O rei do estrelão

Em uma época onde predominam os Fifas e Winning Elevens da vida, nada me trás mais satisfação do que lembrar da minha carreira e meus títulos de Campeão do Estrelão.

Não, não se trata de nenhuma constelação ou corpo celeste. Estrelão era um estádio de futebol com medidas reduzidas, pintado exatamente como um campo de futebol. O meu era de 160×60cm. Uma pintura de enxer os olhos.

O meu time. que me levou à tantas glórias no grande estrelão, era o Cruzeiro. 10 botões devidamente adesivados com o escudo do time no meio e um goleiro no formato “caixa de fósforo”. Imabatível. Defendia como ninguém. A formação tática na época era o 4-4-2. Ás vezes inovava e fazia um 4-3-3, afinal, o elemento surpresa sempre prevalecia.

Me lembro de grandes duelos. Clássicos eu diria. Já joguei contra Atlético-MG, Flamengo, São Paulo, Botafogo, Grêmio e pasmem, até venci a Seleção Brasileira. E de goleada.

O meu instrumento de trabalho era uma paleta preta, levemente amaciada. Quando utilizada com precisão, colocava a bola onde eu queria. Não era raro gols por cobertura e bolas no ângulo. Se eu tinha um dom, esse dom era o de jogar futebol de botão.

Tetra campeão do prédio. Ostentei o título por 4 anos seguidos. Claro, o principal torneio. Os torneios adjacentes, ganhava um aqui, outro ali, era a pré-temporada. Eu jogava apenas para praticar. Mas quando chegava o campeonato pra valer, a história era outra. Não dava mole. Era ganhar ou ganhar. Não me importava com essa de “o que importa é competir”. Dois garotos, um de frente pro outro e domindo seus botões (não o ânus ¬¬) respectivamente. A catimba era inevitável.

Valia de tudo, menos, claro, falar da mãe. As brigas eram inevitáveis, mas o jogo era mais importante. A torcida geralmente inflamava quando um lance era mais bonito. E nisso eu era craque. Gols sem ângulo, tabelinhas, bolas inalcançáveis. Eu era um craque no futebol de botão.

Mas como todo bom esporte, ele teve a sua época de ouro. Os video-games começaram a reinar. Ganhei o meu Playstation e nem prestava mais atenção aos meus botões, que me deram tanta glória no hall de mármore do condomínio. Foram ficando de lado. O estrelão, ou campo, para alguns, foi sendo esquecido aos poucos. O destino foi inevitável, mas digno de um grande guerreiro. Não joguei fora. Doei. Por algum período de tempo, outra criança pôde colocar os seus dons em prática.

Hoje participo de Campeonatos de Winning Eleven, mas nada tira da minha memória o gosto da vitória em um grande duelo no gramado do meu estrelão.



2 Comentarios

  • Comentado por Isah, July 8, 2008 @ 10:05 pm

    E eu ainda me lembro das tardes que passei jogando dominó na calçada.

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  1. Duelo de gerações | Sem título ainda... — July 14, 2008 @ 12:13 am

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