era a primeira vez que essas crianças saíam de casa sozinhas, e como não haviam pais por perto, resolveram fazer o que, segundo eles, se chama “zoar pácaramba”. À essa altura, eu só queria sair dalí o mais rápido possível, ou então dormir. O problema era que: a) não dava para dormir com aquela gritaria e b) eu não saíria da sala sem a minha namorada. Me restou apenas aguentar o término da sessão de tortura.

Seis horas depois (pelo menos foi essa a sensação temporal que eu tive) o filme terminou. A massa se levantou e como uma boa manada de Gnus, dirigiram-se a saída.

Olha, sinceramente, essa é uma experiência que provavelmente eu não repetirei, ouviu Ohanna?